5.3 Results after modifying the system set up
5.3.2 Performance metrics
A fase da realização diz respeito à ação propriamente dita, pois é a etapa em que se põe em prática o pensado, o previsto e o planejado. A realização da tarefa requer o envolvimento do sujeito, mesmo que o pedagogo seja o responsável pelo controle da ação, dos processos, das estratégias, das pautas. Este processo correlaciona-se com as fases anteriores. Nesta etapa, os trabalhadores executam o que planejaram, refletem sobre o processo e encaminham indicadores que permitam (re)organizar os planejamentos. Pedagogo e trabalhador, ao (re)avaliarem seus objetivos, suas metas, tomam consciência das ações que realizam. Alguns dos entrevistados referem-se a isto: “busco construir e desenvolver competências técnicas e profissionais no local de trabalho, sendo que a educação corporativa é uma delas; insiro, no planejamento, atividades que promovam o desenvolvimento do ser
humano, a construção de competências profissionais, pensando na aprendizagem” (E2); “utilizo estratégias para que as pessoas aprendam” (E3); “é interessante desenvolver um trabalho que se preocupe com o sujeito aprendente” (E4); “ao planejar discuto e (re)avalio os objetivos estabelecidos” (E3).
Nestes excertos, encontram-se referências a pontos relevantes do construto da teoria da auto-regulação da aprendizagem, como a que está relacionada com o conhecimento cognitivo/metacognitivo que inclui a tomada de consciência das variáveis pessoais, do planejamento, da execução da tarefa, das estratégias, que influenciam e estimulam o desenvolvimento de processos que levam os aprendizes a perceberem o que sabem e o que ainda precisam aprender (auto-reflexão); também está relacionado ao fato de os trabalhadores agirem impulsionados por objetivos ligados a determinados motivos, que são as forças ou as energias que impulsionam o comportamento na obtenção de metas e de planos. Estas ações e as demais demonstram o envolvimento dos pedagogos com a escolha das estratégias para a aprendizagem dos trabalhadores.
4.3.2.1 Fase realização: relacionada à dimensão cognitiva/metacognitiva
No decorrer da ação profissional, a dimensão da cognição/metacognição é um componente crucial para o exercício da aprendizagem auto-regulada. Segundo Lopes da Silva (2004, p. 24), “as pessoas refletem sobre as exigências das tarefas, sobre as competências e estratégias pessoais que devem ser aplicadas na resolução dos problemas, quando testam os seus conhecimentos e revêem os trabalhos realizados”. Quanto mais o trabalhador se envolve na resolução de problemas, mais adquire conhecimento, mais reflete sobre os fatores que influenciam a cognição, melhor percebe como lida com situações favoráveis ou não. A compreensão permite elaborar planos que encaminhem para a ação, a qual envolve a reflexão sobre ela mesma e assim desencadeia e promove a aprendizagem. A fase de realização é o momento da ação, da execução das atividades propostas, na qual se controla continuamente o curso dessas mesmas ações e, se não forem adequadas, efetuam-se mudanças no planejamento.
No transcurso da ação (processo de realização), quando os trabalhadores demonstram não conseguirem avançar, a modificação torna-se uma estratégia útil. A revisão permite (re)pensar o processo, pois ele não é pré-determinado, mas se faz ao andar. Nesta fase, está implícito um dos princípios da auto-regulação – consciência – necessário para o reconhecimento dos próprios objetivos, possibilidades e limitações.
As entrevistas realizadas mostram-se ricas em indicadores desta dimensão, apresentam-se dois exemplos: “organizo um curso pensando na necessidade do grupo e proponho fazer de forma que o sujeito se envolva, caso seja necessário, modificamos o planejamento previsto” (ao longo da entrevista, ele confirma que houve necessidade de reorganização do planejamento) (E2); “não se pode ensinar nada a ninguém, mas pode-se facilitar o caminho desta aprendizagem, oferecendo indicadores basilares, orientando, auxiliando questionando e problematizando para que os trabalhadores reflitam e, com isso, construam suas próprias aprendizagens” (E3). A reflexão está presente também neste ponto porque ela é responsável pela análise da ação realizada. A partir da ação refletida, pode-se modificar a ação, mesmo que se esteja na fase da realização do que foi planejado.
