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4. Presentasjon av sakene

4.1. Sak 1. Heikraft A/S i Seljord, sak nr 0820‐2007‐0014:

4.1.2. Partsanalyse

Neste segmento nos deteremos nos principais aspectos atinentes à didática e ao conteúdo da disciplina de História que pudemos anotar e observar no momento empírico de nossa investigação. Trata-se sobretudo das observações que reunimos em nosso Diário de Bordo, que são estendidas em termos analíticos, no quadro mais amplo dos fenômenos observados na fase empírica.

O uso de instrumentos tecnológicos, como as tecnologias de informação e as mídias sociais, é uma realidade em várias escolas do Brasil (LIMA, 2012). As TIC estão presentes em instituições públicas e privadas, incorporando-se aos poucos à prática docente. A forma como isso tem afetado a didática e o estudo dos conteúdos específicos das disciplinas ainda está sendo mensurada e avaliada: em certo sentido o que existe são indicações e recomendações, mas é preciso considerar que em grande medida estamos todos tateando em busca de respostas para as questões do ensino nesses tempos de transição.

Assim foi que encaramos a tarefa de utilizar as TIC com uma turma do ensino fundamental (9° ano) de História: com as indicações gerais de outras experiências (PAPERT, 1985; SILVA; GOMES; SILVA, 2006), mas sabendo que o essencial viria da nossa prática e da reflexão acerca dela. Utilizamos o Diário de Bordo para registrar os fatos mais relevantes dessa experiência. Com ele foi possível indicar o que vimos tanto na reação da turma aos questionários como nas atividades propostas pelo Facebook, a atividade de fotografia e a atividade de elaboração do vídeo sobre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.

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Para começar, é necessário dizer que o uso da tecnologia, embora relativamente comum no cotidiano da turma – veja-se quanto a isso a maior parte das respostas ao Questionário 1, 2 e 3 –, ainda causa certo estranhamento como atividade didática. Ao menos foi o que percebemos na reação da turma à nossa proposta de usar as mídias sociais como instrumento didático.

Num primeiro momento, os alunos pareciam não entender muito bem qual o ponto das atividades, qual a relação entre os conteúdos e a utilização das TIC. Isso nos forçou a retomar de maneira contínua as razões de nossa didática, tanto nas aulas presenciais como nos contatos online com a turma mediante o Facebook. O próprio termo que se usa para designar as tecnologias de informação e comunicação foi motivo de espanto no início das atividades:

Escrevi a sigla TIC e expliquei o que queira dizer. Foi uma surpresa, não tinham o menor sentido para eles sobre isso. Isso era obviedade, que jamais houve qualquer menção, até porque não é uma prática pública, que são raríssimas escolas que aplicam as TIC (Diário de Bordo, 21/02/2019).

De maneira recorrente, fizemos menção ao uso das TIC e a sua importância como ferramenta de conhecimento e de pesquisa histórica, lembrando ao aluno as razões de estarmos utilizando os instrumentos técnicos e também o significado deles para a construção do conhecimento.

A interação possibilitada pelas redes sociais despertou nos alunos a consciência sobre novas formas de construir o conhecimento e também sobre o papel do professor nesse processo. Tanto é assim que as reações, registradas sobretudo em sala de aula, revelaram uma postura de questionamento e de reflexão sobre o assunto. É o que anotamos e registramos no trecho abaixo:

O olhar dos alunos nos corredores chamava a atenção, que quase todos estavam maravilhados. O que tinha de diferente era Facebook, era algo novo, uma novidade na educação. As postagens feitas e o retorno do professor deram uma nova ascensão nas declarações; pensavam que era algo burocrático, algo estático, sem nenhuma sensação de produtividade, mecânico. Que nada, há uma troca de valores na educação, todos acompanham, têm o retorno imediato, a qualquer hora um sabe o que o outro vez, o aluno avalia de várias formas, o seu como os outros, o que escreveu (Diário de Bordo, 29/03/2019).

Em termos didáticos, pensando nas lições que foram tiradas pelos autores que vêm estudando o tema do uso das TIC (SILVA; GOMES, 2000; SILVA, 2001), procuramos adotar uma posição intermediária entre a informalidade da comunicação oral e a formalidade da escrita em

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nossas intervenções na mídia social utilizada – no caso, o Facebook. A nosso ver, isso permite maior proximidade com a linguagem da Geração Y, ao mesmo tempo em que garante a manutenção da autoridade do professor no ambiente online.

