3 Resultat og diskusjon fra undersøkelser i spesialisthelsetjenesten
3.5 Implementering av pakkeforløp
3.5.2 Organisering og nytte av forløpskoordinatorrollen
Quando nos referimos ao conceito de militante, estamos procurando identificar a ação comum que integra, filia os membros ao grupo, tendo em vista a necessidade de caracterizar o tipo de participação dentro e fora dele, com o desejo de identificar como o social está presente na ação dos seus membros, ou seja, qual a ação “para dentro” e qual a ação “para fora” do grupo.
Evidentemente, as questões que serviram de roteiro para a escuta contribuíram para o direcionamento deste interesse específico, sobretudo, quando interrogávamos sobre o tempo de participação e o envolvimento com alguma outra religião, bem como a participação em algum outro grupo, partido ou associação.
Nos chamou muito a atenção o fato de que nenhum dos depoentes tenha revelado a participação em algum partido político, aliás, durante todas as escutas, nenhum dos depoentes falou sobre política, ou fez qualquer relação entre a fé e as questões sociais.
Esta possível despolitização e a falta de compromisso social dos membros do MRCC é apresentado por Boff como um dos limites da RCC.
A falta de compromisso social. Esse é o franco mais exposto às criticas da parte dos ‘comprometidos’. Pois já pertence à consciência cristã que o empenho social não só é uma dimensão inescapável da fé, mas também, no nosso mundo periférico, uma fortíssima urgência pastoral. Virar as costas a essa conquista da fé, especialmente na Igreja latino-americana, significa trair o Evangelho, a Igreja e os Pobres. (2000, p. 47).
Evidentemente, o autor não fecha a possibilidade de mudança no interior do MRCC. Há uma possibilidade de superação desta lacuna, no entanto, se considerarmos as escutas das falas, dentro do universo que pesquisamos, percebemos um distanciamento das discussões que são direcionadas para as questões políticas e sociais, embora alguns evidenciem práticas assistenciais como a doação de alimentos e a assistência a dependentes químicos.
Aqui se localiza uma questão focal da nossa pesquisa, pois quando assumimos como objetivo verificar o sujeito emergente das direções sociais e subjetivas no interior da Igreja Católica, utilizando duas unidades de pesquisa, as CEBs e o MRCC, para expressar a dicotomia de expressões, tínhamos a impressão de que quando falamos de participação, engajamento, comprometimento, autonomia e outras expressões próximas à cidadania, éramos capazes de perceber apenas um tipo de participação, a política, sem o vínculo com a participação mística.
Durante muito tempo na Igreja da “libertação”, falar de aspectos subjetivos, de mística era negar a dimensão política, por reduzirmos a perspectiva política sob um determinado enfoque em detrimento de outro. No entanto, é perfeitamente possível encontrar na ajuda ao outro, na assistência, no ato solidário um ato eminentemente político. Evidentemente não estamos isentando o MRCC da dificuldade de assumir uma postura mais crítica sobre a realidade. Queremos apenas elucidar a contradição entre as duas direções, discutindo sobre a possibilidade e a necessidade do encontro entre a participação política e a participação mística, acenando para o sujeito-em- constituição que está presente em ambos os modelos.
O que podemos verificar, até mesmo pela forma de participação originária da maioria dos depoentes, é que este sujeito está voltado à questão da não participação mais direta em grupos de lutas sociais.
Quando questionados sobre a participação em outros grupos, fica evidente, aos que responderam positivamente à questão, a pertença a grupos de caráter mais tradicional, ligados ao período do catolicismo de cristandade. Como reforça Oliveira:
Em poucos anos a RC tomou o lugar de outros movimentos de reavivamento espiritual (notadamente os Cursilhos de Cristandade, os grupos de jovens e certos movimentos de casais) e hoje exerce sua hegemonia sobre um grande espaço eclesiástico, impondo seu estilo por toda a parte. (1999, p. 830). Esta raiz comum dos membros do MRCC pode ser constatada pelo quadro demonstrativo que se segue26:
Identificação do membro Você participou de algum outro grupo
religioso?
E.L.G.S. “Encontro de casais com Cristo, Cursilho de Cristandade, grupo de jovens quando era mais jovem”.
S.R.P.F. “Só grupo de jovens na época, mas que levava a mesma
linha, mais ou menos”.
