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Plan og budsjettprosessene og involverte

Kapittel 3 Presentasjon av data

3.2 Plan og budsjettprosessene og involverte

Jorcélia Oliveira Costa e Silva Neres Vanubia Silva Rodrigues Wilma Gomes Galvão

Programa de pós-graduação em Letras UFT - TO

Resumo: Neste trabalho trazemos os resultados de um estudo sobre a Leishmaniose

Visceral Canina também conhecida como calazar. O objetivo foi identificar o conhecimento sobre a Leishmaniose Visceral Canina, junto aos moradores do setor Nova Araguaína no município de Araguaína, Tocantins, buscando informar a população sobre as principais medidas de controle do Calazar. A LVC, primariamente, era uma zoonose caracterizada como doença de caráter eminentemente rural. Mais recentemente, vem se expandindo para áreas urbanas de médio e grande porte e se tornou um crescente problema de saúde publica no país e em outras áreas do continente americano, principalmente na América Latina, sendo uma endemia em franca expansão geográfica.

Palavras chave: Leishmaniose Visceral Humana; Leishmaniose Visceral Canina; Calazar.

Abstract: In this paper we bring the results of a study on Canine Visceral Leishmaniose also known as calazar. The aim was to identify the knowledge of Canine Visceral Leishmaniose, with residents of the sector in the city of New Araguaina, in the Araguaina Tocantins, aiming at informing the population on the main control measures of calazar. The LVC, primarily, was characterized as a zoonose disease eminently rural. More recently, has expanded to urban areas of medium and large and has become a growing public health problem in the country and elsewhere in the Americas, mainly in Latin America and is endemic in a frank geographic expansion.

Keywords: Human Visceral Leishmaniasis; Canine Visceral Leishmaniasis; Calazar.

Introdução

A Leishmaniose Visceral Humana (LVH) é uma doença crônica, sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, hepatoesplenomegalia, anemia, dentre outras manifestações. Em mais de 90% dos casos, quando não tratada, pode evoluir para óbito. Muitos infectados apresentam a forma inaparente ou assintomática da doença e suas manifestações clínicas refletem o desequilíbrio entre a multiplicação dos parasitos nas células do sistema fagocítico mononuclear (SFM), a resposta imunitária do individuo e o processo inflamatório subjacente.

Segundo Madeira et. al. (2003) a LVH é transmitida através da picada do mosquito fêmea das espécies de flebótomos, conhecidos como vetores e que se alimentam de sangue de diversos animais, em especial do cão doméstico, o qual se apresenta como um dos principais reservatórios desta doença.

Nesse sentido, a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), ou calazar canino, é uma zoonose infecto-parasitária de grande impacto na saúde pública. Sua incidência é de difícil diagnóstico. A característica principal desse tipo de doença, e que compromete o seu controle, são as diversidades ambientais e a variabilidade de espécies hospedeiras, ou seja, reservatórios, que possibilitam sua manutenção e difusão (LAGONI 2008).

Dessa forma, a LVC, importante problema de saúde pública, deve ser tratada de maneira minuciosa e eficiente, considerando que, no ambiente doméstico o cão é um potencial hospedeiro e fonte de infecção para os vetores, e um dos alvos nas estratégias de controle nos casos de Leishmaniose Visceral Humana. Haja visto os outros métodos preventivos possuírem alto custo e não estarem acessíveis a todos, o que compromete a eficácia na prevenção da enfermidade.

O tratamento de cães não é recomendado por não diminuir a importância dele como reservatório e transmissor do parasita. Para melhor prevenção da doença é essencial a captura de cães errantes, principalmente em áreas urbanas, por ser uma importante fonte de infecção. Por esta razão o projeto foi realizado em um bairro periférico na cidade de Araguaína, no setor Nova Araguaína, onde existe um grande número de casos positivos.

Com efeito, o objetivo deste trabalho foi identificar o conhecimento sobre a Leishmaniose Visceral Canina, junto aos moradores do setor Nova Araguaína no município de Araguaína/ Tocantins, buscando ainda informar a população sobre as principais medidas de controle do Calazar Canino. Para isto foi realizado uma pesquisa de campo, tendo como procedimentos a aplicação de questionários e conversas informais e a distribuição de panfletos ilustrativos com informações claras e de fácil entendimento.

