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1.INTRODUÇÃO
Este artigo visa dar publicidade às ações e resultados dos Projetos de Extensão intitulados “Tratamento do Lixo Eletrônico no Município de Pesqueira e Região” e “Rede de Tratamento de Lixo Eletrônico no Agreste Pernambucano”, desenvolvidos com base nas temáticas de Educação Ambiental e Tratamento de Resíduos Eletroeletrônicos nos anos de 2014 e 2015, respectivamente. A equipe de execução foi composta por um Professor, coordenador dos Projetos e orientador dos alunos bolsistas, e por dois discentes do curso Técnico de Eletrotécnica, alunos bolsistas, todos vinculados ao IFPE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco) Campus Pesqueira.
As ações dos Projetos atingiram os municípios de Pesqueira, Alagoinha, Venturosa, Sanharó, Poção, Belo Jardim, Caruaru (todos do agreste pernambucano) e Arcoverde (localizado no sertão pernambucano). Em 2014, as ações ficaram centradas na realização de campanhas de conscientização e arrecadação de lixo eletrônico junto às comunidades interna e externa do IFPE
Campus Pesqueira. Como resultado dessas campanhas, mais de 9 (nove) toneladas de materiais
foram coletadas. Parte do material arrecadado foi triada e selecionada para reabastecer os laboratórios didáticos de Eletrotécnica, Eletroeletrônica, Eletrônica, Física, Química e Informática do
Campus. A outra parte não selecionada foi encaminhada para empresas de tratamento de lixo
eletrônico, dando um destino ambientalmente correto para a sucata eletroeletrônica arrecadada. Um ponto fixo de coleta de lixo eletrônico foi instalado no pátio da cantina (espaço de convivência) do Campus, ao lado dos recipientes de coleta seletiva. Em 2015, as ações foram direcionadas à conscientização das comunidades externas ao Campus e ao incentivo de realização de coletas por parceiros dos Projetos. Nesse ano de 2015, o Campus atuou como um agente articulador entre os “geradores” e os “coletores” de lixo eletrônico.
Com a realização dessas campanhas de conscientização e coleta de lixo eletrônico, foi possível levantar o perfil do lixo eletrônico de Pesqueira-PE e região e planejar ações futuras. Ações estas que já se encontram em desenvolvimento em Pesqueira-PE e cidades da região neste ano de 2016.
2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Revolução Industrial se constituiu num dos capítulos mais importantes da história da humanidade. A produção em série aumentou a oferta de bens de consumo (MOCELLIN, 2005). A partir de 1760 a Revolução Industrial tornou possível àquela época a produção de bens em larga escala. Passou-se do trabalho artesanal para a produção de máquinas a vapor, o que acarretou profundas transformações sociais e econômicas (MANO et al, 2005). No decorrer do século XX, a população mundial dobrou de tamanho, porém a quantidade de lixo produzida no mesmo período aumentou numa proporção muito maior. As indústrias evoluíram consideravelmente e hoje fabricam produtos sequer imagináveis em tempos passados. A descoberta de novas tecnologias vem rapidamente tornando ultrapassados modelos e versões de aparelhos e equipamentos utilizados pela humanidade (RODRIGUES e CAVINATTO, 2003).
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Vivemos na era da modernidade, em um tempo onde a tecnologia facilita atividades rotineiras e propicia melhores condições de vida. A evolução dos computadores, a integração das pessoas em rede diminuindo o espaço físico, a constituição de sistemas inteligentes, as telecomunicações por satélites, dentre outras especializações da área de TI (Tecnologia da Informação) proporcionam maior flexibilidade na atuação pessoal e profissional dos indivíduos. A utilização inconsciente e incorreta da tecnologia pode gerar várias consequências, sendo uma delas, o lixo eletrônico, que, com seus componentes químicos, causa poluição ao meio ambiente e danos à saúde (FERREIRA e FERREIRA, 2008).