Sentimos, no entanto, que essa primeira experiência ainda deixou muitas questões para serem mais bem trabalhadas. Se a linguagem que utilizamos nos pareceu adequada – usando um tom mais informal e alguns recursos visuais como os emojis, assim como as curtidas que fizemos nas postagens dos alunos –, os alunos pareceram mais tímidos do que se espera em suas interações, como vimos no item anterior.

Em termos didáticos, isso sinaliza, ao que parece, a diferença entre os ambientes – o real e o virtual – e a necessária compreensão de como agir em cada um deles para potencializar o seu uso.

Na lição de McLuhan (1979), “o meio é a mensagem”. Ou seja, o suporte em que a comunicação é efetuada – a voz, o quadro negro, o microfone, o ciberespaço – traz junto a si uma forma específica de comunicar e de dizer. A informalidade da fala pode ser temperada pela perenidade e formalidade da escrita nas mensagens que elaboramos em nossas trocas pelas mídias sociais (GOODY, 2012).

Os formatos que trabalhamos nas atividades didáticas merecem atenção nesse momento. No caso do Facebook, nos ativemos a postagens curtas, de cerca de 10 (dez) linhas, com caráter interpretativo. Elas estariam baseadas em informação pesquisada na web (notícia, texto científico etc.). Tal formato possibilita observar, a nosso ver, tanto a capacidade de uso da internet como ferramenta de pesquisa como a capacidade do aluno em se expressar, nos próprios termos, sobre aquilo que leu.

Ao mesmo tempo, é um formato que permite agilidade no trato com uma turma de cerca de 17 alunos. Isso porque ao planejarmos a atividade ponderamos acerca da necessidade de dar um retorno ou feedback permanente para a turma. As postagens deveriam ser comentadas ou respondidas pelo professor com frequência, e isso só seria necessário para tanto.

Nesse sentido, priorizamos as respostas às postagens dos alunos no período em que se estendeu a atividade pelo Facebook, o que por vezes implicava acessar e dar feedback em horários e dias da semana fora da nossa rotina escolar. Eis um outro ponto a considerar, já que o tempo, sendo nosso bem mais precioso, também requer cuidado ao pensarmos nas atividades de ensino que extrapolam o horário presencial em sala de aula. Para reforçar a participação,

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instigamos os alunos em certos momentos específicos, conforme registrado no seguinte trecho do Diário:

Aproveitei para falar das postagens, sobre tempo para inserir a pesquisa, as respostas como devem ser. Mostrei no meu computador pessoal para um aluno que não tinha postado ainda. É importante o argumento do professor, no sentido instigar a produção, lembrar, auferir, demandar (Diário de Bordo, 05/04/2019).

Vimos que a pesquisa na internet realizada pelo aluno deixou a desejar nessa fase, e que a expressão textual se ateve quase sempre à reprodução literal do que foi lido pelo aluno nas pesquisas efetuadas. Os registros do Diário mostram como isso aconteceu:

Os alunos concluintes do Ensino Fundamental/Ensino Básico do 3º ciclo – Português, último ano, se sentem inseguros de fazer resumos – com algumas exceções, é claro –, acostumados a copiar. Percebo que essa foi a tônica nas postagens, mesmo com a cobrança do professor. A mudança colaborou, neste sentido, com a internet, que ajudou a copiar, sem desenvolver a prática de condensar o texto, algo tão essencial dentro de um espaço delimitado pelo professor (Diário de Bordo, 13/05/2019).

Pensamos que talvez fosse necessário estabelecer outros estímulos para que a interação pudesse ser mais efetiva, como por exemplo mais referências à cultura jovem, como sites de jogos, músicas e esportes. Nesse ponto de nossa didática, contudo, optamos por não sobrecarregar a turma com muitas informações, dada a novidade que já encaramos ao propor a interação via web e o uso de outras TIC como ferramentas didáticas (GUTIERREZ, 2004; BEHAR; TORREZZAN, 2009).

Refletimos que já tínhamos novidades o suficiente para realizar as atividades do período letivo, daí a necessidade de controlar o uso de novos insumos, a fim de evitar a dispersão.

A interação que não se verificou ou que se verificou muito fracamente nas postagens da página da turma no Facebook acabou se verificando no ambiente da sala de aula. Ali é que se concentraram os comentários sobre as pesquisas efetuadas, mediante a provocação do professor, que questionava a turma sobre o andamento das pesquisas e as descobertas efetuadas.