Revisão de literatura: prevenção e educação em saúde pública

Prata e Silva (2005) recomendam o uso de tela de malha fina nos canis individuais ou coletivos; telagem de portas e janelas em residências, mosquiteiros, o uso de repelentes, evitar exposição a locais e horários preferenciais do vetor (crepúsculo e noite).

Para Dietze e Carvalho (2003), é fundamental a implantação de programas de vigilância epidemiológica em áreas endêmicas objetivando reduzir a morbidade da doença através de diagnóstico precoce e tratamento adequado dos pacientes. Sendo importante considerar a viabilização dos serviços de saúde para o atendimento precoce dos pacientes, sensibilizar todos os profissionais da rede de saúde para a suspeita clínica; suprir as unidades de saúde com materiais e insumos necessários para o diagnóstico clínico, laboratorial e tratamento, visando contribuir para o diagnóstico e tratamento precoce e desta forma reduzir a letalidade (BRASIL, 2006).

O universo da pesquisa: análise e discussão dos dados coletado

Os resultados da pesquisa ora apresentados contêm informações coletadas por um questionário aplicado em 100 famílias, do bairro Nova Araguaina, na cidade de Araguaina, TO. A seguir descrevemos, discutimos e analisamos as informações a partir de um levantamento do conhecimento desses moradores sobre a Leishmaniose Visceral Canina. Acrescentamos que a amostragem alcançou pessoas nas seguintes faixas etárias: 32% estão entre 18 - 28 anos; 36% entre 29 - 39 anos; 18% entre 40 - 50 anos; 4% entre 51 – 61 anos; 6% entre 62 – 72 anos e 4% entre 73 – 83 anos.

Tendo em vista a literatura pesquisada, entende-se que para se contrair a doença basta estar exposto às condições de risco. Com os resultados de nossa pesquisa, percebe-se que a maioria dos pesquisados encontrados nos domicílios eram de jovens e adultos, facilitando o diálogo informativo entre as autoras da pesquisa e os indivíduos pesquisados, visto que as orientações e dúvidas foram explicadas de forma que facilmente foram compreendidas pelos sujeitos da pesquisa.

Em relação ao gênero, nossos dados revelam que 63% pertencem ao gênero feminino e 37% ao masculino. Camargo e Neves (2006) dizem não existir diferença de suscetibilidade entre idade, gênero e raça. Entretanto, a incidência da doença é maior em crianças menores de 5 anos, devido imaturidade imunológica celular, agravado pela desnutrição comum nas áreas endêmicas e de maior exposição ao vetor.

Nesse sentido, Jeronimo, Sousa e Pearson (2005), afirmam que a distribuição por gênero é equilibrada até os 5 anos de idade, a partir de então passa a haver um predomínio do sexo masculino. Em conformidade com a literatura pesquisada, concluímos que a Leishmaniose Visceral afeta pessoas de ambos os sexos, porém, existe maior susceptibilidade no sexo masculino, em virtude de suas atividades que ocorrem em locais e horários compatíveis com o habitat do inseto vetor.

Em relação à escolaridade dos pesquisados, nossos dados demonstram que 30% não concluíram o ensino fundamental, 22% concluíram o ensino médio, e os que cursaram o ensino fundamental e os considerados semi-analfabetos, representam 16% cada. Das literaturas pesquisadas não há relação de LV com o grau de escolaridade das pessoas infectadas com a doença.

Segundo Brasil (2009), as leishmanioses são consideradas um problema de saúde pública no Brasil por atingir todas as classes sociais, sendo que qualquer pessoa está susceptível, desde que esteja exposta às situações de risco. Entretanto, a baixa escolaridade poderá contribuir para a desinformação quanto aos cuidados necessários de prevenção individuais e coletivos.

Quanto à ocupação dos pesquisados, constatamos que 72% fazem parte de diferentes ocupações, 23% são do lar e 4% são vendedores ambulantes. Nesse sentido, Brasil (2009) informa que a LV é caráter inicialmente rural, atualmente se encontra urbanizada e instalada em grandes centros populacionais. Ademais, a mudança do perfil epidemiológico da leishmaniose para áreas urbanas torna-se visível, principalmente, nas grandes periferias, onde o adensamento populacional humano e canino é alto, o processo

da verticalização das cidades é constante e o estado imunológico da população é alterado por fatores como estresse, desnutrição, drogas e enfermidades transmissíveis.