O conhecimento cognitivo/metacognitivo inclui a tomada de consciência das variáveis pessoais que impulsionam o desenvolvimento – a execução das propostas. A dimensão cognitiva é identificada na fase da realização, ela manifesta-se pela reflexão sobre as exigências das tarefas e sobre as competências estratégicas pessoais. A reflexão não é um último passo, pois ela está presente em todas as etapas da aprendizagem auto-regulada.
4.3.2.2 Fase realização: relacionada à dimensão motivacional
Na fase da realização, o pedagogo impulsiona os trabalhadores para atingirem os objetivos, os impulsiona à ação que leve à obtenção de suas metas e à realização dos planos traçados (dimensão motivacional). No que diz respeito à dimensão da motivação, relacionada com a execução (realização) das tarefas e propostas de trabalho, os envolvidos (pedagogos e trabalhadores) apresentam um papel ativo na construção do planejamento. A fim de tornar a aprendizagem mais significativa, há um processo para manter os trabalhadores motivados, organizando estratégias de ação mais adequadas, sejam elas metacognitivas, cognitivas ou motivacionais.
A motivação é pré-condição da fase da realização, pois ela traz a energia necessária para que o sujeito realize as ações planejadas. O papel da motivação na aprendizagem auto- regulada, segundo Veiga Simão (2004a) e Lopes da Silva (2004a), é estimular o indivíduo para a construção do seu desenvolvimento/conhecimento. Este processo implica ajudar os sujeitos a compreenderem as razões que movem seus esforços através de questionamentos sobre o que pretendem atingir e aonde querem chegar. É importante que os trabalhadores ajam impulsionados por objetivos, por motivos. O pedagogo, ao organizar planos e estratégias de ação, evidencia os motivos mobilizadores e estimuladores das atividades dos trabalhadores e
também formula para si metas e propostas, ou seja, ele também exerce a auto-regulação da aprendizagem.
Alguns trabalhadores agem de forma bastante envolvente, pois querem aprender mais para conquistar novas oportunidades dentro da empresa, conquistar outros cargos e melhores salários. A condição de saber mais pode proporcionar ao trabalhador novas oportunidades, o que é exemplificado pela fala de alguns entrevistados: “os cursos promovem as aprendizagens e após poderão fazer a prova que lhe permite trocar de setor ou serviço” (E2); “utilizo técnicas de dinâmicas de grupo, relatos de experiências, debates e reflexões acerca dos papéis e das funções de cada um no seu grupo” (E10); “a pessoa tem que aprender a raciocinar, a analisar, a desenvolver competências necessárias” (E9); “incentivo a organização de um plano sobre as horas de formação que são desenvolvidas pelo trabalhador” (E2).
Na dimensão da motivação, estão implícitos o afeto, os sentimentos e a volição (ato pelo qual a vontade é expressa), que também são responsáveis pela auto-regulação da aprendizagem. Alguns depoimentos dos entrevistados demonstram isto: “temos trabalhado a questão dos valores, se houve interação com os colegas de outros setores, se proporcionou o desenvolvimento e satisfação pessoal” (E2); “o trabalho é feito estimulando a sensibilidade, a intuição [...] compartilhar, socializar e trabalhar juntos na conquista de um espaço melhor, pois somos seres em perspectiva de evolução e estamos na empresa buscando melhorar” (E7). Este entrevistado (E7) conclui: “organizo estratégias variadas para que os trabalhadores tenham vontade de aprender e de permanecer no curso”. Estar motivado significa envolver-se para alcançar metas, buscar resultados.
