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Generelle spørsmål ved en ny passlov

6.8 PASSETS INNHOLD

As primeiras evidências da existência de um efeito protector significativo do aleitamento materno na obesidade infantil foram publicadas em 1981 por Kramer71.

Numa meta-análise, abrangendo 9 estudos envolvendo mais de 69 000 crianças, defende que o aleitamento materno está associado a um pequeno mas consistente efeito protector contra o risco de obesidade infantil72.

Existe uma relação inversa entre o aleitamento materno e a obesidade, sugerindo que este tem um papel na redução da prevalência da obesidade em fases posteriores da vida. Este estudo de revisão, tenta explicar tal facto apontando possíveis mecanismos incluindo mecanismos comportamentais e hormonais e diferenças no aporte de macronutrientes. Uma maior concentração plasmática de insulina nos recém-nascidos alimentados com fórmulas comparando com os alimentados com leite materno pode estimular uma deposição de gordura e conduzir a um desenvolvimento precoce dos adipócitos. Os factores bioactivos presentes no leite humano podem modular os factores de crescimento, os quais podem inibir a diferenciação dos adipócitos in vitro. Além disso, o aporte proteico é menor nos lactentes alimentados com leite materno do que nos alimentados com fórmulas infantis. Um estudo longitudinal mostrou uma associação significativa entre o aporte proteico precoce e o IMC, sugerindo que uma elevada ingestão precoce de proteínas pode aumentar o risco de obesidade43,73. Existem no entanto

controvérsias, outro estudo defende que há apenas fracas evidências epidemiológicas que ligam a elevada ingestão proteica durante a infância com o desenvolvimento da obesidade74.

Em estudos com animais, a disponibilidade de proteínas durante o desenvolvimento fetal ou desenvolvimento pós-natal precoce mostrou ter um efeito a longo prazo nos mecanismos de programação metabólica do metabolismo da glicose e da composição corporal na vida adulta75.

Todos estes estudos, sozinhos ou combinados, fornecem explicações plausíveis para o efeito protector do aleitamento materno contra a obesidade72.

Tem sido alegado que o aleitamento materno previne a obesidade mais tarde na infância. Um estudo na Alemanha, com mais de 13 000 crianças, demonstrou que aquelas que foram amamentadas tinham significativamente menos probabilidade de ser obesas aos 5/6 anos de idade76.

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), sobre o risco de excesso de peso em adolescentes que foram amamentados, defende que os adolescentes que foram maioritariamente ou exclusivamente alimentados com leite materno tinham um risco 22% inferior de possuírem excesso de peso, comparativamente com os adolescentes que foram maioritariamente ou exclusivamente alimentados com fórmula infantil, nos primeiros 6 meses de vida77.

duração do aleitamento materno como variável contínua estimou que havia uma redução de cerca de 8% no risco dos adolescentes virem a ter excesso de peso por cada incremento de 3 meses na duração do aleitamento materno.

As mães que alimentaram os seus filhos apenas com leite materno nos primeiros 6 meses tinham a média de IMC mais baixa enquanto as mães que alimentaram os seus filhos apenas com fórmula infantil nos primeiros 6 meses tinham a média de IMC mais elevada. De igual forma, mães que amamentaram os seus filhos por um maior período de tempo têm uma menor média de IMC do que as mães que amamentaram por um período mais curto. Deste modo, o IMC das mães foi também um factor preditivo do excesso de peso na descendência.

O tempo de introdução de alimentos sólidos, leite de vaca ou fórmulas infantis não se relacionou com o risco de excesso de peso nem funcionou como factor confundidor para as associações observadas.

Segundo o estudo, pelo menos dois mecanismos podem explicar como o leite materno protege contra o excesso de peso77. Um dos mecanismos pode envolver consequências metabólicas resultantes da ingestão de leite materno, e o outro é relativo ao comportamento.

As crianças naturalmente regulam o aporte energético, mas o comportamento dos pais pode “destruir” os sinais de apetite. Já em 1986, Passmore e Eastwood alertaram para o facto dos bebés alimentados com biberão tenderem ser mais pesados do que os que são amamentados e, frequentemente, se tornaram obesos. Uma possível razão para tal é o facto dos bebés amamentados terminarem, eles próprios, a mamada parando a sucção, o que ocorre quando perdem o apetite e indica que já foi ingerido leite suficiente. Por outro lado, a mãe enche o biberão com a quantidade de leite que ela acha que o seu bebé necessita. Ela pode, então,

manter a tetina do biberão na boca do bebé e persuadi-lo a continuar a alimentar-se até o recipiente se encontrar vazio. Antigamente, competições entre bebés eram comuns e os juízes muitas vezes atribuíam o primeiro prémio ao maior bebé. Como a tradição não se apaga facilmente, há algumas mães que ainda não consideram que “um grande bebé não é um melhor bebé” e muito menos um bebé mais saudável78.

