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8 I NTERESTS OF THE STUDENT TYPES

8.3 The Reluctant, the Undecided and the Enthusiast

8.3.1 In phase?

Embora muitos dos trabalhos resenhados nesta seção tenham repercussão nacional, a opção de deixá-los aqui está relacionada ao entendimento de que no Nordeste há um cenário vasto de pesquisa e experiências em várias universidades, muitos trabalhos publicados em um panorama nacional e internacional. A comprovação disso está na organização de eventos que aconteceram na região, como o Seminário de Leitura e Produção no Ensino Superior que se encontra na sua oitava edição e ocorreu em Natal, na UFRN, em julho de 2013. Esse evento ocorre, desde 1999, no âmbito do Congresso de Leitura do Brasil – COLE, que é sediado pela Universidade Estadual de Campinas. A atual proposta é de que nos anos em que não estiver inserido na programação do COLE, que ocorre bianualmente, esse evento circule por instituições universitárias localizadas em diferentes regiões do Brasil, propagando e incentivando a discussão sobre a qualidade da produção acadêmica de conhecimento. O evento propõe-se a criar um espaço para as discussões sobre a produção de conhecimento nas universidades brasileiras.

Destacaremos, assim, algumas iniciativas em universidades públicas. O subprojeto Ateliê de Textos Acadêmicos (ATA), coordenado pela profa. Regina Celi Pereira amplia esse escopo de atuação para o nível de pós-graduação, voltando o foco para um nível maior de proficiência, tendo como objetivo geral

criar um espaço de oficina de textos acadêmicos, e que também tenha acesso a diferentes áreas de conhecimento científico, viabilizando a investigação das diferentes nuances que envolvem a elaboração de textos acadêmicos em sua interface com diferentes formas de construir conhecimentos.

Segundo Pereira, R. (2011), a proposta encontra-se em conformidade com outras iniciativas Institucionais, a exemplo do que vem sendo desenvolvido na Universidade de Buenos Aires (UBA), com a qual a Universidade Federal da Paraíba (UFPB/PROLING) mantém vínculos de cooperação, que desenvolve projetos de letramento acadêmico com alunos da graduação e da pós- graduação (cf. NARVAJA DE ARNOUX, 2009). O grupo pretende atuar também nesse nível, criando uma equipe de pesquisadores que atue direta e indiretamente nas ações específicas de acompanhamento, assessoramento e supervisão de elaboração de artigos científicos, resumos, resenhas, dissertações e teses de alunos da pós-graduação e de outros Programas e Áreas de conhecimento.

Trata-se de uma iniciativa de investigação dos aspectos linguístico- discursivos dos textos acadêmicos, essencialmente de caráter interdisciplinar que se respalda na necessidade de proporcionar formação acadêmica de primeiro nível frente às demandas atuais de qualificação profissional. A proficiência em textos escritos tem sido e sempre será um desafio tanto para a comunidade escolar como para os demais setores da sociedade e, para isso, a academia precisa inovar em formas de tornar esse letramento acessível a uma maior parte da população.

De acordo com Pereira, R. (2011), a perspectiva teórico-metodológica do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) se identifica perfeitamente com a abordagem interdisciplinar requerida pelas pesquisas que focalizam a escrita em toda sua complexidade. O ISD refere-se à noção de linguagem como ação, ou seja, a partir do uso situado da linguagem, agimos na sociedade e nos desenvolvemos cognitivamente. Nesse cenário, em situações reais de uso da língua, a Linguística Aplicada (LA) tem tido um papel fundamental porque consegue atuar – por meio das pesquisas desenvolvidas na área – como um elemento de contato entre as teorias que circulam nos meios acadêmicos e o reflexo delas no estudo e análise das práticas sociais de linguagem.

Alguns trabalhos buscam explorar os vários gêneros acadêmicos, como o de Bezerra (2011) e de Oliveira (2011), da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). Essas iniciativas desenvolvem atividades que envolvem a produção e a reescrita de textos, o que desperta para a necessidade da reflexão sobre a escrita no âmbito acadêmico. Na tentativa de indicar um caminho para essa problemática, propõem-se como procedimentos metodológicos práticas de revisão e reescrita nas quais podem ser analisadas, por professores e alunos, as produções textuais discentes em várias etapas, com o propósito de identificar as necessidades e as dificuldades enfrentadas pelos alunos.

