Periode 3: Den eksperimentelle byen?
7. AVSLUTNING
7.2 F ORSLAG TIL VIDERE FORSKNING
Uma das atividades da Domus Mariae, organizada de modo informal e ocasional na primeira sessão conciliar, de modo sistemático, a partir da segunda sessão, em 1963, ultrapassou na sua repercussão, os muros da casa; chamou a atenção da imprensa, incomodou alguns dos dicastérios da Cúria Romana, notadamente a Congregação dos Religiosos, sob a presidência do Cardeal Ildebrando Antoniutti e a Congregação dos Seminários e Universidades, dirigida pelo Cardeal Giuseppe Pizzardo. Provocou ainda um esclarecimento, quase advertência, na Aula Conciliar, por parte de Mons. Pericle Felice, secretário geral do Concilio. Trata-se das, assim chamadas, “Conferências da Domus Mariae”.
Durante a primeira sessão, D.Helder Câmara, como secretário da CNBB, começou a chamar algumas das pessoas mais em vista, entre peritos e padres conciliares, para falarem aos bispos, geralmente sobre os temas em debate na Aula Conciliar.415 Foram, ao todo, onze conferências, três do prof. Hans Küng416, nascido na Suíça, mas lecionando
413 FAM
414KLOP II, p. 355
415 É possível seguir, pelas cartas de D. Helder Câmara, a seqüência dos conferencistas convidados,
mas sem poder confrontar estas informações com uma segunda fonte, por causa do desaparecimento do volume de “O Conciliábulo” referente à primeira sessão e porque o Boletim “Concílio em Foco”, começou a ser publicado somente a partir da segunda sessão.
416 Helder Câmara não esconde seu entusiasmo pelo jovem teólogo suíço: “À tarde houve aqui, uma
palestra esplêndida, Hans Küng, professor da Universidade de Tübingen (Alemanha), sobre o histórico da missa. [...] Tem a profundidade alemã e a fineza austríaca.” HC 13, 26-10-62. “Hoje, Hans Küng (padre) -
em Tübingen na Alemanha; quatro pronunciadas por cardeais, Giacomo Lercaro417, arcebispo de Bologna, Augustin Bea, presidente do Secretariado pela Unidade dos Cristãos, Ernesto Ruffini, arcebispo de Palermo e Leo Suenens418, arcebispo de Malines-Bruxelles;
duas por bispos brasileiros, Clemente Isnard e Aloíso Lorscheider419 e outras duas por franceses: Jacques Martimort, do Centre de Pastoral Liturgique de Paris e Roger Schutz com Max Thurian, monges da Comunidade de Taizée observadores protestantes do Concílio.
No primeiro encontro com os dois, nas semanas iniciais do Concílio, nota-se o deslumbramento de D. Helder, com a descoberta do mundo evangélico, tal como era vivido na comunidade de Taizé e a simpatia que se estabelece, de imediato, entre as pessoas: “Hoje estive com Roger e Max, protestantes da comunidade religiosa de Taizé (lembram-se do disco na casa de Carlinda, na noite de despedida?). Duas simpatias. Roger, muito moço, é o mestre; Max, o discípulo. Roger, que é suíço, no fim da guerra, veio estabelecer-se no sul de Paris, na diocese de Autun. Ocupou antigo templo católico abandonado e começou a receber (na linha espiritual de um Peyriguère ou de um Foucauld), os refugiados de todas as raças e de todos os credos. Terminada a guerra, foi à Suíça e voltou com Max. Hoje, são 52 jovens monges protestantes. 8
cujo livro apresentado pela querida A.C. [Ação Católica], em um dos primeiros boletins do Concílio, em breve enviarei, comentado - volta a fazer-nos uma palestra em Domus Mariae . É uma simpatia! Continuaremos a fazer força pelo Concílio.” HC 14, 28-10-62. “Já agora somos bons amigos [de Hans Küng]. A 3a palestra que ele ia fazer para nós (sobre o episcopado), eu propus que fosse estendida aos latino-
