Periode 3: Den eksperimentelle byen?
6. MAKTENS FORMASJONER
6.1. I NNDELING AV KAPITLET
Na realidade, cada bispo, durante o Concílio, constituía um nó de relações complexas onde múltiplas pertenças institucionais já dadas (país, língua, congregação religiosa) disputavam espaço e tempo com novas pertenças por opção (entrada num dos grupos informais do Concílio) ou por eleição ou atribuição (encargo em alguma comissão conciliar).
Sirva de exemplo ilustrativo, para o leque por vezes bastante diversificado da rede de articulações, em que podia estar envolvida uma pessoa, o caso de D. Pedro Paulo Koop, eleito bispo de Lins em 1964. No dia seguinte à sua sagração episcopal (08- 09-1964), em Bauru - SP, onde fora vigário da Igreja Santa Terezinha, e antes mesmo de uma visita à sua nova diocese, seguiu para Roma, a fim de participar da terceira sessão do Concílio. Por ser holandês, ligou-se de imediato à Conferência Episcopal Holandesa e aos teólogos de seu país, criando laços de duradoura amizade com o Cardeal Alfrink, cujo secretário particular, Johann Brahm, acabou vindo trabalhar na diocese de Lins, uma vez
406 AF. Sobre o grupo “Igreja dos Pobres” e o “Compromisso das Catacumbas”, cfr. FESQUET, o.
cit., p 1121-1122; CAPRILE, Giovanni, “Passi concreti per uma “Chiesa Povera” in Il Concilio Vaticano II, Quarto Periodo - 1965, vol. V, Ed. Civiltà Cattolica, Roma, 1969, 534-536. A reprodução do compromisso, na versão portuguesa, encontra-se em KLOPPENBURG, Boaventura, “O Pacto da Igreja Serva e Pobre” in Concílio Vaticano II, vol. V - Quarta Sessão (set.-dez. 1965), Vozes, Petrópolis, 1966, 526-528
407 AF
408 PELLETIER, Denis, “Une marginalité engagée: le groupe ‘Jesus, l’Église et les pauvres’”, in
LAMBERIGTS-SOETENS-GROOTAERS (ed.), Les Commissions Conciliaires à Vatican II, Bibliotheek van de Faculteit Godgleerdheid, Leuven, 1996, p 63-89
terminado o Concílio. Entrou também no circuito do numeroso grupo de bispos holandeses, de diferentes ordens e congregações religiosas missionários na Ásia, África, América do Sul e estabeleceu relações estreitas com o DOC. 409 Por pertencer à
Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, com numerosos bispos missionários na Indonésia e em outras regiões do mundo, esteve de imediato integrado também a esta rede.
Por ter sido, ao longo de mais de vinte anos, assistente do movimento de Equipes de Nossa Senhora e por dominar o francês, por conta da origem de sua congregação, participou muito de perto dos grupos que alimentaram a discussão sobre a limitação da natalidade ao longo da terceira e quarta sessão do concílio, entrando em estreito contato com os responsáveis internacionais do movimento em Paris, na França. Ligou-se também de amizade aos dois bispos que lhe tocaram à sua esquerda e à sua direita, nos assentos da aula conciliar.
Este tipo de amizades pela convivência quotidiana na Aula Conciliar foi comum e por vezes duradouro.
Dom Helder Câmara deixou-nos um tocante depoimento sobre seu vizinho na Aula Conciliar:
“Ontem na Basílica, houve fatos dignos de registro:
Meu vizinho, nas 3 sessões conciliares vem sendo sempre Mons. Victor Basin, francês, arcebispo de Rangoom (Birmânia). Mudo de lugar. Passo da esquerda para a direita, da direita para a esquerda e o vizinho é sempre o mesmo.
