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A Rede EPT, segundo Valente (1993), constituiu-se num sistema de âmbito nacional destinado a incrementar o círculo de informações incididas pelas diversas ações que compunham o EPT e cujo objetivo era incentivar as práticas das atividades esportivas a partir das bases comunitárias, tendo como características principais o pluralismo e a descentralização.

Valente faz questão de ressaltar que a Rede EPT percorreu caminhos independentes, não sendo gerida em nenhum momento pela SUEPT. Tal fato decorria das experiências vivenciadas na campanha EPT por seus técnicos, os quais “concluíram que a base de sustentação de um programa de ação comunitária (como é o caso do EPT) estava centrada na ‘comunicação’, através de ações intersubjetivas de agentes, dentro das próprias bases comunitárias” (p. 107).

Observa-se que o princípio “dimensão de comunicação” impulsionou o nascimento da Rede EPT. Montou-se uma configuração que abrangia publicidades artesanais e eletrônicas, desde as trocas de informações entre os agentes até os meios de comunicação de massa, que convergiam para a “Central de Difusão da Rede Nacional de Esporte para Todos”, situada na cidade do Rio de Janeiro.

A implantação dos trabalhos da Rede EPT deu-se em 1982, intencionando conferir um caráter nacional a ela, de acordo com Dias et al. (1986). Na ocasião, havia a necessidade de se assumirem novas dinâmicas para os programas educativos em âmbito nacional e, o EPT encaixou-se como uma boa possibilidade de contribuir para esse fator, ao se adequar às expectativas do Serviço de Radiodifusão Educativa do MEC (SRE-MEC).

Inicialmente, os programas seriam exibidos aos domingos pela manhã, por emissoras educativas e comerciais, e a maior parte da programação deveria ser produzida pelo órgão federal responsável pelo EPT, enquanto o restante ficaria a cargo de emissoras educativas de cada localidade onde houvesse difusão. A ideia era que estas, com o passar do tempo, tomassem para si a totalidade das produções, “formando-se cadeias esportivas locais e/ou regionais diversificadas” (DIAS et al., 1986, p. 18).

Porém, as exposições de Dias et al. indicam que a trajetória radiofônica da Rede EPT não obteve facilidade em seus primeiros passos, já que não logrou as pretensões de espalhar o padrão descentralizado e pluralista que desse conta de alcançar um público expressivo. Faltou tempo para o amadurecimento e melhor planejamento do grupo de trabalho que fora constituído, a fim de implantar, no que concerne às suas práticas discursivas, uma proposta progressista.

Essa constatação perpassava pelas próprias dificuldades localizadas nos programas de rádio, demarcadas pela carência de profissionais especializados atuantes na Rede EPT, falta de estúdios e horários adequados na Rádio MEC para a difusão dos programas, necessidade de constante improvisação da equipe da Rede EPT, atrasos na remessa de materiais, omissão de algumas emissoras locais e precariedade na cooperação entre a Rádio MEC e a Central de Difusão da Rede EPT.

Com isso, não coube mais à Rede EPT a produção dos programas. O Centro Brasileiro de Rádio Educativo Roquete Pinto (CBRERP), que substituíra o SRE-MEC, incorporou essa função, cabendo à Rede EPT apenas o fornecimento do produto bruto, para que fosse editado e formatado pelo CBRERP. Tratou-se, no entendimento de Dias et. al. (1986), de um desvio da rota desenhada a priori, uma vez que agora deveria obedecer a uma estrutura conservadora e tradicional. A integração da Rede EPT à cadeia cultural do CBRERP provocou a diminuição do tempo de inserção inicialmente destinado aos programas do EPT, o que simultaneamente acendeu contingências relacionadas à realocação de seu formato, inclusive abortando a ideia de que as emissoras locais assumissem as produções.

[...] os Programas Radiofônicos [...] passaram a ser produzidos pelo Centro Brasileiro de Rádio Educativo Roquete Pinto – CBRERP (sucessor do SER), que se responsabilizava por indicar redator, locutor e outros técnicos, cabendo à Rede EPT fornecer o conteúdo bruto a ser por eles trabalhado e avaliar o “Script” e o programa gravado do ponto-de-vista desse conteúdo. Com isso, desviou-se a proposta inicial que de participativa, comunitária sem visão única especialista e descentralizada, passou a ser vista pelo ângulo mais conservador e tradicional, pouco participativo, preponderantemente sob a ótica de elementos do Rádio, seguindo a rotina do CBRERP à época (DIAS et al., 1986, p. 18-19).