americanos e aberta aos nossos irmãos africanos, com quem ando unidíssimo”. HC 15, 29-10-62. Na terceira sessão do Concílio, novo comentário airoso sobre o teólogo, deixando entrever que a admiração é recíproca: “Ao chegar à Domus, ao final de palestra do Hans Küng, com quem fiquei, depois, até 11 ½ da noite (eu o considero o mais audacioso dos nossos teólogos quando escreve e, ainda mais, quando fala; ele me chama de profeta).” HC 56, 28/29-10-64
417 Lercaro durante a primeira sessão do Concílio hospedou-se, como os brasileiros, na Domus
Mariae, tendo sido a primeira pessoa convidada, por D. Helder Câmara, a falar ao episcopado brasileiro. Este não esconde entretanto um certo desaponto com sua palestra e a alegria com a de D. Clemente Isnard, ambos falando sobre o esquema da Liturgia: “Hoje pela manhã, os bispos brasileiros estudamos juntos. Falou-nos o cardeal Lercaro. Talvez por esperar demais de homem tão falado, achei sem novidades e sem maior interesse o que ele disse. Muito mais nos prendeu o nosso D. Clemente Isnard, que está dando prestígio, entre nós, à nossa Comissão de Liturgia”. HC 6, 19-10-62
418 Entre Helder Câmara e o Cardeal Leo Suenens estabeleceu-se, desde a primeira sessão intensa
cooperação que se converteu em estreita amizade e admiração mútuas: “19:30 do dia 29 [de novembro de 1962]. Houve o início do diálogo entre os dois Mundos. Foi emocionante. Ali estava na presidência, o sucessor de Mercier [Cardeal Desiré Mercier, arcebispo de Malines-Bruxelles de 1906 a 1926, presidiu as conversações de Malines para o diálogo entre católicos e anglicanos de 1921 a 1925 - nota do autor] que se mostrou absolutamente à altura da missão que a Providência lhe confia ... Mas grande mesmo foi Suenens, ao encerrar o Encontro. Disse verdades fortes e de maneira admirável.” HC 46, 28/29-11-62. Em outubro de 1965, por ocasião de outra palestra de Suenens, escreve D. Helder: “Entre os especiais motivos de ação de graças, devemos incluir o concílio. Foi o que nos lembrou na tarde de ontem, o cardeal Suenens, em palestra esplêndida na Domus Mariae. Rimos a valer, quando ele recordou, segundo a palavra do papa João, como todos nós éramos noviços em concílio... E comentou: “termina o nosso noviciado. Estamos preparados para o Vaticano III”. O querido pe. Miguel [nome cifrado com que D. Helder se referia a Suenens, em suas cartas] mostrou como o concílio a todos nos torna adultos, levando-nos a viver a corresponsabilidade no nível dos bispos, no nível dos padres, no nível das almas consagradas a Deus e no nível dos leigos (e foi esta a divisão da palestra).” HC 29, 09/10-10-65
419 “Segunda-feira é capaz de haver votação e acredito que ele [o esquema sobre as Fontes de
Revelação] será rejeitado em bloco pela maioria. A respeito disto é que D. Aloísio Lorscheider, bispo de Sant’Angelo (R.G. do Sul) fez para nós uma palestra magnífica”. HC 35, 17-11-62.
são pastores. Crêem na presença real de Jesus Cristo, celebram a Santa Missa. Confessam-se e os pastores dão a absolvição individual (como nós). Rezam o breviário. Querem permanecer na família protestante, preparando a união. Estão encantados com o Concílio. Se Deus quiser, na sexta-feira da outra semana, farão uma palestra para os bispos da América Latina. Depois jantarei com eles (sempre se Deus quiser)” 420.
Os comentários que seguem, dizem respeito apenas às conferências organizadas a partir da segunda sessão, de modo sistemático, dentro de um calendário previamente estabelecido e horário previsto nas atividades da casa, ganhando então o nome de “Conferências da Domus Mariae” que as tornou célebres nos ambientes conciliares.
