• No results found

3 TEORI

3.3 O PPLEVD INKLUDERING OG EKSKLUDERING

A Figura 5 reporta os resultados das funções de impulso-resposta relacionados ao choque de produtividade, que entra na função de produção da firma produtora de bens intermediários. Observa-se um aumento do produto, do consumo e do investimento devido à melhoria tecnológica promovida por esse choque. O choque de produtividade diminui o custo marginal real das firmas e a taxa de inflação da economia. Entretanto, uma vez que os preços são rígidos, algumas firmas diminuem seus preços lentamente, de modo que a redução no nível de preços da economia é limitada, significando que o produto agregado cresce menos do que se esperaria se os preços fossem flexíveis.

Segundo Mayer e Stahler (2009), como o custo marginal e o salário diminuem, as firmas intermediárias podem reajustar seus preços para um nível inferior, o que diminui a inflação. A queda na inflação faz com que a autoridade monetária corte a taxa de juros, que, por sua vez, aumenta o consumo dos residentes ricardianos. Dessa forma, por seguir uma regra de Taylor, a autoridade monetária reage à redução da taxa de inflação por meio de uma diminuição da taxa de juros nominal.

Figura 5 – Funções de Impulso-Resposta: Choque Tecnológico

 

 

  Nota: As funções de impulso-resposta bayesianas são medidas como desvios percentuais

do estado estacionário. Os eixos horizontais exibem o número de trimestres após o choque, ao passo que os eixos verticais exibem os desvios percentuais do estado estacionário. 10 20 30 40 0 0.02 0.04 0.06 Capital 10 20 30 40 0 0.2 0.4 0.6 Consumo Agregado 10 20 30 40 -0.6 -0.4 -0.2 0 Horas Trabalhadas 10 20 30 40 -2 -1 0 Salário Real 10 20 30 40 0 0.01 0.02 Gasto Governamental 10 20 30 40 -0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0 Dívida Pública 10 20 30 40 -0.6 -0.4 -0.2 Inflação 10 20 30 40 0.5 1 Tecnologia 10 20 30 40 -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 -0.1

Taxa de Juros Nominal

10 20 30 40 0.2 0.4 Produto Natural 10 20 30 40 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Produto Agregado 10 20 30 40 0.2 0.4 0.6 Investimento Agregado 10 20 30 40 0 0.2 0.4 0.6 q de Tobin 10 20 30 40 -0.02 0 0.02 0.04 0.06 Tributação Lump-Sum 10 20 30 40 -1.2-1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 Consumidores "Rule-of-Thumb" 10 20 30 40 1 2 3 Consumidores Otimizantes 10 20 30 40 -3 -2 -1 0

Juros sobre o Capital

10 20 30 40

-0.02 0 0.02 0.04

Imposto sobre o Consumo

10 20 30 40

-0.02 0 0.02 0.04

Imposto sobre a Renda do Trabalho

10 20 30 40

-0.02 0 0.02 0.04

Imposto sobre a Renda do Capital

10 20 30 40

0 0.05 0.1

Tributação Distorciva Total

10 20 30 40

-3 -2 -1 0

Spread dos Juros

10 20 30 40 0 0.05 0.1 Hiato do Produto 10 20 30 40 -3 -2 -1 0

Além disso, as horas trabalhadas se reduzem porque as melhorias na tecnologia permitem que as firmas produzam o mesmo nível de produto como antes, mas com menos mão-de-obra. Nesse sentido, Gali (1999) mostra que a resposta das horas trabalhadas a um choque de tecnologia é persistente e significativamente negativa em um modelo vetorial autorregressivo estrutural (SVAR) de produtividade no trabalho e horas trabalhadas com restrições de longo prazo. Gali (1999) define choques de produtividade como sendo choques que possuem um efeito permanente na produtividade do trabalho, e os interpreta como choques de tecnologia. Conforme enfatizado em Gali (1999), Gali e Rabanal (2004) e Francis e Ramey (2005), devido à existência de mecanismo de rigidez de preço nominal, formação de hábito e custos de ajustamento do investimento, choques de produtividade positivos resultam em um aumento da demanda agregada e do produto, mas levam a uma queda imediata nas horas trabalhadas.

Em particular, no tocante à rigidez nominal de preços, é importante destacar que, mesmo após a implantação do Plano Real em 1994, que pôs fim ao processo de hiperinflação que afetava a economia brasileira e corroia o poder de compra dos trabalhadores, o processo de indexação32, que retroalimenta a subida de preços de um ano para o outro, ainda segue elevado e prejudica o controle da inflação no Brasil. Os preços administrados (por exemplo, tarifas públicas, em que a maior parte é reajustada com base na inflação passada)33, respondem por uma parcela de, aproximadamente, 30% do IPCA. Os reajustes salariais, por sua vez, são baseados na inflação passada, que também exerce influência direta no IPCA.

Ao analisarem um modelo dinâmico novo-keynesiano que incorpora um comportamento de ciclo de vida, Fujiwara e Teranishi (2008) argumentam que, uma vez que a política monetária não compensa totalmente a distorção causada pela variação do markup, a habilidade para um aumento no produto refletindo o choque que expande a fronteira de produção é limitado, de modo que um choque tecnológico reduz as horas trabalhadas. Por sua vez, Whelan (2009) utiliza um modelo vetorial autorregressivo estrutural (SVAR) para

      

32

A indexação é o processo pelo qual o preço de um produto ou serviço é corrigido levando-se em consideração a inflação passada. Isso faz com que essa correção seja “carregada” para o período seguinte, uma vez que esse preço elevado irá “pesar” na taxa de inflação do período seguinte. Pode-se dizer que as principais fontes de indexação na economia são os preços administrados (tarifas públicas), salários dos trabalhadores, salário mínimo determinado pelo governo, aluguéis, contratos de financiamento habitacional, entre outros.

