Noen internasjonale perspektiver
5.2 PASSBEGREPET OG VIRKNINGEN AV PASSUTSTEDELSE
A negligência (“neglect”) é a única categoria do modelo EVLN que não foi desenvolvida por Hirschman, consistindo em comportamentos demissionários e de afastamento perante o trabalho, traduzidos muitas vezes por silêncio e ausência de acção, absentismo, desinteresse, aumento dos erros e diminuição da qualidade (Farrell, 1983; Rusbult et al. 1982; Rusbult et al., 1988). É assim uma categoria destrutiva, pois deteriora a relação entre o empregado e a organização, e passiva na medida em que vai inibir a acção do sujeito. Não foram encontrados estudos referentes especificamente a esta estratégia comportamental, aparecendo referenciada sempre que o objecto de estudo é o modelo EVLN. A negligência é pois um constructo que tem sido pouco teorizado e conceptualizado.
Em relação à satisfação com o trabalho, diversos estudos verificaram que este constructo apresentava uma relação negativa de antecedência com a negligência (Farrell e Rusbult, 1992). Em oposição à satisfação, verificou-se que os custos do exercício da voz é uma variável causal positiva com a negligência enquanto é negativa em relação à expectativa de haver melhorias na organização (Withey e Cooper, 1989).
Quanto à relação de antecedência entre a qualidade das alternativas à situação actual do indivíduo e a negligência, os resultados não são consistentes. Por um lado, Withey e Cooper (1989) encontraram uma relação causal positiva entre estas duas variáveis. No entanto, apesar de em cinco estudos esta relação não ser significativa, o efeito global conjunto destes cinco estudos já prefigurava uma relação causal negativa entre estas duas variáveis (Farrell e Rusbult, 1992). Também Caetano e Vala (1994) não encontraram uma relação significativa.
Por outro lado, verificou-se a existência de uma relação negativa com a dimensão dos investimentos realizados pelo indivíduo (Farrell e Rusbult, 1992; Rusbult et al., 1988; Rusbult et al. 1982; Withey e Cooper, 1989).
Verificou-se a existência de uma relação positiva de antecedência entre a violação do contracto psicológico e a negligência (Turnley e Feldman, 1999). Já a variável justificação para a violação do contrato psicológico não apresenta uma relação causal estatisticamente significativa, enquanto a justiça organizacional procedimental apresenta uma relação negativa (Turnley e Feldman, 1999). O conflito e o papel por ele desempenhado na organização é uma determinante positiva da negligência (Naus et al., 2007).
Os resultados empíricos existentes vão no sentido de a autonomia do indivíduo no âmbito da sua actuação em contexto organizacional ser uma determinante negativa da negligência (Naus et al., 2007), tendo-se verificado a existência de uma relação causal positiva entre as competências transferíveis do indivíduo e a negligência (Withey e Cooper, 1989). Os resultados empíricos vão também no sentido de não suportar uma relação causal entre a satisfação com a remuneração e a negligência (Hagedoorn et al., 1999; Leck e Saunders, 1992).
Alguns estudos empíricos sugerem a existência de uma relação negativa entre a satisfação com a chefia e a negligência no trabalho (Hagedoorn et al., 1999), mantendo-se também a mesma relação quando a variável preditora é a satisfação com os colegas (Hagedoorn et al., 1999). No entanto, Leck e Saunders (1992) não verificaram a significância estatística destas duas relações.
Quanto ao comprometimento organizacional, verifica-se a existência de resultados díspares. Há resultados empíricos que sugerem a ausência de uma relação de antecedência, estatisticamente significativa, do comprometimento organizacional, na sua perspectiva unidimensional, e a negligência (Leck e Saunders, 1992; Vigoda, 2000). No entanto, Withey e Cooper (1989) encontraram uma relação causal negativa entre o comprometimento organizacional e a negligência. Meyer et al. (1993) verificaram que a componente afectiva e normativa do comprometimento organizacional apresentava uma relação causal negativa com a negligência, enquanto a calculativa apresentava uma relação causal positiva.
Para o contexto português, foram identificados como determinantes negativos as variáveis comportamentos de feedback e auto-eficácia, socialização colectiva, liderança e a percepção do trabalho54 e como determinante positivo o stress relacional (Nunes et al. 1992). Já Caetano e Vala (1994) identificaram como determinantes negativos da negligência a satisfação geral e a eficácia da voz, e como positivos a eficácia da negligência e a saída interna.
Sendo a categoria comportamental para a qual foi encontrado um menor número de estudos, a negligência é, no entanto, aquela em que os resultados dos diversos estudos são mais coincidentes entre si e mais alinhados com o quadro teórico estabelecido.
5.5. Implicações para a presente investigação
Apesar do modelo EVLN permitir tipificar de forma coerente as quatro estratégias comportamentais consideradas como mais importantes, os resultados têm sido decepcionantes, os pressupostos e as hipóteses formuladas pelo quadro teórico nem sempre têm sido confirmadas. Por um lado, os resultados de diversos estudos, têm revelado inconsistências e incoerências entre eles, sugerindo a possibilidade de se estar perante uma realidade de maior complexidade, do que é retractada pelo modelo EVLN (e.g., Dowding et al., 2000; Caetano e Vala, 1994; Nunes et al., 1982; Saunders, 1992). Por outro lado, tem-se assistido ao aparecimento de diversos modelos que contemplam outras estratégias comportamentais, bem como relações causais entre elas.
À semelhança de outros estudos, nomeadamente de alguns realizados no contexto português (e.g., Boas, 2005; Caetano e Vala, 1994; Nunes et al., 1992), foi decidido utilizar o Modelo EVLN, tendo sido utilizadas as definições propostas pelos autores (Hirschman, 1970; Farrell, 1982; Rusbult et al., 1982). Esta decisão deve-se a este modelo ser ainda o mais estudado e aquele que, sob o ponto de vista conceptual é mais consistente. Por outro lado é o
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No caso deste estudo (Nunes et al., 1992) esta variável tinha a ver com a percepção das aulas, generalizando esta variável para a situação de trabalho.
modelo que opõe estratégias comportamentais de carácter destrutivo (saída e negligência) a estratégias comportamentais construtivas (lealdade e voz), permitindo afirmar que existe uma relação causal positiva entre o comprometimento organizacional afectivo e normativo com as estratégias construtivas e negativa com as estratégias destrutivas, na linha do proposto por Meyer e Allen (Allen e Meyer, 1996; Meyer e Allen, 1997; Meyer e Herscovitch, 2001; Meyer et al., 2002).
Nesta linha, considera-se a saída como sendo a intenção de mudar de organização e, por isso, uma estratégia comportamental destrutiva e activa, tal como foi definida pelos autores (Hirschman, 1970; Farrell, 1982; Rusbult et al., 1982). Quanto à voz decide-se utilizar o conceito de voz prosocial, tal como foi, proposta por Dyne et al. (2003), por ser aquela que melhor representava o seu carácter construtivo e activo. Já a lealdade é considera, na linha do estabelecido pelos autores, como sendo uma estratégia comportamental de cariz construtivo e passivo, aproximando-se da formulação da paciência (Leck e Saunders, 1992) ou da lealdade passiva (Withey e Cooper, 1992). Por fim a negligência é considerada como uma estratégia comportamental destrutiva e passiva, como tem sido perspectivada quer pelos autores do modelo, quer nos estudos subsequentes à formulação do modelo EVLN.
Também na linha dos estudos realizados considera-se que o comprometimento organizacional, o comprometimento com os objectivos e a satisfação global com o trabalho são constructos que influenciavam as estratégias comportamentais.