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4. Merknader til de enkelte kapitler

4.26 Kap. 761 Omsorgstjeneste

4.26.1 Post 21 Spesielle driftsutgifter

Como em todas as investigações, o tipo de metodologia usada determina o resultado final do projeto, bem como o alcance dos objetivos estabelecidos. Assim sendo, para responder à nossa questão de partida: “Até que ponto a política editorial tem implicações no tratamento noticioso das notícias?”, definimos como corpus de análise o Jornal de Notícias, jornal diário nacional onde decorreu o estágio, pelo que a recolha dos dados incidirá sobre quatro semanas (de segunda-feira a domingo), o que

corresponde a 28 edições, visto considerarmos ser um período de tempo adequado para que seja possível percecionar indícios de tendências quanto ao modo de tratamento.

Como o nosso intuito é perceber se existe alguma diferença no modo de cobertura e tratamento dos assuntos do ‘Porto’ após a tomada de posse da nova direção a 2 de junho de 2011, serão analisadas duas semanas antes (16 de maio a 29 de maio de 2011) e duas após esta mudança (15 de agosto a 28 de agosto de 2011), que faz um total de 287 artigos – 152 artigos nas primeiras duas semanas e 135 artigos nas últimas duas semanas. Aqui optámos por escolher duas semanas passados dois meses, visto alguns aspetos decorrentes da mudança demorarem a concretizar-se, sendo alguns percetíveis ainda muito mais tarde.

Primeiramente, a pesquisa terá um carácter mais abrangente, englobando uma análise de cada edição, em que, de entre o total de notícias, iremos selecionar e contabilizar somente aquelas que correspondem à secção do ‘Porto’. Esta primeira distinção poderá já ser indicadora da importância concedida pelo jornal a esta secção, visto que nos dá elementos comparativos do espaço que o Jornal de Notícias consagra ao ‘Porto’, relativamente às outras secções do diário. Adicionalmente, será realizada

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uma entrevista ao subdiretor do jornal e ao responsável pela secção ‘Porto’, para recolher informações sobre os critérios que estão inerentes à escolha e tratamento dos assuntos locais.

Os dados recolhidosnas notícias e entrevistasserão, posteriormente, submetidos a uma análise de conteúdo. Consideramos este método de análise dos dados o mais adequado à nossa questão de partida, visto que corresponde a “um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens” (Bardin, 2009: 40). Mas como acrescenta a autora, “o interesse não está na descrição dos conteúdos, mas sim no que estes nos poderão ensinar após serem tratados (por classificação, por exemplo) relativamente a «outras coisas»” (Bardin, 2009: 40). Tal é o que pretendemos com a nossa análise: não ficar por uma mera descrição do conteúdo das notícias, mas sim procurar explicar as escolhas do Jornal de Notícias quanto ao tratamento dos assuntos do ‘Porto’, focando atenção nas diferenças que possam existir entre os dois períodos analisados. Assim, após a descrição das características das notícias em análise, segue-se a sua interpretação, que exige um processo de inferência (Bardin, 2009: 41).

Como refere Moraes (1999: 13), “uma boa análise de conteúdo não deve limitar- se à descrição”, ou seja, “é importante que procure ir além, atingir uma compreensão mais aprofundada do conteúdo das mensagens através da inferência e interpretação”. Como acrescenta a autora, este método, “conduzindo a descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas, ajuda a reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum”. Na mesma linha de pensamento, Krippendorf (1980) (cit. por Vala, 1986: 103), defende que a análise do conteúdo “permite fazer inferências, válidas e replicáveis, dos dados para o seu contexto” permitindo compreender os critérios que estão inerentes ao modo de atuação do jornal.

Como complementam Quivy & Campenhoudt (1992: 224), a análise de conteúdo permite retirar informações sobre “a escolha dos termos utilizados pelo locutor, a sua frequência e o seu modo de disposição, a construção do «discurso» e o seu desenvolvimento”, a partir das quais se pode “construir um conhecimento”. Segundo Pardal & Correira (1995: 73), a análise de conteúdo é indicada para a “captação de ideias e de significações de comunicação, «eventualmente» sobre «as condições teórico- ideológicas de produção» (Almeida e Pinto, 1976:96) daquela”. Deste modo, é nossa intenção não analisar só o conteúdo manifesto, mas também o conteúdo latente, para

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captar sentidos implícitos (Moraes, 1999). Este método torna-se também vantajoso pelo facto de “funcionar como uma técnica não-obstrutiva”, ao “exercer-se sobre material que não foi produzido com o fim de servir a investigação” (Vala, 1986: 106-107).

