O ato de projeto pressupõe a antecipação intelectual de fazeres práticos por meio da utilização de um conjunto de diferentes saberes científicos, seguidas pela invenção de métodos e sua posterior aplicação. Este caráter de antecipação possibilita sua formalização enquanto fazer através da instituição de normas, regulamentos ou convenções, os quais o figu a àu à o poàdeà o he i e toàeàp o edi e tos.àáàpala aà p ojeto ,àde i adaàdoà latim projectus,à aç oà deà la ça à pa aà aà f e te,à deà seà este de ,à ueà sig ifi aà pla o,à deli ea e to,à es ue a;à des iç oà detalhadaà deà u à e p ee di e toà aà se à ealizado 32. Segundo Alfonso Corona Martinez, em Ensaio sobre o Projeto,à Oàp ojetoà àaàdes iç oàdeà um objeto que não existe no começo do processo. (...) O resultado do processo é um objeto. A invenção do objeto realiza-seàpo à eioàdeà ep ese taç es àdessaà oisaài e iste te 33.
Ao se tratar de objetos, portanto, o projeto se realiza mediante seus meios de ep ese taç o,àoà ueài pli aà oà ha adoà dese hoàdeàp ojeto .à“egu doàPete àBooke àe à
A History of Engineering Drawing, a operacionalidade do desenho de projeto se deve a três
grandes contribuições: a concepção espacial do plano cartesiano de René Descartes que proporciona o controle e precisão de um volume através de coordenadas; a geometria descritiva instituída por Gaspar Monge a qual proporciona o registro ortogonal deste volume e a organização de suas respectivas dimensões; e finalmente o trabalho de William Farish (1759), quer formulou as bases da perspectiva isométrica ou paralela, em contraposição à perspectiva renascentista – com fins mais representativos e mais adequados à arquitetura.
O uso do desenho enquanto método é, portanto, um dos principais fatores que diferencia o projeto do ato de improvisação ao elaborar artefatos para as mais variadas necessidades. O desenho, além de ser uma descrição de como um objeto virá a ser é,
32 Etimologia: lat. projectus,us 'ação de lançar para a frente, de se estender, extensão', do rad. de projectum,
supn. de projicère lançar para a frente'; ver jact-; f.hist. 1680 projecto, idéia, desejo, intenção de fazer ou realizar (algo), no futuro; plano descrição escrita e detalhada de um empreendimento a ser realizado; plano, delineamento, esquema "pro-": "diante de"; ject- ou jact-: "lançar"; Projétil; projeção; design / desígnio (Houaiss, 2001)
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também, um meio de registrar e escrutinar uma ideia antes do momento de ser realizada - o ueàpe iteàaàde idaà a te ipaç oài tele tual .
A instituição de um modo formalizado de conceber soluções na qualidade de objetos conduziu à formação de um quadro de convenções. A partir desta condição, os procedimentos que não seguem normas e padrões são considerados irregulares e inadequados. Desta maneira, a improvisação passa a ser vista como um ato marginal, desfavorecendo sua difusão social. Bruno Munari, em seu conhecido livro Das Coisas
Nascem as Coisas, faz uma crítica direta à improvisação e a outras formas de conceber
soluções. Ao tratar da questão da criatividade, coloca que, apesar do rigor do método, a iati idadeà e isteà ta à oà atoà p ojeti o,à eà iti aà aà pu aà iati idade ,à aà atitudeà a tísti aà deà o e e à u aà fo aà eà depoisà p o u a à fu ç o ,à assi à o oà oà p ojetistaà o ti o .à“egu doàMu a i,à iati idade não quer dizer improvisação sem método: desta fo aàs àseàge aà o fus oàeàosàjo e sà ia àilus esàdeàse àa tistasàli esàeài depe de tes 34.
De fato, a ideia de improviso envolve algo feito sem planejamento, sem projeto, mas não implica, necessariamente, em resultados negativos. Por não envolver a repetição, o improviso é uma forma de inovação. Nachmanovitch defende a ideia de que todos nós so osài p o isado es,àeà ueàoàatoàdeài p o isa àe ol eàasà fo çasài te io esàdeà iaç oà espo t ea .à Éàaà oisaà ais normal do mundo improvisar. Nós improvisamos toda vez que pronunciamos uma sentença, mas somos conduzidos pela veneração de ídolos a pensar que o processo criativo é algo misterioso e um dom que apenas poucas pessoas possuem – quando na verdade estamos c ia doàoàte poàtodo,ài p o isa doàoàte poàtodo 35.
