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P RODUKSJONSPROSESSEN

2. BAKGRUNN OM OPPDRETTSNÆRINGEN

2.1 P RODUKSJONSPROSESSEN

Nesta seção, pretendo apresentar e discutir o papel do orientador / mediador considerado nesta pesquisa e o papel normalmente atribuído ao orientador / mediador no ensino e aprendizagem de língua em geral.

Ao orientador / mediador é atribuído muitos papéis dentro do processo de ensino e aprendizagem de línguas. Considerando orientar como guiar e encaminhar, pode-se, equivocadamente, atribuir ao orientador um papel unilateral, resumido a um guia facilitador que orienta o caminho e os passos que o aprendiz precisa seguir. Contudo, o papel do orientador é muito mais do que isso, como já apontou Tylee (1999)13:

“O “facilitador” tenta criar circunstâncias que irão possibilitar os aprendizes a envolverem-se

com as oportunidades de aprendizado e construírem sozinhos suas habilidades e seus

significados.” (tradução minha) 14

Rubin (2007) também descarta o papel do orientador como um simples guia que facilita ou ajuda os aprendizes a encontrarem os caminhos para a aprendizagem; e considera-o como um conselheiro que esclarece e encoraja os aprendizes ao autoconhecimento e à autonomia:

13

Disponível em <http://www.education4skills.com/jtylee/teacher_as_facilitator.html>.

14 “The facilitator attempts to provide circumstances that will enable students to engage with the learning

opportunities and construct for themselves their understandings and skills. This role will interact with those of

O papel do orientador / mediador é o de facilitador da aprendizagem, e não alguém que oferece

as respostas “corretas”. (...) o papel do orientador/mediador é o de aconselhar, guiar, advogar e

encorajar o aprendiz a se tornar mais consciente e articular suas experiências de aprendizagem, suas forças, suas necessidades e seus planos. (RUBIN, 2007, p.1, minha tradução)15

O autor vai além e discute mais detalhadamente o papel do orientador no processo de ensino e aprendizagem, afirmando que o orientador deve também “ajudar o aprendiz a começar a adquirir as habilidades e os conhecimentos necessários para ser capaz de gerenciar seu próprio aprendizado” (p.2). Segundo Rubin (2007), o orientador é aquele que ilumina com soluções alternativas para os problemas de aprendizagem e foca seu papel na independência do aprendiz. (p.2)

É necessário apontar que, ao discutir o orientador no processo de ensino-aprendizagem de LE; considerando as observações de Rubin (2007) e Tylee (1999), acredito, portanto, que o orientador deva contribuir para os processos de construção do saber, isto é, a partir de suas observações, colocações, sugestões e dicas, contribuir para que o aprendiz consiga, dentro do seu contexto educacional, desenvolver sua capacidade de realizar aprendizagens significativas, aprendendo a aprender e construindo e desenvolvendo seus conhecimentos da língua alvo. Sem perder de vista, claro, que toda orientação deve adequar-se às necessidades e características de cada aprendiz.

Considerando o papel do orientador no processo de ensino-aprendizagem de LE, torna- se inevitável e vital, apresentar também o papel do orientador no processo ensino- aprendizagem em tandem.

Alguns pesquisadores buscaram discutir o papel do orientador no processo de ensino e aprendizagem em tandem como Brammerts, Calvert e Kleppin (2003). Segundo os autores, o orientador pode ajudar os aprendizes a desenvolver as habilidades de: i) refletir sobre seu

15 No original: The role of a counselor is that of a facilitator of learning, not someone giving the „„right‟‟

answers. “(…) a counselor‟s role is „„to advise, guide, counsel and encourage the learner to become more aware of and articulate his/ her learning experiences, strengths, needs and plans.” (Rubin, 2007, p.1)

próprio processo de aprendizagem com o objetivo de aprender a direcionar eles mesmos; ii) decidir sobre seus próprios objetivos de aprendizagem e a revisá-los continuamente; iii) encontrar oportunidades de aprendizagens significativas e fazer o melhor uso delas e finalmente, iv) avaliar seu próprio progresso na aprendizagem.

