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3. Main results and discussion

3.3 Paper III

Desde que os primeiros escritos espíritas chegaram ao Brasil e os fenômenos mediúnicos ganharam a mídia, a Igreja Católica mostrou oposição. As autoridades católicas patrulhavam o campo religioso na caça a movimentos religiosos fora da sua orientação. Tanto assim, que as primeiras organizações espíritas tiveram que ser fundadas sob o manto da atividade acadêmica, isto é, com declarada finalidade científica, uma vez que a Igreja, detentora da exclusividade religiosa no Brasil Império, não admitia concorrências.

O clero que até este momento assistia de longe essa doutrina que os notáveis esposavam, sentiu-se ameaçado e foi à luta. Começa a briga das pastorais contra o Espiritismo e das polêmicas dos jornais. D. Manoel Joaquim da Silveira, Arcebispo da Bahia, foi um dos que se lançou contra a novidade. Sua pastoral sobre "Os erros Perniciosos do Espiritismo" foi lida e comentada pelos infantes simpatizantes brasileiros da doutrina. Teles de Menezes a ela respondeu em forma de carta aberta

ao público, ressaltando os erros do bispo ao analisar o Espiritismo. (FERNANDES, 2008, p. 85)

Enquanto movimento exótico iniciante na França pós-revolução, o Espiritismo ainda não merecia oposição. A doutrina Espírita, como tal, ainda não se apresentara como uma nova opção religiosa. No entanto, tão logo as ideias espíritas foram se espalhando e ganhando adeptos a Igreja Católica interveio, inicialmente desaconselhando seus fiéis a se aproximarem dessa prática e, posteriormente, assumindo uma franca e ferrenha oposição. Logo nos primeiros anos do século XX a igreja foi questionada formalmente sobre a prática espírita, e se posicionou:

As normas da Igreja a esse respeito são claras. Em 1917, foi submetida à Sagrada Congregação do Santo Ofício a seguinte pergunta: “Se é lícito, através do que chamam médium, ou sem o médium, utilizado ou não o hipnotismo, assistir a quaisquer locuções ou manifestações espíritas, ainda que tenham a aparência de honestidade ou de piedade, seja interrogando as almas ou os espíritos, seja ouvindo suas respostas, seja apenas olhando, e ainda que haja a protestação tácita ou expressa de não querer ter parte alguma com os espíritos malignos”. A resposta do

Santo Ofício, datada de 24 de abril de 1917, foi peremptória: “Negativa em tudo”.

(VILLAC, 2001).

Incomodava à Igreja Católica a penetração das ideias e das práticas espíritas na religiosidade dos seus fiéis. Percebia-se que o Espiritismo não oferecia agressividade, não realizava trabalhos em prejuízo de ninguém e os seus cultos, diferentemente dos cultos de origem africana com os quais era constantemente comparado, eram isentos de ritualismos, sacrifícios de animais, manifestações ruidosas ou ameaçadoras, o que mostrava uma interface amistosa e receptiva. Contra essa característica dos cultos espíritas, se alertava:

Assim, mesmo que as sessões espíritas tenham aparência de honestidade, é gravemente ilícito e proibido participar delas. Porque a ―comunicação com as almas dos mortos‖ no Centro Espírita, em não sendo charlatanice, só se dará com a intervenção do demônio, que atuará diretamente ou por meio dos chamados médiuns. Ora, um católico jamais pode recorrer ao demônio para o que quer que seja. (VILLAC, 2001).

Em 1921, Giacomo dela Chiesa (1854 – 1922), conhecido, hoje, por ter sido o Papa Bento XV escrevia uma carta de aprovação para dois textos produzidos pelo Padre Alexis Marie Lepicier, da Ordem dos Servos de Maria. Um desses textos se intitula O Mundo Invisível: uma exposição da teologia católica perante o espírito moderno, e trata particularmente do Espiritismo. A obra intenta instruir sacerdotes e leigos sobre a postura católica em relação ao Espiritismo. Por entender que parte da força da argumentação espírita

