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Oversikt over hovedområder i regionalokonomikken

In document II/Itil Finansavdelingen. (sider 24-28)

Regionalokonornisk analyse og planlegging*)

2. Oversikt over hovedområder i regionalokonomikken

Publicado no Portal Vitruvius - Arquitextos 133.07. Ano 12, julho de 2011 ISSN 1809-6298

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.133/3950.

Em sua edição de setembro de 2010, a revista AU – Arquitetura e Urbanismo, com a qualidade que sempre a caracteriza, nos apresentou 25 jovens arquitetos em destaque, que “devem ser os profissionais mais representativos do Brasil nas próximas duas décadas”.

A reportagem estimula uma reflexão mais aprofundada. Não sobre a qualidade dos profissionais escolhidos, evidentemente, todos de indiscutível talento. Mas sobre a lógica que serve para parametrizar o que se considera hoje, no Brasil, um “arquiteto” e, mais ainda, um arquiteto cujo sucesso profissional sirva para representar a profissão. Não se trata aqui de questionar o excelente trabalho da revista, e menos ainda a qualidade admirável do trabalho desses jovens. A questão que coloco neste artigo é que a brilhante produção de alguns escritórios de arquitetura – cujo foco de atuação é bastante restrito ao reduzido mercado da construção civil que (ainda?) se vale da arquitetura – não deve ser o único aspecto de representatividade do que seja o “sucesso” na profissão. Há uma necessidade premente de iluminar também uma outra face da arquitetura e do urbanismo, menos vistosa, menos evidente e menos festejada, mas cuja importância é fundamental para tirar a profissão do complexo impasse em que se encontra.

Em outras palavras, cabe a questão: não seria hora de revermos nossos ideais de sucesso profissional, que no Brasil parecem reduzir a questão tão somente a uma arquitetura autoral – por vezes excelente – destinada quase que invariavelmente aos estratos sociais de alta renda? Pois, em que pesem exceções1, não há como negar que é esse o perfil que aparece, nitidamente e majoritariamente, quando percorremos o que se considera a atual produção arquitetônica “de sucesso” no nosso país. O que fez um colega arquiteto europeu tecer-me o seguinte comentário, não isento de razão: “a arquitetura brasileira é fenomenal, mas aparece para nós como uma arquitetura apenas de casas chiques, e quando não, de prédios habitacionais e comerciais de luxo”.

Esta espécie de endeusamento da arquitetura autoral de talento genial limita o horizonte de perspectivas dos nossos estudantes e lhes apresenta como única alternativa um mundo de alta competitividade, angustiante, no qual aparentemente alcançará o sucesso apenas um pequeno grupo de eleitos.

Tal postura não é uma característica nossa, no Brasil, mas da arquitetura em geral. A glorificação de alguns grandes nomes da arquitetura mundial, que formam uma espécie de invejado jet-set da profissão, alimenta ainda mais o fenômeno. Curiosamente, grandes nomes da arquitetura nacional recentemente manifestaram publicamente seu temor face à “invasão” do nosso mercado por parte desses papas da profissão, quando na verdade essa é apenas a consequência de uma lógica que eles mesmos sempre ajudaram a alimentar.

Além do mais, o festejo em torno da produção autoral, por natureza competitiva, acaba por esconder uma maioria de profissionais de escritórios, com produção significativa, que batalha arduamente para sobreviver dignamente com a profissão da arquitetura, mas que esse funil seletivo não colocou no olimpo dos “grandes arquitetos”. Por mais que se queira, a avaliação do que é digno ou não de estar nesse altar não tem como não carregar uma forte dose de subjetivismo.

1 Exceções como os recentes concursos para urbanização de favelas, no Rio de Janeiro, ou de Habitação Social, em São Paulo, às quais estes mesmos jovens arquitetos muitas vezes, e felizmente, se agarram na busca salutar de conseguir alguma outra alternativa de atuação.

A alta competitividade e as poucas oportunidades de trabalho, decorrentes do tamanho reduzido do mercado formal da construção, associado ao grande número de profissionais (só na Grande São Paulo formam-se, provavelmente, mais de 1000 arquitetos/ano) e ao desprestígio da profissão junto às construtoras, fazem com que a vida desses escritórios não seja propriamente fácil. Como me disse outro colega, “escritório de sucesso no Brasil é aquele que não fecha”, e manter financeiramente suas estruturas funcionais não é tarefa simples. Por isso, talvez, o alto grau de informalidade que marca a profissão, tanto para os arquitetos quanto para a mão de obra de construção contratada, e o uso abusivo de estudantes estagiários de arquitetura como mão de obra barata, que não é generalizado, mas bastante recorrente.

Uma bem intencionada exposição de arquitetura realizada em 2010 em São Paulo, denominada “A boa arquitetura de uma geração”2, levada aos alunos da FAU Mackenzie durante uma semana no saguão principal da escola, tinha como objetivo “estimular a reflexão sobre a importância do trabalho desenvolvido por um grupo de 18 profissionais”, arquitetos-professores de renome nacional e mundial, e sem dúvida importantes representantes de uma geração que muito construiu e transformou as paisagens urbanas brasileiras nas últimas décadas do séc. XX (embora tal geração não se limite, evidentemente, a 18 arquitetos apenas). Ora, pela proposta da mostra, era de se esperar que “estimular a reflexão” para um público de estudantes significasse esmiuçar minimamente a volumosa produção desses arquitetos, além de procurar explicar em mais detalhes seus pensamentos. Porém, o que se apresentou resumiu-se a um painel com uma única foto de uma obra, um croqui autoral, e uma frase, paramentada por uma estilosa assinatura. Claro, pode-se argumentar que o intuito da mostra era apenas o de estimular os estudantes a pesquisar mais a produção dessa geração. Ainda assim, o que se sobressai da iniciativa acaba sendo, mais uma vez, o endeusamento da arquitetura autoral, de 18 arquitetos eleitos, pela qual um croqui, uma frase e uma assinatura parecem bastar para explicar o que seja a boa arquitetura.

