3. Marc teòric
3.2 Orientacions metodològiques
Como estamos percebendo a função de um Monitor é complexa e não muito fácil. Exercer esta função exige certas condições fundamentais: a) critérios para uma boa escolha dos candidatos a serem Monitores; b) um ambiente profissional favorável; c) um processo de formação pedagógica inicial e continuada, pois uma profissão não se improvisa, conforme afirma Gimonet (1999, p. 130).
3.1. O perfil ideal para ser Monitor
O perfil do candidato a Monitor, segundo propostas do Movimento apresenta três critérios: de personalidade e maturidade; de conhecimento e, preferencialmente, de experiência profissional anterior na área rural para compreender as situações de alternância dos alunos e estar mais próximo deles; de formação técnica, ou seja, habilitação para a área de ensino. Muitas vezes esses critérios são acrescidos ou até diminuídos de acordo com a realidade local, regional e nacional (Gimonet, 1999, pp 128-9).
Importante ressaltar que a Pedagogia da Alternância não se contenta com professores fechados em suas disciplinas ou áreas de conhecimentos e isolados em suas salas de aula. Uma das condições fundamentais para que isto não ocorra são as reuniões pedagógicas permanentes, o trabalho planejado conjuntamente, as atividades co-animadas. O Monitor realiza muitas atividades sempre em duplas e integradas com várias áreas ao mesmo tempo. Para isto é imprescindível o trabalho em equipe.
3.2. O trabalho de equipe
O trabalho de equipe é mais uma característica fundamental do funcionamento de uma EFA (Gimonet, 1999, p. 129; Rouiller, 1980, pp 14-15 e Moreira, 2000, pp215-16). Isto, por implicações resultantes do projeto pedagógico com suas finalidades e do projeto de vida de cada aluno imbricados numa perspectiva e compromisso com o desenvolvimento pessoal e comunitário. Colocar em marcha uma “pedagogia da pessoa” e uma “pedagogia da cooperação”, exige, antes de tudo, uma ação cooperativa.1
Na pedagogia tradicional onde o centro do projeto é o programa e o professor e o aluno é um passivo que apenas recebe e repete informações não se apresenta uma necessidade, assim tão evidente, de uma ação em equipe. Mas, se o aluno é o centro do projeto e a formação se pretende ser global, a alternativa é uma ação conjunta em equipe. Além do mais, um Monitor trabalha para uma Associação que possui um projeto com finalidades a serem atingidas. Não cabe ação isolada quando o projeto é de um coletivo. O Monitor acaba se envolvendo profissional, política e afetivamente na proposta misturando profissão e militância. Portanto, é uma das condições para ser Monitor, gostar e saber trabalhar em parceria num coletivo, numa ação de complementaridade.
O ambiente sócio-afetivo. O sentimento de pertença à equipe, ao grupo maior que encabeça o projeto, a confiabilidade, compreensão, o espírito de cooperação nas atividades, desde a concepção, preparação e execução, avaliação... vão proporcionar um clima de segurança e gerar as condições favoráveis para a realização da profissão de Monitor.
A equipe se impõe como condição da alternância e como lugar de regulação e consertação dos processos afetivos e inter-relacionais da equipe consigo mesma e da equipe com os co-formadores. Equipe equilibrada provoca, muitas vezes, um círculo virtuoso de trabalhos educativos exitosos e Associativos mais participantes e atuantes.
1 A “Pedagogia da pessoa” e da “cooperação” são aspectos da pedagogia da alternância desenvolvidos no capítulo 4 deste trabalho.
O ideal é que a equipe seja composta entre cinco e dez pessoas, numa proporção de 20 a 25 alunos por Monitor, para facilitar a comunicação, a articulação de reuniões e atividades conjuntas. O grande grupo dificulta as interações que são vitais numa prática de alternância.
3.3. A Gestão do tempo
Para assegurar as funções e responsabilidades é fundamental a gestão do tempo. Assim como a Escola precisa de um Planejamento geral orgânico, cada Monitor precisa cuidar do seu planejamento, a começar pela gestão do tempo. Se não for assim, a improvisação prevalece nas práticas cotidianas. É preciso equacionar o tempo de sala de aula, de acompanhamento pessoal e grupal dos alunos, das famílias, da associação, da própria EFA e dos co-formadores em geral; o tempo da preparação pessoal e coletiva de aulas, atividades, reuniões pedagógias; o tempo do estudo; o tempo livre. Segundo Calvo (2002) uma pesquisa realizada com as EFAs Espanholas apresenta um quadro coerente e bem equacionado do tempo dos Monitores.