T.M. “Sempre fui religiosa, da Legião de Maria. Eu participo também do grupo intercessor. Um pouco de cada coisa”.
M.L.L.S. “Na minha juventude eu fazia parte do TLC, na cruzada, né? naquele tempo a gente chamava de cruzada”.
M.B.R.L. “Comecei num grupo de jovens, no “Despertar” aqui em São Caetano. Foi lá que eu iniciei. Antes fiz alguns cursos e experiência de oração, mas onde eu ingressei no trabalho dentro da Igreja mesmo foi dentro do “Despertar”.
T.J.M. “Eu sou ministra da eucaristia. Sou do apostolado da oração, da pastoral de alimento. Tudo isso na outra igreja que eu pertenço, aqui eu só sou intercessora”.
Quando os depoentes são questionados sobre as suas atividades práticas, é notório um deslocamento da militância para uma ação mística, espiritualizada. A descrição da participação é sempre carregada de emotividade. Não percebemos, no grupo, uma ação voltada para questões
26 Apenas um dos entrevistados teve origem em outra denominação religiosa. “Eu era de outra seita, né?
mais objetivas. Há sempre uma preocupação com as questões que envolvem a dimensão interior na vida dos indivíduos, sendo que as ações acabam sendo descritas pela vivência dos dons, como o relato de E.L.G.S.
“Tenho. Tenho o dom de línguas, dom de profecia, dom de cura. Eu tenho todos os dons, eu creio (...) eu sou coordenadora do grupo, eu sou intercessora e Deus vai preparando cada passo. Deus não tem assim um programa de vida, né? cada dia é novo. Deus se renova todo dia. Então, hoje eu senti a presença de Maria, né? muito forte...mas amanhã pode ser diferente, Deus vai fazer diferente.(...) Nós temos plantões de SOS oração na nossa comunidade. Nós temos quatro plantões SOS. Então, a gente atende individualmente. Cada pessoa... a gente ora individualmente pelas pessoas. E Deus ali opera dependendo da necessidade de cada um, do pedido, né? Deus nos mostra os canais da graça de Deus. Deus age através de nós”.
A ação voltada para o exercício dos dons é comum entre os membros do MRCC. Os dons da profecia, das línguas e da cura aparecem com freqüência nas falas, assim como os testemunhos de como estes dons se manifestam.
A RCC enfatiza seis dons carismáticos: o dom da profecia, o dom da cura, o dom de línguas, o dom do discernimento, da interpretação e da ciência (Higuet, 1984). Dentre eles, alguns são mais populares, pela maior freqüência com que os fiéis entram em contato com eles: sobretudo o dom de línguas e o de cura. (Prandi, 1998, p. 45).
M.B.R.L., em seu relato, fala sobre o dom da profecia:
“Com certeza, o Senhor ouviu nossas orações porque foi revelado em profecia que nós teríamos um sacerdote da RCC e alguns anos depois o padre F. veio para a nossa paróquia. Então, hoje é assim, se eu sair do grupo é tirar o meu chão, sabe? É tirar a base que eu tenho. A RCC pra mim é muito grupo de oração. A missa é o principal, a eucaristia é o principal, mas o que leva você aprender muito dos carismas é o grupo de oração”.
Também M.C.R. faz referência a elas:
“Olha foi a abertura da Igreja, né? aquilo que eu te falei. Começou com o padre Marcelo me chamando muito a atenção. Eu comecei a procurar, entender esses carismas, as línguas, os dons de línguas, profecias que eles diziam, isso me chamou muito a atenção. E eu comecei realmente a retornar pra Igreja de corpo e alma porque eu me sentia bem”.
Carranza define o dom da profecia como
... a capacidade que a pessoa tem de receber uma mensagem divina, edificando a comunidade, exortando-a e consolando-a. A profecia é proclamada no próprio idioma ou em dom de línguas. Segundo o manual oficial de formação da RCC existem, além das profecias verdadeiras, reconhecidas porque são mensagens positivas, as falsas profecias que são de inspiração diabólica,
reconhecidas porque se resistem às orações em nome de Jesus e trazem inquietação para a pessoa. (2000, p. 89).