Considerando que o gênero resumo é de grande importância no contexto escolar/acadêmico, Azevedo e Nicolau (2011), da UFPB, por meio de uma pesquisa exploratória e explicativa, realiza um estudo sobre o processo de produção desse gênero, solicitado em diferentes disciplinas, observa como o aluno retextualiza e reconduz o resumo a partir do uso de metarregras, mostrando os problemas identificados na teoria dos gêneros e da retextualização para que o aluno apresente êxito nesse tipo de produção textual. Silva, A. (2011), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), descreve uma organização retórica das informações do gênero artigo acadêmico experimental (AAE) produzido por alunos iniciantes do Curso de Graduação em Letras e entende, a priori, que o AAE é um dos gêneros de grande prestígio na produção, na distribuição e no consumo do conhecimento científico sendo associado a gêneros escritos que reportam a alguma investigação feita por seus autores, objetivando a apresentação de descobertas e a discussão de questões teóricas e metodológicas. Peixoto (2011), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), investiga o gênero resenha e realiza uma oficina com alunos da graduação em Letras dessa universidade, com o propósito de concretizar um estudo de caso sobre a compreensão e produção/refacção do referido gênero textual. O objetivo da autora era verificar, sob o ponto de vista estrutural, como os alunos se apercebiam do gênero e, sob o ponto de vista cognitivo, como as informações eram abstraídas pelos participantes. Nesse contexto, foi promovida uma análise individual e em dupla, assim como debate ao final da atividade, para que houvesse reflexão sobre as atividades realizadas, cujos resultados apontam que os alunos aperfeiçoaram suas

produções, passando a utilizar movimentos retóricos e artifícios peculiares ao gênero trabalhado.

Na UFRN, o projeto de pesquisa Polifonia em Gêneros do Discurso Acadêmico de Diferentes Áreas do Conhecimento e a (Não) Assunção da Responsabilidade Enunciativa, coordenado pela profa. Maria das Graças Rodrigues, propõe dar continuidade às investigações do grupo ao longo da última década, no âmbito dos gêneros do discurso acadêmico. Dessa feita, busca responder a novas questões e ampliar os dados, incluindo artigos científicos e capítulos de livros teóricos de diferentes áreas. Nessa direção, ressalta que é comum encontrar artigos científicos e capítulos de livros teóricos de diferentes áreas do conhecimento produzidos uns na 3.ª pessoa do singular, alguns na 1.ª pessoa do singular e outros na 1.ª pessoa do plural. Essa possibilidade de escolha mostra se o ponto de vista (PDV) é assumido diretamente por um locutor / enunciador primeiro, ou indiretamente por um locutor / enunciador segundo (intratextual), ou, ainda, por um enunciador segundo não locutor. Essas orientações discursivas configuram diferentes PDVs, ou a (não) assunção da responsabilidade enunciativa. Para o grupo, essa mobilização enunciativa parece ter ligação direta com as áreas do conhecimento, a biologia, saúde, engenharias, humanidades, sociais e aplicadas. O percurso teórico se circunscreve à linguística da enunciação e ao conceito de gênero do discurso bakthiniano. Por fim, adota como percurso metodológico a abordagem qualitativa de natureza interpretativista.

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) desenvolveu uma experiência de ensino de Língua Portuguesa para fins acadêmicos em diferentes cursos de graduação nessa universidade. A partir das observações e reflexões sobre as dificuldades dos discentes recém-ingressos quanto ao domínio das habilidades de leitura e de escrita acadêmica, Silva, E. (2012) e suas orientadas propõem uma coletânea, sob o enfoque da Linguística Aplicada, com alternativas de didatização de gêneros representativos desse tipo de escrita (esquema, resumo e resenha acadêmicos). A ideia das autoras da coletânea é tentar responder à pergunta frequente dos alunos recém- ingressos na universidade: Professora, como é que se faz? A proposta considera o contexto de produção na academia, os trabalhos, observando a dinâmica, a interação e as implicações ideológicas dos gêneros; assim, as

autoras acreditam que podem revelar a natureza pragmática no sentido de ajudar os estudantes a desenvolverem sua competência comunicativa acadêmica.

Como mencionado no levantamento no Banco de Teses da CAPES, duas pesquisas tratavam da temática que ora investigamos. A tese de Rodrigues (2012) amplia o debate sobre a produção textual de gêneros acadêmicos escritos, detendo-se, de modo particular, à depreensão das crenças e das estratégias de aprendizagem que orientam o processo de escrita do resumo, da resenha e do artigo científico. Para a autora, esses textos representam boa parte dos gêneros a partir dos quais o aluno se envolve nas diversas atividades linguageiras da comunidade acadêmica, atenta para a organização e funcionamento da linguagem desse grupo, se apropria das formas do dizer e fomenta a divulgação e circulação do conhecimento. As crenças, nessa direção, abrangem um conjunto de representações; suposições; ideias populares; uma forma de conhecimento estável, declarável, intuitivo, implícito ou explícito; um tipo de conhecimento metacognitivo; um modo de aprendizagem e de ensino de língua; e ainda um processo de aprendizagem. As crenças abrem oportunidades para que professores e alunos (re)conheçam as estratégias ativadas na/para a produção do texto e favorecem que outras e novas estratégias – cognitivas, linguísticas, textuais e/ou discursivas – sejam adotadas.