Ficaram, então, sob a responsabilidade do Pe. Antônio Guglielmi421, biblista
brasileiro, trabalhando na Áustria e que fora nomeado perito conciliar no decurso do II período conciliar. Eram destinadas ao Episcopado brasileiro, mas estavam abertas aos demais bispos e pessoas interessadas, ainda que proibidas aos seminaristas pelo Cardeal Giuseppe Pizzardo da Congregação dos Seminários.
As conferências sofreram também controvérsia interna, pois os conferencistas estavam alinhados com a maioria conciliar, o que desagradava visivelmente à Cúria Romana e aos elementos conservadores do Episcopado brasileiro. A CNBB, como tal, fez apenas um convite oficial para proferir conferência, e justamente ao Cardeal Ruffini, personalidade em vista da minoria conciliar, juntamente com Ottaviani, Siri e Browne: “Elementos que não vêm a CNBB com bons olhos, já foram fazer fuxico com o Sr. Cardeal Câmara, como se os bispos brasileiros não [fossem] livres, sem liberdade de ouvir quem quer que seja. Aliás, a iniciativa [das conferências] é inteiramente particular e nada tem a ver com a CNBB. O único que ela convidou a falar foi o Exmo. Cardeal Ruffini ...”422.
420 HC 16, 31-10-62. Os laços estreitaram-se entre Taizé e a Arquidiocese de D. Helder, Olinda e Recife.
Taizé estabeleceu ali uma comunidade que ficou hospedada inicialmente com os beneditinos do Mosteiro de Olinda, indo, em seguida, para Vitória no Espírito Santo e fixando-se, finalmente, em Alagoinhas na Bahia. Taizé colaborou financeiramente com a “Operação Esperança”, destinada a assentar lavradores em terras da Arquidiocese e patrocinou a edição, para distribuição gratuita entre as comunidades de base, de milhares de exemplares do Novo Testamento.
421 À medida que os bispos foram se dando conta da utilidade e do valor das Conferências, Pe.
Guglielmi teve seu trabalho reconhecido várias vezes nas páginas do “O Conciliábulo”: “Devemos ressaltar o trabalho benemérito do Pe. Guglielmi, convidando competentes personalidades a proferir palestras na Domus Mariae. CO II, 44, 17-11-1963; “[...] infatigável organizador e propagandista das conferências”. CO II, 56, 30-11-1963; “Aniversaria hoje, o nosso dedicado organizador das conferências, padre Dr. Antônio Guglielmi, perito conciliar de renome científico internacional. Faz parte da Missão Alemã de Pesquizas [sic] na Mesopotâmia”. CO III, 136, 27-09-1964; “Aplausos ao nosso caro padre dr. Antônio Guglielmi, sempre prestimoso. Prontificou-se a fazer as assinaturas do “Ossservatore Romano” e já iniciou os convites para as conferências”. CO IV, 215, 15-09-1965.
422 CO II, 44, 17-11-1963. Sobre o contraste entre as correntes teológicas durante o Concílio e o
sentimento da Cúria Romana acerca dos “stranieri” que invadiram Roma, leia-se o instigante estudo de E. Fouilloux: “Du rôle des théologiens au début de Vatican II: un point de vue romain”, in MELLONI Alberto et alii, Cristianesimo nella Storia - Saggi in onore di Giuseppe Alberigo, Il Mulino, Bologna, 1966, 279-313.
As Conferências alcançaram o respeitável número de 80, 25 na segunda sessão, 25 na terceira e 30 na quarta423. A série foi encerrada no dia 6 de dezembro de
1965, pelo cardeal Leo Suenens, um dos quatro moderadores do Concílio, tendo por tema “Le Bilan du Concile”, “O Balanço do Concílio.”
