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Organisering og planlegging

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Affordance é o termo utilizado para explicar a interação e a experiência que foi percebida pelo usuário em relação ao objeto/tecnologia. Kirschner (2002) apresenta em seu estudo a definição de affordances educacionais como sendo as características de um artefato que determina se e como um comportamento particular de aprendizagem poderia ocorrer dentro de um determinado contexto; a autora entendeu como affordances as relações entre as propriedades de uma intervenção educativa e as características do aluno. No caso dos autores Bower e Sturman (2015), estes definem o termo affordance como a percepção dos educadores em relação ao uso das tecnologias e como as propriedades das tecnologias, percebidas por seus usuários, influenciam o aprender e ensinar.

Em uma análise sobre o termo affordance, Fayard e Weeks (2014) acreditam que o entendimento de affordance pode proporcionar uma lente poderosa para estudar as relações entre as pessoas e a tecnologia e, ainda, que esse resultado pode possibilitar uma linguagem melhor para descrever como práticas particulares são modeladas pela estrutura e configuração.

Fayard e Weeks (2014) afirmam que a maioria dos estudos, que usa o termo affordance como lente conceitual para a compreensão da relação entre tecnologias e organização, concentrou-se em capacidades tecnológicas, mesmo quando destacam o caráter relacional da interação. Dessa maneira, adaptaram affordance para a prática e reconhecem duas perspectivas sobre affordances: tecnológica e relacional. Sustentam que ter uma integração das duas perspectivas permite aos pesquisadores a possibilidade de explicar as

formas materiais na prática sem determiná-las, em vez de selecionarem entre um ou outro formato. Também a capacidade de reconhecer que o material de ambas as limitações (tecnológica e relacional) pode ser flexível e socialmente interpretado, relacionado com as necessidades do usuário, sua prática e contexto organizacional.

Na sequência, Fayard e Weeks (2014) propõem mudar o foco da affordance de recursos ou o ambiente e as características da tecnologia para a prática promulgada a partir da tecnologia ou em um espaço específico. Para tanto, evidenciam a affordance como as possibilidades da tecnologia de permitir determinadas práticas como, por exemplo, a comunicação, a colaboração ou a interação informal. Para os autores, a affordance oferece uma maneira útil de pensar sobre como a prática é modelada pela construção social e física da tecnologia e do ambiente material.

Churchill, D. e Churchill, N. (2008) realizaram um estudo para a compreensão das affordances educacionais que emergem da tecnologia móvel. Os autores destacam duas affordances do m-learning encontradas em seu trabalho: ferramenta de acesso à multimídia e ferramenta de conectividade. Outras affordances emergiram após o uso da tecnologia em si, que foram: ferramenta de captura, ferramenta de representação e ferramenta analítica. Tais affordances estão relacionadas e descritas a seguir:

a) ferramenta de acesso multimídia que corresponde à capacidade de apresentação multimídia da tecnologia utilizada no estudo “PDA”. Os autores perceberam que alguns tipos de arquivos como, por exemplo, PDF, PowerPoint, Word, entre outros, podem ser apresentados tanto em um computador como na tecnologia utilizada no estudo;

b) ferramenta de conectividade que está relacionada com a capacidade dos alunos de se conectar e de trocar ideias, fazer perguntas, entrar em contato com potenciais clientes, envolver-se em discussões/debates, entre outros. Efetivamente, essa affordance foi analisada sob dois contextos: a) como um facilitador importante da atividade de aprendizagem, permitindo que os alunos se conectem e troquem ideias e b) como uma ferramenta que possibilita o desenvolvimento de competências para os seus alunos, a capacidade de comunicação;

c) ferramenta de captura é a capacidade da tecnologia em capturar fotos, desenvolver vídeos e compartilhá-los com os outros colegas;

d) ferramenta de representação é a possibilidade de alunos criarem representações de seus conhecimentos e ideias como ferramenta de elaboração de mapa mental, que pode ser desenvolvido por intermédio da tecnologia – PDA;

e) ferramenta analítica é a última affordance observada no estudo e corresponde à capacidade dessa tecnologia em fornecer uma variedade de ferramentas analíticas como a utilização do Microsoft Excel.

Na possibilidade de apresentar mudanças pedagógicas, não a partir da novidade da tecnologia em si, mas das práticas inovadoras que utilizam plenamente as affordances da tecnologia móvel para capacitar professores, projetar o ensino diferenciado e proporcionar aos alunos experiências de aprendizagem personalizada, o estudo proposto por Looi et al. (2009) teve como ideia central acompanhar o que realmente os alunos fizeram durante a experiência de uso da tecnologia móvel e de quais foram os resultados.

