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C ONFIGURACIÓN DE NUEVOS NIVELES

6.1 Pantalla de nivel

Outra classe de objeções diz respeito às diferenças entre tipos de análise conceitual. Alguns teóricos afirmam que a crítica de Leiter apenas incide sobre tipos específicos de análise conceitual, mas não sobre outros. Isso é reforçado pelo fato do próprio Leiter ter vindo a aceitar a análise conceitual modesta associada à filosofia experimental como metodologia válida. Esse argumento aparece em Coleman (2002), Spaak (2008), Walton (2015), Halpin (2009), Oberdiek

e Patterson (2007) e de certa forma em Murphy (2011), mas focado de modo geral no método

a priori.

A primeira articulação desse argumento, como aparece em Coleman (2002), diz respeito à diferença entre o projeto da Análise Conceitual e a técnica da análise conceitual. O que o naturalismo de Quine necessariamente rejeita é o projeto da Análise Conceitual, que tratava conceitos de forma reificada. Além disso, há dois tipos de naturalismo: um que rejeita análise conceitual a priori do Direito e outro que apenas nega que alguns importantes aspectos da teoria jurídica podem ser proveitosamente investigados por meio da análise conceitual, que desempenharia um papel secundário em um projeto naturalista mais abrangente.

Como o próprio Leiter parece ter revisado sua visão acerca disso, parece que não há mais uma efetiva discordância entre ele e Coleman nesse quesito. A visão que venho adotando aqui dada as respostas dos tópicos anteriores é que ferramentas conceituais podem ser utilizadas pelo naturalismo. Portanto, pode-se dizer que aqui não há discordância entre mim (ou Leiter) e Coleman.

Uma outra forma de articular essa objeção diria respeito a formas de análise conceitual que Leiter não estaria contemplando, e que não entrariam em sua crítica. Especificamente Halpin (2009) e Oberdiek e Patterson (2007) trazem listas sobre que tipos de análise conceitual deveriam ser mantidas. Leiter responde especificamente em relação a Oberdiek e Patterson (2007) que seus 1º e 3º exemplos seriam desafiados por Quine, mas sem dar uma razão específica para o porquê. Diante disso pode ser interessante avaliar aqui se assiste razão a Leiter para isso. (Parece-me que Leiter está correto em considerar que o 2º e o 4º exemplos podem ser aceitos apesar da crítica quineana, pelo que não é necessário maiores comentários a respeito)

O primeiro exemplo rejeitado por Leiter é o da análise conceitual como a verificação se algo dito em um vocabulário é feito verdade por algo dito em um vocabulário mais fundamental.

Parece-me que o problema de Leiter com esse é que, da forma como escrito está, pode ser entendido como: “se algo dito em um vocabulário é feito verdade analiticamente por algo dito em um vocabulário mais fundamental”, ou seja, uma questão sobre se as verdades analíticas de um vocabulário derivam ou não das verdades analíticas de um vocabulário mais fundamental.

Para o naturalismo do tipo de Leiter, não há verdades analíticas, então não há nenhuma tarefa a ser realizada nesse sentido. Para um naturalismo que aceita a distinção analítico-

sintético, questiona-se que a teoria filosófica substantiva ocupa-se de verdades analíticas, o que também coloca em suspeição essa forma de entender a análise conceitual.

É possível que Oberdiek e Patterson tenham pretendido outra coisa. A crítica naturalista poderia ser evitada se o que foi dito seja mais semelhante a estabelecer a relação entre dois vocabulários, tal como na teoria científica se faz em relação aos vocabulários de distintas ciências ou de distintos mecanismos e leis da natureza. Então poderíamos estar perguntando sobre a relação entre as verdades sintéticas descritas por teorias diferentes. Se for isso que eles pretenderam, o naturalismo poderia aceitar isso, inclusive sob a visão de Leiter.

Em relação ao outro exemplo que Leiter rejeita, trata-se da análise conceitual como teorização conceitual, que visa identificar os comprometimentos implicados ou pressupostos por nossas intuições, sejam esses comprometimentos metafísicos ou não.

O que parece ser o problema para Leiter é que novamente estaria relacionado com a derivação de verdades analíticas a partir de intuições, além da questão do comprometimento poder ser relacionada à análise conceitual imodesta. Contudo, isso depende de uma leitura muito restritiva do que Oberdiek e Patterson colocaram. Primeiro, porque nem mesmo Leiter pode negar que discursos podem ter implicações subjacentes, demarcando um tipo de visão sobre o objeto em questão. Isso inclusive pode ser investigado pela filosofia experimental. Segundo, os comprometimentos podem ser os da linguagem, não necessariamente sendo verdadeiros sobre o mundo. Então seriam compatíveis com a análise conceitual modesta. Por fim, o fato de ser uma teorização significa que visa extrair uma teoria coerente por trás do modo como as pessoas se expressam. Como falaremos mais abaixo, mesmo que Leiter pareça de algum modo distante em relação a aceitar um trabalho filosófico mais elaborado, o fato é que isso é inteiramente compatível com o naturalismo, senão o de Leiter, ao menos na visão que adoto aqui.

Já Halpin (2009) fala de outros quatro papéis, dividindo-as em análise inicial expositiva e elucidativa, análise expositiva secundária, análise explanatória e exploratória e análise normativamente exploratória. Entendendo-os como parte da empreitada científica, na qual em cada momento da investigação temos de ajustar nosso esquema conceitual ou optar por elaborar um mais apto a arcar com as questões sob explicação, parece-me que cada um deles é consistente com o naturalismo. Portanto, aqui entendo que a questão é de como essas formas de análise serão usadas. Serão elas tratadas como separadas da investigação científica, ou serão feitas em continuidade ou consistente a esta? Para o naturalista, questões empíricas são ou podem ser relevantes para essas distintas etapas de elaboração conceitual.

Uma terceira forma em que esse argumento aparece diz respeito à diferença entre análise conceitual modesta e imodesta. Como Leiter veio a aceitar a análise conceitual modesta, portanto, acatando essa objeção, não são necessários mais comentários a respeito.