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Oversikt over noen resultater fra PISA undersøkelsen 2003

A segunda relação alteritária a ser analisada será a de Josef K. com Titorelli, a qual é intermediada por meio de uma outra personagem do romance – o industrial. O industrial era um cliente do banco, um cliente muito

importante, que mantinha, de um lado, uma relação profissional com Josef

K. e, de outro, com Titorelli, o pintor. Entretanto, Titorelli era mais que um pintor, ele estava inserido/engajado no sistema da lei tanto que o autoriza a se afirmar como um homem de confiança do tribunal, um sujeito conhecedor

das filigranas das relações ritualísticas do corpo da lei. Assim que o industrial sugere a K. uma nova ajuda, deixa tudo de lado em seu trabalho e vai direto ao encontro de Titorelli, pois havia tomado a resolução de se ocupar pessoalmente do seu processo. Neste momento, K. tenta obter, a partir de suas próprias operações, aquilo que julga ser o mais correto para resolver o seu caso. Tal como o local do primeiro inquérito, o endereço indicado localiza-se em um subúrbio, no entanto, em uma direção

completamente oposta (p. 170). Embora localizado numa direção contrária, o

que poderia ser entendido como distante da justiça, a sala de audiência (do primeiro interrogatório) e o ateliê/quarto de Titorelli situam-se em um mesmo tipo de espaço: o sótão160.

Antes de nos centrarmos nas três soluções de absolvição expostas por Titorelli, cabe observar que em todas as ajudas/opiniões acerca de seu processo, Josef K. sempre acredita que o último contato é o que realmente poderá ajudá-lo, mesmo que seja a de um simples pintor, como no caso de Titorelli. Com relação à ajuda deste, acredita que poderá ter êxito porque

tinha sido oferecida de maneira mais inofensiva e aberta (p. 185). Quanto às

soluções, Titorelli assim as apresenta:

- Esqueci de lhe perguntar primeiro que tipo de libertação deseja. Existem três possibilidades, ou seja, a absolvição real, a absolvição aparente e o processo arrastado. (KAFKA, 2001, p. 185-6).

Aquilo que justifica o deslocamento e a espera de Josef K. é apresentado com negligência – esqueci de lhe perguntar. O que chama a

160 W. Benjamin (1994, p. 158) já observou que tal como o sótão (lugar onde são guardados

objetos descartados e esquecidos) a obrigação de Josef K. de comparecer ao tribunal evoca talvez o mesmo sentimento que a obrigação de remexer arcas antigas, deixadas nos sótãos durante anos.

atenção é o contraste entre o descaso do pintor e a seriedade do assunto, ou seja, Titorelli, embora se dirija a K. como um “tu”, um presente, dando-lhe assim o direito à reversibilidade, sente-se, mediante a posição privilegiada que sabe ter com relação aos juízes do tribunal – uma relação de sujeição que ele sabe manipular –, superior a ponto de ofertar alternativas processualísticas para o caso de Josef K..

Titorelli, ao apresentar a primeira solução – a absolvição real – se pauta por um discurso aparentemente contraditório, pois a primeira informação que K. recebe é a impossibilidade de uma absolvição real. O pintor, conforme confessa a K., nunca havia presenciado nenhuma absolvição real, mas já tinha escutado algumas lendas de tais absolvições, o que era difícil de comprová-las, pois as decisões finais do tribunal não eram acessíveis nem para os juízes (p. 187). Outra vez K. recebe o conselho de abandonar qualquer esperança de uma absolvição concreta e se conformar com uma absolvição aparente ou com um processo arrastado.

Restando duas outras possibilidades de absolvição, uma vez que a primeira era irrealizável, Josef. K. pede para Titorelli apresentá-las. O pintor esforça-se para descrever o funcionamento desses dois tipos de liberdade:

- A absolvição aparente e o processo arrastado (...). Ambas são alcançáveis com a minha ajuda, não sem esforço, é claro; nesse aspecto, a diferença é que a absolvição aparente exige um esforço concentrado e temporário, e o processo arrastado um esforço menor, mas duradouro. (KAFKA, 2001, p. 190).

Os dois discursos sobre a absolvição aparente e o processo arrastado são discursos de direito e dizem respeito à manipulação da ritualística processual. Entretanto, não há princípios que regem essas duas absolvições, somente casos/experiências. A justiça da qual Titorelli tanto fala

nada mais é que uma grande jurisprudência que teria esquecido as leis sobre as quais ela repousa. Essas leis tornaram-se lendas, impossíveis de saber se são verdadeiras. A absolvição aparente e o processo arrastado correspondem a uma justiça humana. Uma justiça feita de pequenos passos, de oscilações e de paradas, uma justiça modelada pelos “humores” dos juízes.

Ao encerrar a conversa com o pintor, Josef K. é informado que poderá sair do ateliê/quarto – que também faz parte dos cartórios do tribunal – pela segunda porta situada, como por acaso, precisamente ao lado da cama. Diante dessa informação, Josef K. não fica tão admirado, pois segundo nos informa o autor-criador:

parecia-lhe ser uma regra básica do comportamento de um acusado estar sempre preparado, não se deixar nunca colher de surpresa, não olhar desprevenidamente para a direita quando o juiz estava à esquerda, ao seu lado – e era justamente essa a regra fundamental que ele sempre violava. (KAFKA, 2001, p. 200).

O que K. procura em todo o romance é a compreensão do que o acusam, para tanto, procura, a partir do contato que tem com os outros, as razões/as causas de seu delito e os meios de se livrar da acusação.

Veremos a seguir que, confundido, como já observado por Costa Lima (2005), o autor-criador não manipula a personagem, pois, bifurcado, ele perde os pontos de referências; como a personagem, o autor-criador não

sabe mais de nada. A partir de um acontecimento simples, o encontro com

um desconhecido, do qual se espera receber uma ajuda qualquer, tendo em vista que ele foi recomendado, Josef. K. não cessa de se sentir incerto ao modo de como deva agir.

4.4.3 A necessidade do olhar extraposto para a configuração da