Todavia existiam algumas vantagens, pois, a partir do momento em que houve a integração, a programação passou a ser divulgada em mais emissoras, além de atenuar ou mesmo superar as dificuldades situadas no programa de maior duração. Aos poucos, a interação da Rede EPT com a CBRERP foi sendo lapidada, segundo Dias et al. (1986), dentro de um processo normal de proposta renovadora. Os autores alardeiam as vantagens de se contar com a competência dos técnicos da CBRERP para lidar com a radiodifusão, além da manutenção da equipe e do respeito ao cronograma estabelecido, propiciando, nos anos de 1984 e 1985, a consolidação do programa radiofônico do EPT, que, apesar de reduzido a uma inserção dominical de 15 minutos, tornou possível a produção de um conteúdo sintetizado e focado nos objetivos do EPT.

A despeito de o rádio ter valor significativo no contexto da Rede EPT, Dias et al. (1986) salientam que ele era apenas um dos meios para a sua solidez. Vinha sendo instalado um sistema multimídia, dentre os quais, o treinamento de agentes institucionais também abarcava os objetivos de incremento da Rede EPT. Os autores observam que o encontro realizado em Jacarepaguá-RJ54 representou um divisor de águas para a própria história do

54 Valente (1993) afirma que este encontro foi realizado na Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, entre os dias 26/04/1982 e 30/04/1982, sob a coordenação do professor Person Cândido Matias.

rádio educativo brasileiro, haja vista que a partir dele surgiria futuramente o Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa (SINRED).

Através desse encontro, engendrou-se a colaboração entre os agentes que atuariam no arcabouço funcional do EPT e os profissionais das rádios educativas dos Estados em que elas estavam presentes, definindo-se os tempos de duração tanto dos programas centralizados, de responsabilidade da CBRERP quanto da produção descentralizada, feitos pelas emissoras educativas de cada Estado. Isso posteriormente gerou, segundo Dias et al. (1986), os núcleos EPT nas localidades onde as ações foram desenvolvidas, fomentando a troca de informações sobre o movimento EPT.

Após a colocação dos agentes institucionais nos núcleos EPT, a estratégia voltou- se para o treinamento nesses locais, inclusive via rádio, contando com o apoio de técnicos da SUEPT e da Central de Difusão da Rede EPT, no intento de promover o desenvolvimento das atividades e focar nas mídias que envolviam a Rede EPT. À medida que os treinamentos se concretizavam, eram formados recursos humanos dentro das próprias localidades, ocorrendo, de acordo com Dias et al. (1986), a obtenção da autonomia do movimento já no ano de 1983.

Outra mídia que fez parte das origens da Rede EPT foi a RCE. Editada em seus primeiros sete números como jornal, já no ano de 1980, antes mesmo da formalização da Rede EPT (somente do número 18 em diante a RCE vinculou-se oficialmente à Rede EPT), integrou ao sistema de radiodifusão elementos de divulgação aos leitores sobre as ações que se desenvolviam no EPT. Para Dias et al. (1986), a RCE, em conjunto com o rádio, articulava- se em busca de alastrar as informações ao público-alvo do movimento.

Ademais, precisava ser resolvida uma situação para dar conta da agilidade de informações que o movimento exigia, devido ao fato de a periodicidade semanal dos programas radiofônicos (produzidos em maior escala pelo CBRERP e em menor pelos conteúdos regionais não compartilhados via rádio por todos os Estados) e a circulação bimestral da RCE serem insuficientes para atender às demandas da Rede EPT. “Criou-se, então, um veículo mais simples, mais ágil e mais circunscrito em clientela: o Boletim Informativo” (DIAS; et al., 1986, p. 19, grifo dos autores).

Distribuído quinzenalmente e tendo o seu primeiro lançamento em julho de 1982, o Boletim Informativo era um material de baixo custo cuja função era compartilhar as experiências dos agentes institucionais espalhados pelo país. Caracterizava-se pela publicação de notícias resumidas, o que, além de evitar que elas se tornassem defasadas, desincumbia a RCE desse papel, permitindo que ela se orientasse por uma vertente técnica.

