1. Introduction
1.6 PcsB expression is controlled by the essential two-component system WalRK
Após uma retração no movimento espírita na França e em alguns países do mundo, hoje já se consegue perceber um movimento ascendente do Espiritismo em diversas partes do mundo. Uma organização internacional, recentemente fundada reúne espíritas de diversos países para unificar o movimento e para ampliar o apoio às unidades representativas do Espiritismo no mundo.
Constituído em 28 de novembro de 1992, em Madrid (Espanha), o Conselho Espírita Internacional (CEI) é o organismo resultante da união, em âmbito mundial, das Associações Representativas dos Movimentos Espíritas Nacionais. Atualmente há 33 países integrados ao CEI: Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, Guatemala, Holanda, Honduras, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça, Uruguai e Venezuela.18
A expansão do movimento emigratório de brasileiros para diversas partes do mundo nos últimos tempos tem favorecido a difusão do Espiritismo em outros países, como este autor constatou em recente viagem à Europa. Núcleos espíritas na Suíça e na França são dirigidos, ou têm ativa participação de espíritas brasileiros. Além disso, são frequentes as viagens de palestrantes espíritas por esse continente. Wellerson Santos, palestrante espírita, esteve em fevereiro na Alemanha e na Áustria divulgando o Espiritismo.19 Divaldo Pereira Franco, espírita baiano, por exemplo, esteve em Oslo, Noruega em junho último fazendo palestras e estreitando laços entre os espíritas brasileiros e os noruegueses.20
18http://intercei.com/conheca_o_cei/ Acesso em 22 nov 2012.
19http://wellersonespiritismo.blogspot.com.br/2012/02/viagem-europa.html Acesso em 22 nov 2012. 20http://divaldofrancoembaixadordapaz.blogspot.com.br/2012/07/registro-seminario-com-divaldo- pereira_31.html Acesso em 22 nov 2012.
Em agosto de 2009, O jornal Folha Espírita em sua edição eletrônica de número 420, trouxe algumas informações sobre Centros Espíritas na Europa:
Para se ter uma ideia de que forma está traçado o mapa das casas espíritas no continente, na França existem atualmente 50 centros espíritas. Outros 13 estão no Reino Unido, 2 na Dinamarca, 6 na Suécia, 1 na Escócia, 9 na Suíça, 70 na Espanha, 140 em Portugal, 13 na Bélgica, 1 em Luxemburgo, 7 na Itália, 2 na Bielo-Rússia, 1 na Polônia, 2 na Áustria e 2 na Estônia.21
Conclusão.
O Espiritismo conseguiu se inserir no universo religioso sob um enfoque novo. Ao excluir os ritos, a hierarquia, os dogmas, o sacerdócio mostrou que seria possível viver uma religião com abertura suficiente para outros campos do conhecimento. Surgiu em uma época de profundas transformações do conhecimento humano, o século XIX. Precisava da liberdade de pensamento para sugerir novas explicações para a condição humana e precisava de um mínimo de método e espírito de observação para sugerir novas explicações para o sobrenatural. A personalidade firme do seu sistematizador, Allan Kardec, foi importantíssima para a sustentação do início dos estudos e pesquisas, pela fragilidade natural de qualquer disciplina em seu começo. Kardec colheu em Yverdun os elementos fundamentais para o espírito livre e isento de quem iria encarar no arrastão das frívolas mesinhas girantes, o fantástico e imensurável mundo dos espíritos.
A corrida dos cientistas e pesquisadores, em direção ao fenômeno mediúnico, se fez na busca pura da verdade sobre os fatos, até que a ameaça das revelações trazidas por esses espíritos polarizou as opiniões, dividindo-as em frentes de luta, na defesa de ideologias religiosas. A trajetória do Espiritismo na Europa do século XIX e início do século XX ensejou uma oportunidade de mudança na hegemonia do pensamento religioso. Abriu uma brecha nas muralhas da religião e do materialismo na proposta de conceber uma realidade espiritual que poderia ser aceita pelo campo religioso e pela ciência materialista.
