I. l Terms of Reference .......................................................................................................................................... l
6 WESTERN HORSE MACKEREL: 1998 EGG SURVEY RESULTS
6.3 Potential Fecundity and Atresia of Western Horse Mackerel
Estudo de caso versus observação participante e etnografia
No âmbito de um paradigma interpretativo, o estudo de caso é um estudo naturalista que visa conhecer o “como” e os “porquês” (Yin, 2005) de um acontecimento ou situação bem definida, que constituirá o caso. Nesta situação, o investigador não tem controlo sobre os acontecimentos, e não pode, nem pretende, manipular as causas que originam o comportamento dos participantes.
Segundo Ludke e André (1986), “o caso é sempre bem delimitado, devendo ter os seus contornos claramente definidos no desenvolver do estudo” (p. 17).
“Os estudos de caso são particularmente úteis quando se pretende compreender determinados indivíduos, determinado problema ou uma situação particular, em grande profundidade” (Patton, 1990, p. 54 apud Leonor, 2000, p. 193).
Convém distinguir algumas formas de investigação que às vezes se confundem, nomeadamente, o estudo de caso, a etnografia e a observação participante.
Yin (2005) faz uma distinção entre estes três métodos de investigação. A etnografia pode ser vista como um estudo de caso intenso e prolongado, que se preocupa com a reconstituição de aspectos particulares da cultura de um grupo social ou comunidade. Na opinião de Yin (2005), a etnografia requer uma observação detalhada e estadias longas do investigador no local a ser estudado. Por sua vez, a observação participante pode não ser tão demorada, mas também exige uma permanência relativamente longa no campo de investigação. O estudo de caso, por seu lado, é uma forma de investigação que não depende necessariamente de dados etnográficos ou da observação participante, pois nem sempre requer a presença do investigador num local determinado, podendo mesmo ser realizado, por exemplo, através do telefone ou da Internet. Além disso, o estudo de caso pode utilizar dados qualitativos e quantitativos, enquanto a etnografia e a observação participante usam unicamente dados qualitativos.
Por esta razão, Ludke e André (1986) alertam que o uso da nomenclatura
investigação etnográfica deve ser feito de maneira adequada. De acordo com as referidas autoras, a sua utilização inapropriada ocorre pelo facto de o termo etnografia se ter distanciado do seu sentido próprio no processo de adaptação para o âmbito da educação, sofrendo deturpações. Um estudo relacionado com as questões educacionais que se baseie
119 na etnografia deve ter o cuidado em reflectir sobre o processo de ensino e aprendizagem, situando-o dentro de um contexto sociocultural mais amplo. Deve, pois, haver a preocupação em não limitar a investigação apenas ao ambiente escolar, mas, acima de tudo, promover uma relação entre o que se aprende na escola e o que se passa fora dela.
Observador participante ou participante observador?
Ponte (2006) classifica a observação participante como um “parente próximo dos estudos de caso” (p. 11), em que se procura conhecer os processos, dinâmicas e perspectivas dos intervenientes numa dada situação mas em que não há a preocupação, como nos estudos de caso, em caracterizar o seu carácter único e em delimitá-la como caso.
Observação participante é um tipo de estudo naturalista em que o investigador frequenta os locais onde os fenómenos ocorrem de forma natural e a colecta de dados ocorre num contexto em que as pessoas agem normalmente.
Dependendo do grau de implicação do investigador na vida do grupo que está a estudar, a observação participante pode, segundo Adler e Adler (1987), ser dividida em três tipos, nomeadamente, a periférica, a activa e a completa.
A observação participante periférica é utilizada nos casos em que os investigadores consideram necessário um certo grau de envolvimento na actividade do grupo que estudam, indispensável para compreenderem essa actividade, mas sem serem, no entanto, admitidos no meio dessa actividade.
Neste caso, os investigadores não assumem um papel de relevo na situação em estudo e limitam intencionalmente o seu envolvimento nas actividades do grupo pois, conforme refere Lapassade (2001, s/p), “alguns investigadores acreditam que demasiado envolvimento pode bloqueá-los de qualquer possibilidade de análise”.
Por sua vez, a observação participante activa é escolhida pelos investigadores que pretendem adquirir um certo estatuto no grupo em estudo, desempenhando um papel activo nesse mesmo grupo, mas mantendo sempre uma certa distância. Podemos dizer que estão com “um pé dentro e outro fora”.
No entanto, Lapassade (2001) ressalta que poderão surgir conflitos, principalmente quando essa observação participante activa ocorre em contextos de ensino. O observador participante deparar-se-á com o dilema: como praticar uma participação activa sem “participar” nas mudanças nem as provocar? Numa escola, o observador participante
4. Metodologia
120 activo pode introduzir outros valores na situação que estuda ao apresentar, por exemplo, o seu modo de acção “permissiva” ou um modelo pedagógico alternativo, que são formas de intervenção susceptíveis de alterar a situação.