No jornal Le Monde, Fesquet comentou a conferência de Suenens e a série que estava se encerrando:
“Le Cardinal Suenens, archevêque de Malines-Bruxelles, un des quatre modérateurs de Vatican II, a fait lundi soir, dans le cadre des conférences organisées à la Domus Mariae un exposé intitulé “Bilan du Concile”. Cette conférence est la quatre- vingtième et la dernière de la série. Série qui s’est fait remarquer par une grande liberté dans les propos et une non moins grande indépendance dans le choix des orateurs. A tel point qu’on vit Mgr. Felici, secrétaire général du concile, préciser voici quelque temps dans l’aula, que ces conférences ne bénéficiaient d’aucun patronage officiel et que la congrégation des séminaires, qui préside le cardinal Pizzardo, a cru devoir interdire - sans succès d’ailleurs - leur accès aux séminaristes faisant leurs études à Rome. Séquelle du passé...”424.
De início, as conferências aconteciam, em termos de horário, de modo errático, como que buscando um espaço na sobrecarregada agenda dos bispos: às 16:00; às 16:30, às 18:00, 18:30 ou então, após o jantar, às 21:10, depois do noticiário televisivo. No horário das 16:30, passaram a conflitar com as constantes reuniões da CNBB, que iniciava suas sessões de trabalho, nesta hora.
À medida em que foram se consolidando como parte integrante da programação, ainda que não oficial, do Episcopado brasileiro, ganharam seu horário próprio, em que não eram marcadas outras reuniões.
Durante a segunda sessão, a preferência vai para o horário das 21:10, depois do jantar e, a partir do mês de outubro, na terceira sessão, consolida-se o horário das 18:45 que é mantido, durante a quarta sessão. Das 30 conferências desta última sessão conciliar, 26 são realizadas, neste horário.
Quanto aos conferencistas, intervém uma circunstância limitante: sua capacidade de exprimir-se em algum dos idiomas compreensíveis para os ouvintes, quase todos de língua portuguesa e, por formação, mais habituados às línguas latinas. Com exceção de Constantino Koser, franciscano brasileiro, professor no Antonianum, eleito geral de sua ordem em novembro de 1965; Ernesto Vogt S.J, reitor do Instituto Bíblico e
423 Segundo D. José Gonçalves Costa, elas teriam sido 80, sendo 25 na 2a sessão, 25 na 3a e 30 na
4a . ibidem, 2
também ele nascido no Brasil, Guilherme (Luiz J.) Baraúna, franciscano, perito conciliar e professor do Antonianum, nenhum dos outros conferencistas podia exprimir-se em português. A maioria dos bispos brasileiros, entretanto, havia estudado latim e francês no seminário e podia compreender estas línguas, assim como o italiano e o espanhol com maior ou menor facilidade. Muitos deles haviam estudado na Europa e cerca de sessenta bispos, quase todos religiosos e atuantes nas áreas missionárias da região amazônica, eram estrangeiros de nascimento, na sua maioria vindos da Europa.
Em termos lingüísticos, somam-se ao português, por sua maior facilidade, as conferências proferidas em italiano e espanhol. Nenhuma conferência, porém, foi pronunciada em língua alemã, holandesa ou inglesa. O único norte-americano convidado, para o inteiro ciclo de conferências, foi Mgr. Fulton Sheen, bispo auxiliar de Nova Iorque, mas que falou em francês, avisando, logo de início, que “lucraria indulgência plenária quem suportasse o seu francês por mais de 30 minutos”. 425
O conferencista que voltou por mais vezes foi Karl Rahner, seis vezes, falando sempre em latim.
De teólogos alemães, austríacos ou suíços de língua alemã, foram treze as conferências. Elas foram proferidas seja em francês (Hans Küng e Joseph Ratzinger), , seja em latim (Karl Rahner), seja em italiano (o cardeal Bea e Bernhard Häring). Sobre uma das palestras de Häring, em outubro de 1964 comentou Helder Câmara:
“Mas a palestra que abalou mesmo, foi a do Pe. Bernardo Häring sobre restrição da natalidade. Palestra tanto mais segura quanto mais ousada. Não se pode pisar com mais firmeza. Ele merece a confiança pessoal do papa que o encarregou de pregar-lhe o último retiro. É secretário da comissão mista encarregada do esquema XIII. Os bispos que estavam mais longe da idéia, procuraram o Pe. Häring, pedindo explicações complementares, indicações quanto a problemas concretos a resolver ... ele voltará para continuação do assunto no dia 9” 426.