À luz desses conceitos, o trabalho dessa pesquisadora busca: i) descrever as crenças que orientam a escrita acadêmica e, em especial, as crenças de produção desses textos; ii) discutir as estratégias típicas do manuseio da arquitetura textual comum ao discurso teórico-científico; assim como iii) explorar as estratégias que revelam as ações do aluno para mobilizar saberes sobre a escrita, os gêneros textuais e/ou outros saberes (linguísticos, sociais, históricos, cognitivos, discursivos, etc.). Metodologicamente, as crenças e estratégias são identificadas a partir da técnica do grupo focal e por meio da coleta de textos produzidos por alunos do curso de Letras de uma universidade pública da Paraíba, Brasil.

A autora assegura que esses dados revelam a posse dos alunos de um tipo de conhecimento metacognitivo sobre o processo de produção textual, sobre o contexto de produção e sobre o leitor potencial desse texto, embora

demonstrem mobilizar poucas estratégias, principalmente de natureza linguístico-textual, para monitorar a escrita e a revisão do texto. A autora enfatiza que a pesquisa ressalta a necessidade de a produção desses textos ocorrer de modo mais explícito e frequente na rotina acadêmica, para que os alunos adquiram estratégias mais eficientes de escrita, estabeleçam relações entre gênero e texto, entre os modos de dizer e fazer acadêmicos. Também reforça que é preciso que as atividades sejam mais regulares e que deem sistematicidade às estratégias de revisão gramatical, textual e discursiva. Essas atividades devem favorecer, enfim, a inserção dos alunos em um contexto de letramento acadêmico e o confronto entre velhas e novas crenças.

A outra tese é a de Pereira, C. (2012) que enfatiza a produção dos gêneros elaborados nesse âmbito, especialmente os que se configuram como trabalho de conclusão de curso, como monografia, dissertação e tese como uma das preocupações mais recorrentes de professores no Ensino Superior na atualidade. Partindo dessa perspectiva, e com vista a compreender os processos discursivos envolvidos na produção do gênero monografia no âmbito universitário, a autora analisa discursos de professores e de alunos sobre o processo de produção da monografia no Curso de Letras, considerando a orientação, a escritura e as especificidades desse gênero. Baseada nos estudos bakhtinianos em interface com a Linguística da Enunciação, com os fundamentos da Análise Textual dos Discursos e, por fim, com os estudos sobre a produção textual no ensino superior, a pesquisa pauta-se em uma abordagem qualitativa, com base em procedimentos etnográficos de geração de dados, a saber: a realização de observações in loco, assim como a aplicação de questionários com perguntas abertas para 10 (dez) alunos e 06 (seis) professores do Curso de Letras.

Segundo Pereira, C. (2012), a análise dos discursos dos sujeitos selecionados revela que: (i) a produção e a orientação da monografia são formas de ação pela linguagem que precisam ter em conta, quando de sua execução, a liberdade de escolha do aluno como princípio da produção da monografia, bem como o maior envolvimento de orientador-orientando com vista a melhorar a qualidade da produção, entre outros; (ii) há a necessidade de uma articulação entre o projeto de pesquisa e a monografia, considerando- se o trabalho de orientação, que deve partir no nascimento do projeto de

pesquisa; (iii) são muitos os papéis atribuídos em discursos de professores e alunos para as funções de orientador e de orientando, de maneira que ambos veem atribuições comuns tanto nos discursos de alunos quanto nos discursos dos professores; (iv) os discursos de professores e alunos indicam ainda assumirem, em alguns casos, a responsabilidade enunciativa pelo conteúdo das proposições-enunciados, bem como mostram que as vozes dos manuais de metodologia e das normas institucionais estão intrinsecamente subjacentes ao processo de produção da monografia.