Quanto ao papel do orientador, os autores fazem uma afirmação um tanto polêmica. Segundo Brammerts, Calvert e Kleppin (2003), atualmente, muitos orientadores de aprendizagem de línguas estrangeiras são normalmente auxiliados e trabalham como professores de língua estrangeira, e, como tal, são responsáveis por ter certeza de que seus estudantes alcançaram certos objetivos de aprendizagem. Segundo os autores, esses professores orientadores esperam deles, como são esperados pelos aprendizes, determinar objetivos de aprendizagem específicos e decidir sobre o conteúdo e os métodos. E quando transferem essas expectativas e atitudes para a orientação, os professores orientadores enfrentam um conflito de papéis. É interessante ressaltar que os autores admitem que seja possível que se trabalhem diferentemente os princípios e objetivos do orientador apresentados por eles juntamente com um papel de professor e, ajustando esse estilo de ensinar, permitir que os aprendizes aprendam como aprender com mais responsabilidade individual.

É necessário observar como essa visão negativa da presença do professor de línguas na orientação e esse consequente conflito de papéis são um tanto equivocados. Considerando que, o orientador deve promover a autonomia nos alunos e ajudá-los a, cada vez mais, aumentar essa capacidade e consequentemente, ser consciente e responsável pelo seu processo de aprendizagem, essa posição parece sustentável. No entanto, considerando que o professor de línguas é formado para guiar o aluno em sua aprendizagem, atender seus desejos, reconhecer e suprir suas necessidades durante o processo de aprendizagem, essas afirmações de Brammerts, Calvert e Kleppin (2003) sobre orientador e o professor de línguas são pessimistas.

Esse cisma do ensino e da aprendizagem em tandem é equivocado se considerarmos a relação intrínseca dos dois no princípio de reciprocidade, isto é, desenvolve-se numa língua estrangeira e “ajuda”-se da melhor maneira possível o seu parceiro a adquirir a língua portuguesa. Além disso, não é porque o professor seja formado para “determinar objetivos de aprendizagem específicos e decidir sobre o conteúdo e os métodos” (BRAMMERTS, CALVERT e KLEPPIN, 2003) no processo de ensino e aprendizagem de línguas que ele necessariamente irá manter tais propósitos, pois o professor de línguas também é formado para saber se adequar a cada contexto de ensino.

Não podemos nos esquecer também que o professor ainda é formado para o antigo paradigma educacional, isto é, uma parte das atuais grades curriculares dos cursos de Letras ainda não contempla os novos ambientes de construção de conhecimento do século XXI (PAIVA, 2004), como o tandem e o teletandem. Não podemos, portanto, transferir os objetivos da formação tradicional do século passado para a formação do século XXI, em que o professor de língua estrangeira deve ensinar os alunos a gerenciar as informações por meio das tecnologias disponíveis e ajudá-los a transformar informações em conhecimento (HECHINGER e KOCH, 1993). Considerando, portanto, o professor do século XXI, a presença do orientador/ professor no processo de aprendizagem e ensino em tandem é muito bem-vinda e frutífera.

Considerando que o processo de ensino e aprendizagem em tandem ainda é um novo e emergente contexto educacional no Brasil, todo aprendiz inserido neste processo necessita de orientação anterior a sua jornada da construção do saber, principalmente relacionada ao uso das tecnologias da informação e à aprendizagem colaborativa e autônoma, que sustentam o ensino e aprendizagem em tandem.

Assim como os aprendizes em geral, os alunos deste contexto educacional também necessitam de constante orientação que atente para a complexidade e a especificidade que

requer o ensino e a aprendizagem de LE É importante ressaltar que é justamente nesta orientação posterior acredito que emerge a dúvida entre orientação e mediação, pois o orientador deve trocar estratégias e situações/experiências de aprendizagem, sugestões e opiniões. O orientador/ mediador deve também estimular o aprendiz a questionar, refletir e discutir sobre seu desenvolvimento na LE e até sobre seu próprio papel deste processo.

Acredito, portanto, na real e urgente necessidade de mais estudos, como o presente trabalho, que observem melhor o contexto de orientação/ mediação na formação do professor de LE. Estudos mais aprofundados do contexto de orientação dos laboratórios do projeto TTB poderiam, dessa maneira, esclarecer melhor questões como esta sobre o papel do orientador do processo de ensino e aprendizagem em tandem; além de auxiliar futuros professores / orientadores/ mediadores de LE; mapeando as implicações deste novo contexto educacional

para o iminente paradig telecolaborativos.

Considerando que, durante a coleta de dados, realizo sessões de mediação online com as alunas-orientadoras a fim de compreender melhor esta experiência de ministrar sessões de orientação teórica no laboratório de teletandem e fazer com que estas alunas-orientadoras reflitam sobre esta experiência, é necessário refletir também especificamente sobre a orientação/mediação online.