Para constituir o universo da pesquisa, foram entrevistados treze pedagogos, que trabalham em espaços não-escolares no Brasil (Anexo J), sendo doze do sexo feminino e um do sexo masculino. Para o estudo piloto foram entrevistadas três egressas da Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa, que atuam em ambientes educativos não escolares (Anexo J), sendo as três do sexo feminino.
3.2.1 Estudo piloto
Para maior aprofundamento do construto da teoria auto-regulação da aprendizagem, foi realizado um estudo piloto com três profissionais egressas da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa, que atuam em três diferentes organizações empresariais, na cidade de Lisboa, em Portugal. O roteiro destas entrevistas foi o mesmo utilizado nas entrevistas com os pedagogos no Brasil.
Segundo Yin (2001), a realização de um estudo piloto pode ser escolhida por várias razões, entre elas, servir de apoio ao pesquisador para aprimorar os planos de coleta de dados, tanto em relação ao conteúdo quanto em relação aos procedimentos que devem ser seguidos.
Neste caso, o estudo piloto foi usado de maneira mais formativa e ajudou a pesquisadora a desenvolver e a organizar quadros de análise que contemplassem as questões sobre a teoria da auto-regulação que envolvessem as fases, as dimensões, os princípios e as características a ela subjacentes. Os quadros de análise emergiram, portanto, do estudo, do aprofundamento da teoria, da troca de idéias com professores da Universidade de Lisboa, da inserção dos dados coletados nas entrevistas realizadas em Lisboa/Portugal. Após a análise e a inserção dos dados coletados (em Portugal), eles foram submetidos à aprovação de juízes que os validaram com algumas sugestões de ajustes. Os ajustes necessários foram realizados, permitindo que os quadros de análise, por si só, revelassem as questões essenciais relacionadas à teoria da auto- regulação. Os quadros foram reformulado até se chegar à versão definitiva, que se encontra em anexo neste relatório (Anexos B, C, D, E, F). Pode-se dizer que os quadros de análise ajudaram - e muito - a compreender a teoria, e esta compreensão ajudou o entendimento das ações desempenhadas pelos pedagogos nos espaços não-escolares.
O estudo piloto serviu como laboratório experimental e foi útil para melhor compreender o fenômeno estudado sob diferentes ângulos e situações. O instrumento que serviu para a inserção das informações obtidas sofreu alterações ao ser submetido à análise dos juízes e foi posteriormente adaptado e reorganizado segundo os indicadores emergidos.
3.2.2 Coleta dos dados
Como se trata de uma pesquisa na perspectiva qualitativa e como se optou pela utilização da entrevista semi-estruturada, a definição de critérios de seleção dos sujeitos que comporiam o conjunto de entrevistados tornou-se fundamental, pois ela interfere diretamente na qualidade das informações, a partir das quais se constrói a análise e se atinge a compreensão mais ampla do fenômeno estudado.
As entrevistas foram marcadas com antecedência e, previamente, explicada sua intencionalidade. Elas foram realizadas no local de trabalho do entrevistado, gravadas, transcritas e, posteriormente, analisadas passo a passo, quando se organizaram, reorganizaram as unidades de significado que foram inseridas nos quadros de análise até emergirem as sínteses.
O trabalho de recolha de dados foi considerado terminado quando se entendeu que em base ao material existente, já era possível: a) responder aos objetivos propostos; b) realizar
categorias de análise; c) fazer a síntese dos achados na pesquisa, entrecruzando com referenciais teóricos estudados; d) encaminhar a análise dos dados coletados.
3.2.3 Desenvolvimento de um sistema de organização e análise de dados
Os dados coletados nas entrevistas foram submetidos à técnica de análise de conteúdo, a qual foi orientada por modelos teóricos propostos por Almeida & Freire (2000), Morais (1999) e Bogdan & Biklen (1994), uma vez que apresentam aspectos de análise comuns entre si. Para análise das entrevistas, seguiram-se os seguintes passos: (1) recolha dos dados; (2) unitarização das unidades de significado; (3) categorização; (4) descrição; (5) interpretação. Bardin (1977, p. 95) prevê outra forma de apresentação, mas que levam ao mesmo resultado: (a) pré-análise dos dados; (b) exploração do material; (c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
A análise de conteúdo constitui-se de um conjunto de técnicas e instrumentos empregados para a compreensão e o processamento de dados científicos. Ela é “uma ferramenta, um guia prático para a ação, sempre renovada em função dos problemas cada vez mais diversificados que se propõe a investigar” (MORAES, 1999, p. 9). Para este autor, através da análise de conteúdo, realiza-se uma leitura crítica e aprofundada, que leva à descrição e à interpretação dos achados da pesquisa. O corpus de análise de uma pesquisa é o conjunto dos documentos submetidos aos procedimentos analíticos (BARDIN, 1977). Além de analisar as entrevistas, à luz dos teóricos da análise de conteúdo, já referidos, houve necessidade de compreendê-las face à teoria da auto-regulação da aprendizagem, a partir de alguns teóricos estudados, como Zimmerman (1989, 1990, 2000), Schunk (1989, 1990, 2000, Pintrich (2000), Veiga Simão (2002, 2004, 2005, 2006) e Rosário (2006).
Para inserir os excertos das entrevistas realizadas no Brasil, nos textos de análise, foi colocada para sua identificação a letra E que significa Entrevista, acompanhada dos números 1, 2, 3(...) 13, que representam a ordem em que a entrevistas foram realizadas, portanto serão encontrados estes indicadores: E1, E2, E3, E4, E5, E6, E7, E8, E9, E10, E11, E12, E13, (Anexo J).