Incentivados pelo capitalismo e diante de tantas propagandas que motivam o consumo exagerado, a população tornou-se consumista. Todos os dias, milhares de aparelhos e equipamentos eletrônicos são substituídos, pois se tornaram obsoletos aos olhos de seus donos. Isso acontece devido à velocidade com que novos aparelhos são lançados e novas tecnologias surgem, num processo planejado chamado de logística direta. A logística direta pode ser definida como a maneira de se obter melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, por intermédio de planejamento, organização e controle efetivo para atividades de movimentação e armazenagem visando facilitar o fluxo de produtos (MOI et al., 2011). Isso por sua vez é o que motiva o consumidor a substituir seu bem, na maioria das vezes ainda funcionando, por novos, contribuindo para o aumento do chamado lixo eletrônico.
Lixo eletrônico é todo resíduo material produzido pelo descarte de equipamentos eletroeletrônicos. Em outras palavras, entende-se por lixo eletrônico equipamentos ou partes de equipamentos defeituosos ou obsoletos que não atendem mais de forma satisfatória suas finalidades (MIGUEZ, 2010). O lixo eletrônico também é conhecido por Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (REEE), lixo eletroeletrônico, e-lixo, lixo tecnológico, ou ainda, sucata tecnológica. Em inglês, é muito comum o termo WEEE (Waste of Electrical and Electronic Equipment) para se referir ao lixo eletrônico (WANG et al., 2012). Exemplos de lixo eletrônico são: equipamentos eletrônicos, eletroeletrônicos e de informática avariados ou obsoletos; eletrodomésticos quebrados; pilhas e baterias gastas; lâmpadas fluorescentes queimadas ou quebradas.
A gestão ambiental de resíduos é uma questão de significativa complexidade por abranger aspectos relacionados ao saneamento, heranças socioculturais, condição econômica da população, nível de educação, bem como os impactos ambientais, sociais e econômicos decorrentes de diferentes interações. Em um recorte da questão dos resíduos sólidos, a gestão de REEE, tem ganhado relevância nos últimos anos em todo o mundo. Enquanto na Comunidade Europeia, ainda no início dos anos 1990, a tônica da discussão remetia aos impactos do chumbo na saúde humana, o que resultou no banimento desse elemento na produção de equipamentos eletroeletrônicos; no Brasil, as discussões apontam ainda para o papel dos catadores nessa cadeia e, consequentemente, na renda e nos empregos gerados a partir da gestão desses materiais. O Brasil tem importância internacional como mercado expressivo para os equipamentos eletroeletrônicos, sendo o estado de Pernambuco o que mais tem se destacado economicamente no Nordeste (XAVIER et al., 2014).
O lixo eletrônico é hoje um grande problema mundial, milhões de toneladas desse lixo são produzidas por ano em todo o planeta. O problema dessa grande quantidade é que se necessita de uma demanda maior de matéria prima. Por exemplo, na fabricação de um computador pessoal (PC)
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usa-se 240 kg de combustível fóssil, 22 kg de produtos químicos e 1500 kg de água. A quantidade de combustível fóssil utilizada para produzir um computador, por exemplo, é cerca de nove vezes o peso do computador. Com o crescimento das vendas de eletroeletrônicos e a rápida evolução tecnológica temos dois problemas (FERREIRA et al., 2010): primeiro um problema ambiental, pois os eletrônicos são constituídos de metais pesados que se descartados no meio ambiente podem acarretar sérios problemas, inclusive para a população; segundo, falta de matéria prima, com a produção de eletroeletrônicos em alta, necessita-se de cada vez mais matéria prima.
Esse problema existe em diversos países e já está sendo bastante discutido em todo o mundo, fazendo com que os países deem mais destaque a esse assunto (LEE e SUNDIN, 2012; YU e SOLVANG, 2013). Projetos e legislação específica estão sendo pensados nesse sentido. Uma alternativa viável para minimizar ou até mesmo aniquilar os danos provocados pelo lixo eletrônico é a reciclagem de seus componentes. A reciclagem consiste em um conjunto de atividades (como coleta, seleção e processamento) que têm o objetivo de aproveitar os detritos e reutilizá-los no ciclo de produção do qual saíram. Tais detritos serão reutilizados como matéria-prima na manufatura de novos produtos.