Se o dom da profecia aparece com destaque, um destaque maior ainda pode ser percebido nas falas que versam sobre o dom de línguas, que segundo Prandi:
Dentre todos os dons carismáticos, o dom de línguas é o mais desejado. É como se houvesse uma escala de dons e o ‘falar em línguas’ fosse um sinal direto de Deus. (...) A oração ‘em línguas’ é identificada, pelos carismáticos, como o mais perfeito louvor, e ele só é atingido porque o Espírito liberta cada individuo das barreiras humanas. (1998, p. 45).
Além dos depoimentos de alguns que afirmam terem o dom de línguas, outros oferecem o relato da sua experiência pessoal sobre a oração em línguas:
“Eu comecei a tá vindo no grupo até o Senhor pode ta me chamando, mas eu sinto da minha parte que eu não tive muitas barreiras porque eu cheguei e já comecei a orar em línguas, comecei a conhecer a palavra (...) Eu sentia já muita tontura na missa. Eu já sentia que o Espírito Santo já queria se mover em mim. Eu passei por alguns intercessores e eles falaram que eu precisava orar em línguas. Aí eu comecei orar, orar, mas orava algumas palavras só. Aí foi indo, indo, indo, e agora to orando..”
(R.S.O.).
“No momento de adoração mesmo. Quando tá oração em línguas, oração dos anjos. É uma unção muito forte, então, que eu sinto realmente a presença do Espírito Santo conduzindo, né? eu vejo assim como ele se manifesta perante as pessoas. A mudança de transformar a vida das pessoas. Então, a gente vê muitas curas, muita libertação. Sabe, até dentro do próprio grupo assim, às vezes até a olho nu mesmo, sabe? Então, percebe-se isso”. (I.)
Os relatos sobre a oração em línguas são feitos sempre num clima de muita emoção, conforme Carranza, podemos entender o dom da seguinte forma:
O dom de falar em línguas (glossolalia) manifesta-se através da oração em linguagem não vernacular, é uma oração de Deus que move alguém a falar em voz alta. Esse dom não está sob o controle e vontade da pessoa o que implica que o intelecto não é usado. O dom de falar em línguas depende de um outro, o de interpretar línguas ou discernimento, pois a comunidade precisa ter garantia de que Deus se manifestou e essa garantia é dada através do dom de interpretação. (2000, p. 89).
Desta forma os relatos expressam a participação na vida da Igreja, considerando tanto os aspectos internos, voltados para dentro da própria Igreja, como os aspectos externos, voltados para fora da Igreja. Verificamos que se caracterizam pela ênfase na oração, destacando que a forma de enfrentamento dos problemas sociais consiste na oração pelos problemas, sem a intervenção direta do cristão, evidenciando uma militância sempre religiosa, às vezes até valendo-se de uma prática proselitista. O relato de R.S.O. é um bom exemplo deste tipo de militância religiosa:
“Olha, meu trabalho é uma batalha, né? canto no coral municipal, no coral do Estado de São Paulo. É uma batalhinha, né? tem muito homossexualismo, né? me chamam de exorcista porque eu tô com o crucifixo, mas eu oro por eles. Quando eles me dão uma brechinha, eu falo um pouquinho de Deus. Eu já consegui converter uma pessoa, um rapazinho, eu já consegui. Ele venerava Satanás, né? nem queria dizer que ele venerava, mas aquele negócio de rock, ele era muito revoltado. Eu fui falando de Jesus pra ele, falando, falando, fui pedindo, fui orando por ele. E hoje, pelo que eu sei, ele tá mudado”.
Além de a forma de expressão evidenciar uma proximidade com outros grupos religiosos, o que nos chama a atenção é a fala sobre satanás, que é repetida em outro momento da entrevista, pelo mesmo entrevistado, ao falar sobre o significado da oração em línguas.
“Nós não sabemos. É a língua dos anjos. Essa oração nossa vai diretamente aos céus. Essa oração, o inimigo não ouve. Satanás não entende. Ele ouve, mas não entende o que você está falando. Ele não suporta essa oração. Ele não escuta o nosso coração, mas o que falamos ele escuta. Só Deus pode ouvir nosso coração e pensamento. Por isso que a gente tem que tomar muito cuidado com as coisas que a gente fala”.
No entanto, no MRCC a referência a satanás é sempre numa menor proporção que nos grupos evangélicos. Como também mostra a pesquisa de Mariz:
Embora haja referências ao demônio, essas são menos freqüentes do que nas igrejas pentecostais em geral. É interessante notar que apesar de os entrevistados não mencionarem muito o demônio, há narrativas que revelam a crença na possibilidade de explicar problemas cotidianos por possessão demoníaca tal qual acreditam os pentecostais. (2001, p. 28).
