Tabela 3 – Valores médios freqüência cardíaca (FC) no repouso, aos 15, 30, 45 e 60 minutos da recuperação pós-sessão karate tradicional (KT), karate de contato (KC) e grupo controle (GC). Repouso Final R15 R30 R45 R60 FC (bpm) KC 66,5±3,9 191,4±3,5٭† 92,9±3,7٭ 82,7±3,9٭† 73,3±3,4٭† 64,6±3,6† KT 69,5±5,4 181,5±3,8٭† 96,7±3,1٭ 87,6±3,1٭ 78,1±3,9٭† 70,6±3,7† KT 90,4±6,8 89,8±6,6 89,7±6,5 89,6±6,8 89,8±6,3 90,3±6,3
٭p˂0,05 em relação ao repouso; † p˂0,05 em relação ao grupo controle; ‡ p˂0,05 em relação ao karatê tradicional
A monitorização da freqüência cardíaca (FC) durante a luta foi semelhante em todos os indivíduos do mesmo grupo. O KC apresentou-se com maiores freqüências cardíacas próximas à freqüência cardíaca máxima durante a sessão treinamento, indicando ser mais intenso, uma característica de predomínio anaeróbio da luta (Tabela 3). O presente estudo demonstrou que os indivíduos avaliados mantiveram uma frequência cardíaca (FC) média durante a sessão de KC em torno de 191,4 ± 5,8 b.min-1, e o KT em torno de 181,5 ± 4,6 b.min-1, o que representa 98,9 ± 4,7% da FC máxima e 93,3 ± 4,8 b.min-1 da FC máxima, estimada pela idade respectivamente.
6.1 COMPORTAMENTO DA PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA (PAS)
As reduções da pressão arterial sistólica (PAS) em milímetros de mercúrio (mmHg) durante o repouso e na recuperação após as sessões de karatê de contato (KC), karatê tradicional (KT) e grupo controle (GC) estão representadas na figura a seguir:
Figura 4- ∆ PAS=variação da pressão arterial sistólica;*=diferença significativa em relação ao repouso
(p<0,05).†= diferença significativa em relação ao mesmo momento do GC (p<0,05).‡= diferença significativa em relação ao mesmo momento do KT (p<0,05); R = recuperação.
O KC com maiores magnitudes da redução da pressão arterial, iniciando no 15º minuto da recuperação com uma redução de 4,7 mmHg e principalmente no 60º minuto da recuperação com a maior redução de 13,2 mmHg com relação ao repouso. O KT com relação ao repouso, também observou reduções significativas de 3,9 mmHg no 15º minuto da recuperação e de 8,5 mmHg no 60º minuto da recuperação. O GC não apresentou modificações significativas.
6.2 COMPORTAMENTO DA PRESSÃO ARTERIAL DIASTÓLICA (PAD)
As reduções da pressão arterial diastólica (PAD) em milímetros de mercúrio (mmHg) durante o repouso e na recuperação após as sessões de karatê de contato (KC), karatê tradicional (KT) e grupo controle (GC) estão representadas na figura a seguir:
Figura 5- ∆ PAD=variação da pressão arterial diastólica;*=diferença significativa em relação ao repouso
(p<0,05).†= diferença significativa em relação ao mesmo momento do GC (p<0,05). ‡ = diferença significativa em relação ao mesmo momento do KT (p<0,05); R = recuperação.
Na figura 5, percebemos magnitudes expressivas da redução da PAD ao longo da recuperação em ambas sessões de karatê, sendo o KC com maiores magnitudes da reduções, principalmente no 15º minuto de 3,1 mmHg da PAD e no 60º minuto da recuperação com maior redução de 9,3 mmHg da PAD com relação ao repouso. O KT no 60º minuto da recuperação, também apresentou maior magnitude da redução pressórica com valor de 3,8 mmHg. O GC não apresentou modificações significativas em toda recuperação.
