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5 DISCUSSION

5.4 M ETHODICAL CONSIDERATIONS

Dutta e Mia (2010) advogam que nenhuma indústria ou setor da economia atual é mais central para o desenvolvimento econômico e social que o setor de Tecnologia da Informação. Para Castells (1999), isso é parte de uma terceira revolução25, a qual induziu um padrão de descontinuidade paradigmática na base material de toda a economia, da sociedade e da cultura.

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Castells (2000) afirma que a primeira Revolução Industrial, por volta de 1770, e concentrada na Inglaterra, apoiava se em um amplo uso de informações. A segunda Revolução Industrial, depois de 1850 e concentrada mais em países como EUA e

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A fusão singular de estratégia militar, cooperação científica, ambiente institucional integrado (mão de obra, parcerias etc.) e ainda os movimentos de contracultura têm permitido a crescente integração a novos processos de produção e industrialização com os recursos tecnológicos agregados, o que se traduz em aumentos significativos de criação, produção e distribuição das tecnologias. Além disso, a perspectiva de aumento atual de demanda de tecnologias de ponte em mercados emergentes como Brasil, Índia, China e México ratifica ainda mais o papel estratégico dessa indústria para o desenvolvimento sustentável em escala global. É possível apontar contributos no campo econômico (por exemplo, com tecnologias de acesso a internet, serviço de telefonia celular), no campo social (por exemplo, com melhorias da educação, acesso a serviços de saúde etc.) e no campo do desenvolvimento ambiental (por exemplo, monitoramento por satélite, sistemas inteligentes de diminuição de gases dos veículos, etc.).

Em termos econômicos, Beardsley (2011) afirmam que a indústria de Tecnologia da Informação contribuiu entre 5,8% e 7,3% do PIB mundial entre 2002 e 2007 e se espera que essa quantia suba para 8,7% em 202026. Além disso, as projeções do setor de TIC apontam para a melhoria dos serviços de banda larga móvel com o acréscimo de U$ 300 a US$ 420 bilhões à economia mundial e ainda a criação de 10 a 14 milhões de empregos diretos e indiretos. Só para a América Latina, Dutta e Mia (2011) afirmam que possíveis melhorias no serviço de banda larga acresceriam US$ 50 a US$ 70 bilhões no PIB e ainda a criação de 1.1 a 1.7 milhões de empregos e na Europa, essas mesmas projeções são respectivamente, de US$ 60 a 80 bilhões e 0.9 a 1.3 milhões de empregos.

Alemanha, foi caracterizada pelo papel decisivo da ciência e principalmente da

eletricidade ao promover a inovação, dada a invenção de diversos produtos químicos, aço, motor de combustível e telefonia.

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Em 2006, por exemplo, no Brasil, a indústria de TI movimentou US$ 9,09 bilhões, o equivalente a 0,97% do PIB daquele ano e a 43% do mercado latino americano

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Em termos sociais, o contributo do setor de TI também é irrefutável, sobretudo no que se refere à qualidade de vida. Questões como emprego (mudança dos paradigmas de ação laboral, por exemplo), educação (

, por exemplo), saúde (serviços de telemedicina), poder/igualdade pelo acesso a informação (disseminação de conteúdo político pela internet, por exemplo) entre outras aplicações são cada vez mais impulsionadas pelo uso integrado de tecnologias (Hity & Ruddy, 2010).

Beardsley '2011) apresentam um exemplo dessa integração social do setor de TI para a redução da pobreza. Trata se do sistema 3 I na Índia o qual permitiu duplicar os ganhos e ainda introduziu tecnologia à vida de quatro milhões de pequenos fazendeiros através de um sistema simples de quiosques com computadores e acesso a internet em zonas rurais. Para os autores, tecnologias simples como estas podem ter enorme impacto na vida das pessoas.

O maior entrave, contudo, para a maximização desse impacto está ligado à educação (analfabetismo, p. ex.), à falta de infraestrutura (energia elétrica, p ex.), a taxas abusivas de impostos (taxas sobre equipamentos, p.ex.), ou mesmo a questões políticas (ditaduras como a chinesa impedem acesso livre a informação, p. ex.) (Larsen 2010). A este último ponto Beardsley '2011) ressaltam que a facilitação das TICs pode provocar choques nas estruturas políticas e de poder, facilitando, assim, às comunidades e cidadãos civis o monitoramento mais democrático das vulnerabilidades institucionais (econômicas, sociais e até mesmo ambientais) tanto de caráter privado ou público.

