6 ANALYSE OG RESULTATER
7 DISKUSJON OG IMPLIKASJONER AV RESULTATER
7.1 Diskusjon av resultater
O Programa de Apoio Pedagógico teve como protagonistas os seus alunos. Como os alunos eram a razão de ser da escola, os do apoio eram a razão de ser do Programa. Cada aluno do Colégio era um ser singular, com potencialidades e limitações. No entanto, o que diferenciava os alunos do apoio dos demais era que suas limitações chamavam atenção porque refletiam no seu desempenho escolar. Alunos com dificuldades na área cognitiva, de saúde, de relacionamento, emocional, entre outras, faziam com que cada dia do apoio pedagógico nunca fosse igual ao outro. Veja-se quem eram.
Alguns alunos pareciam apresentar problemas essencialmente cognitivos, com decorrentes traços de insegurança e baixa autoestima, pois eram dedicados e interessados e
ainda assim tinham dificuldades para aprender. Era o caso da aluna A. C., que, no final do ano, logo após ter visto a sua nota em uma prova de Matemática e ter ficado em recuperação final, disse chorando: “eu não consigo aprender Matemática!!”. Foi um choro de desespero, de quem acreditava que jamais iria conseguir superar suas dificuldades. Essa aluna era uma das mais esforçadas do apoio e que felizmente conseguiu ser aprovada.
O aluno G. T. era um dos alunos repetentes do 6º ano e tinha muita dificuldade para aprender. De vez em quando, sofria enxaqueca com fortes dores de cabeça. Este problema era recorrente e afetava bastante o seu desempenho escolar. Certa vez, ele sentiu uma crise durante a recuperação de Matemática e praticamente não conseguiu se concentrar na aula.
A aluna L. apresentava dificuldades de relacionamento. Seu pai disse que às vezes ela vivia no mundo da fantasia e, por isso, nem sempre era aceita pelo grupo. O aluno Q. também não conseguia se socializar com os outros alunos. A sua idade mental não correspondia a sua idade cronológica e, por isso, suas conversas e brincadeiras pareciam inadequadas para os alunos da sua idade.
O aluno A., por sua vez, gostava do Apoio Pedagógico e sabia da sua importância para sua vida escolar, mas demonstrava uma enorme instabilidade emocional. Filho de pais separados, morava com o pai e teve uma infância difícil. Era muito sensível e qualquer coisa o abalava. Certa vez, um aluno o chamou de chorão. Por isso, ele não fez mais nenhuma tarefa e ficou muito chateado o dia todo. Uma única nota baixa era suficiente para deixá-lo mal, na mesma medida que uma nota boa o deixava altamente motivado.
O aluno B. C. tinha pouco interesse pela escola. Esta sua característica chamava muito a atenção dos professores. Sua indiferença parecia ser a principal causa do seu baixo rendimento escolar. Isso porque, quando ele se mostrava um pouco mais interessado, não apresentava dificuldades para entender e responder os questionamentos feitos pelos professores. Ele já havia repetido o 4º e 5º anos antes de entrar no CMF. Em função das repetências, ele estava fora da sua faixa etária e isso dificultava o seu relacionamento com os outros alunos da turma.
A realidade socioeconômica de alguns alunos era bem difícil. Alguns tinham dificuldade até para comprar os livros, como ocorreu com um aluno que não comprou o caderno de mapas de Geografia e, por isso, deixou de fazer as tarefas. Situação semelhante ocorreu quando a professora de Língua Portuguesa do 6º ano pediu que os alunos lessem um livro paradidático em formato digital. Alguns alunos do apoio não tinham computador em casa ou qualquer outro meio eletrônico para a leitura do livro e não havia tempo disponível para que o
livro fosse lido apenas nos computadores da escola. Alguns alunos até diziam que tinham computadores ou então ficavam quietos, com vergonha dos outros alunos e dos professores.
Os alunos eram diferentes, não apenas em suas dificuldades, mas também como se reconheciam e se comportavam diante delas. Enquanto alguns alunos se deprimiam, outros demonstravam uma autoconfiança excessiva. Enquanto alguns alunos tentavam dar a impressão de que tudo estava sob controle e que a nota baixa era apenas um deslize, outros, como o aluno L., mostravam indiferença, o seu baixo rendimento escolar não o incomodava.
Outros alunos diziam que estavam prontos para a prova, que já sabiam tudo. Alguns deles falavam com tanta convicção que quase convenciam os professores. Era difícil saber se o aluno encenava um discurso como fuga da realidade ou se realmente ele acreditava que estava muito bem preparado. Certa vez, durante um tempo de estudo com os alunos do 6º ano, véspera de uma avaliação parcial de Matemática, o Coordenador perguntou ao aluno V. como ele estava para a prova do dia seguinte. Com toda a convicção ele respondeu: “o professor já explicou a matéria e eu já sei fazer, sei fazer tudo”. Já conhecendo o aluno, o Coordenador então pediu que ele fizesse três exercícios com números decimais, assunto este que seria avaliado na prova. Uma soma, uma subtração e uma multiplicação. Simplesmente ele errou as três. Na soma, andou com a vírgula como se fosse multiplicação. Na subtração, não soube fazer a conta e, na multiplicação, errou também. O Coordenador, então, explicou os seus erros, pediu que ele realizasse novamente os exercícios e ele finalmente pareceu ter aprendido.
As diferentes dificuldades que comprometiam o desempenho escolar dos alunos não deixavam dúvida de que eles precisavam de um olhar diferenciado da escola. Esse era o papel do Apoio Pedagógico. Mas ao mesmo tempo, antes de serem alunos do apoio, eles eram adolescentes com expectativas, interesses, questionamentos, motivações, potencialidades, dificuldades, etc. como todos os outros alunos. Por isso, mereciam o mesmo respeito e consideração da escola, como todos os demais.