Essa reutilização é chamada de logística reversa, termo que se caracteriza pelo retorno de produtos defeituosos ou obsoletos do ponto de consumo até o ponto de origem, que pode ser o fabricante original do bem ou outra empresa que reuse ou reprocesse o bem (PEREIRA et al., 2011). Tornando a produção um ciclo, onde os produtos são encaminhados para o consumidor e devolvidos por eles aos fabricantes que recebem os produtos e reintegraram estes à produção. Diferentemente da logística direta que deve ser representada como uma linha reta.
A logística reversa de produtos eletrônicos visa à recuperação dos mesmos, buscando evitar o despejo destes materiais em aterros comuns ou, até mesmo, em lixões informais (XIA et al., 2015). Esse descarte impróprio gera um aumento da poluição ambiental, seja por meio de queimadas, jogando substâncias tóxicas no ar, seja por intermédio da contaminação dos lençóis freáticos, pela infiltração destas substâncias tóxicas no solo (LI et al., 2013). O que a logística reversa busca é recuperar estes produtos e lhes agregar valor. Essa recuperação de valor pode se dar das seguintes maneiras: reuso, reprocessamento, aproveitamento de partes e componentes, reciclagem e, por fim, o descarte adequado.
Hoje no Brasil já está em vigor a Lei 12.305, Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada pela Presidência da República no começo de agosto de 2010 que reúne os princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações que serão adotados pela União, Estados e Municípios visando à gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Esta política demorou muito tempo para ser aprovada, cerca de 20 anos, o que gerava uma grande lacuna na legislação brasileira para tratamento de resíduos sólidos principalmente no que diz respeito ao lixo eletrônico. Seguem alguns pontos importantes abordados por essa política: é de responsabilidade dos municípios e do Distrito Federal a gestão dos resíduos sólidos gerados em seus territórios; compete ao gerador do resíduo sólido acondicionar, disponibilizar para a coleta, coletar, dar tratamento e disposição final ambientalmente adequada aos rejeitos; a PNRS dá destaque à logística reversa, afirmando que ela tem por objetivo promover ações para garantir que o fluxo de resíduos sólidos seja direcionado para sua própria cadeia produtiva ou para outras cadeias produtivas; a PNRS proíbe o descarte dos resíduos sólidos nos corpos hídricos e
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no solo e proíbe a queima a céu aberto ou em recipientes, desta forma, proíbe também os “lixões”, que deverão deixar de existir; a PNRS insere os catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam o fluxo de resíduos sólidos, desta forma, os catadores podem passar a trabalhar de forma mais legalizada e estruturada em conjunto com todos os agentes atuantes na indústria.
A política nacional de resíduos sólidos, como dito anteriormente, veio para responsabilizar todos os participantes dos processos industriais, como empresas fabricantes, revendedores, governo (em todas as esferas), catadores, recicladores e consumidores. Todas as medidas previstas nessa política visam à preservação ambiental, em consonância com a sustentabilidade dos envolvidos. Esta política cria a possibilidade do desenvolvimento de novos negócios ou de reestruturação de negócios existentes, o mais importante é que esta política seja acompanhada de perto pelas autoridades, para que se possa de fato usufruir de seus benefícios (CARVALHO, 2014).
3.METODOLOGIA
No ano de 2014, entidades públicas e privadas (prefeituras, secretarias municipais, escolas, pontos comerciais etc.) foram contatadas pela equipe executora do Projeto de Extensão “Tratamento de Lixo Eletrônico no Município de Pesqueira e Região” com o intuito de fechar parcerias para realização de campanhas de conscientização sobre a importância de destinar corretamente o lixo eletrônico (equipamentos eletrônicos, eletroeletrônicos e de informática; eletrodomésticos; lâmpadas fluorescentes; pilhas e baterias). As campanhas consistiram na distribuição de panfletos e na realização de palestras e debates sobre a importância da reciclagem e da reutilização do lixo eletrônico, alertando sobre os riscos e danos causados pelo seu descarte incorreto, mostrando alternativas ambientalmente apropriadas para estes resíduos, estimulando a prática da educação ambiental. O material gráfico (panfletos) distribuído nessas campanhas apresentou informações sobre o lixo eletrônico, orientações quanto ao seu descarte correto e endereços de sites e blogs que abordam o tema trabalhado. Por fim, uma grande campanha de conscientização e arrecadação de lixo eletrônico foi realizada no IFPE Campus Pesqueira em parceria com o Grêmio Estudantil do Campus por meio de uma gincana estudantil. Todo o material arrecadado em 2014 foi categorizado, contado e pesado. O perfil do lixo eletrônico arrecadado em Pesqueira-PE e região nesse ano é apresentado na seção seguinte.
