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5. BYUTVIKLINGSDISKURSEN

5.3 P ERIODE 1: N ERSTRANDA

As famílias religiosas, com a maioria de suas casas generalícias instaladas em Roma e possuindo, quase sempre, amplas casas de formação junto aos ateneus e universidades romanas, eram, de per si, um arrimo seguro para seus membros bispos, tanto mais que seus superiores maiores eram também membros do Concilio. Algumas tendiam a oferecer hospedagem aos seus bispos e peritos, agrupando-os numa mesma casa. Os salesianos, por exemplo, abrigavam na mesma residência o Cardeal de Santiago do Chile, Silva Enriquez e também prelados salesianos, de nacionalidade italiana, trabalhando em prelazias do Brasil: D. Miguel d’Aversa de Humaitá, AM; D. João Marchesi e Pedro Massa do Rio Negro, AM e D. Camilo Faresin de Registro de Araguaia, MT. Dom João Batista Costa, salesiano brasileiro, prelado de Porto Velho, RO, ficou também em Monte Mario com os salesianos.

Devido ao elevado número de bispos estrangeiros e de bispos religiosos existentes no Brasil, estas duas redes adquiriram importância relativamente grande no caso do seu Episcopado, pois inseriu muitos dos seus membros no circuito constituído pelos bispos do seu país de origem ou na rede internacional de sua própria congregação ou ordem religiosa382. Por vezes, essas redes terminaram por retirar alguns bispos da Domus

Mariae onde estava hospedado o Episcopado brasileiro, juntando-os noutro local, segundo sua ordem ou congregação. Assim, cerca de 27 bispos, todos religiosos, não se hospedaram na Domus Mariae, durante a quarta sessão. Como a única maneira de vê-los a cada dia, era na aula conciliar, “O Conciliábulo” publicou uma lista destes bispos, indicando seu lugar na Aula Conciliar e acrescentando a observação: “Os ‘Assignatori’ não vão gostar de estarmos fornecendo estes números”383. A ida de bispos e prelados para outras residências fora da

382 Os bispos religiosos do Brasil, à quarta sessão do concílio, somavam 95, sobre um total de 229 ou

seja 44,1%. Do total de religiosos, 59 eram estrangeiros, ou seja 62,2%. Os religiosos estrangeiros procediam da Alemanha (6), Canadá (1), Espanha (6), França (5), Holanda (7), Itália (23), Polônia (2), Ucrânia (1) e Estados Unidos (8). O número de estrangeiros do Episcopado brasileiro, presente no Concílio, é ligeiramente superior pois aos 59 religiosos, é preciso acrescentar outros cinco seculares vindos de Cuba (1), Itália (1), Portugal (2), Síria (1), dando um total de 64. Os dados foram extraídos da Lista de Bispos por país de Origem e Ordem Religiosa, segundo o Anuário Pontifício de 1965, cotejada com outras fontes e preparada por Luiz Carlos Luz Marques no ISR de Bologna.

383 “Sempre no intuito de prestar serviços à comunidade, fornecemos a seguir os números dos

assentos na Aula Conciliar, dos nossos colegas que estão fora na “Domus Mariae” e mais alguns que possam interessar: D 18 - D. Mário de Miranda Vilas-Bôas [Arcebispo da Paraíba]; S 105 - D. Antônio Alves de Siqueira [Arcebispo auxiliar de São Paulo]; S 59 - D. Antônio de Almeida Moraes Junior [Arcebispo de Niteroi]; S 732 - D. Tiago Ryan, OFM (Santarém); S 758 - D. Jaime Schuck, OFM (Cristalândia); S 392 - D. Clemente Geiger [CSSP] (Xingu); S 387 - D. José Alvarez [OAR] (Lábrea); S 827 - D. José de Castro Brandão [CSSR], (Propriá); S 358 - D. João Batista Costa [SDB] (Rondônia); S 784 - D. José Dalvit [FSCJ] (São