Finalmente, na perspectiva de Adler e Adler (1987), “a observação participante
completa exige um maior compromisso do investigador. Em vez de experimentar um mero envolvimento participativo, o observador participante completo imerge plenamente no grupo como um „nativo‟” (p. 67).
Ainda de acordo com estes autores e, contrariamente aos dois papéis vistos anteriormente, a observação participante completa pode ser subdividida em duas subcategorias distintas: a “oportunista” e a “convertida”.
Na observação participante completa que acontece por oportunidade, o investigador já faz parte do grupo que irá estudar e beneficia da oportunidade que lhe é dada pelo estatuto que tem dentro desse grupo. Por outro lado, quando esta se dá por conversão, representa uma forma de cumprir uma recomendação etnometodológica, segundo a qual o investigador deve tornar-se o fenómeno que estuda.
Ora, na presente investigação, o meu papel de professora/investigadora revela as características de uma observação participante completa uma vez que eu fazia parte (como professora) do grupo (turma) que investiguei e, além disso, tem carácter oportunista porque eu já era professora destes alunos quando decidi encetar esta investigação; digamos que aproveitei a oportunidade que me surgiu.
A oposição entre o interno e o externo surge em praticamente todos os trabalhos contemporâneos relacionados com a observação participante, mas não está suficientemente sistematizada. Para esclarecer este ponto, Lapassade (2001) propôs uma nova forma de articular os papéis dos observadores-participantes. Para tal, faz a distinção entre
observador participante interno e observador participante externo. Os observadores participantes externos vêm de fora e por tempo limitado (o tempo da investigação), solicitam a entrada e ficam alguns meses em tempo parcial; por outro lado, os observadores participantes internos estudam uma situação de que já faziam, e de que continuarão a fazer, parte. São, portanto, “actores” no grupo no qual já têm o seu lugar, no meio que vão estudar ou na instituição onde exercem funções.
Tendo em conta o exposto, parece óbvio que nesta investigação desempenhei o papel de observadora participante interna.
121 São tantas as definições que resultam das diversas situações e contextos a ter em conta: observação participante, observação participante periférica, observação participante activa, observação participante completa, observação participante completa oportunista, observação participante completa convertida, observador participante interno e observador participante externo.
Acho que todas estas variantes para classificar o investigador e o tipo de investigação poderiam ser integradas, de um modo sintético, apenas em duas categorias: a observação-participação e a participação-observação.
Assim, quando o investigador apenas se integra no grupo a partir do momento em que se inicia o processo de investigação, estaríamos perante uma observação-participação, variando o grau de intervenção (participação), podendo mesmo ser nula. Se, pelo contrário, o observador fizer parte integrante de um grupo e aproveitar essa situação para o observar, estaríamos numa situação de participação-observação. Num contexto de ensino, a participação-observação corresponderia à situação em que o professor investiga a aprendizagem dos seus próprios alunos, pois, mais do que observar, participa. Para que se dê uma mudança/melhoria nas aprendizagens dos alunos, o professor/investigador também terá que alterar as suas práticas e métodos de ensino.
Participação-observação versus Investigação-acção
Outra distinção que importa salientar é entre a observação participante completa, ou seja, entre a participação-observação e a investigação-acção.
Embora a investigação-acção possa ser considerada uma técnica especial de recolha de dados, também pode ser vista como uma modalidade de investigação em que o participante da acção é o investigador da sua própria prática e, ao mesmo tempo, o investigador é um participante que intervém no rumo da acção, orientado pelas suas questões de investigação.
Alguns estudiosos são de opinião que, no caso da investigação em contexto escolar, os professores devem ser os investigadores da sua própria prática. Quando isso acontece, estamos perante uma investigação-acção, cujos objectivos são, na opinião de Fiorentini e Lorenzato (2006), “a melhoria das práticas pedagógicas dos professores, o desenvolvimento curricular centrado na escola, o desenvolvimento de um grupo auto- reflexivo na escola e a melhoria das condições de trabalho pedagógico e investigativo” (p. 113).
4. Metodologia
122 De facto, num contexto de investigação-acção realizam-se trabalhos de intervenção em que as problemáticas e as decisões relativas ao desenvolvimento da investigação são partilhadas pelo investigador e pelos outros participantes e onde não se verifica o descomprometimento do investigador em relação ao objecto de estudo.
Apesar das semelhanças entre a investigação-acção e a observação participante completa (participação-acção), existe, na minha opinião, uma diferença fulcral: enquanto na primeira, o foco da investigação são as práticas do professor (que também é o investigador), na segunda, a investigação centra-se nas práticas dos alunos, envolvendo, apenas de forma implícita, as práticas do professor.