1 INTRODUCTION
1.3 P HYSIOLOGICAL CONSEQUENCES AND ROLE OF NUTRITION
O segundo aspecto do desenvolvimento sustentável considerado para este trabalho refere se à necessidade de diminuição das desigualdades sociais e, nas palavras de Sen (2000), ao aumento das capacidades individuais. Essas desigualdades são um reflexo de um sistema de produção cada vez mais moderno, mas também antagônico que acentua diferenças entre países pobres e ricos, entre os desenvolvidos e os em desenvolvimento16. Á medida que aumentam os efeitos da racionalidade político econômica, os ajustes da racionalidade social são ainda mais necessários já que comprometem o bem estar humano e os meios para seu alcance.
A integração dessa perspectiva socialmente sustentável às empresas não gira apenas em torno de questões éticas, legais, instrumentais, ou institucionais ou mesmo sobre direitos de propriedade (aumentar o valor do acionista), mas sim de uma posição mais holística e intersistêmica de perspectivas. Resultado da evolução sócio histórica exposta na primeira parte deste capítulo, as empresas devem equacionar todo esse conjunto de perspectivas tendo como pano de fundo uma tentativa de compensar o decréscimo das capacidades dos governos nacionais em prover bens públicos, de superar o social resultante da globalização econômica e ainda de uma reavaliação do paradigma presente pós II Guerra do crescimento a qualquer custo (Thomas, 2001; Moon & Vogel, 2008).
Além disso, cabe ressaltar, como motivador para esse desenvolvimento social, as pressões das organizações internacionais, da mídia, do governo, da sociedade civil (posição bem mais ativa que nas décadas
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Ainda que PIB não represente desenvolvimento social, parte dessa
desigualdade pode ser observada pelos dados trazidos por Nayyar (2003) quando
afirma que o desvio padrão do crescimento do PIB de um grupo de 141
países associados à ONU era entre 1950 1973 de 1.73, entre 1973 e 1990 de 2,50 e depois de 1990 de 3,09.
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anteriores), mas principalmente de uma imunização a sanções públicas (Raynard & Forstater, 2002; Lawrence , 2006; Blowfield & Murray, 2008; Frederick, 2008; Mühle, 2010). Elementos como educação, saúde, capital social e, principalmente, qualidade de vida surgem como itens discutidos no âmbito político, mas também no das empresas no espectro do desenvolvimento sustentável.
Kanbur e Squire (2001) advogam que a aplicação destes elementos ao ambiente organizacional pode gerar receita para as empresas. Para os autores, aplicação em saúde e educação dos funcionários, por exemplo, têm forte correlação com produtividade e salário. Isso porque a pobreza limita o acesso à educação e à saúde e, portanto, às oportunidades de melhoria da própria renda. Zadek (2003) acrescentam ainda que esse aumento de renda pode ser gerado em razão da absorção de inovações e de políticas sociais mais afirmativas. Para estes autores, os benefícios desses investimentos em educação e saúde, por exemplo, dentro das organizações estão ligados também à economia de custos, à melhoria da qualidade de produtos, ao aumento da disposição do staff, à maior participação e compreensão de novos mercados e melhor gerenciamento dos riscos e inovação.
Nesse sentido, a base do desenvolvimento social sustentável é a geração de melhores perspectivas, a partir de ações contrárias ao imobilismo social que minimizem a marginalização e a exclusão sociais (Melo Neto & Froes, 2001; Pogutz, 2008; Stiglitz, Sen, Fitoussi, 2009).
A formulação e a mensuração de indicadores de desenvolvimento social sustentável são processos complexos. Desafios como ética, cultura, lei, diferentes sistemas econômicos, bem como desigualdades observadas na qualidade de vida das pessoas, segundo Stiglitz, Sen, Fitoussi (2009), são alguns dos itens que dificultam a normatização de um conjunto de indicadores bem como a agregação de diversos constituintes e inter relações.
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Estudos apontam para dois grandes conjuntos de indicadores que se estabelecem como intersecção em qualquer sistema de avaliação nessa área. Esses pontos se referem à distribuição mais equitativa da riqueza e melhor qualidade de vida a fim de aumentar as capacidades e as liberdades pessoais (Sen, 2000; Stiglitz, Sen, Fitoussi, 2009). Stiglitz, Sen, Fitoussi (2009) afirmam que a qualidade de vida depende das condições objetivas e das oportunidades disponíveis para as pessoas e da extensão com que gozam essas possibilidades. Isso implica, portanto, um empoderamento das populações quanto à participação nos meios de produção e dos meios políticos.