Entre os vários incidentes e questionamentos significativos que registramos nesse momento, eis alguns:

De maneira diferente, os alunos gostam muito de contradizer, “enrolar” o professor no processo de cumprir a tarefa, como: não sabia como fazer, não sabia a data da

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entrega, fiz um pouco, me perdi, faltei aula e ninguém me informou, achei que era na semana que vem. Todas estas situações foram ditas, além de outras desculpas (Diário de Bordo, 13/05/2019).

Também é necessário registrar, nesse ponto, que a experiência teve um grande impacto em minha didática. Como professor, senti-me mais acolhido pela turma logo após a primeira postagem que efetuei no Facebook. Era como se de alguma forma tivesse me aproximado mais da turma, que parecia me ver como parte da turma deles agora. São impressões que marcam, pois com o tempo aprendemos a conhecer as reações e o estado de espírito do grupo com o qual trabalhamos, e certamente a reação da turma demonstrou o impacto da novidade e o acolhimento da iniciativa. Eis um trecho do Diário que aponta nessa direção:

Interação entre alunos e professor é outro ponto positivo sobre as postagens, ganha dinamismo e praticidade, permite ler e reler. Mesmo que não queira “curtir”, fica a sinalização para o administrador de quantos visualizaram aquela postagem e quem foi o aluno. Tudo isso permite maior controle, saber de antemão quem participa, o interesse de cada aluno e o foco na aprendizagem (Diário de Bordo, 13/05/2019).

O fato de ter proposto e construído uma atividade didática na mídia que a turma conhece e com a qual costuma interagir parece ter tido um efeito positivo, aproximando os universos simbólicos do professor e do aluno. O conhecimento que foi construído nesse processo parece ir além da mera pesquisa sobre os termos históricos: é um conhecimento que diz respeito ao todo do processo didático e que perpassa as questões de ensino em sua essência (ALARCÃO, 2008).

A mesma proximidade se verificou na atividade com o uso da fotografia. Ela consistiu numa viagem de estudos ao Museu Militar de Panambi-RS, na qual os alunos tiveram por tarefa fazer registro fotográfico da viagem e posteriormente efetuar a análise das fotografias, considerando aspectos técnicos da composição da imagem abordados previamente em sala de aula.

Nessa atividade, o nível de interação foi bem maior do que na atividade com a mídia social Facebook. A viagem foi em clima de empolgação e a tarefa teve êxito em termos de participação e envolvimento dos alunos. O fato de ser uma atividade presencial parece ter sido decisivo para o resultado positivo que encontramos aqui.

O meio utilizado – a fotografia – também teve impacto sobre os resultados em termos didáticos e de conteúdo.

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A turma se envolveu de forma efetiva nas tarefas propostas, fazendo as fotos e analisando-as conforme os parâmetros estudados. O fato de cada um ter se envolvido na viagem e ter de produzir suas fotografias seguramente tem relação com o sucesso dessa atividade: o aluno estava efetivamente presente na viagem que deu início à tarefa, e teve de se envolver com as questões técnicas para apresentar o produto final da atividade. Tudo isso deu outra dimensão ao que foi realizado: a dimensão do envolvimento e da construção de um produto, que passou pela fase da coleta de informações in loco, da observação da realidade e do manuseio tecnológico, e que resultou em um produto palpável, com a marca de cada um dos alunos que fizeram a atividade.

São elementos que devem ser ponderados e avaliados quanto ao seu impacto sobre a didática e a apreensão dos conteúdos no contexto do uso das TIC em sala de aula. Eles parecem sinalizar que é necessário muito mais do que indicar o uso de ferramentas, incorporá-las ao ensino de forma “orgânica” – ou seja, de maneira natural, como parte regular do processo de ensino (ALMEIDA; VALENTE, 2011). Nossa percepção nesse ponto é que a atividade de fotografia concretizou de forma plena a adoção das TIC no processo didático, possibilitando aprofundar os conteúdos da disciplina de História e ao mesmo tempo dando ao aluno maior autonomia no uso da técnica.

Algumas fotografias produzidas pela turma ilustram essa atividade:

Figura 13 – Fotografias feitas pelos alunos

Fonte: Captura de tela do Facebook.