vinha de um certo raciocínio filosófico e mais erudito, baseia também as suas argumentações na filosofia de São Tomás de Aquino. No prefácio desse seu livro, o Padre Lepicier reconhece que ―De facto, a comunicação com os espíritos atingiu tais proporções e espalhou-se de tal maneira nas cidades, e até nas aldeias que bem pode dizer-se que passou a ser um passatempo familiar‖. (LEPICIER, 1951, p. XIII). Era preciso mais uma resposta da Igreja Católica ao crescente movimento espírita, uma vez que ―O que a Igreja tem definido sobre o Espiritismo e sobre tudo quanto com ele se relaciona é muito pouco e escasso.‖ (LEPICIER, 1951, p. XIV).

O livro é bem elaborado e sustenta-se às vezes, na ciência contemporânea. Constata a existência do fenômeno, mas exclui a possibilidade de que a sua origem sejam espíritos dos mortos. Para Lepicier, existem espíritos puros – os anjos – seres especiais criados por Deus já angelicais. Muito diferentes das almas dos homens. Um anjo é um espírito puro, isto é, não tem duas substâncias diferentes, como corpo e alma, mas somente uma alma. As críticas se concentram na comunicação com os espíritos dos mortos - ―A alma separada do corpo é para nós um ser estranho que nem compreende a nossa linguagem nem pode ser compreendido por nós‖. (LEPICIER, 1951, p. 163); nos perigos da prática do Espiritismo – ―Resta apenas uma solução. Os fenômenos devem ser obra dos espíritos malignos que, em todos os tempos, têm procurado entrar em comunicação com o gênero humano...‖ (LEPICIER, 1951, p. 246); e na estrutura do pensamento espírita, desatrelando-o do ideário cristão. Para Lepicier, não só há uma grande diferença entre o que o Espiritismo faz e os milagres de Jesus, como ―o próprio Cristo se proclamou um acérrimo inimigo das superstições do Espiritismo, que Ele combateu com todo o seu poder‖. (LEPICIER, 1951, p. 284).

Também o jesuíta Edvino Friderichs publicou, em 1965, o seu livro Onde os espíritos baixam: orientação para os católicos sobre Espiritismo, Umbanda e charlatanismo. Friderichs é padre e parapsicólogo, e em 1988 tratou de Leonice Fitz, de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, que apresentava um caso estranho de fenômenos paranormais. A menina fazia mover objetos e barulhos nas paredes. Seu livro é o resultado de um longo estudo sobre o Espiritismo e a Umbanda, estimulado e autorizado pelas autoridades eclesiásticas da época. Friderichs concentra suas críticas à Doutrina Espírita nos fenômenos mediúnicos, desacreditando a autenticidade de tais fenômenos e dando a eles outra versão, a versão da parapsicologia. Coloca no mesmo saco Espiritismo, Umbanda, rosa-cruzes, teosofia e Legião da Boa Vontade. Ao final, aconselha aos católicos em como tratar os espíritas.

Além disso, o respeito pelos espíritas sinceros nos proíbe de ridicularizar qualquer de suas práticas e cultos, por mais excêntricos que se nos afigurem. Pelo que toda e

qualquer campanha, conferência, sermão de esclarecimento, deve ser inteligente, respeitosa e caridosamente dirigida. (FRIDERICHS, 1965, p. 261).

Mas os dois mais conhecidos críticos católicos do Espiritismo são, sem dúvida, os padres Oscar Quevedo e Boaventura Kloppenburg.