O caminho não é esse, embora se possa entender que a geração em questão produziu em uma época em que o mercado da arquitetura, ainda muita limitado, podia talvez se resumir à produção de algumas dezenas de grandes profissionais. O problema está em reproduzir esse pensamento para as gerações futuras, cujo universo de atuação é completamente diferente, muito mais amplo, mais complexo, não cabendo mais apenas na prancheta de alguns grandes escritórios. Porém, nossos jovens continuam aprendendo que este é o modelo a seguir.

Façamos uma verificação bastante simples: nas seis edições das duas mais importantes revistas de arquitetura do país, as revistas AU e Projeto, entre fevereiro e agosto de 2010, excetuando-se os números especiais sobre Brasília, dos 69 projetos brasileiros apresentados (não foram somados os oito projetos internacionais), temos dezesseis de residências de alto padrão e 28 de estabelecimentos comerciais para o mercado de alta renda, ou seja 63% do total. Fogem à regra dois estabelecimentos industriais e, bom sinal, os 28 de edifícios públicos (museus, bibliotecas, escolas, estações, etc.). Prova de que ao menos os projetos institucionais de uso público ganharam espaço, e que os concursos para os mesmos aumentaram. Porém, vemos apenas quatro referências (projetos ou textos analíticos) a questões de urbanização, e somente um projeto – 0,1% do total! – de habitação “econômica”, aquela voltada à classe média-baixa. Não há nenhum projeto de habitação social (para renda abaixo de 3 salários-mínimos), nenhum projeto no âmbito do PAC Assentamentos Precários em andamento, nenhum projeto do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), nenhum projeto de companhias públicas, de assessorias de mutirões. Esse “mundo” da habitação de interesse social, da informalidade urbana (generalizada), simplesmente parece não pertencer ao “mundo” da arquitetura.

Em outras palavras, o universo em que se coloca a atuação do arquiteto no Brasil é fenomenalmente reducionista. Não seria hora de ampliá-lo?

2 Exposição apresentada na Panamericana Escola de Arte e Design, e organizada pela mesma, em parceria com o Arquiteto Siegbert Zanet- tini.

Não estaríamos, ao exacerbar cada vez mais o culto à atividade profissional autoral destinada à alta renda, correndo o risco de limitar perigosamente nosso campo de atuação a um mercado que é estruturalmente reduzido? Não estaríamos nos arriscando a repetir os erros do passado que levaram nossa profissão a se distanciar da realidade urbana brasileira, uma tragédia em que quase a metade da população sequer tem acesso à casa, quanto menos à arquitetura?

Pois é disso que se trata: da constatação de que a arquitetura brasileira, não obstante seu inegável sucesso internacional, fracassou no seu papel social. É a única conclusão que se pode tirar ao olhar para um país onde, em média, 40% da população urbana vive precariamente, sem arquitetura nem urbanismo. Uma tragédia, que deveria tirar o sono dos arquitetos. A arquitetura e o urbanismo, quando vistos como uma profissão central na sociedade, que reflete e propõe a organização do território e do espaço construído, tem uma vocação indiscutivelmente transformadora. Porém, para além das boas obras de autores individuais, ela indiscutivelmente não foi capaz de sustentar uma urbanização decente no nosso país.

Não bastasse seu fracasso na construção de cidades mais justas, também no universo da formalidade, da cidade legal, onde funciona o mercado imobiliário de maior capitalização – e, portanto, o mercado dos arquitetos – a arquitetura parece não ter mais muito o que falar. Apesar das expectativas colocadas sobre os ombros da nova geração de escritórios de arquitetura, parece que sua força para influenciar a produção em massa do mercado da construção nas nossas cidades é extremamente limitada. Na maior parte dos casos, a arquitetura parece ter-se reduzido a um formalismo de fachada, que escamoteia por trás da falsa polêmica dos estilos adotados (neoclássicos ou outras denominações) a negação de tudo aquilo que se aprende na faculdade como sendo a “boa arquitetura”. A arquitetura que impera é a da extrema verticalização capitaneada pelo mercado imobiliário, a transfigurar sem culpa bairros tradicionais, produzindo prédios isolados no lote, cercados e murados, que renegam a rua e a cidade. A opção desenfreada pelo modelo do automóvel em detrimento de sistemas de transporte coletivos – que a arquitetura endossa alegremente – alimenta a oferta generalizada de unidades habitacionais com às vezes mais de dez vagas de garagem (!), o que leva à impermeabilização total do solo, afetando sem parcimônia a drenagem urbana e o escoamento de águas. Os apartamentos oferecidos, por trás de algum estilo sedutor, estão cada vez menos generosos, mais apertados, menos ventilados, substituindo preciosos metros quadrados nas unidades habitacionais por espaços coletivos no térreo, bem mais econômicos (para as construtoras), sob o glamour das denominações da moda: espaços gourmets, fitness centers, etc. A lógica de construir condomínios murados com equipamentos de lazer e até comércio, ao invés de se abrir para a cidade, produz uma malha urbana segmentada, pouco fluida, e que vai aos poucos aniquilando a possibilidade de espaços públicos de qualidade. Praças, jardins e árvores para que, se é possível ter tudo isso de maneira exclusiva, nas mini-cidades, ou cidadelas fortificadas, que se tornaram os condomínios?

In document II/Itil Finansavdelingen. (sider 24-28)