No que se refere ao aspecto ambiental, o contributo da indústria de TI também é grande, seja como parte do problema, seja na solução. Por exemplo, o descarte de equipamentos tecnológicos, chamado de e lixo (hardware descartado), aumentou três vezes mais rápido que o de outros

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Mais informações no sítio http://www.echoupal.com/ Acesso em 3 de novembro de

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resíduos sólidos (Leonard, 2011). Além disso, o consumo de energia por servidores (hardware) cada vez maiores e mais potentes tem exigido um olhar mais crítico para o impacto ambiental dessa indústria. A entrada cada vez maior de pessoas no mundo da eletrônica e da informática tem se refletido exponencialmente no consumo de energia (GESI, 2011). Isso pode ser observado quando se sabem que as tecnologias da informação e comunicação contribuem atualmente com 2% do total de emissões de GEE no mundo (o que é o mesmo nível da indústria da aviação mundial), só em função da manufatura e operação de computadores, servidores, , telefones fixos e celulares, redes locais e impressoras (Clark, 2010). Nos EUA, por exemplo, só em função da produção de hardware/software e sua distribuição, em 2011, a estimativa é que a indústria de TIC tenha consumido 100 bilhões de kWh e gasto US$ 7,4 bilhões em eletricidade e emitido 2.5% do total de GEE americanos (Clark, 2010). Segundo o relatório GESI (2011), embora tenha complexidade e extensão muito maiores, não são a infraestrutura e aparelhos de telecomunicação ou os centros de dados os responsáveis pelo maior consumo de energia da área de TI, mas os equipamentos e periféricos informáticos (perto de 60% do total).

Além dos três aspectos apresentados, ressalta se ainda o contributo positivo deste setor para o DS, sobretudo no que refere ao subsídio à eficiência nos processos de produção7 O relatório GESI28 (2011) aponta para a consideração de aplicações relacionadas a facilidades ligadas a construções, viagens (tecnologias colaborativas), negociação (sustentabilidade do ciclo de vida dos equipamentos), consumo (energia, água e outros consumíveis),

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O Global E Sustainability Initiative GESI é uma iniciativa internacional conjunta de provedores de serviço e fornecedores de Tecnologia da informação , com o suporte da Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas e da União Internacional de Telecomunicações. O GESI procura contribuir com o desenvolvimento sustentável na indústria de ICT tendo um papel de liderança na exploração colaborativa e no gerenciamento responsável das interfaces envolvidas entre sistemas industriais,

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reciclagem, opções de tecnologia de TI (PCs X aplicações, virtualização, suficiência de energia do hardware e tecnologias colaborativas).

Subsidiados por esses aspectos de eficiência energética surgem inúmeras aplicações e preocupações tecnológicas de TI cujos reflexos podem contribuir sensivelmente para uma melhor qualidade de vida, melhor gerenciamento ambiental, sem falar da economia de capital. Esses aspectos, contudo não estão atrelados apenas às grandes empresas, mas também às PMEs, já que a maior parte desse setor é composto por empresas com essa característica (GISE, 2008; Hilty & Ruddy, 2010; Dutta & Mia, 2011; Larsen

, 2010). Assim, algumas aplicações merecem destaque:

A. Desmaterialização – A substituição de produtos e serviços que exigem alta emissão de carbono por atividade com baixa emissão pode reduzir drasticamente as emissões associadas à manufatura e à distribuição. O relatório GISE (2008) aponta que, sob essa perspectiva, com o tele trabalho (trabalhar em casa), por exemplo, o uso do carro poderia ser reduzido de 48 a 77% e ainda reduzir entre 20 a 50% o consumo de energia de escritórios/universidades/repartições.

B. Sistemas motores – A conversão de eletricidade em energia mecânica por meio de VSD29 ( ) e IMC30 (

) pode ser considerada uma tendência e uma necessidade industrial em termos globais. Tal conversão pode diminuir drasticamente a poluição industrial partindo de 23% de emissão de gás carbônico, em 2002, a 7%, em 2020 (Gesi, 2011). Isso pode representar uma economia para as empresas de € 12 bilhões (sendo € 4 bilhões referentes à redução de emissão de gás carbônico e o restante referente à redução de energia), se as projeções de redução se mantiverem até 2020.

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VSD controla a frequência de energia elétrica fornecida ao motor, ajustando a velocidade de rotação requerida.

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C. Logística de produção. As operações de embalagem, transporte, armazenamento, compra e descarte de produtos são hoje completamente ineficientes e são ainda responsáveis por 14% do total de emissão de GEE.

Todavia, tecnologias como 5 = < > , F

"< , F - "< podem reduzir muito a emissão de gases e ainda o consumo de energia. Segundo Gesi (2011), as projeções para 2020 de economia com a integração eficiente dessas tecnologias pode chegar a € 280 bilhões anuais em termos globais.

D. Redes de transmissão de energia. Responsável por 24% das emissões de carbono em nível global, integrações referentes à transmissão de energia podem estar atreladas a: melhor informação a consumidores e produtores de energia; monitoramento, mensuração e faturamento remotos são algumas das tecnologias. Segundo GISE (2008) a economia global com esse tipo de tecnologia de integração pode chegar a € 79 bilhões.

