2. Institusjonelle rammevilkår
2.3. Forhandlinger
As fontes que a turma utiliza foram verificadas com base na atividade de uso da mídia social Facebook. A atividade consistiu em pesquisa sobre os seguintes temas: consumismo, intolerância, preconceito racial, protecionismo, bolsa de valores e antissemitismo. De cada um deles, solicitamos à turma que fizesse uma pesquisa prévia, lendo uma notícia, e a seguir fizesse um comentário sobre o que entendeu do assunto pesquisado. Na Figura 11, a seguir, um exemplo das postagens efetuadas:
Figura 11 – Atividade de pesquisa com a mídia social Facebook
Fonte: Captura de tela.
A atividade, extraclasse, se estendeu por cerca de 5 (cinco) semanas, entre março e maio de 2019, e teve a participação de mais da metade da turma. O teor da participação foi bastante irregular. Alguns respondiam com base apenas na postagem da notícia pesquisada, sem elaborar comentário próprio, deixando a interpretação em segundo plano ou mesmo ignorando-a. Isso nos forçou a lembrá-los constantemente sobre a necessidade de dizer, em suas palavras, o que haviam compreendido sobre a leitura efetuada.
Poucos efetivamente cumpriram a íntegra do solicitado nesta etapa da investigação, que era pesquisar sobre o tema daquela semana – racismo, bolsa de valores etc. – e comentar, em um texto de cerca de 10 (dez) linhas, o que entenderam do assunto pesquisado. Houve diversos casos em que o aluno não mencionou a fonte pesquisada, não referindo o link de acesso ao
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texto que lhe deu subsídios para a postagem. Nesses casos, o professor efetuou pesquisa na web, utilizando o buscador Google, para verificar se o texto postado era de autoria do aluno ou a simples reprodução de material pesquisado na internet. Também nesses casos reiterávamos a necessidade de o aluno se ater ao enunciado da atividade (GATTI; ANDRÉ, 2010).
Houve também, é necessário frisar, alguns, poucos, alunos que efetivamente cumpriram o que foi pedido na atividade com a mídia social: postaram o link da notícia lida e elaboraram um texto curto de sua autoria, comentando ou interpretando o que foi lido. Mas esses foram uma minoria. A maior parte da turma optou pelo caminho da reprodução pura e simples do texto que embasou sua pesquisa, copiando o colando o link da matéria ou o próprio texto da matéria na íntegra, no espaço dedicado à postagem na mídia social.
Outro aspecto que merece registro é o tipo de fonte acessada pela turma para realizar a atividade. Via de regra, os alunos ficaram apenas em uma única fonte de informação, de sites de estudo como o Nova Escola ou de pesquisa geral como a Wikipédia. Quase ninguém se aventurou por outros sites dos muitos que estão disponíveis na web para a pesquisa escolar e a pesquisa em geral (SANTAELLA, 2004).
Além disso, não houve postagem que extrapolasse o texto escrito, apesar de estimularmos, amiúde, a inclusão de informações ilustrativas complementares, como links de vídeos, de jogos, imagens etc. A bem da verdade, apenas uma postagem foi feita com o uso de recursos fotográficos, ainda no início das atividades com o Facebook: trata-se de um link com fotos de vestígios da Segunda Guerra Mundial, conforme se pode verificar na Figura 12.
85 Figura 12 – Postagem com fotos da II Guerra Mundial
Fonte: Captura de tela do Facebook.
No mais, as postagens se ativeram de maneira bastante restrita a parte do teor do enunciado das atividades, sem que o aluno buscasse mais fontes do que as imediatamente disponíveis em pesquisa na internet.
Outro aspecto da atividade diz respeito à interação possibilitada pelo Facebook (GUTIERREZ, 2004). A princípio, a rede permite que se estabeleça o diálogo entre os participantes do grupo, que podem fazer comentários e estabelecer contato com os demais integrantes. A ideia da interação é justamente essa: permitir que o modelo comunicacional se enriqueça com a participação efetiva de todos os que integram a comunidade virtual, sem as amarras que caracterizaram por séculos a comunicação de massa, marcada pela hierarquia (DIAS, 2000; BEHAR; TORREZAN, 2009; KHAN, 2013).