3.2.4 Análise dos dados do estudo piloto
Após a análise das unidades de significado e de sua inserção nos quadros de síntese, de Portugal, elas foram analisadas e identificadas com as letras (E), que significa entrevista,
(P), que identifica a territorialidade (Portugal), seguidas do número 1, 2, 3, conforme a ordem de realização da entrevista, ficando assim organizada a identificação: (EP1), (EP2) e (EP3), (Anexo J).
3.2.4.1 Contextualizando o estudo piloto
O estudo piloto foi realizado com três egressas licenciadas em Ciências da Educação18, da Universidade de Lisboa, em Portugal, que atuam em espaços educativos organizacionais. Através dele, buscou-se aprofundamento teórico para compreender a teoria da auto-regulação da aprendizagem, bem como organizar instrumentos para analisar as entrevistas realizadas. No decorrer do estudo piloto, houve a participação, como avaliadora, de uma mostra de práticas investigativas, realizadas pelos acadêmicos do curso de Ciências da Educação, sobre as ações desempenhadas pelos profissionais egressos deste curso. A disciplina Seminário sobre Temas de Auto-Regulação da Aprendizagem contribuiu para melhor compreender esta teoria e para, através dela, fazer a análise dos dados coletados. O projeto piloto permitiu conhecer e entender o trabalho desenvolvido pelos profissionais em Lisboa. Foram inicialmente analisados os dados coletados, em Lisboa, que serviram de base para analisar e compreender os dados coletados no Brasil.
Os dados foram lidos e relidos, após analise, para clarificá-los, foram organizados em quadros síntese de análise que se encontram nos anexos, a este relatório. Estes anexos estão assim organizados: a) arquétipo das ações dos pedagogos, nas dimensões: pedagógica, técnica e humana (Anexo B); b) fases e características da auto-regulação, realizado no Brasil (Anexo C); c) princípios da auto-regulação da aprendizagem (Anexo D); d) estudo piloto, realizado em Portugal (Anexo E); e) características da auto-regulação (Anexo F). Em anexo, encontra- se também, um modelo de entrevista realizada no Brasil (Anexo G) e um modelo de uma entrevista realizada em Portugal (Anexo H).
3.2.4.2 Passos da análise e validação das planilhas construídas
Os passos seguidos na validação foram: a) realização da primeira versão dos quadros de análise, na qual foi colocada uma infinidade de indicadores com o intuito de explorar e compreender todas as expressões que haviam sido ditas no transcorrer da entrevista; b) realização da segunda versão: os indicadores inseridos nos quadros de análise (planilhas) foram reduzidos, deixando-se apenas as dimensões que garantiam o significado dos excertos
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dos depoimentos das entrevistas, assim, permaneceram nos quadros as dimensões de cada uma das unidades de significado; c) a segunda versão das sínteses foi submetidas à análise de dezesseis juízes, alunos do mestrado da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa, que, por estarem estudando esta teoria, foram escolhidos para validarem as planilhas.
A partir da segunda versão da análise dos dados, os juízes fizeram uma análise criteriosa dos quadros de análise. No primeiro momento, trabalharam em pequenos grupos para analisarem os indicadores nelas colocados, comparando-os com o texto da entrevista, verificando, desta forma, se tinham sido respeitadas as idéias dos entrevistados. Logo após, fizeram questionamentos à pesquisadora, encaminharam suas sugestões e confirmaram ou retificaram os indicadores apresentados. Após o consenso entre todos os juízes, foi feita a validação dos quadros de análise e encaminhada suas versões finais, que se encontram nos anexos anteriormente nomeados.
Na primeira etapa das três entrevistas realizadas em Portugal, os juízes só fizeram a análise comparativa de uma entrevista, comparando o texto da entrevista com os dados colocados na planilha. Como houve concordância com os indicadores retirados e colocados na planilha, as demais entrevistas foram analisadas diretamente pelos indicadores que haviam sido colocados nos quadros de análise, verificando se eles correspondiam às fases e às características da auto-regulação.
Na segunda etapa, a mesma lógica foi utilizada para as entrevistas realizadas no Brasil. Das treze entrevistas realizadas, duas foram escolhidas aleatoriamente para serem submetidas à análise comparativa (do texto da entrevista com os indicadores selecionados e organizados nos quadros síntese de análise). Após a confirmação e validação da análise, feita pelos juízes, procedeu-se a terceira etapa – a análise dos indicadores apresentados nos quadros de análise e a cuidadosa revisão para verificar se os dados ali colocados correspondiam às fases e às características da auto-regulação. Estes passos foram seguidos a fim de garantir a confiabilidade e a validação dos quadros construídos e apresentados que desvelam a atuação dos pedagogos nos espaços não-escolares.
Depois da validação dos quadros pelos dezesseis juízes, procedeu-se ao desenvolvimento do sistema de categorias de análise e, para tal, considerou-se o conteúdo de todas as respostas, desde a mais vaga até a mais elaborada e que exprimisse um maior nível de abstração. Para cada categoria, foram emergindo indicadores de análise que facilitaram a compreensão da teoria e serviram para confirmar ou negar aspectos relacionados a ela. Após vários loops de análise, chegou-se a um sistema de categorias que tornou possível o
entendimento dos dados colhidos na pesquisa e permitiu o aprofundamento teórico sobre a questão.
Os indicadores inseridos, nos textos para análise da pesquisa e da teoria, foram retirados das planilhas que contêm as sínteses das falas dos entrevistados. Ao fazer a análise dos fatos, foi preciso, algumas vezes, voltar às entrevistas originais para poder retirar excertos mais completos ou mais explicativos que dessem consistência às afirmações, isso explica por que alguns indicadores não estão nas planilhas integralmente, mas constam das entrevistas.