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Não se sabe muito sobre o Oliveira Reis, como não se sabe muito sobre o Sabóia Ribeiro. Outra figura interessante foi o Paulo de Camargo, uma pessoa brilhante, que participou do governo Pedro Ernesto, construiu escolas e começou a desenvolver, desde a década de 30, questões de racionalização do canteiro de obras. Trabalhou aqui durante ceto tempo, mas começou a perder espaço e foi-se para São Paulo. Alguma coisa de muito grave aconteceu no Rio de Janeiro, entre 1 943 e 1 950, no campo da arquitetura, que provocou a diáspora dos modernos, expulsando cetos cariocas para outras áreas do país. O que terá provocado o afastamento entre Reidy e Oscar Niemeyer1

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preciso prestar atenção também em José Mariano Carneiro da Cunha Filho, figura importante que precisa ser estudada. Lúcio Costa era uma figura brilhante já como estudante, tanto que começou a ganhar o apoio do José Mariano em 1 924, e ambos caminham na mesma direção até 30. Até ali o Lúcio teve o apoio de segmentos mais conservadores, com os quais ele estivera absolutamente alinhado. Depois é que se separa. Mas o José Mariano compunha outro grupo, ao qual talvez pudéssemos agregar o Sabóia Ribeiro, o Agache e o Oliveira Reis. Essas pessoas terão espaço por toda a década de 30 até meados da década de 40, quando se realiza o primeiro congresso de urbanismo. Em 1 945 realiza-se o I Congresso de Urbanismo no Rio de Janeiro, onde estava sendo discutido o plano da cidade, a questão de áreas remanescentes que não tinham sido atacadas pelo prefeito Henrique Dodsworth, ou então, que perduravam, como a do Santo Antônio. Ali havia dois projetos antagônicos: o do Reidy e o do Sabóia Ribeiro, feito junto com o Paulo de Camargo. No mesmo ano acontece em São Paulo o I Con­ gresso Nacional de Arquitetos. No de urbanismo é dado um enorme espaço para Agache e para José Mariano, enquanto que no de arquitetura o Reidy foi o diretor da sessão dedicada ao urbanismo. Essas divergências não são apenas formais. Elas traduzem visões diferentes de mundo e da prática disciplinar da arquitetura e do urbanismo.

o projeto de urbanização do morro de Santo Antônio foi o principal plano de Reidy para a cidade_ Qual é sua avaliação sobre aquele plano?

Não deixa de ser um pedaço da síntese das idéias do Reidy para a cidade naquele momento, não resta a menor dúvida. Embora se diga que o urbanismo à

Jose Mariano (1881�1946),

historiador da arte, publicou diversos trabalhos sobre arte colonial, especialmente sobre Aleijadinho e foi

diretor da Escola Nacional de Belas u� (1 926-27) Nome impotante da arquitetura ne. colonial, contra a opuseram os modernos Sua casa, na Jardim Botânico, chamava-se Solar

Monjope e era um exemplo da que preconizava: possuía grandes P�.

de azulejos do século XVIII, oriundos ! igrejas da Bahia � de Pernambuco. Jt� para criar um c�none original da tetura nacional, a partir do barroco bâi�no e mineiro Suas idéias forneceram a b? do preservacionismo, que culminou f o criação do Sphan Ver, a respeito, uQ

Cavalcanti, 1 995, e Sérgio Miceli, I�

Hendque Dodwoth 1189S-19

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foi prefeito do Distrito Federal entre 1r e 1 945 e seguiu os passos de seu tio Pio

de Frontin, realizando vârias obras na cidade, como a urbanização da oPlan

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do Castelo, a construção das avenidas Presidente Vargas e Brasil Seu 5'U�ra de Obras fal o engenheiro Edison �

e em sua gestão foi restabelecida a Comissão do Plano da Cidade, que retomou os estudos urbansticos do Agache, adaptando-os às novas

do Rio de Janeiro. Ver Evelyn Furquin Werneck de Lima, 1999,

Margareth da Silva Pereira ·

americana, isto é, o urbanismo rodoviarista, pautado no transporte individual tenha sido desenvolvido na década de 60, na verdade, ele já está todo ali no plano do Reidy. Inclusive, se realizado, talvez evitasse a construção da Perimetral.

O que acontece é que essa geração moderna, da qual o Reidy faz parte, tinha essa concepção de que ia construir um mundo realmente novo - hoje, a gente olha e reconhece. Por outro lado, vivendo uma série de inovações tecnológicas nos meios de transporte e comunicação, prestaram muito mais atenção à função da rua como espaço de circulação do que como espaço de sociabilidade. Os arquitetos modernos acreditavam que os novos tempos iriam romper com a idéia tradicional de rua e os espaços de sociabilidade seriam outros.

O projeto do Reidy pretendia acabar com um pedaço inteiro da cidade. Iria abrir um novo ciclo de urbanização do Rio e, baseado no desenvolvimento da indústria automo­ billstica, Reidy rasgava, esgarçava a cidade; colocava as vias elevadas a cinco metros do solo, criava free-was, eliminava cruzamentos. Hoje, tenho a impressão de que se fosse rea­ lizdo o plano o Reidy para o Rio, eria sido dramático, haja vista o que foi feito nos ans 60.

A idéia da "rua-corredor" foi muito combatida por Le Corbusier. Isso mesmo. A grande briga dos arquitetos modernos foi para romper com as relações que as ruas e as edificaçes secularmente mantiveram, relações de continuidade e contigüidade. O que formou a rua foi o fato de que a ocupação das casas no lote era contínua, uma atrás da outra, e contíguas, uma coladinha à outra. Com isso, faz-se da rua um corredor. Segundo os modernos, a "rua-corredor" materializava, de certa forma, a estrutura de um outro tempo histórico, que eles estavam ultrapassando. Transformaram a "rua-corredor" num ícone do passado, que devia ser substituído por outra coisa, seja movida pela tecnologia ou pela polltica. Com o fim da " rua-corredor" acaba a noção de rua; já que se tem tecnologia, pode-se dispor do lote de diversas maneiras dentro da quadra. Hoje, sabe-se que isso deu uma fragmentação espacial generalizada, que interferiu, muitas vezes, nas relações de sociabilidade, dificultando-as. Em sua avaliaão, a aão de Afonso Eduardo Reidy teve mais acetos que erros?

Certamente. Foi com Lúcio Costa que aprendi a respeitar o Reidy. E foi também com Lúcio Costa que aprendi a observar, não as formas materiais que a história nos lega, mas as atitudes dos homens diante dos problemas que são postos no seu tempo histórico. Por isso, não se deve julgar se a proposta urbanlstica do Reidy para a Esplanada do Castelo estava certa ou errada; o que acho mais fantástico no Reidy é que ele procurou não errar. Quando conhecemos sua história de vida. vemos que ele deu o máximo de si na busca de um diálogo com os prpblemas do seu próprio tempo, da sua própria cidade. Hoje. é claro que conseguiremos perceber uma série de erros no urbanismo do Reidy, mas aqueles erros formais nos permitiram pensar uma série de coisas. Ele foi, acima de tudo, um intelectual que agiu, e para mim um arquiteto deve ser, antes de qualquer coisa, um intelectual. Sua atitude, na ponderação das questões sociais, tecnológicas, plásticas fazem dele uma grande e permanente lição. Talvez seja isso: Affonso Eduardo Reidy nos ajuda a não esquecer a ética, a coragem e sobretudo o silêncio dos espaços onde se alcança a delicadeza e o rigor.