Na UEPB, desde 2007, quando iniciamos nossa pesquisa, começamos a discutir em eventos nacionais e internacionais, como também em periódico, sobre os gêneros acadêmicos e sobre a nossa experiência (SANTOS, 2009, 2010a, 2010b, 2011a, 2012; SANTOS; MENDONÇA, 2008; SANTOS; ALMEIDA, 2009, 2010, 2013a). Esses trabalhos, voltados à esfera acadêmica, relatam sobre o espaço escolar criativo, a experiência desenvolvida na UEPB, análise do gênero diário, expõe sobre a vivência com seminário e sobre o projeto SESA, objeto desta pesquisa. Não faremos uma descrição desses trabalhos, uma vez que já são contemplados ao longo da tese.

Merece enfatizar apenas o trabalho sobre o gênero diário dialogado, em que objetivamos analisar a voz dos alunos quanto à prática pedagógica do ensino de língua vernácula. Trata-se de uma pesquisa-ação realizada com duas turmas de alunos matriculados no 1.º período do curso de Arquivologia da UEPB cujos diários foram elaborados a partir das aulas de Oficina de Texto. Revisa o conceito da transposição didática e de recontextualização; as condições de produção do texto são baseadas no Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), como discutido por Bronckart (1999, 2006, 2008).

Como resultado, de um modo geral a respeito da prática docente, as vozes dos discentes sinalizam que as reflexões para um processo teórico- metodológico precisam ser debruçadas sobre o sentido do humano, em relação com o outro, com o mundo, com o transcendente. Uma elaboração que, ao mesmo tempo, possibilite a incorporação dos valores concernentes ao humano e que conduza os indivíduos a se desenvolverem de maneira autônoma e autêntica, o que nos leva a afirmar que o gênero diário é um caminho para se pensar nesse agir linguístico.

As vozes discentes sobre a prática pedagógica permitem enfatizar que o educador é apenas mais um componente na vivência do educando. Ele se distingue dos demais pela presença significativa da vontade que orienta a sua ação de participar nesse processo e de representar nos mundos discursivos, para o que está se tornando homem, por meio da consciência, uma determinada escolha do ser, uma escolha do “certo” daquilo que deve ser (SANTOS, 2013a), capaz de estabelecer uma relação28 que não se constitui por um ato impositivo, por um decreto, mas que requer abertura e tem como única via a confiança. É a confiança que suplanta a resistência contra o estar sendo formado e possibilita que o educando aceite o educador como pessoa.

Em nosso entendimento, o conceito de transposição didática recebe uma nova interpretação. A legitimação de um saber não depende, em nossa opinião, apenas do reconhecimento epistemológico, como sinaliza Chevallard, nem apenas da ordem social, como sinaliza Bernstein, mas da ordem discursiva, ou seja, a legitimidade e a autorização do discurso que são controladas por um poder constitutivo e hegemônico dos discursos. Isso implica admitir que a legitimidade do discurso não depende apenas de uma ordem científica, mas de ordens políticas, dos sistemas que regem as instituições, e, para isso, entram em negociação fatores sociais, culturais, políticos e ideológicos. Assim, esse processo não se limita à codificação e transmissão de conteúdos, avança em direção a um conjunto de ações de seus agentes e possibilita a mobilização e integração em uma situação de aprendizagem tacitamente aceita entre seus interlocutores. (SANTOS, 2009).

Talvez a transposição didática seja a mais nobre e complexa tarefa do professor. Para fazer a transposição didática, é preciso levar em conta os objetivos e os valores educativos da escola; a idade e a situação sociocultural dos alunos; os recursos disponíveis para ensinar, aprender e avaliar; as expectativas da família e da comunidade; as demandas da sociedade – aí incluídos o exercício da cidadania e o mundo do trabalho; o universo cognitivo e afetivo dos alunos; e os desafios que eles enfrentam para se desenvolver. Nesse sentido, a escrita de diários dialogados parece ser um espaço em que

essas vozes podem ressoar, pois possibilita o sujeito emergir como alguém que é (re)instituído por meio das várias práticas discursivas das quais participa e busca expressar reações e emoções, as quais emitem avaliar diversos textos, relacionando o que é dito a alguma experiência pessoal.

Concluindo essa seção, podemos sintetizar que a pesquisa no Brasil caminha em várias universidades e com perspectivas diferenciadas. Há influência dos estudos norte-americanos e europeus. As práticas de leitura e de escrita em muitas universidades são representações isoladas de professores de prática de linguagem ou de pequenos grupos, em muitos casos, são aplicadas nos cursos de Letras, Psicologia e/ou Educação.

Infelizmente, na maioria dessas universidades, não há uma política institucional para se tratar a questão de letramento na acadêmica de forma mais efetiva e eficaz. Como resultado desse levantamento de perspectivas e estudos de ensino de gêneros acadêmicos, na seção seguinte, podemos sintetizar todo esse percurso em uma única palavra: fronteiras.