Quadro 4 - Gestão do tempo dos Monitores numa EFA
F unção do Mon itor Atividades personalizadas: acompanhar Alunos; Visitar famílias, co- formadores, mestres de estágio Animar, acompanhar atividades educativas em grupos com instrumentos pedagógicos, serões de estudo; internato Relações externas com outros responsáveis e instituições para visitas de estudo, interações externas.. Atividades: educativas formativas pedagógicas em sala com grupos de alunos Formação própria; preparação e organização de aulas e atividades pessoais e coletivas, reuniões pedagógicas... T 15% 15% 10% 40% 20%
Fonte: UNEFA, Madrid, 1996.
Como afirma Calvo (2002) não significa uma repartição exata e nem exaustiva das atividades para a equipe e para cada Monitor, mas uma possibilidade realística de uma experiência pesquisada que pode se tornar um exemplo para a gestão do tempo do Monitor e assim poder exercer suas funções de forma criativa, planejada e coerente com os princípios da alternância, evitando cair em isolamentos, em práticas fragmentárias e exclusivas de salas de aulas.
3.4. A formação pedagógica e a preparação para uma profissão
As formações pedagógicas iniciais e continuadas, realizadas em serviço, ou seja, ao longo da prática, formalizadas pela instituição, são condições fundamentais para preparar à função do Monitor e torná-lo mais que um ser de funções múltiplas mas um profissional da educação em alternância, com um devido reconhecimento e valorização no movimento e na sociedade. Sobre o tema da formação pedagógica específica para profissionalizar os Monitores abordaremos com mais profundidade no capítulo seguinte.
Concluindo, podemos dizer que, exercendo plenamente as funções que lhe são atribuídas, o Monitor transcende o professor, se tornando um verdadeiro educador/formador. As abordagens relativas à formação no capítulo 4 deste trabalho trarão mais luzes ao conceito de formador que estamos propondo para designar o Monitor. Nesta linha de reflexão Moreira concluiu:
“Assim a profissão de Monitor ganha uma significação social maior do que o termo em si comporta, pois, ao mesmo tempo em que o faz acompanhante, exigem-lhe um saber técnico-político bastante amplo e uma intervenção real nas relações macrossociais. Por outro lado, a inadequação do termo também se expressa profissionalmente, pois os Monitores mais antigos vêm enfrentando dificuldades para ter seus direitos trabalhistas reconhecidos, porque a profissão monitor não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho” (Moreira, 2000, p. 216) .
Enfim, o Monitor tem atribuições técnico-pedagógicas de educação e formação, envolvendo um conjunto de outras atividades de acompanhamento pessoal e coletivo Ele tem atribuições de comunicação e animação de um conjunto de parceiros na formação que o leva a relacionar e fazer articulações para além das cercas da Escola. E, por fim, o Monitor tem os compromissos sócio- políticos-organizativos que envolvem a Associação gestora da EFA, as comunidades atingidas pelos alunos, entidades, autoridades etc. O Monitor se torna um empreendedor social, um agente de desenvolvimento, um “extensionista”. De fato, sem ser seu objetivo a EFA presta um serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), na ação educativa dos Monitores e na inserção comunitária dos alunos. Como afirma Gimonet, (1999, p.126) “o Monitor é um ator da complexidade”, com tantas atribuições, compromissos , encontros e confrontos. Por isso tudo, pode- se dizer que o “Monitor” está mais para um “educador/formador”.
Enfim, nesta seção apresentamos uma concepção do educador de uma EFA e vimos que seus papéis e responsabilidades o diferem do professor tradicional. A alternância exige um outro perfil de educador onde a experiência profissional anterior conta muito, sobretudo, a capacidade de liderança e comunicação. É importante o domínio dos conhecimentos técnicos sobre a área disciplinar, mas a capacidade de animação e acompanhamento de grupos e a interlocução com os parceiros que podem interagir e complementar a formação são papéis fundamentais. De um lado, vimos um quadro ideal e necessário ao funcionamento da alternância, de outro lado, na seção a seguir, apresentaremos um quadro geral e breve dos Monitores nas EFAs do Brasil.
B - O QUADRO ATUAL DOS MONITORES DAS EFAs DO BRASIL E A FORMAÇÃO
Esta seção apresenta em três itens um quadro situando brevemente os Monitores do Brasil. O primeiro item aborda dados gerais concernentes à quantidade de Monitores atuando hoje, a presença masculina e feminina nesta função, origem e moradia dos Monitores, a dedicação exclusiva, composição das equipes e os problemas limitantes às condições de trabalho. O segundo item trata a questão de escolaridade, revelando o problema de manutenção de profissionais graduados no meio rural e o terceiro item traz dados da qualificação específica de Monitores para atuar com a pedagogia da alternância.