Os dois, graças a Deus, jamais faltamos a uma só das 107 assembléias [Congregações Gerais. Nota do autor] do Concílio. Os dois sempre votamos juntos: porque pensamos e reagimos sintonizadamente. Ajudamo-nos. Somos companheiros de Ecumênico e irmãos de esperanças e sustos. Ontem pela primeira vez, a Sessão começou e Bazin não veio. Apareceu-me no fim da assembléia, comovidíssimo. Tinha acabado de cumprir um dever difícil: o homem novo, me disse, dança e canta dentro de mim; o homem velho estrebucha...
Voltava da S. Congregação da Propagação da Fé. Convicto de que é hora de por à frente de Rangoom, um birmaniano, fora apresentar sua renúncia e pedir a nomeação
409 DO-C - Documentatie Centrum Concilie - Documentazione Olandese del Concilio -
Documentation Hollandaise du Concile. O DO-C funcionou em Roma, no Hotel Olympica na Via Properzio, 2 até 9 de março de 1964, quando foi distribuído o boletim n.o 108. O Boletim n.o 109, já sai com
de um nativo. ‘És feliz, filho de Augusto: a carne e o sangue são incapazes deste gesto. Agiu em ti e contigo o meu Pai que está no céu’. É muito fácil exigir, dos outros, gestos cujo heroísmo nem sempre sabemos medir...
Enquanto estava vazia a cadeira de Mons. Bazin, vi sentar-se nela um jovem e belo oriental, vestido de veludo roxo que anunciava um membro da igreja ortodoxa. Era o arquimandrita oriental André Scrima, representante pessoal do Patriarca Athenagoras no Concílio. Ele estivera em Domus Mariae, agradando enormemente”. 410
Quando se tornou Arcebispo de Olinda e Recife, D. Helder ganhou outro lugar na Aula Conciliar, agora mais próximo do altar da confissão: “Mudou meu lugar na Basílica: sou agora o D86 (D – lado direito). Só há no mundo 85 Arcebispos nomeados antes de mim (o celebrante de hoje estava comemorando 40 anos de Bispo). Meu vizinho é o arcebispo de Bamberg (Alemanha), Mons. Joseph Selmeider. Do outro lado não tenho vizinho. Meus amigos norte-americanos me abraçaram rindo e comentando: “Agora você é Arcebispo de verdade...”411.
D. Clemente Isnard OSB, bispo de Nova Friburgo e encarregada da Liturgia na CNBB, em depoimento sobre o Concílio, assinala, por sua vez, a existência de outras redes informais, como a que se aglutinou em torno da Liturgia: “Além das Congregações Gerais, os Bispos se reuniam ns Comissões Conciliares ou em grupos informais. Dom Helder Câmara [...] me indicou um grupo de interessados na Liturgia que se reunia na Villa Mater Dei, Via delle Mure Aurelie 10, para acompanhar o processamento da Constituição na aula conciliar. Compareciam alguns bispos, como Volk de Mainz, mais tarde Cardeal, Boudon, de Mende, Pourchet, de Saint-Flour, van Bekkum, de Ruteng, e os maiores peritos em Liturgia, como Martimort, Gy, Wagner, Fischer, Jungmann, Franquesa e outros. Nessas reuniões, não só se apreciava o andamento da Constituição na aula conciliar, como se articulavam intervenções a serem feitas em torno de assuntos que precisavam de apoio. Volk era, em geral, o Bispo escolhido para pedir a palavra, embora sua locução não fosse muito clara. Na reunião, se falava alemão e francês, sendo Gy o tradutor de uma língua para outra” 412.
410 HC Cir. III/49, Roma 22/23.10.1964
411 HC Cir. III/4, Roma, 14-15/09/1964. Dias depois, D. Helder anuncia novo lugar na Basílica:
“Mais uma vez mudaram os lugares na Basílica: continuo na direita, n º 93. De lá, vejo a turminha-chave e pelo olhar, me articulo com o grande e querido Suenens”. HC Cir. III/11, 21-22-09-1964
D. Francisco Austregésilo de Mesquita Filho