Em 2015, as ações foram direcionadas ao incentivo e apoio aos parceiros dos Projetos para que estes realizassem suas próprias campanhas de coleta de lixo eletrônico. O IFPE Campus Pesqueira atuou fortemente como um agente articulador entre os “geradores” e os “coletores” de lixo eletrônico. Mais uma vez todo o material arrecadado pelo Campus em 2015 foi categorizado, contado e pesado. O perfil desse material arrecadado nesse ano também é apresentado na seção seguinte.
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4.RESULTADOS E DISCUSSÕES
No ano de 2014, uma grande campanha de conscientização e arrecadação de lixo eletrônico foi realizada no IFPE Campus Pesqueira em parceria com o Grêmio Estudantil do Campus por meio de uma gincana estudantil. Os alunos que participaram da gincana trouxeram materiais das zonas urbana e rural dos municípios de Pesqueira, Alagoinha, Venturosa, Poção, Sanharó, Belo Jardim (todos do agreste pernambucano) e Arcoverde (localizado no sertão pernambucano). As Figuras 1 e 2 mostram imagens da campanha de arrecadação e do material coletado em 2014.
Figura 1 - Campanha de arrecadação de lixo eletrônico realizada em parceria com o Grêmio Estudantil do IFPE Campus Pesqueira no ano de 2014
Fonte: Acervo do autor.
Figura 2 - Lixo eletrônico arrecadado pelo IFPE Campus Pesqueira em 2014
Fonte: Acervo do autor.
O lixo eletrônico arrecadado pelo IFPE Campus Pesqueira durante o ano de 2014 foi categorizado, contado e pesado, o resultado é apresentado na Tabela 1. Pode-se observar que a categoria “(14) Pilha/Bateria” correspondeu a 74,16% do total de itens arrecadados que foi de 11.361 unidades, mas representou apenas 1,01% das 9,23 toneladas de material coletado. Enquanto, a categoria “(16) Outros Equipamentos/Placas/Componentes Diversos” foi responsável por 7,08% do total de itens e 7,40% do peso total. Esta categoria é composta por materiais diversos que não estão definidos nas demais categorias.
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Tabela 1 – Perfil do lixo eletrônico coletado pelo IFPE Campus Pesqueira em 2014
Categoria Quantidade (unidades) Quantidade (%) Peso (kg) Peso (%) (1)CPU/Notebook/ Netbook 214 1,88 749 8,11 (2)Impressora 268 2,36 4.020 43,54 (3)Celular 543 4,78 60 0,65 (4)Câmera Digital 12 0,11 4 0,04 (5)Estabilizador/ Transformador Grande 62 0,55 93 1,01 (6)Liquidificador/ Ventilador/ Batedeira/ Multiprocessador 45 0,4 68 0,74 (7)Aparelho de DVD 58 0,51 58 0,63 (8)Carregador/ Transformador Pequeno 182 1,6 18 0,19 (9)Rádio Portátil 38 0,33 38 0,41 (10)Teclado 199 1,75 90 0,97 (11)Controle Remoto 158 1,39 71 0,77 (12)Player (Mp3, Mp4 etc.) 7 0,06 1 0,01 (13)Mouse 137 1,21 7 0,08 (14)Pilha/Bateria 8.425 74,16 93 1,01 (15)TV Tubo de Imagem/Monitor CRT 209 1,84 3.180 34,44 (16)Outros Equip./ Placas/
Componentes Diversos 804 7,08 683 7,4 TOTAL 11.361 itens 100% 9.233 kg 100%
Fonte: Próprio autor.
