4. History And Context
4.1 Political history
O Pólo Petrolina/Juazeiro é formado por oito municípios15 – Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Pernambuco; Juazeiro, Sobradinho, Casa Nova e Curaçá, na Bahia (FRANÇA, s/d) – do semi-árido nordestino (ver Figura 1).
Localizado numa região conhecida como Submédio do Vale do São Francisco, às margens do Rio São Francisco, no extremo Oeste de Pernambuco e Norte da Bahia, o
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Três municípios foram criados recentemente: i) Lagoa Grande, desmembrado do município de Santa Maria da Boa Vista em 1997; ii) Dormentes, desmembrado do município de Petrolina em 1991 (PERNAMBUCO DE A/Z, 2005); e iii) Sobradinho, em 1989, desmembrado do município de Juazeiro (BAHIA.GOV, 2005).
pólo possui solos e clima adequados ao cultivo da fruticultura16, com temperatura média anual de 26oC. Há disponibilidade de água em grande quantidade e de ótima qualidade para a irrigação proveniente do Rio São Francisco. Apresenta insolação de 3.000 horas/ano e um baixo nível de precipitações pluviométricas, com uma média anual de 401mm/ano, com um longo período de estiagem de 8 meses, de abril a novembro. Isto constitui um fator limitante para o desenvolvimento das atividades agrícolas de sequeiro, mas ao mesmo tempo constitui um fator positivo à agricultura irrigada por duas razões básicas: i) inibe a propagação de pragas e fungos; e ii) chuvas fora de hora podem comprometer o resultado de safras inteiras de vários produtores que utilizam irrigação, podendo, deste modo, comprometer toda a economia da região que é bastante dependente desta atividade17. Atualmente o pólo possui cerca de 100 mil hectares já irrigados (com capacidade para 200 mil irrigáveis).
A produção frutícola nesta região apresenta vantagens em relação às demais regiões produtoras do país, principalmente, devido à sua capacidade de proporcionar ciclos sucessivos de produção, possibilitando colheitas em qualquer época do ano, em virtude da adaptação e do comportamento diferenciado das plantas nas condições naturais acima detalhadas. Assim sendo, o manejo da irrigação na microrregião possibilita a produção durante todo o ano e uma produtividade média acima da obtida nas demais regiões produtoras brasileiras (MARINOZZI & CORREA, 1999).
Os municípios do pólo guardam entre si uma grande coesão natural, cultural e econômica que possibilita tratar esta microrregião como um sub-espaço relativamente homogêneo, justificando, portanto, a identificação deste pólo como um território. Os municípios de Petrolina e Juazeiro se destacam como os núcleos mais dinâmicos desta microrregião.
A população do território era de 565.877 habitantes em 2000, dos quais formalmente 67,76% estavam nas áreas urbanas18. Em termos de densidade
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Segundo MELLET (1995), a suposta desvantagem do solo pobre encontrado no semi-árido se converte em vantagem, pois a “ausência de material orgânico da terra facilita o trabalho dos engenheiros
agrônomos e técnicos agrícolas na composição de um tipo de solo adequado para diversas culturas (...)”
(pp:18), inclusive para a fruticultura.
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Numa propriedade que utiliza irrigação, os períodos de rega são (ou ao menos deveriam ser) bastante rígidos, visando aumentar a produtividade, garantir bens com melhor qualidade, obter os períodos de safra em períodos pré-determinados, etc. Logo, chuvas fora de hora (não planejadas) podem comprometer a estratégia do produtor de ter safras em determinada época do ano, visando atingir determinado mercado com um melhor preço.
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No entanto, apesar de residir na sede dos municípios, um percentual dessa população continua exercendo atividades rurais, elevando, assim, segundo os argumentos de VEIGA (2001), a população rural destes municípios.
demográfica, Petrolina é o que apresenta o maior índice – 45,9 hab/km2, seguido de Juazeiro com densidade de 27,1 hab./km2. No entanto, observa-se que a distribuição da população dos municípios que integram o espaço de estudo é bastante irregular, concentrando-se ao longo do curso do rio, onde se localiza a maioria dos centros urbanos. Isto é identificável por duas razões básicas: i) era nas margens do Rio São Francisco que a população pobre (à época muito grande quantitativamente) sobrevivia, aproveitando as vazantes para praticar uma agricultura de subsistência19; e ii) devido aos Projetos de Irrigação se localizarem às margens do Rio São Francisco, atraindo, portanto, população para esta zona20.
Quadro 1. Municípios do Pólo Petrolina-Juazeiro (2000). População (2000) Município Densidade demogr., 2000 Área (km²) Total Rural (%) Urbana (%) Lagoa Grande (PE) 10,2 1.874,4 19.137 54,79% 45,21% Orocó (PE) 19,2 562,6 10.825 66,99% 33,01% Petrolina (PE) 45,9 4.756,8 218.538 23,91% 76,09% Santa Maria da
Boa Vista (PE) 12,3 2.977,8 36.914 62,06% 37,94% Casa Nova (BA) 5,7 9.697,4 55.730 51,07% 48,93%
Curaçá (BA) 4,5 6.476 28.841 62,64% 37,36%
Juazeiro (BA) 27,1 6.415,4 174.567 23,65% 76,35% Sobradinho (BA) 16,0 1.328,4 21.325 8,04% 91,96%
Total 16,60 34.088,8 565.877 32,24% 67,66%
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.
Comparando-se o tamanho das áreas dos municípios, observa-se uma grande heterogeneidade, havendo uma diferença de 9.134,8 km2 entre o maior, Casa Nova, e o menor, Orocó (ver Quadro 1).
De uma forma geral, pode-se dizer que, já há alguns anos, o pólo vem apresentando uma forte transformação em sua estrutura produtiva e social com base na implantação de projetos de irrigação pelo Governo Federal e por meio da Codevasf. No
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Segundo GRAZIANO DA SILVA (1989), desde a colonização, as grandes fazendas tenderam a se localizar no interior do sertão para evitar doenças típicas de áreas encharcadas (febre amarela, malária, etc.) e permitir que o gado (produto principal das grandes propriedades na época) fosse carregado. Desta forma, as posses ribeirinhas caracterizavam-se por ser em “pequenas tiras de terras delimitadas no
comprimento pela altura que as águas atingiram na enchente” (pp.26).
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A implantação dos projetos nas zonas ribeirinhas do São Francisco ocorreu: i) porque seria mais fácil desapossar pequenos produtores localizados nas margens do Rio São Francisco, por estes serem pobres; ii) por esta região apresentar condições naturais favoráveis à construção dos projetos; iii) por baratear os custos das obras de canais do rio até o Projeto, etc.
entanto, até fins dos anos 1960, as perspectivas para esta transformação eram bastantes limitadas, como detalharemos no próximo item.