Através dos dados da nossa pesquisa e das literaturas estudadas, entende-se que todas as pessoas estão sujeitas a contraírem a doença, porém, a probabilidade é maior em pessoas que entram em contato com a mata, como por exemplo, o pescador e o lavrador.

No tocante à distribuição dos pesquisados quanto ao conceito de calazar, 53% dos entrevistados responderam ser ela uma “doença grave”, 14% uma “doença transmitida pelo cachorro”, 12% uma “doença transmitida pelo cachorro” e 12% dizem que ela é uma “doença transmitida pelo mosquito”.

Em relação à distribuição dos pesquisados em relação de como é transmitido o calazar, 48% responderam que é “através da picada do mosquito palha”, 25% diz que é pelo “contato com o cachorro doente e o mosquito”, 15% que “através de cachorro gato e calinha”.

De acordo com Prata & Silva (2005) a principal forma de transmissão da LVH é através da picada do vetor flebótomo Lutzomyia longipalpis ao homem, cães e outros animais como a raposa e marsupiais. Os dados da pesquisa apontam como principal meio de transmissão da L V o Lutzomyia longipalpis, “mosquito palha” como é vulgarmente conhecido.

Quanto à distribuição dos pesquisados quanto a familiares que contraíram a doença, revela que 76% dos pesquisados responderam que não houve casos de calazar na família, 14% responderam sim, mas “não sabem como contraiu a doença” e 10% também responderam que sim “contraiu a doença de cachorro doente”.

Dietze e Carvalho (2003) informam que a Leishmaniose Visceral é uma doença que induz imunidade. São extremamente raros os casos de recidiva ou re-infecção da doença em indivíduos imunocompetentes.

Na qualidade de autoras desta pesquisa e tendo em vista a literatura pesquisada, entendemos que a Leishmaniose Visceral é uma doença que induz imunidade, embora ocorra em alguns indivíduos mesmo após a cura clínica, a persistência de alguns parasitas sem que aconteça recidiva, porém, se houver queda do sistema imunológico por alguma doença ou desnutrição, a Leishmaniose Visceral pode ser desenvolvida normalmente. Diante do exposto salientamos que é de fundamental importância a implementação dos métodos de prevenção existentes.

Em relação à distribuição dos pesquisados quanto a criarem cães a TABELA 9 demonstra que 83% responderam que não possuem cachorro, seguidos de 17% que responderam possuir pelo menos um cão por residência.

Prata e Silva (2005) relatam que no Brasil, o reservatório do parasita da Leishmaniose Visceral de maior relevância é o cão doméstico. Como a Leishmânia tem grande tropismo pela pele nesses reservatórios, a exposição cutânea pelas lesões ou perda dos pelos facilita a contaminação dos flebotomíneos.

Enquanto autoras desta pesquisa e tendo em vista a literatura pesquisada entendemos que o cão é um importante reservatório do parasita e possui um intenso parasitismo cutâneo facilitando a transmissão e servindo como fonte de infecção para o vetor que posteriormente infectará o homem. Portanto a desnutrição assim como as precárias condições de vida desses indivíduos e consequentemente a queda do sistema imunológico, são fatores para o desenvolvimento da doença.

De acordo com a distribuição dos pesquisados quanto, a saber, identificar um cão com calazar, a TABELA 10 revela que 33% responderam que não, seguidos de 67% dos pesquisados que responderam sim, acrescentando os sinais e sintomas encontrados “Unhas grandes, magro, olhos remelentos e cai os pêlos”.

Medeiros e Nascimento (2004), dizem que o cão pode apresentar emagrecimento, queda de pêlos, nódulos e ulcerações na pele (rica em parasitas), paralisia dos membros inferiores e cegueira. Sendo que o cão pode apresentar a forma assintomática. Brasil (2006) acrescenta a onicogrifose (crescimento das unhas) e ceratoconjuntivite.

Na qualidade de autoras desta pesquisa e em conformidade com a literatura pesquisada, entendemos que a Leishmaniose Visceral pode ser identificada com facilidade no cão sintomático, devido os sinais e sintomas apresentados, porém, aumenta o nível de preocupação pela existência da assintomatologia canina, que necessita ser comprovada através de exame sorológico mesmo não havendo sinais clínicos da doença.