Ainda na Tabela 1, outra categoria importante com relação ao número de itens foi a denominada “(3) Celular”, que representou 4,78% do total de unidades do lixo eletrônico. Por outro lado, esta categoria só foi responsável por 0,65% do peso total de material arrecadado. Uma grande quantidade de aparelhos celulares encontrados no lixo eletrônico apresentavam bom estado visual e de funcionamento, mas ainda assim, foram descartados como sucata tecnológica.
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Seguindo na análise da Tabela 1, com relação ao peso, as duas categorias mais significativas foram as denominadas “(2) Impressora” e “(15) TV Tubo de Imagem/Monitor CRT”, juntas elas foram responsáveis por quase 78% das 9,23 toneladas arrecadadas, ou seja, quase 7,20 toneladas de impressoras, TVs de tubo de imagem e monitores CRT.
Após a coleta do lixo eletrônico, foi realizada uma triagem do material, que consistiu na seleção e identificação de partes e componentes em bom estado para serem reaproveitados em atividades de ensino (aulas teóricas e práticas), pesquisa e extensão realizadas no Campus. Essas partes e componentes foram desmontados ou dessoldados, testados, classificados e estocados com a finalidade de reabastecer os laboratórios didáticos de Eletrotécnica, Eletroeletrônica, Eletrônica, Física, Química e Informática do Campus, como pode ser visto nas imagens da Figura 3. Os materiais que não puderam ser reutilizados tiveram uma destinação ambientalmente correta, que consistiu no seu envio para empresas e/ou entidades especializadas na reciclagem de lixo eletrônico.
Figura 3 - Triagem do lixo eletrônico (partes e componentes reaproveitados nos laboratórios didáticos do IFPE Campus Pesqueira)
Fonte: Acervo do autor.
Ainda no ano de 2014, um ponto fixo de coleta de lixo eletrônico foi instalado no pátio da cantina (espaço de convivência) do Campus, ao lado dos recipientes de coleta seletiva, como pode ser visto na Figura 4. Esse ponto fixo consiste de duas caixas de madeira, sendo uma para descarte de equipamentos eletrônicos, eletroeletrônicos e de informática avariados ou obsoletos e eletrodomésticos quebrados, a outra caixa para descarte de pilhas e baterias gastas. No ano de 2015, as parcerias já firmadas em 2014 foram reforçadas e novas parcerias foram realizadas com entidades públicas e privadas (prefeituras, secretarias municipais, escolas, faculdades, universidades, campi do IFPE, estabelecimentos comerciais etc.) para o desenvolvimento das ações do Projeto de Extensão “Rede de Tratamento de Lixo Eletrônico no Agreste Pernambucano”. Foram realizadas novas campanhas de conscientização sobre a importância de destinar corretamente o lixo eletrônico, assim como novas campanhas de arrecadação de sucata tecnológica, desta vez nas sedes dos parceiros do Projeto. Destaque para os seguintes parceiros: GAMA (Grupo de Gestão Ambiental Avançada) do CAA/UFPE (Campus Agreste da UFPE), localizado no município de Caruaru-PE; Escola Estadual Professor Arruda Marinho, localizada no município de Pesqueira-PE; Secretaria de Meio Ambiente de Pesqueira; Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Sanharó-PE. Algumas imagens das ações desenvolvidas junto aos parceiros GAMA/CAA/UFPE e Escola Prof. Arruda Marinho podem ser vistas nas Figuras 5 e 6, respectivamente.
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Figura 4 - Ponto fixo de coleta de lixo eletrônico instalado no pátio da cantina (espaço de convivência) do IFPE Campus Pesqueira
Fonte: Acervo do autor.
Figura 5 - Palestra ministrada no CAA/UFPE (Campus Agreste da UFPE) em 2015
Fonte: Acervo do autor.
Figura 6 - Palestra e material arrecadado na Escola Estadual Professor Arruda Marinho localizada em Pesqueira-PE no ano de 2015
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As caixas fixas de coleta de lixo eletrônico instaladas no Campus em 2014 continuaram funcionando e recebendo material durante todo o ano de 2015. O lixo eletrônico arrecadado pelo
Campus durante o ano de 2015 também foi categorizado, contado e pesado, o resultado pode ser
observado na Tabela 2.