O excesso de peso durante a infância pode, por si só, ter efeitos prejudiciais. Estudos em animais e alguns em humanos indicam que os descendentes sobrealimentados têm um aumento do número de adipócitos e do seu teor em gordura. Estes estudos sugerem que a infância pode representar um período crítico para efeitos na alimentação, a longo prazo, e que o aleitamento materno poderá programar as crianças para se defenderem contra o desequilíbrio energético da vida futura77.

Outra das explicações possíveis para o efeito protector do leite materno contra a obesidade é o facto de este conter leptina. A leptina é uma hormona anorexigénica que desempenha um importante papel no centro regulador do balanço energético, diminuindo a ingestão alimentar e incrementando o gasto de energia79-80. A leptina é produzida, essencialmente, pelo tecido adiposo81 mas também por outros tecidos, nomeadamente, pela placenta81-82, estômago83, epitélio mamário81, estando ainda presente no leite materno84. A concentração de leptina no leite humano varia,

presente no leite materno e o IMC dos lactentes entre os 12 a 24 meses de idade. Deste modo, conclui-se que a leptina parece fornecer, aos lactentes, uma protecção moderada contra um excessivo ganho de peso. Estes resultados apontam para que a leptina presente no leite materno seja um importante factor que pode explicar, pelo menos parcialmente, o maior risco de obesidade nos lactentes alimentados com fórmulas, relativamente aos que foram amamentados85.

Contudo, existem estudos inconclusivos86-90 e mesmo contraditórios91.

O aleitamento materno é referido como uma potencial estratégia de prevenção de obesidade, mas a evidência de que os bebés amamentados têm um menor risco de vir a sofrer desta patologia mais tarde, é equívoca.

Um artigo de revisão abrange catorze estudos publicados entre 2003 e 2006, que consideram a relação entre amamentação e risco de excesso de peso e obesidade infantil92. Três estudos mostraram um efeito protector em crianças (ou seja, o aumento da duração da amamentação foi associado a um menor risco de crianças com excesso de peso / obesidade), quatro estudos relataram um efeito protector parcial (ou seja, apenas evidente num subgrupo), 6 estudos não relataram nenhum efeito protector, e 1 dos estudos relatou um efeito protector nas crianças, mas não em adultos. Em suma, três estudos mostraram um efeito protector em crianças o que indica que embora haja alguns indícios de que a amamentação pode ajudar a prevenir a obesidade infantil, não deve ser encarada como a única medida preventiva a nível da nutrição.

Nos Estados Unidos da América, as taxas de aleitamento materno têm aumentado enquanto as taxas de obesidade infantil têm aumentado dramaticamente. Esta constatação reforça a convicção de que muitos factores estão envolvidos na manutenção de um peso corporal saudável.

Conclusões Finais

Após a pesquisa efectuada verifica-se que o aleitamento materno funciona, de facto, como um factor preventivo da obesidade, embora as evidências sejam, ainda, um pouco inconsistentes. Reconheço, no entanto, que existe uma multiplicidade de factores que podem contribuir para o excesso de peso/obesidade, o que pode, eventualmente, distorcer a relação que parece existir entre o aleitamento materno e a prevenção da obesidade. São, pois, necessários mais estudos para averiguar esta relação.

Apesar das dúvidas suscitadas relativamente ao efeito protector do aleitamento materno contra o risco de obesidade, as suas vantagens imunológicas bem como as nutricionais são inegáveis e estão bem documentadas. O leite materno é, inquestionavelmente, o alimento de eleição para o lactente37. É um alimento vivo, completo e natural, perfeitamente adaptado à insuficiência digestiva e à imaturidade do recém-nascido93.

Inúmeros estudos têm demonstrado que os benefícios para a saúde do lactente aumentam com a duração e exclusividade do aleitamento materno.

A prática do aleitamento materno constitui também um pré-requisito que facilita a adaptação à alimentação complementar, ou seja, a transição de uma

Tem, também, sido sugerido que a implementação de programas que promovam o aleitamento materno têm potencial para salvar centenas de milhares de vidas em todo o mundo49.

Por tudo isto, a responsabilidade de todos os profissionais de saúde em promover a amamentação é clara e evidente. Em particular, os que acompanham grávidas/recentes mães devem familiarizar-se com os diversos aspectos relacionados com a prática da amamentação, de modo a poderem contribuir para o esclarecimento das mães, elucidando-as sobre todos os benefícios do aleitamento materno e orientando-as na resolução de eventuais problemas que ocorram durante o período de amamentação.

O eterno desafio dos profissionais de saúde não é, apenas, investir na promoção da prática do aleitamento materno mas facilitar a sua implementação e assegurar a sua manutenção.

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