6.3 Computational performance of the matheuristic
6.3.2 Performance for the second set of instances
Os locais nos quais foi realizada a etnografia foram principalmente na Oficina Cultural Oswald de Andrade, a qual abriga a sede da companhia, onde ocorrem os treinos e ensaios dos bailarinos e no Theatro Municipal de São Paulo, onde aconteceram dois espetáculos.
O tempo de observação abrangeu uma semana de junho e o mês de julho de 2011, durante o período de trabalho integral de trabalho da companhia, ou seja, de segunda a sexta das 10h às 17h 40min. Para esclarecer como registrei minha vivência em campo dividi esta seção em: Entrevistas, Diário de Campo, Documentos (Fotos e Vídeos), para aprofundar na seção seguinte, a Análise dos Resultados, explicações sobre a inserção destes registros em um software qualitativo, o qual auxiliou a análise destes dados.
6.4.1 ENTREVISTAS
No período final da minha estada e convívio na SPCD, entre 13 e 22 de julho de 2011, período em que os bailarinos já tinham alguma familiaridade com a minha presença, planejei a realização de entrevistas e recebi autorização da direção da SPCD para tal. As entrevistas objetivaram captar questões da identidade embodied junto aos bailarinos e a direção da companhia, sendo que para isso segui roteiros semi-estruturados (ANEXO A e B), por mim elaborados.
Realizei na sede da companhia treze entrevistas, doze com bailarinos e uma com a diretora artística, com duração em torno de meia hora cada, gravadas e por mim transcritas. Esta escolha seguiu a premissa de Gibbs (2009, p.41) de que “realizar a transcrição pessoalmente representa uma oportunidade de começar a pensar em sua análise”. Segundo este autor, existem vários graus em que se pode captar o que está na gravação do áudio pelo pesquisador, mas o primordial é “não perder a sensação de como os respondentes estavam se expressando e tentar captar isso na transcrição” (GIBBS, 2009, p.32).
A escolha dos entrevistados deu-se de modo voluntário ou por meu convite ao grupo de bailarinos presentes na SPCD ao longo da etnografia. O auxílio do presidente da comissão de bailarinos foi fundamental no sentido de organizar e contatar alguns bailarinos, notificar ensaiadores e administrar local para entrevista junto à responsável pelas relações
públicas (na SPCD), durante a intensa rotina de horários da companhia. Tal organização deu-se em função da disponibilidade de tempo e liberação dos bailarinos, principalmente entre e após ensaios. Além da questão da disponibilidade, tive por requisito a diversidade nas: idades, gênero, tempo de trabalho do bailarino na organização, posição hierárquica (solista, aprendiz e corpo de baile), e trajetória. Ou seja, busquei obter um grupo heterogêneo dos participantes da pesquisa.
A quantidade das entrevistas realizadas ocorreu em função da minha percepção de que havia dados suficientemente ricos para a análise e de que as informações adquiridas estavam se repetindo. Neste momento decidi parar de realizar as entrevistas. Deste modo, atingi a denominada „saturação teórica‟ de Glaser e Strauss (1967 apud FLICK, 2004, p.121) na qual “a saturação significa não estão sendo encontrados dados adicionais por meio dos quais o sociólogo possa desenvolver as propriedades da categoria”.
6.4.2 DIÁRIO DE CAMPO
As notas de campo são descrições sobre o que as pessoas disseram e fizeram e não simplesmente um registro dos fatos, sendo geralmente utilizadas na pesquisa etnográfica, inseridas no diário de campo. “A escrita descritiva corporifica e reflete determinados propósitos e compromissos, além de envolver processos ativos de interpretação e produção de sentido” (GIBBS, 2009, p.47).
Todos os registros da vivência que tive desde o primeiro contato, na rotina de trabalho e nos espetáculos junto à companhia, foram intensamente transpostos para diário de campo, ou seja, em bloco de notas no qual inseria minhas percepções dos treinos, ensaios, espetáculos e outros momentos da pesquisa, como intervalos e períodos após o dia de trabalho. Quando eu retornava a casa no final do dia, lia e refletia sobre estes registros do diário de campo ao transcrevê-los para o computador. Nestes momentos inseri as minhas percepções sobre os momentos vivenciados na companhia, especialmente sobre algumas situações as quais continham informações que poderiam ser utilizadas em futuros insights na análise dos acontecimentos.
Como apoio para análise do diário de campo resolvi registrar alguns momentos da rotina da companhia em fotografias, explico a função e a aquisição destas na subseção que segue, dos documentos.
6.4.3 DOCUMENTOS (FOTOS E VÍDEOS)
Na primeira visita à companhia ganhei da profissional de relações públicas vídeo da rotina dos bailarinos editado para comercialização, seis vídeos do projeto memórias da dança, contendo entrevistas com diferentes personalidades da dança brasileira, programas de espetáculos anteriores, livro artístico de formação de platéia infantil, assim como fui apresentada ao site da companhia.
No entanto, coletei outros documentos alternativos em fontes diversas da internet como: reportagens de jornal sobre a fundação e desenvolvimento da companhia e informações em comunidades virtuais sobre reflexões da comunidade de dança de São Paulo; os quais foram usados como fonte secundária no processo de análise desta pesquisa. Além dos vídeos ofertados pela profissional de relações públicas, assisti e arquivei em meus documentos secundários vídeos institucionais de espetáculos e da rotina da companhia provenientes de canal desta em site da internet (Youtube), os quais me auxiliaram na análise do campo. Esta diversidade de dados qualitativos foram significativos e mostraram grande oportunidade de riqueza de análise pois incluem:
[...] praticamente qualquer forma de comunicação humana – escrita, auditiva ou visual; por comportamento, simbolismos ou artefatos culturais. Isso inclui qualquer dos seguintes: entrevistas individuais e suas transcrições, correio eletrônico, páginas na internet, propaganda: impressa, filmada ou televisionada, gravações de vídeo de transmissão de TV, diários em vídeo, vídeos ou entrevistas e grupos focais, vários documentos como livros e revistas, diários, conversas em grupo e bate papos na internet, arquivos de notícias na internet, fotografias, filmes, vídeos caseiros, gravações em vídeo de sessões de laboratório. (GIBBS, 2009, p.17).
Considerei que um recurso estratégico, principalmente para as explicações de
embodiment, seriam fotos dos treinos, ensaios e espetáculos dos bailarinos. Portanto,
solicitei com antecendência autorização da direção da companhia para tal. Tal autorização, entretanto, somente foi aprovada no meu último dia em campo, no qual a rotina do plano de trabalho foi modificada de ensaio para uma reunião com os bailarinos da companhia. Tal reunião tratou da discussão de horários de trabalho e da adequação do comportamento
profissional esperado dos bailarinos, impossibilitando que eu fotografasse o ensaio. Além disso, treinos e espetáculos não me foram autorizadas fotografar.
Diante desse contexto, consegui solicitar e receber dos bailarinos fotos por email, as quais eles tinham registrado durante seu tempo de trabalho na companhia. Mesmo sendo anteriores à minha estada, resolvi utilizá-las na minha análise do campo como apoio no entendimento das suas identidades embodied.