Nas atividades que conduzimos com a turma, chamamos a atenção para este aspecto da participação, estimulando os alunos a comentarem as postagens dos colegas, a fim de que pudéssemos avançar na criação do conhecimento compartilhado, que caracteriza a comunicação atual. Mas esse ideal não se concretizou. Até houve participação, mas sob outras formas, como foi o caso das curtidas e reações com emojis, feitas por alguns dos alunos como resposta às postagens dos colegas. Comentário, no entanto, não houve nenhum.
Nas conversas que conduzimos em sala de aula, nesse período, levantamos uma pista para tal fenômeno: em geral, o aluno pensa não ter autoridade para fazer comentários sobre o conteúdo pesquisado pelos colegas. Assim, prefere apenas curtir, demonstrando aprovação e afeto, mas evitando a crítica. Fator que colhemos positivamente: quanto ao estudo das palavras
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inseridas do Facebook, quando inseridas no contexto do estudo didático, não havia necessidade de complementação. Por serem palavras complexas, percebemos que os alunos tinham o conhecimento e estavam cientes da História Mundial. Somente esse fato minimizou horas de explicação, o uso de palavras chaves para o entendimento da matéria. Assim, o uso da rede social facilitou o processo de aprendizagem e os alunos ampliaram o conhecimento. Era justamente esse o objetivo principal: antes de aplicar o conteúdo de História, o aluno já teria um estudo feito com pesquisa na internet, sem saber o porquê dessas palavras.
Salientamos que é primeira vez que os alunos têm acesso à tecnologia educacional. Depois de oito anos de estudo regular, eles conheceram um novo recurso de ensino.
Os resultados da atividade como Facebook são estimulantes. Revelam, ao que parece, uma atitude peculiar do aluno em relação à pesquisa e à interação com o uso das TIC. Ao mesmo tempo em que se reconhece como parte de um mundo dominado pela tecnologia, o uso que o estudante faz dos recursos tecnológicos para a pesquisa escolar ainda é bastante restrito. As pesquisas feitas mostram que via de regra a turma se ateve à superfície dos conceitos pesquisados. Uma pesquisa no Google com as palavras-chaves que usamos mostra que em geral os primeiros resultados são aqueles que os alunos utilizaram em suas postagens. Trata-se de fontes de fácil acesso, voltadas para o ensino, focadas na definição conceitual e no texto escrito. O resultado foi uma certa padronização das respostas, já que oriundas de fontes semelhantes.
Podemos questionar se a atitude da turma em relação às fontes utilizadas em suas pesquisas não refletiria na verdade uma atitude mais geral em relação ao ensino e ao conhecimento formal. Afinal, a relativa “timidez” com que a turma utilizou a web para fazer sua pesquisa não reflete de forma alguma a atitude da chamada Geração Y, que nasceu conectada e se sente muito à vontade no ambiente online. Essa mesma geração pesquisa em diversas fontes desde antes de entrar na escola. E talvez a escola seja justamente o ponto a ser ponderado aqui (GUTIERREZ, 2004; BEHAR; TORREZZAN, 2009).
Talvez o fato de saberem estar sendo avaliados tenha contribuído para deixar a turma mais reticente em relação à pesquisa efetuada: tanto no tipo de conteúdo que foi pesquisado – restrito à definição pura e simples do termo, sem ilustrações – como no tipo de comentário que foi elaborado. Afinal, trata-se de uma atividade didática, que em última análise vai compor uma nota e ajudar a definir a situação do aluno no final do período letivo – aprovado ou não.
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Ao menos na etapa de nossa investigação em que utilizamos a mídia social Facebook como ponto de partida para a pesquisa nas fontes históricas, o uso efetivo dessa ferramenta se mostrou bastante limitado. As fontes consultadas pela turma demonstram apego aos caminhos mais acessíveis e de fácil consulta – não necessariamente os mais aprofundados (LIMA, 2012).
Seja como for, o fato é que a pesquisa empírica mostra neste ponto que há de se atentar para a maneira como usamos as fontes em ambiente mediado pelas TIC. Elas, as TIC, não garantem a priori o aprofundamento da pesquisa realizada pelo aluno. Mas também não se colocam como obstáculo. Tudo está na maneira como as utilizamos. No caso da turma, a atividade serviu como base para o desenvolvimento de outras etapas de nosso percurso, preparando-a para a elaboração de um vídeo sobre a Primeira e Segunda Guerra Mundial.