Carlos José Boaventura Kloppenburg (1919 – 2009), nascido alemão, veio ainda cedo para o Brasil, onde foi residir no Rio Grande do Sul, de onde saiu para cursar teologia no Convento Franciscano, em Petrópolis. Muito estudioso, especializou-se em Teologia Dogmática no Instituto Antonianum, em Roma, onde também concluiu posteriormente o seu doutorado. Famoso pelo seu conhecimento e cultura religiosas, dedicou parte de seus escritos à crítica e à condenação da prática espírita. Na série de publicações Contra a Heresia Espírita, Boaventura apresenta seus argumentos contra o Espiritismo, principalmente no que diz respeito a que alguns espíritas afirmaram sobre a Igreja Católica e sobre os princípios espíritas da reencarnação e da comunicação com os mortos. Insiste em considerar a Umbanda como um tipo de Espiritismo. Essas publicações são consequência da campanha de esclarecimento dos católicos sobre o Espiritismo, ordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em sua reunião de Agosto de 1953. A Campanha visava ―instruir os fiéis sobre o mal intrínseco da doutrina e prática espíritas e o modo sorrateiro como é propagado o Espiritismo entre os católicos do Brasil‖. (KLOPPENBURG, 1957). A intensão ―não é nenhuma declaração de guerra e perseguição ao Espiritismo‖, nem atenta contra a liberdade religiosa de ninguém. O que os bispos do Brasil ―constituídos pelo Espírita Santo para reger a Igreja de Deus‖ desejam é apenas esclarecer os católicos, que o Espiritismo é prática inconciliável com a doutrina do Cristo.

A tônica do Frei Boaventura era contrapor o Espiritismo ao cristianismo, tendo em vista quebrar esse argumento dos espíritas de que o Espiritismo é uma doutrina cristã. Percebia-se a dupla afiliação dos católicos, uma oficial (à Igreja), e outra clandestina (ao Espiritismo). Boaventura entendia que a formação dos católicos brasileiros não era suficientemente forte para que estes pudessem resistir à ameaça do Espiritismo. Assim, conclui, usando do peso do episcopado nacional, que o Espiritismo é ―o conjunto de todas as superstições e erros de incredulidade moderna, que, negando a eternidade do inferno, o sacerdócio católico e os direitos da Igreja, destrói todo o cristianismo‖. (KLOPPENBURG, 1957, p. 10). Para Boaventura os espíritas devem ser tratados como verdadeiros ―hereges e fautores de heresias‖ e toda e qualquer participação nas sessões espíritas são passíveis de pecado mortal. Para reforçar a posição do bispado, uma regra: ―todos os escritos, jornais e

livros do Espiritismo são proibidos. E os fiéis não só não podem ler tais livros e escritos, mas o Cânon 2318 do Direito Canônico proíbe, também, guarda-lo consigo ou com outrem‖. (KLOPPENBURG, 1957, p. 11).

O reconhecimento de que a prática religiosa do brasileiro não estava ligada necessariamente á compreensão dos postulados de sua religião leva a muitas conclusões. Uma delas é a de que quando uma religião se apresenta como uma caixa-preta a ser adotada com todos os seus dogmas e rituais, ainda que não façam sentido nenhum, existe o risco de que seus seguidores busquem outras explicações para os fenômenos que presenciem. A Igreja católica, ao tempo em que realizava suas missas em latim, não se preocupava com o entendimento, por parte dos seus fiéis, do que se estava propondo ou fazendo. A Igreja confiava na sua supremacia e na aparente falta de opção do povo. Nessa linha de conduta foi inevitável que se deparasse mais dia ou menos dia com a necessidade de se fazer entender e explicar seu conteúdo e os limites desse conteúdo.

Aí está o que entendemos por confusão religiosa. É um sistema muito nosso, brasileiro. Oficialmente interrogada sobre sua religião, 94% de nossa população total responde que é católica. No entanto, grande parte dessa massa de católicos confessos, ou não praticam religião alguma, ou pertencem também a entidades religiosas ou pseudo-religiosas com doutrinas e práticas incompatíveis com a mensagem cristã. (KLOPPENBURG, 1960, p. 5).