A discussão da aprendizagem personalizada de Looi et al. (2009) explorou quatro affordances da tecnologia móvel que apoiaram o ensino diferenciado e a aprendizagem personalizada, sendo elas:

a) suporte a vários pontos de entrada e vários caminhos de aprendizagem; b) multimodalidade;

c) apoio ao estudante na improvisação in situ;

d) apoio na criação e compartilhamento de artefatos em movimento. As affordances são descritas a seguir:

a) suporte a vários pontos de entrada e vários caminhos de aprendizagem: o exercício e a prática, normalmente, exigem que os alunos produzam as mesmas respostas, seguindo o mesmo caminho de aprendizagem. Foram observados seis diferentes caminhos realizados pelos alunos, o resultado da observação encontrou vários pontos de entrada e ajudou a criar uma variedade de experiências de aprendizagem personalizada, proporcionando aos alunos atividades criativas e promovendo um maior sentido na tarefa executada;

b) multimodalidade: é uma affordance da tecnologia de computador, mas com a tecnologia móvel. Os alunos têm esses dispositivos sempre que precisarem ver ou criar uma modalidade diferente que combina com a sua aprendizagem personalizada. Os participantes demonstraram sua compreensão em diferentes modalidades. Devido ao alto nível de engajamento no contexto da aprendizagem, os estudantes foram capazes de construir o seu próprio conhecimento. Especificamente, a lição foi caracterizada multimodal em duas dimensões: processo e produto;

c) apoio ao estudante na improvisação in situ: Segundo os autores, a improvisação tem sido utilizada por muitos séculos em aulas de arte, música, teatro e literatura. O objetivo subjacente dos professores era incentivar os alunos para que pudessem pensar de forma criativa e experimentar o tema a ser ensinado. Apesar da improvisação não ser uma affordance única da computação móvel, a mobilidade torna-a única, permitindo que os estudantes possam fazer improvisação in situ, quando e onde quiserem. O resultado inesperado foi a capacidade dos alunos de improvisar para criar contextos significativos. A tecnologia móvel foi o elemento- chave e único no apoio da improvisação in situ como, por exemplo, fotografar em contextos apropriados para ilustrar as proposições em estudo;

d) apoio na criação e compartilhamento de artefatos em movimento: com as tecnologias móveis, os alunos puderam desfrutar da facilidade de criação e compartilhamento de artefatos e mais ainda quando estavam em movimento.

Para Orr (2010), a affordance primária da aprendizagem com mobilidade ocorre por meio da utilização de dispositivos pequenos, facilitando aos usuários do m-learning o acesso à dados em tempo real, quando e onde eles precisarem, além de coleta de recursos como anotações, imagens, gravações de áudio, vídeos, notas de aula, livros, enciclopédias, simulações, fichas de trabalho, entre outros. As affordances apresentadas pelo autor foram:

a) dispositivos móveis como ferramenta de representação que significa a personalização da aprendizagem de cada indivíduo;

b) dispositivos móveis como ferramenta de comunicação que representa a capacidade do aluno de se envolver com a atividade a qualquer hora e em qualquer lugar;

c) aprendizagem limitada versus nenhuma aprendizagem que ocorre quando o aluno não participou da aula e a aprendizagem com mobilidade possibilitou o acesso ao conteúdo para o educando mesmo que de forma limitada, sendo essa possibilidade, considerada pelo autor, melhor do que se o indivíduo não tivesse acesso a nenhuma aprendizagem;

d) estruturação das affordances: o autor considera as affordances ainda um processo em construção.

Portanto, para melhor visualização, no Quadro 9 está exposta uma síntese das affordances educacionais a partir das referências revisadas.

Quadro 9 – Síntese das affordances educacionais do m-learning Affordances do M-learning Descrição Autores Acesso à multimídia

Corresponde à capacidade de apresentação multimídia usando as tecnologias móveis, por exemplo, acesso a documentos PDF, PowerPoint, Word, fotos, vídeos, etc.

Churchil e Churchil (2008); Liaw, Hatala e Huang (2010). Conectividade

Está relacionada com a capacidade dos alunos se conectarem e trocarem ideias, fazerem perguntas, entrarem em contato com potenciais clientes, envolverem-se em discussões/debates, entre outros, a qualquer hora e em qualquer lugar.

Churchil e Churchil (2008); Liaw, Hatala e Huang (2010); Looi et al. (2009); Orr (2010). Informação e

captura de dados

É a capacidade de capturar fotos, sons, desenvolver vídeos e compartilhá-los com os outros colegas a qualquer hora e qualquer lugar. Apoia a criação e compartilhamento de arquivos em movimento. Churchil e Churchil (2008); Looi et al (2009). Representação de conhecimentos

É a possibilidade dos indivíduos criarem representações de seus conhecimentos e ideias como, por exemplo, com uso de ferramentas de elaboração de mapa mental. Cada aluno pode personalizar sua própria aprendizagem.

Churchil e Churchil (2008); Looi et al. (2009); Orr (2010). Acesso a ferramentas analíticas

Corresponde à capacidade das tecnologias móveis em fornecer uma variedade de ferramentas analíticas como aquelas disponibilizadas dentro do Microsoft Excel.

Churchil, D. e Churchil, N. (2008). Suporte a vários pontos de entrada e vários caminhos de aprendizagem

Refere-se à liberdade do aluno em definir o caminho mais relevante para a sua aprendizagem. A criação de pontos

alternativos de entrada. Looi et al. (2009)

Presença social A modalidade promove presencial social devido à sua instantaneidade.