Porém, embora haja poucas referências, vale a pena lembrar o que diz Carranza:
Mas é bom lembrar que o demônio (ou diabo ou satanás) sempre cumpriu uma função social no decorrer dos séculos, de tal forma que permitiu à Igreja Católica acumular um capital simbólico, hoje ativado novamente pela RCC. Assim, quando o cristianismo é estudado, observa-se como emerge uma guerra contra o diabo, mostrando que é na oposição Deus-Diabo que o cristianismo avançou. (2000, p. 177).
Este embate Deus-Diabo, não aparece diretamente nas falas dos depoentes, embora possamos perceber a relação entre bem e mal como discurso binário que aponta para o “crente e o não crente”, sendo o combate travado para despertar a conversão enquanto mudança de vida. A oração é a “arma” principal.
Como notamos nas falas, destaca-se a oração como meio de combate aos problemas, que são, na maioria das vezes, de ordem pessoal, afetiva e familiar. Caracteriza-se como ação principal da maioria dos depoentes a oração em duas modalidades de ação: a de “intercessores” e a participação no “S.O.S. oração”.
A grande maioria diz pertencer ao S.O.S oração, que pode ser entendido a partir das falas dos próprios integrantes:
“Participo da SOS oração. A gente ora por pessoas, mas pra isso a gente se reúne também. Antes o grupo se reúne, faz oração, tudo, e aí a gente pega algumas pessoas que, não digo que são mais capacitados, mas tem mais vivencia na Igreja, mais tempo em oração, mais dedicadas a oração e aí a gente marca. As pessoas que tão assim com problemas e às vezes não são tantos problemas tanto assim... querem falar e a gente fica aqui pra ouvir e pedir a Deus por elas”. (S.R.P.F.)
Percebemos a composição de uma espécie de “central de atendimento”, para sanar os problemas que, como já salientamos, são quase sempre de ordem afetivo-familiar.
Tivemos a oportunidade de acompanhar a depoente no trabalho do S.O.S. oração, notamos uma espécie de ritual que precede aos momentos de escuta. O grupo, em média três ou quatro orantes, vai até a capela e, diante do sacrário, reza fervorosamente, pedindo o dom do discernimento e da oração. Depois de uns 30 minutos de oração intensa, ao membros vão fazer o atendimento. Enquanto a pessoa solicitante expõe a sua necessidade, um dos membros, o intercessor, fica atrás fazendo as orações, geralmente há choro de ambas as partes.
Uma das senhoras participantes, intercessora, a M.W.V.B., explica como se dão os procedimentos do S.O.S. oração.
“É oração, mesmo. Orientação. É individual. A pessoa passa e marca, né? aí a gente tem o atendimento individual. Então, a gente conversa com a pessoa, procura saber o que está passando, qual é o problema, ora bastante pela pessoa. Normalmente são três pessoas pra atender uma. Uma fica atrás só intercedendo e as outras ficam falando pra pessoa.”
Há também os pedidos que são encaminhados, trazidos pelos membros da paróquia, por escrito. A oração é feita também por todos, no momento em que estão na capela. Na próxima fala, notamos que a partir do S.O.S. oração também se dá o processo de “conversão”.
“Nós não sabemos pedir, nós não sabemos orar, oramos errado, não sabemos pedir do jeito que Deus quer que a gente peça, né? então, eu tive assim, foi no SOS, essa oração que eu passei, né? e o Senhor mostrou pra mim que ele tinha um grande propósito. Eu não sabia o que era essa propósito. Agora eu tô sabendo. (...) É onde tem um grupo de intercessores. Fazem intercessão e atende pessoas com oração”. (R.S.O.).
Embora tenhamos sempre nos relatos a referência aos intercessores, nem sempre o intercessor é participante do S.O.S oração. Os membros consideram a intercessão como um dom.
“Eu participo do SOS oração que é diferente do grupo de oração. No grupo de oração foi onde eu me encontrei com o Senhor. Eu participo, eu sou serva intercessora. (...) É você estar de prontidão orando pelas dificuldades do irmão pra aquele que está sentado. Porque um dia você teve sentado com problemas e os irmãozinhos estavam intercedendo, sendo instrumento do Senhor, canal de graça. Assim, trocando rapidinho em palavras, né? porque o servo é bastante coisa. O intercessor é a Igreja, é santidade, é bastante coisa”. (I.
