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4. TEORI OG METODE

4.2 M ETODE

A pesquisa qualitativa não poderia ser deixada de lado na fundamentação metodológica deste trabalho de pesquisa, pois tanto a Pesquisa Narrativa quanto a Fenomenologia Hermenêutica são pesquisas qualitativas ao tentarem interpretar o que se vive.

Segundo Denzin e Lincoln (1998), a pesquisa qualitativa, de uma forma geral, tem um foco múltiplo, com vários métodos, envolvendo uma abordagem interpretativista e naturalística. A pesquisa qualitativa envolve uma abordagem naturalística no sentido de que seus pesquisadores estudam indivíduos em seus ambientes naturais; e interpretativista, já que ao estudar, busca criar, produzir sentidos ou interpretar o fenômeno e os significados que as pessoas atribuem a ele. Este tipo de pesquisa também envolve o participante em uma

biografia entre outros que descrevem a rotina, os momentos problemáticos e os significados dentro da vida dos participantes.

A pesquisa qualitativa é, portanto, focada em múltiplos métodos, também chamados de qualitativos. Os autores, porém, ressaltam que este uso de vários métodos e a triangulação revelam uma tentativa de se assegurar uma compreensão profunda do fenômeno em questão. Denzin e Lincoln (1998) vão além, afirmando que é impossível de se capturar por inteiro a realidade objetiva.

O termo qualitativo implica ênfase em processos e significados que não são quantificados, isto é, não são medidos em quantidade, intensidade ou freqüência. O pesquisador qualitativo enfatiza, deste modo, a natureza social da realidade, considera o relacionamento íntimo entre pesquisador e pesquisado, a restrição situacional que formata a investigação. Tanto um como outro busca respostas a questões que enfatizam como a experiência social é criada e como ganha significado. (DENZIN e LINCOLN,1998, p.8) O pesquisador qualitativo pode ser interpretado com um artesão, um expert na arte da bricollage (EISNER, 1991), já que, segundo os autores, as múltiplas metodologias na pesquisa qualitativa podem ser vistas como uma bricolage. O pesquisador qualitativo sabe, portanto, mesclar diversas estratégias e instrumentos metodológicos de diferentes origens, e é consciente de que muitos paradigmas interpretativos podem ser trazidos e mesclados a qualquer problema.

Vale ressaltar que o conceito de bricolage, nesta dissertação, é embasado na visão apresentada por Eisner e Peshkin (1990), isto é:

(...)como um processo democrático radical que reconhece e transpõe as fronteiras tênues entre as disciplinas e entre o pesquisador e o pesquisado, que também reconhece que a possibilidade de convivência entre ambos é muito maior do que a do domínio de um sob o outro, sendo pesquisador e pesquisado ao mesmo tempo um só. (EISNER e PESHKIN, p. 25, 1990)

Denzin e Lincoln (1998) acreditam que o pesquisador-artesão é capaz de compreender que a pesquisa é um processo interativo e submetido à história pessoal, raça, etnia classe social e gênero dos participantes e sua também. Dessa maneira, o resultado do pesquisador-artesão é

uma bricolagem, um trabalho complexo, denso, uma criação que representa as imagens e interpretações do pesquisador sobre o fenômeno estudado e o mundo.

É interessante ressaltar que os autores nos chamam à atenção para o aspecto narrativo da pesquisa qualitativa, afirmando que o pesquisador-artesão reconhece a presença da narrativa nos estudos. Tanto as narrativas quanto as estórias pessoais são partes importantes das metodologias constituídas no âmbito do paradigma qualitativo de pesquisa.

2.1.2. Paradigmas

Nesta seção, procuro discorrer um pouco sobre algumas visões de pesquisa, apresentando e diferenciando, de acordo com as afirmações de Denzin e Lincoln (1998), os paradigmas de pesquisa mais dominantes na atualidade: positivismo, pós-positivismo, construtivismo e teoria crítica. Vale ressaltar que nesta dissertação é compartilhada a visão de Guba (1998), com base nas reflexões de Khun (1981), que vê o paradigma como uma construção humana, isto é, um conjunto básico de crenças e princípios que guiam a ação e a perspectiva de mundo do pesquisador.

Segundo Denzin e Lincoln (1998), um paradigma engloba três dimensões: epistemologia, ontologia e metodologia. A epistemologia pergunta: “Como conhecemos o mundo?” Já a ontologia levanta questões básicas sobre a natureza da realidade. E por fim, a metodologia é centrada nos modos pelos quais adquirimos conhecimentos sobre o mundo que nos cerca.