De teólogos belgas, foram onze as conferências, sempre em francês, ainda quando sua origem era flamenga, como Edward Schillebeeckx O.P., Ignace de la Potterie S.J., Émile Joseph De Smedt, Bispo de Bruges ou o Cardeal Joseph Cardijn. Dentre eles, quem retornou por mais vezes, foi o Cardeal Leo Suenens, com quatro conferências, seguido por Mons. Gérard Philips, Delcuve e os acima mencionados.
425 CO IV, 261, 13-11-65 426 HC 23, 03-10-64.
De teólogos italianos, dentre os quais Vittorio Marcozzi, Mons. Pietro Pavan e os cardeais Ruffini e Lercaro, foram seis as conferências, embora, nesta língua, tivessem sido pronunciadas, ao todo, treze conferências.
Em espanhol, foram pronunciadas as conferências de teólogos provindos da Espanha, como Diez Alegria S.J., José Maria Gonzalez Ruiz e Pedro Arrupe S.J. ou da América Latina: os bispos Sergio Mendes Arceo de Cuernavaca no México, Ramón Bogarin do Paraguai ou o casal de auditores José e Luz Alvarez Icaza do México.
Houve ainda teólogos e observadores vindos do Oriente: Andrej Scrima427,
representante pessoal do patriarca ecumênico Athenagoras I de Constantinopla428 ou Mons. Neophytos Edelby, arcebispo titular de Edessa e conselheiro de Maximos IV429, mas que
falaram sempre em francês.
Em francês, enfim, foram pronunciadas 45 das 80 conferências sendo que 38 dentre elas por teólogos franceses, numa longa lista que compreendia Yves Congar, Jean Danielou, Henri de Lubac, Mgr. Alfred Ancel, Pierre Benoit, Roger Schutz, Max Thurian, Mgr.Henri Donze, Mgr. Guerry, Mgr. Jean Rodhain, Louis-Joseph Lebret, René Laurentin, Jean Guitton, Stanislas Lyonnet, Marie-Joseph Le Guillou, Paul Gauthier, o suíço francês Oscar Cullman, observador do Concílio, e outros.430 Neste sentido, pode-se dizer que as conferências da Domus Mariae sofreram uma profunda marca das correntes teológicas e espirituais belgo-
427 Arquimandrita rumeno, discípulo e confidente de Athenagoras. Foi constituído por ele seu enviado
pessoal ao Concílio Vaticano II, posição que continuou ocupando, mesmo depois que o Patriarcado enviou para a terceira sessão do Concílio que se abriu a 14 de setembro de 1964, três delegados oficiais, os arquimandritas Rodopoulos, J. Romanidis e M. Agiorgousis. Scrima publicou uma penetrante análise da Lumen Gentium sob o ponto de vista ortodoxo: “Simples reflexões de um ortodoxo sobre a Constituição”, in BARAÚNA, Frei Guillerme, A Igreja do Vaticano II, Vozes, Petrópolis, 1965, 1209-1223
428 Athenagoras I (Aristokles Pyrou), nascido em Tsaraplana, no norte da Grécia, então sob
dominação turca, faleceu em Istanbul, a 06-07-1972. Foi Patriarca Ecumênico de Constantinopla (1949-72) e figura de proa para o desenvolvimento contemporâneo da Igreja Ortodoxa e do movimento ecumênico. A 5 e 6 de janeiro de 1964, foi em peregrinação a Jerusalém, para ali encontrar-se com o Papa Paulo VI, reabrindo o caminho do diálogo entre as duas Igrejas. A 7 de dezembro de 1965, à véspera da clausura do Vaticano II, em cerimônias simultâneas em Roma, presidida por Paulo VI, na Aula Conciliar na Basílica de São Pedro e em Constantinopla, presidida por Athenagoras, na Igreja de São Jorge do Fanar, foram ab-rogados os anátemas que selaram, em 1054, a separação entre o Oriente e o Ocidente Cristãos. cfr. Valeria MARTANO, Athenagoras, Il Patricarca (1886-1972) - Un cristiano fra crisi della coabitazione e utopia ecumênica. Bologna: Il Mulino, 1996.
