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Parameters in the Multi-Periodic Artificial Bee Colony Algorithm 101

9.2 Description of the Test Instances

10.1.2 Parameters in the Multi-Periodic Artificial Bee Colony Algorithm 101

A agência epistêmica de primeira ordem de Sosa é uma agência funcional. Ela é epistêmica num sentido relacional, do mecanismo ou função que desempenha o processo doxástico ou cognitivo, ou de atribuição de causalidade. Não tem um sentido forte, de controle, decisão ou voluntariedade, como Sosa mesmo assume. O domínio das razões epistêmicas não é passível de avaliação, senão funcional, por sucesso ou falha.

Na segunda ordem, por outro lado, a agência epistêmica não é sobre a formação das crenças nem sobre seu conteúdo. O que é avaliado é se a crença foi formada com base nas razões epistêmicas disponíveis ao sujeito, sendo resultado da competência epistêmica de primeira ordem. A agência epistêmica de segunda ordem é bem exercida se não houver interferência de razões práticas, ou seja, se, na formação da crença, as razões puramente práticas possivelmente presentes não tiverem tido um papel relevante (conflitar ou subjugar as razões epistêmicas).

Uma vez que somos levados a ser racionais, salvo quando forças especiais nos conduzem à irracionalidade, somos assim forçados, aparentemente, a julgar como o fazemos sempre que julguemos efetivamente. Ou estamos sujeitos à força da razão, ou estamos sujeitos a alguma força irracional, a algum viés, talvez, ou a alguma superstição culturalmente derivada (SOSA, 2012, p. 33).

Se aceitamos a possibilidade de controle negativo através da agência epistêmica reflexiva, temos que os metadesempenhos do agente epistêmico em manter

suas crenças baseadas em razões epistêmicas serão passíveis de avaliação. O agente pode ser avaliado por sua busca da verdade ou por não refletir e sucumbir aos interesses práticos presentes.

Há, contudo, uma importante questão pendente aqui, a viabilidade dessa agência epistêmica através da reflexão. É preciso investigar se essa possibilidade conceitual pode ser efetiva. A caracterização de Sosa dessa forma de controle sobre nossa formação de crença não é suficiente para definir isso. Dessa investigação, temos duas possibilidades: que não seja viável e que seja viável.

Suponhamos que seja viável. Ainda assim, é limitada à separação entre razões puramente práticas e epistêmicas no processo de formação da crença. É uma concepção muito mais fraca do que a de agência doxástica, vista no capítulo um. Ela não permite que o crente seja responsável (no sentido forte, não só causal ou funcional) pelo seu funcionamento, bom ou ruim, nem pelo seu conteúdo. Permite, tão somente, que seu funcionamento epistêmico seja resguardado de interferências externas.

Desse modo, se um agente epistêmico mantém sua formação de crença inafetada por razões práticas (quer sejam dominantes ou não), ele terá exercido agência epistêmica reflexiva. Não obstante, ele pode falhar completamente em alcançar a verdade sobre a questão proposta, por falta de competência epistêmica de primeira ordem. Ou seja, ainda que mantidas somente as razões epistêmicas para a formação da crença pelo agente epistêmico, ele ainda pode falhar, por avaliar mal as evidências ou por condições do ambiente que julgou serem suficientes para ele formar uma crença, quando esse não era o caso.

Retomemos o exemplo “Julgamento olímpico”. Se o juiz Distraído conseguisse, em novo julgamento, afastar sua distração e observar os tiros, ele ainda poderia formar crença falsa; p.e., por ser um juiz ruim, que não consegue distinguir os movimentos de braço corretos dos incorretos (falha em primeira ordem).

Essa situação de falha na execução e na avaliação epistêmica pode ser avaliada pela proposta de Sosa. Porém, a avaliação é sobre o sucesso ou falha na consecução do objetivo, uma avaliação funcional. O processo de formação de crença continua inalcançável para a agência epistêmica. O que foi possibilitado é que seja um processo sem interferência ou conflito com razões práticas. Não se pode atribuir controle positivo ao agente ou avaliar o seu desempenho doxástico, ainda que ele tenha sido isolado de fatores não epistêmicos.

Essa possibilidade ainda é bastante significativa se, como Sosa afirma, ela puder efetivamente resguardar o domínio epistêmico. Isso permitiria a eliminação dos vieses cognitivos em nossos juízos (formação de crenças) – um ponto que é altamente desejável e significativo e está sob recente discussão.

Ainda que possa ser um passo importante para agência epistêmica, essa possibilidade deve ser examinada quanto à viabilidade. Não basta que seja conceitualmente possível que a agência epistêmica reflexiva faça com que as crenças sejam formadas com base em razões puramente epistêmicas. Após a crítica de Kornblith, precisamos saber se é empiricamente viável que tenhamos agência epistêmica reflexiva, se nossas crenças de fato são assim formadas e em que grau. Essas questões serão examinadas no capítulo três.

3 AGÊNCIA EPISTÊMICA MELHORATIVA

Há teorias em Epistemologia que também mencionam agência epistêmica, com abordagens não somente normativas. Elas contêm outras preocupações e fazem outros recortes de problemas, de cunho melhorativo e social. Vimos, no capítulo um, na disputa da ética da crença, duas posições surgirem. Delas, criaram-se dois enfoques em Epistemologia, nos quais utilizam-se termos com significados diferentes. Assim, o termo “agência epistêmica” pode ter diferentes concepções e definições, como vimos.

Podemos afirmar que ambas as propostas de agência epistêmica anteriormente vistas pertencem a teorias tradicionais em Epistemologia. Elas compartilham diversos pressupostos e objetivos, e fazem o mesmo recorte dos principais problemas, com enfoques um pouco distintos e com soluções diferentes. Ainda assim, são propostas parecidas, no sentido de terem uma pretensão normativa para a avaliação epistêmica e a atribuição de responsabilidade, conforme falamos no início do capítulo um.

Apresentaremos uma proposta que surge a partir da vertente de W. James, especialmente baseada em Alvin Goldman e Hilary Kornblith. Porém, essa proposta vai além das demarcações tradicionais, que até mesmo esses epistemólogos delineiam. É a proposta de Kristoffer Ahlstrom-vij (2010, 2013), que pretende ser uma epistemologia melhorativa e conduzir uma investigação acerca de agência epistêmica.

Uma abordagem melhorativa, em contraste com uma normativa, não objetiva fazer prescrições ideais, mas sim em melhorar nossas práticas epistêmicas. Para tal, faz uso de pesquisas empíricas para se informar sobre as práticas epistêmicas atuais dos agentes e busca meios de melhorá-las. Partindo de diferentes pressupostos e com diferentes objetivos, essa abordagem pode conter uma concepção legítima e bem elaborada de agência epistêmica.