Uma das dimensões de maior destaque entre as ações desempenhadas pelos pedagogos é a motivação. Segundo McCombs (1989), a motivação humana é essencialmente algo que mobiliza as pessoas a terem consciência de si mesmas como agentes da construção de seus pensamentos, crenças, objetivos, expectativas e atribuições. Segundo Sá (2004), as pessoas são motivadas por diferentes razões: umas por interesses e valores particulares, outras por pressões sociais, outras ainda pelo desejo de projeção profissional. O pedagogo que trabalha na motivação dos trabalhadores também quer ser reconhecido e valorizado por seu trabalho e nisto encontra a própria motivação. Diz E6: “estimulo e acompanho a participação dos trabalhadores, procuro despertar neles o mesmo interesse que tenho – o de mostrar que posso fazer um trabalho eficaz”.
Os indicadores apresentados evidenciam que há correspondência entre as ações realizadas pelos pedagogos e a dimensão da motivação, característica da fase da realização/execução, como apresentado pela teoria.
4.3.2.3 Fase realização: relacionada à dimensão contextual
Na dimensão contextual da fase da realização (execução), muitos fatores estão presentes e atrelados ao contexto, por exemplo: o comprometimento de cada educando- trabalhador; as relações que se estabelecem em relação à proposta de trabalho; as lideranças que surgem na execução das tarefas; o planejamento das atividades; a organização dos espaços de trabalho dentro e fora da empresa; a gestão das ações; a execução do que foi pensado e construído pelo grupo.
As rotinas, as tarefas, as combinações processuais auto-regulatórias auxiliam o desenvolvimento das ações buscadas e pretendidas. A prática auto-regulada, que é intencionada e consciente (princípios da auto-regulação), permite encaminhar e executar as propostas de forma que possam estimular os educandos-trabalhadores envolvidos na obtenção de metas e resultados esperados. Estas diferentes modalidades e possibilidades estão imbricadas também em questões emergentes do contexto e contribuem para o desenvolvimento dos processos auto-regulatórios.
Os pedagogos entrevistados revelam que, após iniciarem o trabalho em ambientes educativos, conquistam espaços e oportunidades de ação. Pelos relatos dos entrevistados, quando os trabalhadores ingressam no local de trabalho, se transformam em educandos- trabalhadores, pois são estimulados a empreenderem propostas de aprendizagem que podem ser planejadas por eles ou orientados pelo pedagogo, realizadas no próprio ambiente profissional.
Na explanação sobre a execução do que foi anteriormente planejado, referenciaram- se algumas dificuldades encontradas na dimensão contextual, como: pouco tempo disponível para investir na formação, pois os departamentos para realizarem reuniões formativas não podem fechar ou ficarem ociosos por muito tempo; dificuldades relacionadas a custos, pois há limitação no orçamento para tal finalidade; dificuldades específicas em executar e contemplar as tarefas e as propostas anteriormente planejadas.
Embora tais empecilhos, percebe-se, pela pesquisa, muitas inovações e avanços nesta área, pois depoimentos mostram que enxergar a realidade, visualizar as possibilidades existentes no contexto e sobre ele agir permitem a busca e construção de alternativas e propostas de ação. É possível, portanto, utilizar estratégias de intervenção reguladoras que auxiliam na execução das tarefas. Como exemplificação, recorre-se às palavras de alguns dos entrevistados: “o trabalhador é liberado para fazer formação, cada um tem horas de formação que devem ser cumpridas [...] o centro de treinamento da organização trabalha voltado para o
grupo de funcionários, a formação pode ser feita na empresa ou fora, a formação pode ser até no domingo, num lugar diferente para permitir que todos a aproveitem” [E2]; “a participação pode ser indireta (trabalhar sobre o que foi sugerido) ou direta (a pessoa interage, dizendo o que lhe parece ser melhor) (E3)”. Muitas conquistas já foram implementadas nos espaços organizacionais, mas permanece a necessidade de transformá-las em política gerencial para que fortaleçam o “capital intelectual” como elemento inquestionável na valorização da empresa.
4.3.3 Categoria reflexão: relacionada às dimensões cognitiva/metacognitiva,