No caso do formato utilizado para a atividade do vídeo, optamos pelo documentário, dada a confluência de temas que ele abrange e sua adequação para a abordagem factual e

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histórica. Como vimos no Capítulo III, o formato do documentário permite aplicação da narrativa histórica em um contexto rico de possibilidades formais e de conteúdo.

Aqui pudemos observar que a turma se dedicou com bastante interesse e afinco na realização das atividades, na mesma linha do que observamos na tarefa com a fotografia.

Todavia, a impressão inicial foi de resistência e receio, tal como registramos no Questionário 3, que indagava sobre as expectativas da turma para a realização de um vídeo, como visto previamente.

O diferencial, novamente, parece ter sido o acesso e a autonomia que foi dada à turma para construir em seus termos as narrativas propostas. O fato de terem de trabalhar em grupos, contudo, trouxe outros elementos, que não estavam presentes na atividade com a fotografia.

Os dados dessa fase da pesquisa mostram que em termos didáticos o caminho parece estar marcado pela necessidade de interação entre os métodos tradicionais – uso do quadro negro e do livro didático, bem como das aulas dialogadas – e os métodos possibilitados pelas TIC – como a interação online, o uso de buscadores para a pesquisa e as ferramentas de elaboração multimídia, na linha do que propõe Behar e Torrezzan (2009).

Em termos de conteúdo, a fase empírica mostrou que temos nas TIC um instrumento relevanteque pode auxiliar a expandir o debate e aumentar e aprofundar o conhecimento do campo da História. Talvez elas, as tecnologias, mereçam mesmo um destaque maior no capítulo da evolução do homem e da sociedade, como queria McLuhan (1979) e como vêm observando os autores contemporâneos (JENKINS, 2009; LÉVY, 1996; 1999).

As iniciativas na direção de um uso voltado para a melhoria dos processos de ensino mostram, contudo, que o avanço só é possível se houver uma reunião de esforços – uma sinergia, como querem alguns – em busca de um ideal comum. Foi o que também nós observamos ao considerar a experiência que conduzimos com a turma de História. Se, por um lado, houve boa receptividade dos alunos, por outro esbarramos em algumas resistências que poderíamos chamar estruturais: a falta de um espaço laboratorial adequado sendo talvez a principal delas.

A didática com o uso das TIC exige um ambiente escolar que acolha de forma natural a presença da tecnologia. Salman Kahn (2013) já nos mostrava que a sala de aula ideal era um misto de elementos tradicionais e inovadores, e também um misto de vários tipos de experiência com o conteúdo. Grupos discutindo tópicos de forma interativa, com o auxílio de professor e monitores, focados todos na resolução prática de problemas relacionados com a realidade da

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vida. Espaço físico desenhado de forma a quebrar o layout tradicional e hierárquico que caracteriza a maior parte dos espaços educacionais da rede pública. Pesquisa e diálogo em primeiro plano, mais do que memorização de conteúdos. São todas propostas que exigem o repensar das nossas práticas docentes, e cuja implementação se coloca como um desafio coletivo para a escola, muito mais do que uma iniciativa individual.

Em nossa experiência, por exemplo, sentimos falta de um espaço de interação voltado para as práticas inovadoras em termos didáticos: fóruns e discussões que tematizem o uso das TIC ainda são raros ou enviesados, enfocando aspectos que pouco ou nada alteram a realidade de defasagem entre a experiência em sala de aula e aquela que o aluno vivencia fora da escola.

O resultado das experiências que conduzimos, embora exitosos em termos de avaliação e dos produtos construídos pela turma – como os fóruns no Facebook, as fotografias feitas pela pelos alunos, os vídeos produzidos para a atividade sobre a Primeira e Segunda Guerra Mundiais – podem ser apenas um ponto fora da curva normal, se não houver iniciativas que garantam a continuidade desses esforços.

A troca de experiências entre os professores, a realização de feiras tecnológicas na escola, a sistematização dessas experiências em forma de reflexões escritas – artigos, capítulos de livros, livros e teses etc. – são algumas das possibilidades que listamos como exemplos de iniciativas para aprofundar e tornar conhecidas outras experiências semelhantes conduzidas pelos colegas docentes. Só assim nos parece possível avançar em direção a um uso profícuo das TIC em termos de conteúdos e em termos didáticos.

A sociedade do conhecimento tem nas TIC um elemento essencial, que deve ser nosso aliado na busca pela qualidade do ensino, pela excelência didática e pelo aprofundamento dos conteúdos – de História como das demais disciplinas.