Conforme a distribuição dos pesquisados sobre o que deve ser feito com o cão caso esteja com suspeita de calazar, a TABELA 11 informa que 93% responderam que se deve “chamar a carrocinha e entregar o cachorro” e 7% que “tem que ser tratado porque tem cura”.

Segundo Miranda Filho, Ramos e Oliveira (2004), as medidas de controle da Leishmaniose Visceral visam e eliminação dos cães infectados, por ser uma importante medida preventiva e geralmente é feita a partir de busca ativa de casos de animais com testes sorológicos, em área com casos notificados em humanos. Para Brasil (2006), todos os animais sororreagentes e o parasitológico positivo devem ser sacrificados em ambiente adequado.

Seus cadáveres deverão ser depositados em local apropriado. Enquanto autoras deste estudo e tendo em vista a literatura pesquisada concluímos que o tratamento canino não tem apresentado eficácia e nem diminuído a importância do cão como reservatório do parasita, portanto os animais soro positivos devem ser recolhidos e sacrificados pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) interrompendo o ciclo de transmissão da Leishmaniose Visceral.

Segundo a distribuição dos pesquisados que presenciaram o recolhimento de cachorro na sua rua com suspeita de estar com calazar, a TABELA 12 revela que 70% responderam que sim e relataram como aconteceu “os vizinhos amarraram o cachorro e ligaram para o CCZ” ou “o CCZ levou sangue para exame e depois de um mês veio buscar o cachorro” e 30% responderam que não.

Brasil (2006) relata que a rotina de captura de cães errantes é necessária, principalmente em áreas urbanas, por ser fonte disseminadora de muitas doenças de importância médico-sanitária, inclusive a Leishmaniose Visceral.

Na qualidade de autoras deste estudo e de acordo com a literatura estudada, é de extrema importância que seja feita a captura de cães errantes e também os domésticos que apresentem as manifestações clínicas características da Leishmaniose Visceral.

Em relação à distribuição dos pesquisados quanto à disposição de entregar o cachorro para a carrocinha, a TABELA 13 informa que 97% responderam sim, enquanto 3% responderam não, acrescentando que “todo ser vivo merece viver”.

Brasil (2007) define que caso canino suspeito é todo cão proveniente de área endêmica ou onde esteja ocorrendo surto, com manifestações clínicas que caracterizam a Leishmaniose Visceral canina. FUNASA (2007), explica que uma das medidas de controle da Leishmaniose Visceral visa à eliminação de cães infectados errantes e domésticos e que os clinicamente suspeitos podem ser eliminados sem realização prévia de sorologia.

Na qualidade de autoras deste estudo entendemos que no Brasil, o Ministério da Saúde preconiza o sacrifício dos cães doentes, no entanto o dono do cachorro tem o direito de requerer a confirmação do exame positivo para Leishmaniose Visceral. Em caso positivo, o dono não será obrigado a entregar seu cão à carrocinha, desde que o faça a um médico veterinário de sua confiança para que proceda ao sacrifício do mesmo.

Conforme a distribuição dos pesquisados sobre como gostaria de ser informado sobre os meios de prevenção do calazar, a TABELA 14 demonstra que 67% preferem palestra com acadêmicos; 27% cartilha informativa e 3% gostariam de reunião com a comunidade.

Segundo Brasil (2006), as orientações dirigidas às atividades de educação e saúde podem ser através de divulgação à população sobre a ocorrência da Leishmaniose Visceral, alertando sobre os sinais clínicos e os serviços para o diagnóstico e tratamento; Adoção de medidas preventivas considerando o conhecimento da doença, atitudes e práticas da população, relacionado às condições de vida e trabalho das pessoas; Incorporação das atividades de educação e saúde voltadas a Leishmaniose Visceral em um processo de educação continuada.

Considerações finais

Enquanto autoras desta pesquisa, entendemos que é necessária a utilização de diversos meios de comunicação para levar a população informações sobre o perigo de se infectar com a Leishmaniose Visceral, já que a comunidade está susceptível, vulnerável e exposta à forma como ocorre a transmissão da doença. O encontro da população e as equipes de saúde são positivos, pois permite que as dúvidas das pessoas sejam sanadas, passando a adotar medidas de prevenção, atuando positivamente no controle da doença.

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