E para Kloppenburg só existem duas opções: ―precisam ser colocadas diante da alternativa de optar decidida e definitivamente pelo calor ou pelo frio, pela vida ou pela morte, pelo amor ou pelo ódio, pela verdade ou pelo erro, pela virtude ou pelo vício, por Cristo ou pelo Anticristo‖. (KLOPPENBURG, 1960, p. 7). Kloppenburg fez publicar suas críticas ao Espiritismo principalmente na Revista Eclesiástica Brasileira e na revista católica de cultura, Vozes em Defesa da Fé. Eram frequentes seus artigos em jornais e revistas e em debates sobre o Espiritismo. Sua campanha se justificava. Conforme ele mesmo aponta, comparando os dados de censo de 1940 com o de 1950, enquanto a população total do Brasil aumentara em 26%, os católicos aumentaram em 24% e os espíritas em 78% (KLOPPENBURG, 1960, p. 26). Em outra estatística mostra que de um total de 138.000 obras (O Evangelho Segundo o Espiritismo) vendidas até 1938, vinte anos depois, em 1958 esse número alcançava 555.000. A Igreja se preocupa, então, com a penetração do Espiritismo em suas fileiras, fato que, aliás, se observa até hoje, pois é do Catolicismo que o Espiritismo tem recebido mais convertidos. O caminho escolhido é a demonização. Se os católicos não se

dão ao luxo de ler os extensos argumentos acadêmicos e teológicos sobre o Espiritismo, então o jeito é a ameaça do inferno, da excomunhão, do banimento.

Não que a Igreja Católica não reconheça a existência de fenômenos sobrenaturais, ―A Igreja admite a realidade de fatos maravilhosos e de origem preternatural e oficialmente os reconhece como tais [...] A igreja reconhece também a realidade das possessões ou obsessões diabólicas‖ (KLOPPENBURG, 1960, p. 276). Mas, segundo Kloppenburg, ―o demônio só pode atuar diretamente sobre os homens com a permissão de Deus‖ (KLOPPENBURG, 1960, p. 283), de forma que não restaria ao Espiritismo nem a opção genuína de uma intervenção com o demônio, o que é a mesma coisa que dizer, ainda que o Espiritismo reconhecesse ser obra do demônio, esse demônio deveria ser reconhecido pela Igreja. É forçoso relembrar que os contraditórios ao Espiritismo aqui apresentados servem para reforçar o clima existente nos primeiros anos do Espiritismo no Brasil e sua influência na transferência de fiéis de outra religião para o Espiritismo, tema principal deste trabalho.

Óscar Gonzalez-Quevedo, nasceu em Madri, Espanha, em 15 de dezembro de 1930. Tornou-se padre jesuíta e dedicou grande parte de sua vida ao estudo dos fenômenos paranormais. Formado também em parapsicologia, fez dela plataforma para defender a fé católica e desmistificar o Espiritismo. Em seu site oficial, CLAP (http://www.clap.org.br/) – Centro Latino-Americano de Parapsicologia, Quevedo revela que desde criança um tio tentou influenciá-lo com a literatura kardecista e que ele desde cedo se acostumou a ler sobre esses fenômenos. Quevedo foi, durante algum tempo presença obrigatória, sempre que se faziam debates sobre o Espiritismo nos meios de comunicação. Sua postura firme e sua formação em várias áreas de Humanidades, granjearam respeito. Sua atuação como crítico do Espiritismo foi no campo dos fenômenos mediúnicos. Quevedo confrontava as explicações do Espiritismo com as de uma ciência relativamente nova, a Parapsicologia, que granjeara, também, a confiança da Igreja, por ser um instrumento científico de combate ao Espiritismo.

Quevedo publicou uma série de livros entre os quais a coleção Os mortos interferem no mundo? Nestes, particularmente, aborda a questão espírita na intensão de negar as teorias do espiritismo, e a desmascarar aa personalidades respeitadas dentro do Espiritismo. Parece tentar, numa época em que isso ainda era possível, a associação dos médiuns espíritas com o que fosse de comportamento social, julgado à época, duvidoso, demoníaco, inadequado:

Todos sabem que a mediunidade e a homossexualidade caminham juntas, A imensa maioria dos médiuns é homossexual. Uma coisa explica a outra, mutuamente. Assim, não pode surpreender o forte exibicionismo e narcisismo de famosos médiuns. Nem surpreende, por outra parte, a existência (?) do exu Pomba-Gira, na Umbanda, ou que Chico Xavier – cito-o por ser o médium mais famoso – sob o

pretexto de estar inspirado pelo espírito de Emmanuel, Senador Romano (!) – puro narcisismo, psicografe poemas e romances pretendidamente da Roma antiga, mas na realidade com violenta e exagerada sexualidade...