A construção da Rede EPT como um sistema multimídia solicitava constantes discussões para que se atingisse esse alvo. Foi o que aconteceu com a idealização do Jornal EPT, durante a primeira reunião de avaliação do EPT, realizada na cidade de São Paulo, no ano de 1982, congregando pessoas atuantes no movimento (empresas, professores universitários, agentes institucionais e agentes independentes).

A princípio transparece que o escopo do jornal EPT não se diferenciava do Boletim Informativo, dado que “com a circulação do Jornal, a RCE foi utilizada somente para artigos, opiniões, estudos de caso, passando para o Jornal as notícias rápidas, que antes ocupavam as suas páginas” (DIAS et al., 1986, p. 23). Infiro que até mesmo a periodicidade do Jornal EPT (era editado toda segunda terça-feira de cada mês) o colocava em desvantagem em relação ao noticiário quinzenal do Boletim Informativo.

Compreendo que o distintivo do Jornal EPT localizava-se em seu maior alcance, atentando-se em criar um amplo canal de troca de informações entre os agentes do movimento, bem como informar e mobilizar segmentos da sociedade que não possuíam razoável conhecimento do EPT. Suscito essas conjecturas, em virtude de ele ter sido lançado em abril de 1983, com tiragem de 3.000 exemplares distribuídos em mala direta para os agentes e 70.000 encartados no Jornal dos Sports. O Boletim Informativo, por sua vez, tinha a sua distribuição feita de forma restrita aos Núcleos EPT.

Um dos caminhos que podem corroborar essas ilações advém das reuniões de avaliação da Rede EPT, realizadas em Florianópolis e São Paulo, respectivamente nos meses de abril e novembro de 1983. Por meio delas, apontam Dias et al. (1986), constatou-se a importância de que a RCE se cercasse de conteúdos técnicos, através de consulta feita junto aos leitores, compostos em sua maioria por professores e estudantes de Educação Física.

Reforçava-se a ideia de que o Jornal EPT era um veículo que deveria continuar contribuindo com essas demandas, ao alocar para si a responsabilidade de um noticiário conciso, enquanto a RCE cuidaria de publicações de maior envergadura teórica, como é o caso do próprio artigo de Dias et al. (1986), citado constantemente no decorrer deste tópico e que trata da trajetória da Rede EPT.

Com a circulação do Jornal, a Revista Comunidade Esportiva foi utilizada somente para artigos, opiniões, estudos de caso, passando para o Jornal as notícias rápidas, que antes ocupavam as suas páginas. A Revista (RCE) foi influenciada e influenciou o Jornal, uma vez que este foi concebido tomando por base o modelo empregado nos primeiros números da “Comunidade Esportiva” (do nº 1 ao nº 7), em formato de Jornal se apresentando como um noticiário (DIAS et al., 1986, p. 23).

Dias et al. (1986) afirmam que, depois do encerramento do acordo com o Jornal dos Sports, em fevereiro de 1984, a circulação do Jornal EPT foi interrompida pelo período de três meses e, após intensa reivindicação de seus leitores pelo retorno, o veículo foi relançado em junho de 1984 sob nova denominação, “Jornal Comunidade Esportiva/EPT”, adstrito à distribuição por mala direta a agentes de todo o Brasil treinados em cursos EPT.

Os congressos também fizeram parte do complexo multimídia da Rede EPT, segundo Dias et al. (1986), tornando-se fundamentais na incorporação do ideário do movimento EPT. O “I Congresso Brasileiro de EPT”, realizado em Curitiba, em 1982, é citado pelos autores como o primeiro evento educativo transmitido ao vivo em cadeia nacional, traduzindo as inovações decorrentes da Rede EPT, com intensa utilização do rádio na mobilização dos participantes, uma vez que havia transmissão diretamente do local do congresso.

Em relação ao “II Congresso Brasileiro de EPT”, abrigado na cidade de Belo Horizonte, em 1984, houve, além do desenvolvimento de discussões atinentes ao EPT, análise da realidade da Educação Física brasileira, através da Carta de Belo Horizonte, suscitando a valorização do profissional de Educação Física. Esse documento foi o embrião que gerou o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) e os Conselhos Regionais de Educação Física (CREFs), em 1998.