429 Maximos IV, Patriarca Melquita Católico de Antioquia e de todo o Oriente, deve ser colocado
entre as figuras maiores do Concílio. Interveio sempre em francês e não em latim, na aula conciliar, para deixar claras as muitas identidade e tradições que compõem a Igreja Católica. A Eparquia Melquita de São Paulo, sob a responsabilidade de D. Pierre Mouallem, seu atual bispo e antigo colaborador de Maximos IV, curou a tradução da coletânea dos discursos do Patriarca e demais membros da Igreja Melquita no Concílio Vaticano II: A Igreja Greco-Melquia no Concílio - Discursos e notas do Patriarca Máximo IV e dos Prelados da sua Igreja no Concílio Ecumênico Vaticano II, Eparquia Melquita do Brasil - Ed. Loyola, São Paulo, 1992.
430 De alguns poucos conferencistas não tivemos indicação sobre a língua na qual falaram: Peter Duncker
OP, na sua conferência sobre o Antigo Testamento; Christopher OP, na sua conferência sobre o Diálogo com os Orientais; Jungmans sobre a Liturgia e Klaus Mösdorf, perito do Cardeal Döpfner, do qual não sabemos também o tema da sua conferência.
francesas que atuaram no Concílio, embora se abrisse também para o que havia de melhor na teologia alemã e para o pensamento vivo da Itália, da Espanha, Holanda, Suíça, América Latina e Oriente.
Dentre os teólogos franceses Helder Camara exprimiu particular carinho para com Henri de Lubac, como se depreende de seus comentários, quando de sua conferência a 1o. de dezembro de 1963:
“Jantou em nossa mesa o profeta De Lubac. Conheço poucos homens tão serenos, tão profundos e que dêem, como ele, a impressão de fruta madura... Não lê uma palavra de alemão e quase não sabe inglês (como é que pode?...) Não tem secretária: bate à máquina os próprios trabalhos e faz pessoalmente as revisões dos artigos, livros... (quase cedi a ele uma datilógrafa e cheguei a perguntar se ele conhecia Hildette...) Tem andado de cama. Quando perguntei o que anda escrevendo (está para sair o IV volume sobre a exegese da Idade Média), comentou que já começa a cantar o Nunc Dimittis. A alegria que ele sente vendo o concílio! Não sabe como não morreu de alegria ao ouvir, na basílica, o capítulo sobre a Liberdade Religiosa... Entre as surpresas maiores do Vaticano II, coloca a descoberta da América Latina... Foi íntimo de Teilhard de Chardin. Comentando o físico, o apologista e o místico, fez-nos ver e ouvir seu grande amigo. Será que estamos conhecendo um segundo time: em lugar de Bergson, seu discípulo Guitton... Em lugar de Teilhard, seu amigo De Lubac... Sala transbordante. A redondeza acorreu: padres e seminaristas do seminário Pio Brasileiro, do Pio Latino, do colégio Espanhol, dos Irmãos da Doutrina Cristã... (Era a 25a e última palestra da série organizada pelo Pe. Guglielmi). Na mesa, perguntara a De Lubac se, no concílio, a cada passo escuta ecos de Chardin... Quando acabou a conferência, teve uma hemorragia nasal que me afligiu... Mas a turma não poupa: avança-avança de seminaristas e padres, e até bispos, para obter autógrafos...” 431.
A presença feminina foi limitada e circunscrita à terceira e quarta sessões: Pilar Bellosillo da Espanha, presidente geral das Organizações Femininas Católicas (U.M.F.C.); Mme. Lena Boelens da Bélgica, que com seu esposo Herman, falou sobre o matrimônio cristão e a regulação dos nascimentos; Mlle. Marie Louise Monnet da França, presidente internacional