4 MODELL OG HYPOTESER
5.5 Målutvikling og måleinstrumenter
5.5.1 Outsourcing intensitet
Levando-se em conta o até agora exposto, a proposta de apoio pedagógico de Smith e Strick (2012) foi adotada como referência para o Programa do CMF. Essas autoras consideram que, na maioria dos casos, uma combinação de problemas e não uma dificuldade isolada é responsável pelos obstáculos que dificultam uma relação profícua do aprendiz com o saber. O uso de estratégias de aprendizagem ineficientes e inadequadas, falta de adaptação à didática do professor e déficits em conteúdos de anos escolares anteriores, além de problemas afetivos e comportamentais, por exemplo, podem contribuir para o baixo desempenho escolar.
Para Smith e Strick (2012), os programas para crianças com dificuldades de aprendizagem devem incluir quatro componentes básicos para serem bem-sucedidos: ensinar e reforçar as habilidades básicas, ajudar o aluno a acompanhar os conteúdos da classe, ajudar o aluno a aprender as estratégias educacionais apropriadas e ajudar o aluno a lidar com comportamento problemáticos.
Mas, antes de tudo, segundo as autoras, um Programa de Apoio Pedagógico deve ser antecedido por avaliações que identifiquem que dificuldades o aluno possui, para então propor as intervenções adequadas por meio do Programa. Os especialistas concordam que muitas crianças não estão indo tão bem quanto poderiam na escola em virtude de dificuldades que não foram identificadas (SMITH e STRICK, 2012).
Essas avaliações devem ser conduzidas por equipes multidisciplinares com experiência e sensibilidade, com diferentes e relevantes abordagens e com diversidade de instrumentos de avaliação a fim de obter uma visão completa sobre o aluno. Caso contrário, os problemas de aprendizagem podem não ser percebidos ou serem equivocadamente interpretados.
O histórico médico e social, o histórico escolar que considere não apenas o desempenho do aluno, mas também o ambiente de ensino-aprendizagem da escola, observações do aluno em sala e em casa, entrevistas com o ele próprio, com seus pais ou outras pessoas que o conheçam bem e diferentes testes de avaliação são instrumentos que devem ser utilizados para uma boa diagnose. Com o diagnóstico realizado, é possível então planejar e executar um programa que ajude os alunos a superar ou, pelo menos, reduzir as suas dificuldades.
2.6.1.1 Ensinar e reforçar as habilidades básicas
As habilidades básicas são decodificação e compreensão da leitura, expressão escrita, raciocínios matemáticos e cálculos aritméticos, os quais, em geral, precisam ser oferecidos individualmente ou em pequenos grupos. (SMITH; STRICK, 2012). Os alunos com dificuldades de aprendizagem em sua totalidade apresentam problemas em pelo menos uma dessas áreas. O domínio da língua nativa, por exemplo, é pressuposto para a aquisição de todo tipo de saberes. O baixo rendimento escolar nas disciplinas escolares muitas vezes está relacionado às dificuldades em leitura, escrita e interpretação de texto, e não aos conteúdos próprios daquela matéria.
Para Lomônaco (1997), os primeiros anos de escolarização representam um momento muito importante para a relação do aluno com o saber. Déficits no processo de construção do conhecimento nas fases escolares iniciais podem reverberar sobre toda a vida escolar do aluno. Quando as aprendizagens nos anos iniciais em Língua Portuguesa e Matemática são deficientes ou incompletas, elas se acumulam ao longo dos anos, prejudicando novas aprendizagens, que irão comprometer outras aprendizagens futuras e assim por diante.
No CMF, por exemplo, as avaliações diagnósticas realizadas no início de cada ano letivo comprovam esta afirmativa. Os novos alunos vindos de outras escolas não dominam boa parte dos conteúdos do ano anterior, e muitos deles encontram dificuldades em acompanhar o ano letivo corrente. Essas dificuldades, enquanto não superadas, podem ecoar sob a forma de sentimentos de incapacidade, novas dificuldades de aprendizagem e em situações de fracasso. Por isso, ensinar e reforçar as habilidades básicas deve ser uma das prioridades de um Programa de Apoio Pedagógico.