Após o I Congresso Brasileiro de EPT, Dias et al. (1986) abordamque surgiu a ideia da organização de congressos regionais em todas as regiões do país, que “se colocaram como preparatórios para o II Congresso Brasileiro de EPT” (p. 23), tendo o apoio financeiro da SUEPT. No entendimento dos autores, os congressos regionais começavam a apresentar os vestígios de autonomia dos núcleos de difusão de cada região, no que tange ao planejamento, desenvolvimento de temas, avaliação e elaboração de relatório final, afora contribuir na consolidação da Rede EPT.

A adesão de entidades governamentais e não governamentais também é um fator que ganhou destaque na Rede EPT. Dias et al. (1986) enaltecem a colaboração de muitas empresas, enviando notícias relativas à promoção de atividades esportivas e recreativas, sob as suas orientações. A participação no rádio, na RCE e no Jornal EPT desvelou que

instituições do porte dos clubes 4-S55, da Fundação Nacional do Bem Estar do Menor (FUNABEM), do Projeto Rondon e da Fundação Roberto Marinho, contribuíram para disseminar as propostas e as práticas do EPT.

Ademais, por intermédio da Fundação MUDES, criou-se uma nova mídia denominada “Sistema de Informações sobre o Esporte Não Formal na Empresa”, com o intuito de estabelecer a cooperação entre a Rede EPT e institutos diversos. Ela visava a alavancar os rumos da Educação Física brasileira, congregando empresas, profissionais de Educação Física e agências de publicidade, com o objetivo de adotar uma série de iniciativas dedicadas ao desenvolvimento do esporte, começando pelas atividades na esfera interna das empresas, a fim de agregar de início custos menores, para possíveis financiamentos de maior vulto futuramente.

Dias et al. (1986) destacam que no plano internacional, em 1983 a UNESCO propôs recomendações para a Educação Física não formal, as quais teriam vigência entre os anos de 1984 e 1989. Com o reconhecimento da afinidade do EPT brasileiro com as novas perspectivas da UNESCO, ele alargou o seu horizonte de intercâmbios, oferecendo assistência técnica a outros países, além de distribuir a RCE para nações da América Latina.

Valente (1993) enumera algumas outras mídias que compuseram a Rede EPT. A utilização de fitas gravadas propiciou a interlocução entre os agentes e entre estes e a Central de Difusão, redundando, sobremaneira, no municiamento dos programas radiofônicos. Esse “tráfego de fitas” lançara mão do sistema clearing house, o qual, segundo o autor, derivava das experiências primeiramente vivenciadas no Canadá, que consistiam na obtenção de informações variadas e de forma não profissional. No Brasil, os agentes produziram inúmeras fitas agindo eles mesmos como entrevistadores56.

55 Os clubes 4-S (Saber, Sentir, Servir e Saúde) sugiram no Brasil em 1952 como uma proposta de extensão que objetivava agrupar a juventude rural em torno da modernização agrária. Os 4-S fundamentaram-se em influências norte-americanas (clubes 4-H), arrogando os deveres dos jovens do campo junto à família, à comunidade e à pátria. Nesse contexto, buscava-se convencer os jovens que emanaria deles a alavanca da produção agrícola brasileira, por meio da fabricação de efeitos de verdade disciplinadores, o que se expressava no juramento prestado por seus integrantes. “Minha cabeça para SABER claramente. Meu coração para SENTIR maior lealdade. Minhas mãos para SERVIR mais e melhor. Minha SAÚDE para uma vida sã. Com meus 4-S, meu lar, minha comunidade e minha Pátria” (SILVA, 2001, p. 144-145).

56 No entanto, esta definição de clearing house e a sua relação com o EPT é diferente em Corrêa (1981b). No editorial da RCE de número 12, Corrêa afirma que, a partir daquele número, o periódico faria parte do Sistema Internacional de Informações sobre o Esporte para Todos (clearing house), patrocinado pelo Conselho da Europa. Assim, a RCE teria os resumos de suas matérias publicadas em inglês (nas informações contidas à esquerda do editorial, falava-se também dos resumos em francês), aos quais teriam acesso os milhares de assinantes do sistema espalhados pelo mundo. A Fundação MUDES também se utilizou da expressão clearing

house (tratado como câmara de troca de informações) durante o Sistema de Informações sobre o Esporte Não

Formal na Empresa, o qual consistia em possibilitar o acesso de pessoas físicas e jurídicas, mediante pagamento feito em forma de doação, a materiais referentes ao esporte não formal (EPT) nas empresas.