Church e Oliveira (2013); Karapanos, Teixeira e Gouveia (2016); Park, Cho e Lee (2014). Aprendizagem personalizada

Proporciona aprendizagem centrada no aluno, a aprendizagem é ubíqua, e ainda pode ser recuperada a qualquer hora e em qualquer lugar. Melhora a orientação e direção dos usuários.

Liaw, Hatala e Huang (2010); Looi et al. (2009); Willemse (2015). Interação Corresponde à capacidade de interação e comunicação entre aluno e professor.

Churchill, D. e Churchill, N. (2008); Liaw, Hatala e Huang (2010); Looi et al. (2009); Orr (2010); Rambe e Bere (2013). Colaboração Promove atividades de aprendizagem colaborativa para a partilha e gestão do conhecimento.

Liaw, Hatala e Huang (2010); Rambe e Bere (2013)

Motivação Contribui para aumentar a motivação do aluno para a aprendizagem. Rambe e Bere (2013). Expressão

emocional Permite aos usuários expressar emoções (por exemplo, O uso de emoticons). Park, Cho e Lee (2014).

Fonte: Elaborado pela autora.

De acordo com Wright e Parchoma (2011), a origem positivista, o uso claro e inconsistências lógicas da affordance são prevalentes e persistentes na literatura que versa sobre a aprendizagem com mobilidade. Conforme os conceitos sobre affordances encontradas nos estudos dos autores mencionados no quadro 9, pode-se perceber que há inconsistências do termo quando as definições são comparadas. Churchil, D. e Churchil, N. (2008) concentraram-se em capacidades tecnológicas, mesmo destacando o caráter relacional da

interação, conforme foi apontado por Fayard e Weeks (2014). Entretanto, Liaw, Hatala e Huang (2010) apresentaram as affordances mediante a interação e a experiência percebidas pelo usuário em relação ao objeto/tecnologia.

Em razão da discussão quanto ao termo “affordance”, o entendimento, bem como a definição que poderá dar o embasamento teórico para identificar e analisar as affordances do m-learning no desenvolvimento das competências empreendedoras partirá da perspectiva de Kirschner (2002). Este compreende por affordances o caráter relacional da interação - usuário e tecnologia, considerando as relações entre as propriedades de uma intervenção educativa, da tecnologia e o comportamento do usuário em um determinado contexto.

Toda a experiência do m-learning na área da educação pode ser transformada em potencialidade no uso do m-learning em organizações. Piasecki-Kahle, Miao e Ariss (2012) consideram não ser nenhuma surpresa o uso m-learning e afirmam que a propagação do smartphone tem levado as empresas a considerarem como a realização da aprendizagem com mobilidade ou de “negócios” móveis, pode melhorar a sua organização, aumentando, consequentemente, a produtividade e eficiência da força de trabalho.

O estudo dos referidos autores demonstra vantagens para as organizações em oferecer conteúdo em mobilidade e divide os benefícios em duas categorias: para os negócios e para os funcionários. Algumas das vantagens citadas no estudo são: o aumento da aprendizagem por meio informal, a redução das viagens para eventos e treinamento, o uso intensificado de webinars e podcasts para aprendizagem. Além dos benefícios apresentados, as empresas que utilizam m-learning incluem o potencial de atingir um grande número de funcionários com mais facilidade e de forma eficaz, dando-lhes flexibilidade para buscar formação em qualquer lugar e a qualquer hora ou de acordo com sua conveniência.

Em uma pesquisa realizada com treze profissionais de TI, Saccol et al. (2010) analisaram uma experiência real de aprendizagem com mobilidade. Para isso, o ambiente virtual de aprendizagem utilizado foi o COMTEXT, que foi projetado a dar o suporte para o desenvolvimento de competência dos profissionais que utilizavam Pockets PCs. As ferramentas disponíveis do ambiente apoiaram o desenvolvimento de competências permitindo a criação de uma de comunidade de aprendizagem para interação entre os participantes. No entanto, os autores questionam as reais contribuições da aprendizagem com mobilidade para o desenvolvimento de competência no contexto organizacional. Isso em razão de que a tecnologia móvel está destinada a interações rápidas e de curta duração. O desenvolvimento de competências, porém, exige processos de aprendizagem mais sofisticados que envolvam metodologias que estimulem a ação do aluno e da reflexão e não apenas acesso

a conceitos momentâneos ou interações rápidas. Mesmo assim, no estudo realizado, os participantes consideraram que a experiência da aprendizagem com mobilidade contribuiu para o desenvolvimento de suas competências.

De certa forma, as affordances apresentadas no quadro 9 e que correspondem a alguns pontos estabelecidos nos estudos realizados em ambientes organizacionais de Piasecki-Kahle, Miao e Ariss (2012) e Saccol et al. (2010), destaca-se:

a) atingir grande número de pessoas individualmente;

b) flexibilidade para buscar informação a qualquer hora e em qualquer lugar; c) interação.

Os pontos apresentados estão relacionados com as seguintes affordances: ferramenta de conectividade; aplicação individual e de aplicação interativa, respectivamente.

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