Tabela 2 – Perfil do lixo eletrônico coletado pelo IFPE Campus Pesqueira em 2015
Categoria Quantidade (unidades) Quantidade (%) Peso (kg) Peso (%) (1)CPU/Notebook/ Netbook 1 0,02 3,50 1,16 (2)Impressora 8 0,19 120,00 39,74 (3)Celular 16 0,38 1,77 0,59 (4)Câmera Digital 1 0,02 0,33 0,11 (5)Estabilizador/ Transformador Grande 15 0,35 22,50 7,45 (6)Liquidificador/ Ventilador/ Batedeira/ Multiprocessador 3 0,07 4,53 1,50 (7)Aparelho de DVD 1 0,02 1,00 0,33 (8)Carregador/ Transformador Pequeno 50 1,18 4,95 1,64 (9)Rádio Portátil 2 0,05 2,00 0,66 (10)Teclado 17 0,40 7,69 2,55 (11)Controle Remoto 7 0,16 3,15 1,04 (12)Player (Mp3, Mp4 etc.) 1 0,02 0,14 0,05 (13)Mouse 26 0,61 1,33 0,44 (14)Pilha/Bateria 4.000 94,16 44,15 14,62 (15)TV Tubo de Imagem/Monitor CRT 0 0,00 0,00 0,00
(16)Outros Equip./ Placas/
Componentes Diversos 100 2,35 84,95 28,13 TOTAL 4.248 itens 100% 302 kg 100%
Fonte: Próprio autor.
Analisando a Tabela 2, pode-se observar que a categoria “(14) Pilha/Bateria” correspondeu a 94,16% do total de itens arrecadados que foi de 4.248 unidades e representou 14,62% dos 302 kg de material coletado. Enquanto, a categoria “(2) Impressora” foi responsável por apenas 0,19% do total de itens e 39,74% do peso total. Outra categoria importante com relação ao número de itens foi a
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denominada “(16) Outros Equip./Placas/Componentes Diversos”, que representou apenas 2,35% do total de unidades do lixo eletrônico, em compensação foi responsável por 84,95% do peso total de material arrecadado. Esta última categoria deve ser subdividida em outras categorias para uma análise mais detalhada desses materiais.
Os resultados apresentados nas Tabelas 1 e 2 serviram de subsídio para o planejamento das ações do IFPE Campus Pesqueira relativas à temática de tratamento de resíduos eletroeletrônicos no ano de 2016. Esses resultados também irão auxiliar consideravelmente no planejamento e organização de futuras campanhas de conscientização e arrecadação de lixo eletrônico no município de Pesqueira-PE e região com respeito às necessidades logísticas de armazenamento e transporte do material arrecadado. O material que foi arrecadado pelo GAMA/CAA/UFPE em Caruaru-PE em 2015 foi composto essencialmente por pilhas e baterias gastas. Ainda em 2015, O material arrecadado pela Secretaria de Meio Ambiente de Pesqueira-PE foi composto por celulares ultrapassados, pilhas e baterias gastas, eletrodomésticos em desuso e equipamentos de informática danificados. Quanto ao material arrecadado pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Sanharó-PE no mesmo ano (2015), sua composição essencial foi de eletrodomésticos quebrados, principalmente aparelhos de TV de tubo de imagem.
5.CONCLUSÕES
Dados e estudos sobre a situação do lixo eletrônico no Agreste Pernambucano são praticamente inexistentes. Nesse sentido, o levantamento do perfil do lixo eletrônico em Pesqueira- PE e região vem ajudar de forma significativa no planejamento de ações futuras relativas à temática. Na campanha de arrecadação realizada no ano de 2014, a única restrição de materiais foram os eletrodomésticos da linha branca (geladeira, micro-ondas, fogão etc.), assim, foi possível realizar nesse ano um levantamento mais fiel da realidade do lixo eletrônico armazenado nas residências e estabelecimentos comerciais de Pesqueira-PE e região. A quantidade de material arrecadado (pouco mais de 9 toneladas) surpreendeu os organizadores da gincana estudantil e os membros da equipe