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6.2 D ISKRIMINERINGSLOVEN
Nesta pesquisa, buscou-se verificar de que maneira os operadores cognitivos propostos por Edgar Morin estariam presentes no trabalho da coordenação criando condições para a mudança dos processos de ensino e de aprendizagem.
A complexidade de Edgar Morin e a Ecologia dos Saberes de Maria Cândida Moraes, especialmente seus operadores cognitivos, deram os subsídios teóricos ao longo de todo o trabalho. As obras de Pedro Demo e Humberto Mariotti contribuíram muito para enriquecer o conceito de complexidade.
O pensamento complexo implica uma atitude diante da realidade e do conhecimento. A mudança de atitude requer adaptação. Somos sistemas complexos adaptativos. É preciso o mínimo de práticas e esforços no processo da vida cotidiana e ao mesmo tempo pensar sobre como viver melhor.
Em conjunto com o grupo, com diálogo para que todos aceitem a complexidade passando “[...] a pensar segundo a lógica da relação, que propicia exercitar a intersubjetividade, ou seja, o compartilhamento de pontos de vista, de sentimentos, de emoções decorrentes da interação e somente da interação.” (SOUZA, 2010, p. 111) é coordenar na complexidade. Para assim mudar a maneira de agir e pensar na educação.
Somos seres complexos. Vivemos numa realidade complexa.
Ao longo de todo o trabalho procuramos mostrar que a coordenação pedagógica deve buscar compreender e interferir na realidade tal como ela se apresenta. Urge aprender a pensar a dinâmica da escola com novas estratégias de abordagem do real.
Nesse sentido, não se pode considerar a coordenação pedagógica de maneira isolada, capaz de corrigir as distorções causadas pelos outros elementos desse sistema – a escola, mesmo que sua função seja exercida sob o olhar da complexidade.
Os dados colhidos a partir desse trabalho parecem indicar que a maior experiência na função e a experiência trazida em outras funções e contextos, tornam o discurso mais abrangente, percebendo-se mais interações entre os diversos segmentos e as diversas atividades, como demonstra a fala abaixo:
[...] ...talvez por conta da experiência de cada um, por conta de alguns já estarem na escola há algum tempo, talvez faça parte desse cotidiano, dessa experiência. Não é um conhecimento teórico, mas é um conhecimento prático. [...] (Prof3Esc1)
Isso proporciona o desenvolvimento de um trabalho mais integrado e integrador, tanto no trabalho da coordenação pedagógica quanto dos outros profissionais, com uma comunicação efetiva e escuta sensível. Nesse sentido, julgamos ser adequado proporcionar aos sujeitos um maior número de experiências, sendo colocados em situações imprevistas e diferentes, com o objetivo de enriquecer o olhar, tornando-o mais amplo e tolerante e ao mesmo tempo mais exigente e flexível.
Acreditamos que os objetivos desse trabalho foram atingidos, apesar de que, de forma geral, concluímos que as escolas pesquisadas se apoiam mais no paradigma tradicional, comprovando a necessidade de mudança, de transformação das ações para se reconstruir o cotidiano da escola lembrando que “[...] Reconstruir não pode reduzir-se a repor tal qual o que havia antes. [...] Não se trata apenas de rearrumar, mas de, sabendo desarrumar, arrumar de outra forma, de tal forma que o processo determina resultados criativos. [...]” (DEMO, 2011, p. 136)
Pensar e agir na direção da complexidade para ampliar o campo visual daquele que ensina e daquele que aprende. Urge uma mudança de paradigma para que os saberes sejam religados, para que os imprevistos e as incertezas sejam bem-vindos e para que o espaço do diálogo esteja sempre aberto. Educadores devem ser flexíveis e pensar complexo para transformar e melhorar as condições de vida da nossa sociedade, do nosso planeta. Mariotti (2000) nos incita a estender a mão, porque “[...] a mão estendida é o início do abraço. É o ponto de partida para o pensamento complexo – marco inaugural do longo processo de busca da solidariedade”. Solidários serão os alunos mais inteligentes, temperando a habilidade de resolver problemas mecânico-fisiológicos com os limites apontados pela ética.
Como função importante no cotidiano escolar, a coordenação pedagógica deve exercer, pela sua orientação, uma influência libertadora na sua equipe e na comunidade escolar. “Orientar é convidar à emancipação. É gesto de fora que precisa ser puxado de dentro.” (DEMO, 2011, p. 141).
Há necessidade de uma estrutura e de uma organização que propiciem condições favoráveis para um trabalho de qualidade da coordenação pedagógica.
Além disso, uma formação adequada para exercer esse cargo colaborando para uma atuação que traga resultados satisfatórios. Os professores, os alunos, a escola, a sociedade necessita de um coordenador consciente das mudanças de seu papel, da importância de sua atualização e do desenvolvimento em parceria com os demais personagens dos processos de ensino e de aprendizagem.
Afinal, existe o ponto cego da coordenação pedagógica. Como ela o percebe? Seu campo visual também precisa ser constantemente ampliado. Certamente, é um tema interessante para uma nova pesquisa.
Enfim, a escola para se transformar numa instituição que melhora nossa sociedade, convém que trabalhe o conhecimento numa dinâmica de relações, acreditando que os melhores resultados nascem da conversação, do diálogo e da diversidade de opiniões. Um pensamento mais flexível, complexo, dialógico, sistêmico, interdisciplinar e transdisciplinar é indispensável para que a escola possa desenvolver pessoas que atuem no mundo e na vida de forma reflexiva, percebendo que a incerteza e a aleatoriedade devem ser usadas a seu favor, num processo constante de auto-organização, e que a mudança é condição intrínseca a qualquer processo de formação e aprendizagem.
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APÊNDICE A