A ideia de improvisação comparada ao pensamento sobre projeto é explicada por i te dioà doà te oà f a sà bricolage 36
no livro O Pensamento Selvagem (1971) do antropólogo estruturalista Claude Levi-Strauss. Strauss faz referência ao sentido antigo do verbo bricoler,à oà ualà seà apli aà aà situaç esà deà a asoà o oà e à jogos,à asà se p eà pa aà e o a à u à o i e toà i ide tal 37, sendo que, osà diasà deà hoje,à oà ricoleur é o que
executa um trabalho usando meios e expedientes que denunciam a ausência de um plano
34
MUNARI, Bruno. Como nascem los objectos? Barcelona: Gustavo Gilli, 1990, p. 19
35 it is the most normal thing in the world to improvise. We improvise every time we say a sentence, but we
are told in our veneration of the masters that the creative process is some sort of mysterious and godlike thing only possessed by a few people – when i àfa tà eàa eài p o isi gàallàtheàti e,à eati gàallàtheàti e .ààI te ie à ithà “tephe à Na h a o it h ,à Ne à F o tie à à Magazi eà “epte e à ,à p. à – disponível em http://musicportals.biz/nahp/artic-en/Stephen%20Nachmanovitch (acesso em 13/11/12)
36 LÉVI-STRAUSS, Claude. O Pensamento Selvagem. (1966) São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970 37
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p e o e idoàeàseàafasta àdosàp o essosàeà o asàadotadosàpelaàt i a 38.à Oàbricoleur é
alguém que trabalha com as mãos e usa meios indiretos se comparadosà o àosàdoàa tista 39. Oàbricolage opera com qualidades de segunda classe; cf. o inglês second hand, de segunda
o,àdeào asi o 40.
A visão de bricolagem de Levi-Strauss, no entanto, é utilizada para tratar do chamado pe sa e toà ito-po ti o ,à oà ualà seà onfigura, inclusive, em tribos ameríndias. Neste sentido, cabe reconhecer a improvisação a qualquer tempo e lugar habitado pelo homem, como na Era Clássica, Egito Antigo ou Parque do Xingu. Essa abordagem faz com que o conceito de bricolagem, enquanto improvisação, se afaste do conceito de gambiarra, o qual contempla uma realidade de coisas industrializadas.
Nesteàse tidoà ope a à o àosà e u sosà ueàseàt à à o ,à aleàai daà ita àoàte oà
adhocism”, cunhado por Charles Jencks, em 1972, em livro do mesmo título. Segundo
Je ks,à oà o eitoà deà adho is à podeà se à apli adoà aà di e sosà tiposà deà esfo çoà hu a o,à denotando um princípio de ação que promova agilidade ou economia e propósito ou utilidade. Basicamente isto envolve o uso de um sistema disponível ou o trato de uma situação existente de uma forma nova em resolver um problema rapidamente e efetivamente. É um método de criação que se baseia particularmente em recursos que já est oà à o 41
.
Esta linha de pensamento proporcionou uma aproximação da ideia de improvisação às atividades de design e arquitetura, fazendo com que a improvisação fosse percebida como uma forma mais imediata de projeto, considerando-se seu objetivo de promover uma solução. Novas metodologias de projeto vêm sendo concebidas neste sentido. É o exemplo do trabalho de Suguru Ishizaki que propõe o conceito de improvisational design42, o qual implica em um modelo teórico para criar soluções de design comunicativas e que sejam tão ativas e dinâmicas como uma performance improvisada de dança. Ishizaki afirma, no entanto que, tal modelo, baseado em soluções de design dinâmico, somente é possível
38 Ibidem (nota do tradutor) 39
Ibid, pg. 38
40 Ibid, pg. 43 (nota)
41 "It can be applied to many human endeavours, denoting a principle of action havingspeed or economy
and purpose or utility. Basically it involves using an available system or dealing with an existing situation in a new way to solve a problem quickly and effectively. It is a method of creation relying particularly on resources which are already at hand." JENCKS, Charles, and Nathan Silver. Adhocism: The Case for Improvisation. New York: Doubleday, 1973 (Disponível em http://adhocism.posterous.com/adhocism-the-case-for-improvisation- slideshow)
42 ISHIZAKI, Suguru. Improvisational Design: Continuous, responsive digital communication. Cambridge: MIT
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através do uso de ferramentas computacionais, pois exige uma capacidade de responder a mudanças de maneira espontânea. Esse conceito baseia-se na teoria do comportamento emergente, a qual, segundo Steven Johnson (2001), envolve a produção de padrões mediante a auto-organização e a articulação em rede. Este tipo de procedimento envolve uma metodologia aberta e que implica em resultados nem sempre previsíveis, mais limitados por certas restrições.
Em tempos mais recentes, a improvisação vem sendo mais valorizada como atitude, considerando-se as consequências ambientais que a ideologia moderna relacionada ao projeto de produtos terminou por produzir. A proposição de Charles Jencks, assim como as ideias contidas no livro Design for the real world, de Victor Papanek, são exemplos de desdobramentos do movimento da contracultura da década de 60, e que passaram a promover hábitos como o façaà o à mesmo (do it your self), e que motivam muitas pessoas a improvisarem com mais frequência.