33

De acordo com levantamento recente do Banco Central do Brasil, "os preços administrados são menos sensíveis às condições de oferta e de demanda do que os preços livres e, em geral, seus reajustes são determinados por regras contratuais. Grosso modo, pode-se dizer que essas regras procuram compensar variações de custos e ganhos de produtividade nos setores e são definidas pelas agências reguladoras de cada setor, bem como que os índices utilizados como indexadores dos contratos variam de acordo com cada item", informou o BC no relatório de inflação.  

analisar os efeitos de choques tecnológicos nas horas trabalhadas, utilizando-se para essa finalidade diversas medidas de produtividade e horas trabalhadas para a economia dos Estados Unidos. Os resultados obtidos fornecem suporte às evidências encontradas por Gali (1999) de que choques tecnológicos possuem um impacto negativo nas horas trabalhadas, e que esses choques exercem um papel limitado no ciclo de negócios. Resultado semelhante a respeito da trajetória das horas trabalhadas e do salário real após um choque de tecnologia é obtido por Bi e Kumhof (2011).

A queda na taxa de juros torna ótimo o aumento do consumo no período corrente. Os consumidores otimizantes percebem esse fato, e então antecipam corretamente que o choque de produtividade leva a um aumento da renda permanente. Essas duas forças fazem com que os consumidores otimizantes aumentem seu consumo (FURLANETTO e SENECA, 2007).

Todavia, os consumidores “rule-of-thumb” se comportam de maneira diferente. Como o horizonte desses agentes é estático, nem o aumento da renda permanente nem a redução da taxa de juros afeta suas decisões de consumo. Ao invés disso, esses consumidores escolhem o consumo com base em sua renda corrente, que é determinada pelas horas trabalhadas correntes na produção e pelo salário real. Como observado antes, as horas trabalhadas diminuem porque os preços são rígidos, e uma vez que o salário real também responde de maneira negativa, observa-se um declínio da renda corrente. Conseqüentemente, o consumo desses agentes diminui (FURLANETTO e SENECA, 2007).

O efeito do consumo agregado depende da importância relativa dos consumidores otimizantes e consumidores “rule-of-thumb” na economia, e do tamanho de suas respostas aos choques. Nesse contexto, a proporção de consumidores “rule-of-thumb” obtida pela estimação bayesiana foi de , , de modo que não se conseguiu identificar esse parâmetro sob o aspecto estatístico. Por outro lado, uma vez que a utilidade marginal do consumo para os residentes cai à medida que o consumo agregado se eleva, existe um aumento no lazer (ou seja, uma redução nas horas trabalhadas).

Em termos agregados, o aumento do consumo das famílias proporciona uma elevação da receita do imposto sobre o consumo. De modo geral, os impostos sobre o consumo constituem a maior fonte de receita tributária para os governos dos países em desenvolvimento financiarem suas despesas, haja vista a dificuldade em se arrecadar impostos diretamente sobre a renda, por exemplo. Conforme destaca Varsano et al. (1998), “a carga tributária brasileira é muito dependente de impostos sobre a produção e circulação de bens e serviços que, no agregado, atingem a arrecadação de cerca de 14% do PIB. A elevada participação da tributação de bens e serviços parece ser uma tradição latino-americana, pois

além do Brasil, onde a participação de tais impostos atinge 60% do total, Chile (55%), México (68%) e outros também dependem excessivamente dessa base de incidência”. É importante destacar que, no caso brasileiro, o imposto sobre o consumo é considerado uma tributação regressiva, pois onera mais as classes de renda mais baixas, aqui representadas pelos consumidores “rule-of-thumb”.

O estoque de capital da economia aumenta por ter se beneficiado desse choque tecnológico, apresentando parcialmente uma trajetória “hump-shaped”, bem como se refletindo na elevação do investimento e do q de Tobin. Em conseqüência disso, observa-se um aumento da arrecadação do imposto sobre a renda do capital (BI e KUMHOF, 2011), a qual contribui para a redução do investimento ao longo do tempo.

O imposto sobre o rendimento do trabalho apresenta um crescimento inicial positivo, mas que tende ao estado estacionário após dez trimestres. Nota-se que tanto o imposto sobre o rendimento do trabalho quanto o imposto sobre o consumo contribuem para diminuir o salário real recebido pelos consumidores.

De modo geral, a receita das tributações lump-sum e distorcivas contribui para a redução do estoque de dívida pública da economia, mantendo dessa forma o cumprimento da regra de orçamento equilibrado.

Como a regra de gasto responde ao hiato do produto, o aumento no nível de atividade econômica ocasionado pelo choque tecnológico proporciona um crescimento dos gastos governamentais nos dez trimestres iniciais, e a partir desse ponto a trajetória das despesas do governo tende a convergir ao estado estacionário.

Tanto a taxa de juros nominal quanto a taxa de juros sobre o estoque de capital são negativas por causa do choque de tecnologia, mas o valor negativo do spread dos juros é influenciado pelos juros negativo do estoque de capital.

O produto natural e o hiato do produto apresentam trajetórias iniciais positivas, as quais tendem ao estado estacionário após dez trimestres.