2.6.1.2 Ajudar o aluno a acompanhar o conteúdo da classe
Segundo Smith e Strick (2012), algumas vezes faz-se necessário adaptar as atividades escolares para que os alunos com dificuldades possam entender e acompanhar alguns conteúdos e a dinâmica em que são conduzidos em sala. Provas orais podem substituir as escritas, provas em ambiente separado, livros mais simples de leitura, tempo extra para as tarefas e provas, parceiros de estudo, liberação de alguma atividade para se dedicar a outras, etc.
No entanto, para que isso ocorra, alguns cuidados precisam ser observados. A inserção de adaptações não deve gerar uma desnecessária baixa de expectativas (Smith e Strick
(2012) e nem pode subtrair as oportunidades que irão permitir a superação das dificuldades. Um aluno com dificuldades na escrita precisa escrever, mesmo que com dificuldade, para que possa melhorar esta habilidade, até porque, em algum momento futuro, estes alunos serão submetidos a teste externos que exigirão estas habilidades.
Esta sensibilidade e capacitação nas escolhas do que deve ou não ser flexibilizado nem sempre é encontrada nos docentes. Somado a isso, a ideia da igualdade de oportunidades, ainda muito presente no discurso dos professores, dificulta qualquer iniciativa que se proponha a diferenciar o ensino. Olhar para as individualidades esbarra na visão da coletividade. Os professores alegam que atribuir alguma “vantagem” a alguns alunos é injusto. Os próprios alunos se comparam e esperam tratamentos iguais entre eles. Não somente os professores, mas também os alunos precisam entender e aceitar que na educação escolar, o princípio da equidade está mais próximo da justiça do que o princípio da igualdade.
Algumas instituições de ensino, como o CMF, por exemplo, ainda não estão preparadas, ou talvez, convencidas da necessidade e da legalidade da inserção dessas mudanças no turno regular. O mérito, reforçado pelas premiações e graduações, acaba servindo de obstáculo e justificativa para a manutenção dos mesmos procedimentos didáticos e pedagógicos para todos.
Por tudo isso, o planejamento do apoio pedagógico prefere não interferir no turno regular, não propondo qualquer alteração nos procedimentos adotados pelos professores da manhã. O acompanhamento do conteúdo da classe será feito então no contraturno, proporcionando aos alunos um tempo complementar com os professores das diversas disciplinas, a fim de preencher as lacunas na aprendizagem possivelmente deixadas pela manhã.
2.6.1.3 Ajudar o aluno a aprender estratégias educacionais apropriadas
Estudos mostram que as crianças com dificuldades de aprendizagem abordam a aprendizagem de uma forma ineficiente e desorganizada. Eles não sabem como estudar, como fazer um resumo ou por onde começar um relatório de pesquisa. “Às vezes, estratégias de aprendizagem ineficientes tem um impacto tão grande sobre o desempenho escolar quanto as dificuldades de aprendizagem de um aluno” (SMITH E STRICK, 2012, p. 113).
Uma pesquisa com dados do Programme for International Student Assessment (PISA) teve por objetivo responder a seguinte pergunta: estratégias de aprendizagem podem reduzir a diferença de desempenho entre os estudantes mais ou menos favorecidos? Nesta
pesquisa são feitas várias perguntas aos estudantes sobre estratégias de aprendizagem e uma delas é como eles resumem um texto que leem, ou seja, que estratégia ele utiliza para resumir um texto. Aos alunos são dadas cinco alternativas. Dessas cinco, as duas primeiras são as mais eficazes, as alternativas 3 e 4 são moderadamente eficazes e a 5ª alternativa é a menos eficaz para se resumir um texto.
O estudo mostra uma forte correlação entre a utilização de estratégias de aprendizagem para resumir um texto e o desempenho na prova de leitura. Os estudantes de maior rendimento na prova de leitura do PISA também conhecem os meios mais eficazes para se resumir as informações que adquirem na leitura.