H. S.).
Nesta fala fica explicita a diferença entre o grupo de oração e o S.O.S oração. É interessante que muitas pessoas que foram pedir oração no S.O.S oração acabem sendo encaminhados e começam a participar do grupo de oração.
Quando os depoentes falam dos intercessores, na grande maioria das vezes, enfatizam a necessidade da oração para superação dos conflitos. R.S.O. evidencia a idéia de combate:
“No caso, nós intercessores, nós estamos assim, a gente tá num combate, é um combate espiritual. Intercessor é entrar na brecha, tem que falar, orando, pedindo pro Senhor tocar, não deixar que nenhum mal passe pra aquelas pessoas. O significado de intercessor é saber amar. Todos nós somos intercessores. Nós nascemos intercessores, nós podemos interceder por todos, não é verdade? A gente tem que se doar ao Senhor. A gente tem que ser uma fonte de amor. A gente tem que tá lá: “Senhor, uma pessoa tá com problema Senhor, mas Senhor, o Márcio tá com problema Senhor, sara ele Senhor,
cura ele Senhor, liberta ele Senhor”, clama ao Senhor, não se esquecendo do nosso chicotinho (faz um gesto mostrando o terço em sua mão), nosso chicotinho, nosso rosário. uma ave-maria que nós rezamos é uma rosa que cai no colo de Nossa Senhora. Imagina o rosário, que lindo que é, não é verdade?
Novamente se enfatiza o combate ao “mal”. É interessante a forma de oração de intercessão, caracterizada pela repetição do nome “Senhor”, tendo uma proximidade grande com a forma de oração dos pentecostais.
Assim como acontece com o S.O.S. oração, há o grupo dos intercessores que atuam em conjunto. Geralmente, ficam observando quem está na missa e a partir de um sentimento “inspiracional” rezam pela pessoa que perceberam que necessita de oração. Essa oração também é precedida de um momento na capela.
“Olha, a gente procura ficar coletivamente, sabe? A gente primeiro passa pela capela. Ora bastante, pedindo a unção do Espírito Santo. Aí a gente vem e procura ficar observando quem tá mais necessitado, né? durante a missa....a gente vai orando pelas pessoas, né? conforme a gente sente, às vezes, a pessoa tá chorando muito, tá com um determinado problema, procura orar individualmente pra aquela pessoa, mas sempre, de longe. Se tiver oportunidade, a gente trás até a capela. A gente convida pro SOS, pra dar um apoio pra pessoa” (M.W.V.B.) .
Outro aspecto pertinente nas falas é a relação que os membros fazem entre os pedidos por meio da oração de intercessão e o milagre, sempre associado à cura de algum mal. Como é explicito no depoimento de E.L.G.S.
“Então você começa na sua casa, você vai orando...orei e meu marido foi transformado. Orei, meu marido foi liberto do álcool. Orei pelos meus filhos, eu já vi muitas curas. Meu filho tinha uma pedra no rim enorme...eu orei e ele expeliu essa pedra, não tinha como, foi um milagre, tinha que implodir essa pedra de tão grande que era e ele expeliu a pedra. Então, você vai vendo, eu já impus minhas mãos numa pessoa com aids e ela ficou curada da aids, você vai vendo os frutos assim”.
A cura é sempre enfatizada pelos membros do grupo, trazendo testemunhos de ocorrências extraordinárias que justificam a adesão e legitimam o constante apelo a conversão.27
Na RCC, a prática da terapêutica religiosa é um exercício sistemático, nunca aleatório. A cura de doenças é praticada sempre em grupo e, embora possa ocorrer tanto no grupo de oração como nos cenáculos, preferencialmente se realiza em
27 Passados já meses do término das escutas, ainda sou constantemente convidado para retornar a comunidade, um dos membros sempre que liga, insiste que está orando para a minha conversão, mesmo expondo os fins da pesquisa, voltada para a análise acadêmica do fenômeno social, querem por meio da pesquisa mostrar que o MRCC é o caminho de salvação da Igreja, recomendada pelo papa, como salientou um dos membros.
reuniões específicas para esse fim. São reuniões de cura e