Considerando estes três elementos básicos, podemos diferenciar estes quatro paradigmas no sentido em que o positivismo convencional aplica quatro critérios de pesquisa: a validade interna (o grau pelo qual as descobertas mapeiam corretamente o fenômeno em questão); a validade externa (o grau no qual as descobertas podem ser relacionadas a outros contextos); a confiabilidade e a objetividade. Assim, como a teoria crítica que se fundamenta

em uma ontologia calcada no realismo histórico, o construtivismo também adota uma ontologia relativista, uma epistemologia transacional, uma metodologia hermenêutica e a dialética (p.186).

A partir destes três elementos básicos, Denzin e Lincoln (1998) mapeiam cada um dos quatros paradigmas, relacionando-os e diferenciando-os detalhadamente, como podemos ver no quadro a seguir:

Elemento Positivismo Pós-positivismo Construtivismo Teoria crítica

Ontologia

Pressupõe-se a existência de uma

realidade compreensível, regida por leis e mecanismos naturais imutáveis.

Pressupõe a existência de uma realidade que é apreendida somente de

modo imperfeito, devido aos mecanismos

intelectuais falíveis do ser humano e da natureza fundamentalmente intratável dos fenômenos. As realidades são apreendidas na forma de construções mentais múltiplas, social e empiricamente fundamentadas, situadas e de natureza específica. Dependem, em suas formas e conteúdos, de pessoas e

grupos específicos que detêm as construções. Realismo crítico, existência de uma realidade moldada por um conjunto de fatores sociais, políticos, culturais, econômicos, étnicos e de gênero. O exercício do poder nunca está distribuído de forma igualitária. Epistemologia Dualista e objetivista. Pressupõe-se que o pesquisador e o objeto de pesquisa são independentes. Dualista e objetivista modificada. Pressupõe-se que a objetividade mantém um ideal controlador e que tradições críticas e

uma comunidade crítica mantêm as descobertas longe de influências externas. Transacional e subjetivista. Pressupõe-se que o pesquisador e o objeto de pesquisa são intimamente ligados e portanto, as descobertas são construídas ao longo do processo de investigação. Transacional e subjetivista. Pressupõe-se que o pesquisador e o objeto de pesquisa são intimamente ligados, já que o pesquisador inevitavelmente influencia a investigação. Metodologia Experimental e manipuladora. Pressupõe-se que as descobertas devem ser empiricamente testadas

e controladas para não sofrerem influências.

Experimental e manipuladora

modificada. Pressupõe-se um multiplano crítico, que

redireciona os problemas dos outros

paradigmas ao reintroduzir as descoberta como um elemento natural na pesquisa. Hermenêutica e dialética. Pressupõe-se que as construções individuais podem ser interpretadas pela interação entre

pesquisador e participante. Dialógica e dialética. Pressupõe-se que a natureza transacional da investigação requer um diálogo entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa.

QUADRO 3: Tabela sobre os quatro paradigmas educacionais predominantes na modernidade com base em Denzin e Lincoln, 1988.

Há, segundo Denzin e Lincoln (1998), outros elementos que também diferenciam os paradigmas, como o objetivo de cada um, o papel do pesquisador e a natureza do conhecimento dentro deles. Considerando o primeiro, podemos afirmar que tanto o positivismo quanto o pós-positivismo procurar a explicação, permitindo, assim, a previsão e o controle do fenômeno, habilidades que devem desenvolver cada vez mais no pesquisador.

Já no paradigma construtivista procura-se compreender e reconstruir as construções pessoais iniciais tantos dos participantes quanto do pesquisador, visando um consenso, mas ainda aberto a novas interpretações.

O objetivo da teoria crítica é questionar e transformar as estruturas sociais, políticas, culturais, econômicas, éticas e de gênero que constroem a humanidade. Neste paradigma, o pesquisador tem o papel de facilitador, que compreende a priori quais transformações são necessárias.

Quanto à natureza do conhecimento, Denzin e Lincoln (1998) afirmam que, para o paradigma, positivista, o conhecimento consiste em hipóteses verificadas que podem ser aceitas como fatos ou leis. O paradigma pós-positivista, contudo, acredita que o conhecimento consiste em hipóteses não falsificadas que podem ser consideradas como fatos ou leis prováveis.

O paradigma construtivista acredita que o conhecimento consiste em construções em que há um relativo consenso e que “conhecimento múltiplos” também podem coexistir, porém, todos sempre sujeitos a contínua revisão. Já a teoria crítica vê o conhecimento como uma série de “insights” estruturais e históricos que devem se transformar ao longo do tempo.

Como pudemos perceber estes quatro principais paradigmas de pesquisa se diferenciam na maioria dos aspectos, mas alguns também se complementam como o construtivista e o da teoria crítica. A melhor maneira de compreendê-los, segundo Denzin e Lincoln (1998), é o diálogo contínuo entre seus suas características. Este mapeamento entre as divisas dos

paradigmas é muito importante e necessário a qualquer pesquisador e, justamente por esta necessidade, que decidi, nesta pesquisa, apresentar delimitar seus escopos.