O estudo ainda mostra que, dentre os países da Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), estudantes vindos de contextos socioeconômicos favoráveis sabem mais a respeito da eficácia de diferentes estratégias de aprendizagem do que os estudantes vindos de contextos socioeconômicos desfavoráveis. Se os estudantes desfavorecidos utilizassem estratégias de aprendizagem efetivas do mesmo modo como fazem os estudantes mais favorecidos, a diferença de desempenho entre os dois grupos seria quase 20% menor (OCDE, 2013).
Pouco tem sido feito para desenvolver no aluno a capacidade de aprender a aprender (BORUCHOVITCH, 1999), que desde o final do século passado é reconhecido como um dos quatro pilares da educação (DELORS, 2003). Ensinar o aluno a organizar o seu tempo, a ter hábitos de estudo, a desenvolver métodos de memorização e reflexão e estratégias para a solução de problemas, etc. é disponibilizar aos alunos ferramentas que possibilitem uma construção mais rápida, duradoura e eficaz das aprendizagens. Assim, os alunos estarão mais aptos para adquirir autonomia para estudar, compreendendo e organizando os seus próprios processos cognitivos, o que é de fundamental importância para a superação das dificuldades de aprendizagem.
2.6.1.4 Ajudar o aluno a lidar com comportamentos problemáticos
Determinados tipos de comportamento interferem no aprendizado em sala de aula e podem ser a causa original do baixo rendimento escolar dos alunos. Um aluno indiferente à escola ou que é inquieto o tempo todo e não consegue manter a atenção por um pouco de tempo certamente terá dificuldade para aprender (SMITH; STRICK, 2012). Por outro lado, este mesmo comportamento pode não ser a causa, mas a consequência de uma ou mais dificuldades que produzem um sentimento de inferioridade ou pessimismo sobre suas próprias capacidades.
Essas dificuldades e sentimentos retroalimentam o comportamento indesejado, não sendo fácil precisar, em muitos casos, a origem do problema.
Oliveira (2001) refere-se ao comportamento social inadequado como mais um fator relacionado às dificuldades de aprendizagem. São crianças “sem limites”, que normalmente crescem em meio a uma educação familiar permissiva e sem noções de responsabilidade. Em consequência, apresentam uma desorganização interna que irá se refletir na aprendizagem escolar. Elas ignoram o cumprimento de horários, prazos e compromissos e também o respeito às regras e aos outros, por isso a relação com os professores e com os outros alunos geralmente são conflituosas. A escola passa a ser um lugar hostil, de cerceamento da sua liberdade e uma obrigação imposta pelos pais. Se os pais são os maiores interessados por elas estarem na escola, também devem ser responsáveis por lembrar das suas tarefas, avisos, estudos para a prova, materiais para as aulas, etc. Muitos pais percebem até o problema, mas já perderam o controle e não sabem como reverter a situação.
Stipek (1988)define cinco tipos de comportamentos relacionados à motivação para aprender. Os defensivos usam de diversos artifícios, como copiar a tarefa do outro ou se mostrarem desinteressados, para evitar que as suas dificuldades de aprendizagem sejam interpretadas como falta de inteligência. Os desesperançosos desistem antes de tentar, pois acreditam que qualquer aprendizado está sempre acima de suas capacidades. Os inseguros só se envolvem nas atividades nas quais há a certeza de serem bem-sucedidos. Os satisfeitos fazem apenas o mínimo necessário, o suficiente para atingirem a média. Os ansiosos estão sempre estressados, pensam que não vão conseguir ou que algo vai dar errado. Qualquer um desses alunos tem a sua aprendizagem comprometida, pois, com um baixo nível de motivação, não se esforçam como deveriam e desistem facilmente diante dos obstáculos da aprendizagem. Por tudo isso, aspectos afetivos e comportamentais também precisam observados quando se pretende ajudar alunos com dificuldades de aprendizagem.
Enfim, uma proposta de apoio pedagógico deve contemplar, na medida do possível, todas as variáveis que impedem ou dificultam o aluno de aprender. Só assim é possível contribuir para a melhoria da aprendizagem e do desempenho escolar dos alunos com dificuldades, contribuindo consequentemente para a redução do fracasso escolar.
3 O PROGRAMA DE APOIO PEDAGÓGICO DO CMF: CONCEPÇÃO E