Ante o exposto, pode se afirmar que há um potencial de sustentabilidade considerável para a indústria de Tecnologia da Informação. Tal premissa se assenta, sobretudo, na permeabilidade de seus produtos ou serviços em praticamente todas as áreas econômicas e sociais. Democratizando o acesso a informação e, por isso, quebrando uma série de paradigmas no processo produtivo, a indústria de TI erige se, portanto, como um setor privilegiado para a análise do capital social quando na configuração de redes, mas também do enorme potencial sustentável dessas empresas.

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O presente capítulo apresenta os principais aspectos da sociologia econômica relacionados aos objetivos deste trabalho e ainda algumas considerações sobre capital social e redes de cooperação. A Sociologia Econômica se qualifica como importante ponto de discussão para este trabalho em função de seu campo de estudo: a relação entre setor econômico e sociedade. Este campo teórico subsidiará, portanto, as considerações feitas sobre capital social e redes de cooperação na perspectiva de que os fenômenos econômicos são essencialmente sociais. Embora as relações analisadas sejam tratadas aqui como sendo entre empresas, tal consideração não se afasta das análises das teorias de rede ou mesmo do capital social no que se refere às interações sociais. Isso porque, em função de uma personalização das pequenas e médias empresas, seus donos/empresários as representam (ideologicamente, politicamente, entre outros aspectos). Sob essa perspectiva, são apresentados algumas das principais abordagens sobre capital social e de redes de cooperação. Em seguida, é apresentado o modelo escolhido para avaliar as redes de TI estudadas neste trabalho, qual seja o de Nahapiet e Ghoshal (1998). Por fim, são traçadas algumas considerações a respeito das redes de cooperação de Tecnologia da Informação do Brasil.

O processo de internacionalização da economia, da tecnologia e as rápidas transformações culturais e institucionais, que se intensificaram a partir de meados de 1970 com o desenvolvimento de novas tecnologias da informação, corroboraram para as modificações observadas na forma de produzir, de administrar, de distribuir, entre outros processos organizacionais e institucionais (Castells, 1999). Pela primeira vez na história, a unidade básica

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da organização econômica não é um sujeito individual, nem coletivo (como o Estado, por exemplo), mas sim uma rede, formada por vários atores sociais. Além disso, a queda das barreiras alfandegárias e geopolíticas com a intensificação do processo de globalização, a volatilização dos investimentos nacionais e internacionais e ainda a difusão exponencial dos recursos de TI e de comunicação impulsionaram novas relações e arquiteturas de produção e de consumo (Castells, 1999; Tálamo, 2008).

Essa inovação requer a superação de uma conjuntura internacional cujos efeitos são inversamente proporcionais ao tamanho e ao potencial adaptativo das empresas. O espaço no mercado tem como orientadores a volatilização dos capitais, a ampliação da flexibilização produtiva, de gestão e das relações de trabalho, o acirramento da concorrência e ainda a concentração de capitais sob a forma de fusões e aquisições (Souza , 2003). Sob essas condições, as empresas começam a buscar novas formas de gestão como a desintegração vertical (redução da estrutura através da eliminação de níveis hierárquicos), focalização (especialização na área que é melhor), terceirização, mas é a integração em redes que surge como estrutura privilegiada, sobretudo para as pequenas e médias empresas, a fim de superar a concorrência no mercado globalizado (Castells, 1999). Ademais, a pressão sobre as empresas, em especial as pequenas e médias, dificulta a sobrevivência e escasseia as possibilidades de sua inserção no mercado e, principalmente, as impulsiona para a participação e a manutenção das redes de parcerias.

Castells (1999) advoga que a nova morfologia social das sociedades exige cada vez mais expertise, em menor tempo, e com maior qualidade, de modo que a difusão dessa lógica de redes modifica também, e de forma substancial, a operação e os resultados dos processos produtivos, de experiência, de poder e de cultura. Portanto, urge a necessidade de uma gestão mais moderna e suficientemente flexível para gerar, fornecer, receber, integrar conhecimentos e informações, tudo isso sob uma arquitetura de

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ligações com outros atores sociais (Castells, 1999; Woolcock & Narayan, 2000).

Diante dessa mudança, em termos de relação, coube como pano de fundo de análise pela sociologia econômica, cujo pressuposto central, segundo Swedberg (2004), é o estudo tanto do setor econômico na sociedade como a maneira pela qual esses fenômenos influenciam o resto da sociedade e ainda o modo pelo qual a sociedade os influencia. Aliada, portanto, aos conceitos de redes e ainda de capital social, essa teoria permite compreender como a participação e a ligação em redes de empresas, como um fenômeno social, pode trazer vantagens para as empresas.