2.1) Método complementar

Para complementar esta análise e recolher o máximo de informações sobre o modo de tratamento dos assuntos do ‘Porto’, consideramos vantajoso realizar uma entrevista (ver anexo 8) com o subdiretor do Jornal de Notícias e o editor da secção do ‘Porto’. A intenção inicial era entrevistar o diretor do jornal, mas dada a sua indisponibilidade para conceder a entrevista, optámos por entrevistar o subdirector, uma das pessoas também conhecedora da política editorial do JN. O tipo de perguntas colocadas teve por base a política editorial definida pelo jornal e os resultados obtidos na primeira fase de análise das notícias, de modo a que fosse possível confrontar os entrevistados com os resultados obtidos. O objetivo foi o de verificar se poderemos ou não afirmar que a linha editorial do Jornal de Notícias é determinada pela direção do diário, decorrente das possíveis diferenças que possam ser notadas quanto ao tratamento dos assuntos, focando especial atenção às questões do jornalismo de proximidade, um dos focos centrais desta investigação.

Segundo Quivy e Campenhoudt (1992: 192), a entrevista é “um método de recolha de informações, no sentido rico da expressão”, ao permitir retirar informações muito valiosas para reflexão.

“Instaura-se assim, em princípio, uma verdadeira troca, durante a qual o interlocutor do investigador exprime as suas percepções de um acontecimento ou de uma situação, as suas interpretações ou as suas experiências, ao passo que, através das suas perguntas abertas e das suas reacções, o investigador facilita essa expressão, evita que ela se afaste dos objectivos da investigação e permite o seu interlocutor aceda a um grau máximo de autenticidade e de profundidade”

(Quivy e Campenhoudt, 1992: 193).

Como acrescentam os autores, a entrevista é adequada à “análise do sentido que os autores dão às suas práticas e aos acontecimentos com os quais se vêem confrontados: os seus sistemas de valores, as suas referências normativas” (Quivy e Campenhoudt, 1992: 193).

Como referem Boni & Quaresma (2005: 72), a entrevista é o método adequado para recolher dados subjetivos, relacionados com os valores, atitudes e opiniões dos

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entrevistados. De acordo com Fraser & Gondim (2004: 139), consiste numa modalidade de interação entre duas pessoas, “que valoriza o uso da palavra, símbolo e signo privilegiados das relações humanas, por meio da qual os actores sociais constroem e procuram dar sentido à realidade que os cerca (Flick, 2002; Jovechlovitch & Bauer, 2002)”. Ao privilegiar a fala dos interlocutores, permite recolher as opiniões e significados que as pessoas atribuem a si e ao mundo que os rodeia.

“Deste modo, a entrevista dá voz ao interlocutor para que ele fale do que está acessível a sua mente no momento da interacção com o entrevistador e em um processo de influência mútua produz um discurso compartilhado pelos dois actores: pesquisador e participante”

(Fraser & Gondim, 2004: 140).

Trata-se, assim, de uma comunicação verbal que visa compreender os significados que os sujeitos atribuem a determinados aspetos da realidade, no fundo, “entender as motivações, os significados e os valores que sustentam as opiniões e as visões de mundo” (Fraser & Gondim, 2004: 146). Tal é que pretendemos ao entrevistar o subdiretor e o editor da secção ‘Porto’ do Jornal de Notícias, de modo a testar as hipóteses da nossa investigação.

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Capítulo IV – Retrato da secção ‘Porto’ antes e após a mudança de

direção

Dedicámos este quarto capítulo à análise da secção ‘Porto’ antes e após a mudança de direção, procurando fazer um retrato do tratamento noticioso do Jornal de Notícias. Num primeiro momento, é apresentada a análise das notícias tendo em conta as várias dimensões definidas. O objetivo é perceber até que ponto a política editorial tem implicações no tratamento que é conferido aos assuntos publicados nesta secção. Posteriormente, fazemos uma breve alusão à visão das chefias do jornal, através das entrevistas realizadas ao subdiretor e ao responsável do noticiário regional. A ideia é confrontar os dados obtidos com as suas opiniões.