Domus Mariae onde estava hospedado o Episcopado brasileiro, podia denotar o peso relativo e o jogo das diversas solidariedades às quais prestavam os bispos sua adesão. Era compreensível que prelados da região amazônica, em sua maioria estrangeiros, convivendo apenas com confrades de sua mesma ordem e congregação, oriundos geralmente do mesmo país de origem e até então com escassos laços institucionais e pastorais com a conferência episcopal do país onde trabalhavam, se achassem “mais à casa”, em sua família religiosa do que junto com o restante do Episcopado brasileiro. Estas ausências causavam evidentemente embaraços de comunicação e problemas de deslocamentos em relação às constantes reuniões da CNBB e aos diferentes grupos de trabalho e comissões de estudo. A tendência é que os ausentes ficassem alheios à esta intensa vida diária que se desenrolava na Domus Mariae. No incidente da demissão apresentada pelo Cardeal D. Jaime de Barros Câmara ao seu cargo de presidência da CNBB, não faltou quem atribuísse, para além das razões de saúde apresentadas, à sua ausência da Domus Mariae, o surgimento de mal- entendidos que o teriam levado à esta renúncia, durante a II Sessão do Concílio, em novembro de 1963384. Em alguns momentos, há um apelo para que, quando de atos importantes, os colegas ausentes sejam avisados, na Aula Conciliar, pelos outros colegas residentes na Domus Mariae385.

Mateus); S 138 - D. Geraldo Proença Sigaud [SVD] (Diamantina); D 673 - D. Geraldo Fernandes [SAC] (Londrina); S 1095 - D. Giocondo Grotti [OSM] (Acre); S 389 - D. Manuel Könner [SVD, ex-prelado de Foz de Iguaçu, vivendo em casa dos SVD na Alemanha]; D 319 - D. Inácio Krause, CM (Toledo); S 902 - D. Aloísio Lorscheider, OFM (Santo Ângelo); S 933 - D. Raimundo Lui, [OCarm] (Paracatu); D 741 - D. José Martenetz, [OSBM, Curitiba, Exarca Apostólico para os Ucranianos]; D 703 - D. Jerônimo Mazzaroto, [bispo auxiliar de Curitiba]; D 843 - D. Geraldo Pellanda, [bispo coadjutor de Ponta Grossa]; D 517 - D. José Nepote-Fus, [IMC, Emérito da Prelazia de Roraima]; D 353 - D. Abel Camelo, (Goiás); S 309 - D. Gregório Alonso [Aparício], [OAR, Prelazia Nullius de Marajó]; D 625 - D. Aristides Pirovano, (PIME) [Prelazia Nullius de Macapá]; S 925 - D. João Marchesi, [SDB] (Prelazia do Rio Negro); D 929 - D. Miguel d’Aversa, [SDB] (Prelazia de Humaitá]; DA 30 - Mons. Adrien Veigle, [TOR] (Prelazia de Borba); DA 35 - Mons. Paulo McHugh [SFM](Prelazia de Itacoatiara); D 588 - Mons. Camilo Faresin [SDB] (Prelazia de Registro do Araguaia); DA 34 - Mons. Alquilio Alvarez [OAR] (Prelazia do Marajó); CO IV, 216, 16-09-1965. Nota bene: As informações que se encontram entre crochets [ ], foram acrescentas pelo autor.

384 “Sentia-se na carta de renúncia do Emo. Cardeal Câmara à presidência da CNBB, o travo da

amargura. Entre homens virtuosos, inteiramente consagrados ao bem das almas, o demônio sabe cavar abismos, valendo-se das coisas mais simples. A insídia, mesmo involuntária, infiltra-se nas denúncias, nas notícias mal transmitidas. O S. Cardeal Câmara, tanto aqui, como no Brasil tem sido vitima de mau assessoramento. Estamos certos de que, se estivesse em nosso convívio [na Domus Mariae], como está o Sr. Cardeal Motta, muitas incompreensões teriam sido evitadas”. CO II, 45, 19-11-1963.

385 “Pede-se a todos os bispos brasileiros que convidem seus colegas residentes fora da Domus Mariae

para a reunião final da próxima segunda-feira que é importantíssima.” [Tratava-se de reunião acerca das normas para a aplicação da reforma litúrgica - nota do autor] CO II, 56, 29-11-1963