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4.6 D IETARY INTAKES ACCORDING TO RECOMMENDATIONS
Embora existam evidências de uma maior participação das PMEs nas atividades de natureza sócio ambiental, o questionamento que se faz é se essa inserção tem efetivamente contribuído com o desenvolvimento sustentável. Essa maior participação decorre, sobretudo do processo de democratização, de liberalização e privatização iniciado na década de 1980, mas principalmente em decorrência de uma maior exigência do mercado consumidor por práticas sociais mais sustentáveis.
Entre 2000 e 2004, por exemplo, a participação das PMEs brasileiras em ações de caráter social passou de 83% para 92% e das microempresas passou de 58% para 68% (Peliano, 2006). No contexto europeu, Visser (2008) afirma que houve um amento de 50% da participação
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das PMEs em questões sociais e ambientais. Em ambos os contextos, as atividades mais recorrentes são doar dinheiro, doar comida, ajudar alguma instituição não governamental. Diante desses números, o questionamento é se há possibilidade apenas de aumentar a quantidade de recursos empregados e também a qualidade e o impacto dessas ações.
O que se deve observar, porém, é que o comprometimento desse tipo de empresa é guiado essencialmente por uma tendência utilitarista de redução dos custos, o que acarreta uma visão de investimento e comprometimento de mais curto prazo (Raynard & Forstater, 2002; Maass, 2004; Santos , 2006; Russo & Perrini, 2010). A ideia é empregar recursos em atividades sociais até o ponto em que a curva do custo social intercepte a curva do benefício social (Dunfee, 2008).
As ações de caráter mais reativo e filantrópico relacionam se ainda à atenção a outros e são, portanto, tratadas como e fatores de produção. Por isso, como todas as , essas ações são desenvolvidas para sua troca e não por seu valor de uso. Valor de troca significa que o objeto não é gerado por suas qualidades que têm em si, mas é manufaturado apenas se o seu valor de troca é maior que o custo de sua produção. Assim, a empresa só investe no social se há uma atração maior das vendas, ou se há mais empregos comprometidos e competentes, ou ainda se tem um custo mais baixo de capital como resultado dos efeitos da reputação de seus gastos.
Além dessa relação de custo e benefício, há de se ressaltar as motivações de natureza religiosa e axiológica dos donos das pequenas e médias empresas para o investimento na questão socialmente sustentável (Southwell, 2004; Jenkins, 2006). Esse valor moral, religioso contribui para a construção de um capital moral com os da empresa de forma a minimizar impactos negativos de suas ações e não para um desenvolvimento de longo prazo (Mackey, Mackey & Barney, 2008). Tais características ratificam essa dimensão filantrópica de curto prazo a que estão associadas as ações sociais das PMEs.
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Cabe, portanto, ressaltar alguns dos empecilhos para a adesão dos PMEs ao desafio da sustentabilidade social:
1. Baixa sensibilização e informação acerca do que seja Desenvolvimento Sustentável. Em função do caráter pessoal de seus proprietários na condução dos negócios das PMEs, poucos empresários efetivamente conhecem como e o porquê de fazer investimento nessa área. Incerteza quanto às questões legais, reconhecimento insuficiente de estratégia de administração e ainda os retornos que esse investimento pode gerar guiam também esse baixo descomprometimento com a questão social e sustentável (Maass, 2004; Santos , 2006; Spence, 2007).
2. Falta de recursos. Tratado como uma das principais barreiras à implantação da sustentabilidade social nas empresas, a falta de acesso a crédito financeiro e ainda a falta de recursos tecnológicos erigem se como sérios empecilhos à expansão das empresas e, por conseguinte, às suas atividades sociais (Raynard & Forstater, 2002). Embora ocorra um movimento de ajuda financeira às PMEs, os juros altos, a dificuldade em dar garantias e a burocracia das instituições financeiras afastam essas empresas de movimentarem financiamentos e investimentos. Ressalta se ainda que esta falta não se refere apenas aos recursos financeiros, mas, sobretudo, aos humanos. Falta de gente com expertise ou mesmo pessoas disponíveis para militar na área social das PMEs é uma constante (Peliano, 2006; Santos , 2006; Spence, 2007).
3. Inexistência de relacionamento entre Desenvolvimento Sustentável e a estratégia desenvolvida pela empresa. Certamente ligada à falta de informação, as ações sociais das pequenas e médias empresas são orientadas muito mais por questões axiológicas, éticas, religiosas ou por questões de economia de recursos de curto prazo, deixando de lado a visão de longo prazo (Peliano, 2006; Maass, 2004; Spence, 2007). Tais ações pouco têm relação com o das empresas, o que impede, por exemplo, de potencializar as inovações tecnológicas de aplicação na sociedade, bem como seu impacto.
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4. Dificuldade de mensurar o impacto das práticas desenvolvidas A falta de instrumentos específicos para PMEs, sobretudo em função de uma ausência de uma homogeneidade de tipos e situações (cultura, gestão, contexto político, sucessão, etc.) impede a mensuração dos impactos das ações sociais, o que reflete uma falta de orientação para investimentos futuros (Spence, 2007).
5. Incapacidade de influenciar a cadeia de quanto às práticas sustentáveis. Com um peso relativamente pequeno na cadeia de fornecedores das grandes empresas ou mesmo na economia como um todo, individualmente as PMEs não têm capacidade de influenciar ou mesmo se sentirem fortemente influenciadas por grupos externos como consumidores ou comunidade a ponto de mudarem radicalmente sua posição de gestão e produção visando ações mais sustentáveis (Santos , 2006; Lawrence
2006).
Em contrapartida a essas barreiras, é importante ressaltar que, em função de um processo de produção bem mais flexível e customizado, o comprometimento ao paradigma de sustentabilidade pode trazer vantagens às PMEs. Estudos apontam algumas delas: maior alinhamento com consumidor, acesso a maiores mercados, oportunidades de parceria com multinacionais, aumento na produtividade, aumento na capacidade para aprender e inovar, maiores benefícios sociais como educação e desenvolvimento da comunidade; obtenção de maiores níveis de satisfação e motivação dos trabalhadores; ganhos financeiros em razão da economia de materiais e energia, maior controle de riscos; maior capacidade para atrair capitais, parceiros, clientes e com os que tomam decisões políticas (Raynard & Forstater, 2002; Southwell, 2004; Santos , 2006; Jenkins, 2006).
O que se pensa como sustentabilidade social para as pequenas e médias empresas não é, portanto, a aplicação de teorias, ações e ferramentas complexas dado que isso requer investimento tempo, dinheiro, pessoas, expertise, o que muitas dessas empresas não dispõem. O norte deve ser ações
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simples que estejam atreladas de alguma forma ao das empresas. Há, portanto, a necessidade de uma adaptação a recursos e expertise. Desta feita, indicadores de desenvolvimento social podem ser os mais variados. Contudo, cabe destacar alguns deles: promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, pagamento de salários justos, plano de formação e desenvolvimento contínuo de colaboradores, políticas afirmativas (para negros, mulheres deficientes, entre outros), treinamento e empregabilidade, respeito maior aos direitos humanos e a padrões de trabalho, presença junto à comunidade (Santos , 2006; Jenkins, 2006; Spence, 2007).