*** Claramente repressão e compensação sexual... *** Mas nada em latim! (QUEVEDO, 1993).

Quevedo não reconhece a comunicação dos mortos com os vivos, da forma como o Espiritismo a concebe, nem credita as citações de Kardec a espíritos dos mortos: ―Mas a mais singela analise garante que nada do que Kardec escreveu a respeito de Deus procedia dos espíritos dos mortos‖ (QUEVEDO, 1993, p. 64). Nessa mesma obra Quevedo apresenta o que a seu ver são as contradições entre Kardec e a ciência, contrapondo as informações dos espíritos de alguns sábios, cientistas e astrônomos com as revelações da ciência moderna. No subtítulo Disparates de Kardec aponta diversos trechos do livro A Gênese, de Kardec, onde afirmações referentes a Marte, Saturno e a Lua estão em contradição ao que hoje se sabe sobre esses astros. Aponta, também, como prova de que as comunicações mediúnicas seriam uma fraude, o fato de que diversas senhas criadas por personalidades famosas ainda em vida, não teriam sido confirmadas em suas comunicações quando mortas. No capítulo 28, Morto, qual é a senha? do seu livro Os mortos interferem no mundo? – as provas da ciência, Quevedo cita os casos de Charles Dickens (1812 – 1870) romancista inglês, Stainton Moses (1839 – 1892), médium inglês, Harry Houdini (1874 – 1926), famoso ilusionista e outros cujas comunicações do mundo espiritual não conseguiram fornecer as senhas dadas em vida. Esse fato, segundo Quevedo, prova a fraude dos médiuns que afirmavam ter recebido mensagens dessas pessoas. Quevedo faz uma analise da grande maioria dos postulados espíritas e conclui, segundo ele baseado na ciência, que ―a ignorância dos ―Espíritos Superiores‖ raia nos limites do ridículo‖ (QUEVEDO, 1993, p. 250). No volume 5 da coleção Os mortos interferem no mundo? Quevedo faz uma crítica à afirmação espírita de que o Espiritismo usa o método científico. ―‘Se é espírita, não é cientista‘: slogan cientificamente demonstrado que todo pesquisador científico e todo leitor isento de preconceitos devem ter muito e sempre presente quando em contato com as publicações espíritas‖. (QUEVEDO, 1993, p. 11). Quevedo também foi combativo na negação dos fenômenos mediúnicos aos quais chamava de ―espiritóides‖. Como o fenômeno de curas do médium José Pedro de Freitas26, o Arigó (1922 – 1971). Chegou mesmo a repetir na televisão certas práticas adotadas pelo médium, como enfiar facas por trás dos olhos ou agulhas na pele. Ele também combate a pretensão espírita de tratar temas essencialmente católicos como Cristo e os santos: ―basta citar alguns títulos dos

26 José Pedro de Freitas (1922 - 1971) - famoso médium de curas de Congonhas do Campo/MG. O

seus livros, realmente blasfemos além da doentia (parafrenia) inaudita soberba: A Gênese. Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. O Céu e o Inferno. O Evangelho Segundo o Espiritismo” (QUEVEDO, 1993, p. 44).

Outro alvo de Quevedo foi o médium Chico Xavier. Para Quevedo, Chico Xavier é um engodo, uma mistificação. Os livros do médium seriam uma profusão de ―imbecilidades em tão poucas linhas‖ (QUEVEDO, 1993, p. 48). O caso é que para Quevedo e para a Igreja Católica não existem espíritos. Para eles após a morte só existe a ressurreição. ―Não pode existir homem a não ser corpo-alma. Não pode existir alma humana sem corpo, que exige por natureza. A chamada ressurreição da carne é uma exigência que não pode ser frustrada‖ (QUEVEDO, 1993, p. 250). Dessa forma, não pode existir manifestação espiritual e, por consequência, todo material escrito atribuído aos espíritos há que ser uma farsa. Quevedo se centra na aparente dificuldade que o Espiritismo tem de provar cientificamente a existência e a manifestação dos espíritos, lançando seus desafios para que os espíritos se manifestem e confirmem a sua presença e identidade de forma indubitável.