Além disso, Valente realça que a troca de correspondências, os telefonemas, inclusive com a possibilidade de se ligar a cobrar a qualquer momento para a Central de Difusão, bem como o uso dos telex e dos malotes, aperfeiçoaram o desenvolvimento dos canais de comunicação da Rede EPT. Para o autor, a rede expressava a sintonia entre os veículos de maior alcance e as práticas localistas advindas das comunidades.

Os discursos relativos ao movimento EPT, após a implantação da Rede EPT, tratavam do fomento da autonomia, por meio do alargamento dos canais de comunicação. Supor-se-ia que, se fosse um movimento que cuidasse da hegemonia da população em definir as suas práticas de atividades esportivas, estariam alicerçadas as bases para a sua continuidade, independentemente das intervenções de órgãos governamentais, uma vez que a própria trajetória da Rede EPT expunha, de acordo com Dias et al. (1986), que ela havia se solidificado dentro do contexto de difusão do esporte de massa no Brasil.

Porém tais conjecturas não foram suficientes para dar prosseguimento ao movimento EPT, o qual perdurou por pouco tempo após o término do regime militar, tendo, no meu entendimento, a sua extinção sacramentada com o fim da SUEPT, em 1990. Essa sobrevida até pode concorrer para que se considere sua autonomia diante das determinações ditatoriais, mas o curto período também pode denunciar que o aparelhamento estatal pós- governo militar atentou-se minimamente a um movimento que àquele período já se encontrava em vias de seu enfraquecimento, incapaz de angariar forças para a sua continuidade.

Infiro que seja uma possibilidade plausível, uma vez que Lobato, em sua dissertação de mestrado, defendida em 1989, isto é, já no ocaso do EPT, descrevia que o formato de administração em rede, aos moldes do EPT, havia sido superado pelas estruturas tradicionais do esporte.

Na oportunidade, Lobato elogiava o exemplo da Rede EPT, aludindo à necessidade de se ater a uma Educação Física advinda de “baixo para cima”, baseando-se “na autonomia de seus membros integrantes e que se utiliza da informação como meio integrador. É um modelo não hierárquico onde os fluxos de informação são determinados pela necessidade e não pela forma” (1989, p. 17). Em suas análises, o autor discorre a respeito da importância de se recuperar o modelo de rede instituído no EPT.

Compreendo, então, que o questionamento deva ser direcionado ao postulado de autonomia preconizado por integrantes do movimento EPT – Valente (1993/1996), Dias et al. (1986), Lobato (1989) –, no sentido de que, a despeito de sua administração em rede ter alcançado sucesso, ele não obteve os fundamentos necessários para a sua continuidade. Por

que, como um movimento revolucionário da Educação Física brasileira, ele não se consolidou no âmbito comunitário?

5- Considerações parciais

O livro organizado pelo Professor Lamartine Pereira da Costa Teoria do esporte

comunitário e de massa, de 1981, alude que o EPT, após a sua desativação oficial em fins de

1978, sobreviveu por conta do vigor comunitário empreendido em diversas localidades do país, onde as ações intersubjetivas passaram a compor o seu escopo.

Nesse sentido, a campanha EPT ter-se-ia constituído num projeto-demonstração e propiciado o seu amadurecimento, o qual acabaria por resultar no pluralismo e na descentralização do movimento. Uma das constatações dessa nova fase do EPT é que ele fundara as bases para a consolidação da Escola Brasileira de Educação Física, sob a vertente de que o esporte de massa deveria ser disseminado no corpo social a custos baixos, alocando maiores recursos aos atletas de alto rendimento.

Costa (1981a) considera que, desde o início, o EPT esteve receptível a aberturas. Assim, foram elaborados os Princípios EPT, no intuito de apresentar um conjunto de propostas que aperfeiçoassem o ideário do Documento Básico da Campanha, fruto de quatro anos de experiências transcorridas no EPT e que externava a autonomia adquirida por ele.

Perante as proporções alcançadas pelo movimento, observou-se a necessidade de