Quando a ciência, com inexorável lógica dos fatos, abriu diante de nossos olhos espantados e maravilhados as perspectivas sem limites do infinito, quando a Astronomia levou a tocha nos espaços siderais, as velhas lendas se dissiparam ao sopro da realidade. Os mundos que povoam o universo são Terras como a nossa, sobre as quais palpita a vida universal, e o homem moderno ri das pretensões infantis de nossos pais, de limitar a esse imperceptível grão de areia que se chama Terra as manifestações da força infinita, incriada, eterna de Deus. (DELANNE, 2006, p. 298).
O mundo culto e erudito se mexeu com os fenômenos mediúnicos que assolaram a Europa na segunda metade do século XIX. No entanto, mesmo as pesquisas científicas sobre esses fenômenos foram encobertas pela própria poeira levantada por eles, quando ela assentou. O materialismo e o ateísmo viraram moda e opção de conduta por qualquer que quisesse se dizer cientista, sociólogo, antropólogo ou pesquisador nesses tempos de modernidade. Lidar com o sobrenatural se tornou um estigma, mesmo para os pesquisadores sérios e bem intencionados.
Todo o esforço dos primeiros pesquisadores do primeiro momento vai se perdendo, submergido pelos metapsiquistas e parapsicólogos dos grandes centros de ciência,
mas, acontece que a filosofia, as práticas e até as superstições nascidas da crença no perispírito e na presença dos mortos estão longe de se terem extinguido. Verificam- se, pelo contrário, à medida que se esbate o colorido científico da doutrina, os progressos constantes daquilo que não seria, sem dúvida, arriscado chamar de ―religião espírita‖. (LANTIER, 1980, p. 175).
O Espiritismo de Allan Kardec, até onde se tem notícia, foi o único que permaneceu aprofundando o estudo das manifestações dos espíritos e o único que evoluiu de uma prática apenas mediúnica para a formulação de um código ético-religioso. A facilidade com que se pode estudar e conhecer os princípios do Espiritismo tem sido um grande fator de expansão desse movimento. Os temas principais defendidos pelo Espiritismo, já referidos anteriormente, estão presentes no universo editorial brasileiro de forma marcante. Também o mundo das artes (teatro, cinema, música, pintura, etc.) tem servido de veículo de comunicação da Doutrina Espírita, até mesmo promovendo destacada afluência de seguidores e curiosos.
As lutas internas pelas quais o Espiritismo passou e passa ainda; as diversas sobreposições que ainda existem entre o Espiritismo e outras crenças tornam difícil prever o seu futuro. A Doutrina Espírita, no Brasil e em algumas partes do mundo está em expansão. Um movimento de exportação do Espiritismo brasileiro começa a ser percebido. Muitos núcleos espíritas fora do Brasil são dirigidos por brasileiros ou por pessoas que conheceram a Doutrina Espírita quando estiveram no Brasil. O modelo brasileiro, mais religioso, começa a ter mais aceitação fora do Brasil.
Esse modelo de Espiritismo mais tropicalizado passa por uma estabilização em solo brasileiro. Diferentemente da Europa e dos Estados Unidos, no Brasil a influência das religiões indígenas e africanas vai permitir a prática mediúnica como religião e não apenas como fenômeno a ser estudado pela ciência. A sua chegada ao Brasil e sua história de introdução e adaptação ao campo religioso brasileiro podem ser visualizadas no próximo capítulo. Essa adaptação tornou o Espiritismo brasileiro mais religioso e menos científico do que o europeu. Esse Espiritismo retorna à Europa e aos Estados Unidos no final do século XX e no começo do século XXI carregado de carregado de conceitos éticos e cristãos, sem ferir os preceitos basilares de Allan Kardec, mas destacando o seu lado religioso e filosófico.