Nessa esteira, alguns indicadores são válidos: situação de saúde; de educação; influência política nas decisões das empresas; atividades pessoais, como trabalho remunerado, trabalho não pago (como as atividades domésticas), tempo de lazer e condições de moradia; conexões sociais entre atores sociais, particularmente as que geram a noção de capital social; condições ambientais que afetam a saúde além de ajudarem ou dificultarem a vida cotidiana; nível de segurança pessoal (criminalidade, acidentes, desastres naturais); segurança econômica (garantia de emprego, seguro saúde, aposentadoria).
As propostas de certificação de sustentabilidade social das empresas surgem como uma ratificação da integração desses indicadores à gestão das empresas. Além disso, podem subsidiar o intercâmbio de informações, o que permitiria a comparação de produtos similares feitos por companhias diferentes, entre diferentes processos para produzir o mesmo produto, o benchmark das unidades dentro das companhias ou até mesmo a classificação de companhias dentre de um mesmo setor (Krajnc & Glavic, 2003; Pogutz, 2008). Indicadores como F5> ",BDDD 2 >
>"G HDD I são veículos privilegiados através dos
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F 5 > 4 avaliação geral das dimensões sociais, econômicas e
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quais a sociedade civil, ONGs e até mesmo governos podem exercer pressão por mudança, demonstrar o sucesso ou o fracasso das atividades socialmente responsáveis e ainda uma forma de obtenção de legitimidade política (Kuhm & Deetz, 2008).
Para o GRI, por exemplo, são indicadores de desenvolvimento social sustentável, os seguintes aspectos:
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• Saúde e segurança do cliente. Ciclo de vida de produtos
e serviços.
• Rotulagem de produtos e serviços: satisfação de clientes e informações sobre produtos e serviços.
• Comunicações de marketing: adesão às leis e normas nas comunicações de marketing
• Privacidade do cliente: violação de privacidade e perda de dados de clientes.
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• Emprego: total de trabalhadores por tipo de emprego, contrato de trabalho; taxa de rotatividade de empregados; benefícios oferecidos a empregados de tempo integral.
• Relação entre trabalhadores e governança: percentual
de empregados abrangidos por acordos de negociação coletiva; • Segurança e saúde no trabalho: percentual de empregados em comitês formais de segurança e saúde, compostos por gestores e trabalhadores; taxas de lesões e outras doenças ocupacionais relacionadas ao trabalho.
& ! H 5"% ! • Práticas de investimento e processo de compra:
contratos que incluíam cláusulas referentes a direitos humanos; empresas contratadas submetidas a avaliações de direitos humanos; treinamento de empregados sobre direitos humanos
• Não discriminação: casos de discriminação e as medidas
tomadas.
• Liberdade de associação e negociação coletiva
questão das condições de trabalho; 2 > 4 ligado a condições de
emprego e trabalho; ,, DDD4 ligado à auditoria e divulgação das questões sociais e
éticas; >"G HDD ligado ao gerenciamento ambiental; 4
ferramenta que transforma o consumo de matéria prima e assimilação de dejetos, de um sistema econômico ou população humana, em área correspondente de terra ou
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• Trabalho infantil: operações identificadas como de risco significativo de trabalho forçado ou análogo ao escravo e as medidas tomadas para sua erradicação.
• Direitos indígenas: violação de direitos dos povos indígenas
. " • Comunidade: escopo e eficácia de programas e práticas
para avaliar e gerir impactos das operações nas comunidades • Corrupção: número de unidades de negócios submetidas a avaliações relacionadas a corrupção; percentual de
empregados treinados nas políticas e procedimentos
anticorrupção; medidas tomadas em resposta a casos de corrupção
• Políticas públicas: participação na elaboração de políticas públicas e lobbies; valor de contribuições financeiras para partidos políticos
• Concorrência desleal: número total de ações judiciais por
concorrência desleal
• Conformidade: multas significativas e número de sanções por não conformidade com leis e regulamentos.
Ante o exposto, a utilização de práticas socialmente sustentáveis pelas empresas está além das discussões sobre ética, legalidade e instrumentalidade. Todavia, essencial aponta para discussões mais amplas, tanto nas esferas das empresas privadas ou governamentais, a respeito da distribuição mais equitativa de rende e melhor qualidade de vida a fim de aumentar as capacidades e as liberdades pessoais. A despeito da dificuldade de mensurar esse desenvolvimento social sustentável, alguns indicadores surgem como parâmetros mínimos e que podem ser utilizados pelas empresas: saúde; educação; influência política nas decisões das empresas; trabalho remunerado ou trabalho não pago, tempo de lazer e condições de moradia, entre outros. Nessa aplicação, as diversas certificações, embora não aprofundem a realidade organizacional ou mesmo sejam fidedignos à realidade da empresa, podem servir como comparação de diferentes processos para produzir o mesmo produto, ou mesmo benchmark entre empresas, tanto nacional, quanto internacionalmente.
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