6.3 COMPORTAMENTO DA PRESSÃO ARTERIAL MÉDIA (PAM)
As reduções da pressão arterial média (PAM) em milímetros de mercúrio (mmHg) durante o repouso e na recuperação após as sessões de karatê de contato (KC), karatê tradicional (KT) e grupo controle(GC) estão representadas na figura a seguir:
Figura 6- ∆ PAM=variação da pressão arterial média;*=diferença significativa em relação ao repouso
(p<0,05).†= diferença significativa em relação ao mesmo momento do GC (p<0,05). ‡ = diferença significativa em relação ao mesmo momento do KT (p<0,05); R = recuperação.
Os valores da PAM demonstraram que houve reduções significativas em todos os momentos da recuperação tanto do KC como do KT com relação ao momento repouso e na relação entre grupos, permanecendo abaixo do valor de repouso. Os valores encontrados do GC permaneceram inalterados em todos os momentos da recuperação. A figura 6 sinaliza que o KC registrou maiores reduções da PAM de recuperação com relação ao KT e principalmente quanto ao GC. Percebemos magnitudes com reduções expressivas em todos os momentos da recuperação em ambas sessões de karatê. O KC com valores significativos principalmente no 15º minuto da recuperação, com redução de 3,4 mmHg da PAM e no 60º minuto da recuperação, com a maior redução de 10,6 mmHg da PAM com relação ao repouso. O KT no 15º minuto, apresentou um magnitude com redução de 2,6 mmHg da PAM e no 60º minuto da recuperação apresentou uma redução de 5,4 mmHg da PAM. O GC não apresentou modificações significativas em toda recuperação.
O presente estudo teve como objetivo comparar os efeitos hipotensores em uma sessão aguda de treinamento específico entre o karatê de contato (KC) e o karatê tradicional (KT). Os principais resultados evidenciaram a ocorrência da hipotensão pós- exercício (HPE) tanto sistólica quanto diastólica e média no período de recuperação nas duas modalidades de karatê. Entre os grupos, o KT apresentou redução da pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD) e pressão artéria média (PAM) em todos os momentos da recuperação com relação ao repouso e ao grupo controle, confirmando a HPE de PAS e PAD no KT. O KC também apresentou redução da PAS e PAD em todos os momentos da recuperação com relação ao repouso e ao grupo controle (GC). Com relação ao KT, o KC apresentou diferença significativa da HPE de PAD em todos os momentos da recuperação e HPE de PAS somente a partir dos 30º minuto da recuperação. Poucos autores têm documentado os efeitos do karatê de contato e do karatê tradicional sobre o comportamento pressórico de indivíduos normotensos, principalmente se existe diferença na resposta hipotensora entre eles.
A redução de valores da pressão arterial de indivíduos normotensos, após uma sessão de exercício, é confirmada com os resultados obtidos por outros autores (MONTEIRO; SOBRAL, 2004), porém em estudos como o de Casonatto et al. (2011), onde não foi encontrado efeito hipotensivo em exercícios com diferentes intensidades e durações. A pequena redução de modificações na PA no grupo controle mostrada em nosso estudo, no qual os indivíduos permaneceram sentados em repouso, confirma que a diminuição observada nas sessões experimentais foram resultados realmente da sessão de karatê de contato e do karatê tradicional. Dessa forma, os resultados da presente investigação têm importância clínica, pois a redução da pressão arterial alivia a sobrecarga do sistema circulatório e reduz os riscos cardiovasculares, principalmente para portadores de hipertensão arterial (MARTINS et al., 2004).
A queda nos valores pressóricos, após o exercício, pode estar relacionada a fatores hemodinâmicos, humorais e neurais, contribuindo para manter a homeostasia. Há um aumento no débito cardíaco, uma redistribuição no fluxo sanguíneo e uma elevação da perfusão circulatória para os músculos em atividade (FORJAZ et al., 1998). Segundo MacDonald et al. (2001), tal evento pode estar relacionado a alguns mecanismos, que podem estar relacionados a tal evento, como a diminuição da