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Behandlere og lederes holdninger til pakkeforløp

3 Resultat og diskusjon fra undersøkelser i spesialisthelsetjenesten

3.5 Implementering av pakkeforløp

3.5.4 Behandlere og lederes holdninger til pakkeforløp

Quando as falas evidenciam as transformações pessoais ocorridas por meio da participação no MRCC, sem expressarem a necessidade de uma transformação social, a conclusão que tiramos, num primeiro momento, é que a dimensão social, enquanto participação interventiva, é esquecida. Contrário aos chamados “católicos progressistas” das CEBs que, como vimos, partiram do social e sentem a necessidade de re-descobrirem o pessoal, numa busca da perspectiva mística que Frei Beto vê como uma volta à subjetividade.

Os partidos políticos estão começando a perder o pudor e a discutir a questão da subjetividade. No fundo, tenho a impressão de que vamos chegar à questão da mística mesmo. É um pouco aquela idéia de que não sabemos nada da química do solo, mas daqui a pouco vamos nos sentar à mesa e comer batata, alface...coisas que dependem da química do solo. Alguém entende disso para produzir os frutos que consumimos.

Será que é possível construir homens e mulheres novos sem falar em mística? A mística está para esta questão assim como a química do solo para produzir bons frutos. Temos que quebrar o tabu e o preconceito de falar sobre esse tema, que precisa ser discutido na porta do café, porque senão repetiremos o erro de nossos companheiros do socialismo, com toda uma ideologia objetivista das coisas, sem considerar a questão da subjetividade. (Betto, 1994, p. 51).

Entre estes dois níveis diferenciados de participação, uma está focada na dimensão política: de denúncia às situações de injustiça social como prática cidadã necessária; outra tem uma participação mística de valorização dos aspectos subjetivos que dão sentido à existência, à vida, de encontro com o sagrado como fonte de energia para superar os problemas cotidianos e ser

feliz. Evidenciamos nos dois níveis de participação o duplo direcionamento da Igreja Católica, social e subjetivo, sem com isso negar a presença do social e do subjetivo em cada grupo, mas enfatizando o conflito situado em dois pólos, que Betto aponta para a necessária convergência.

O autor faz as seguintes questões: Poderemos pensar em uma nova sociedade sem o resgate permanente da dimensão mística? Poderemos ser realmente felizes com a permanente dissociação destes dois níveis de participação? Não teríamos de buscar o equilíbrio entre ambas as participações? A busca de um dos dois tipos de participação não teria como fundamento comum à busca de expressão da fé?

Pelo processo de escuta, podemos afirmar que o que move o “militante” para “esta ou aquela” direção é a situação vivenciada por cada um deles, a sua história de vida e a afinidade que possui mais com uma ou outra forma de participação, sem pensar que necessariamente devam ser excludentes. No entanto, não queremos fechar a questão. Como é necessário no processo de busca, queremos possibilitar novos questionamentos e gerar novas discussões, quenos impulsionarão para um conhecimento maior do fenômeno investigado.

Entretanto, não é comum essa visão articulada.O embate entre os chamados católicos progressistas e tradicionais é marco referencial quando se travam discussões quanto às práticas religiosas.

Ambos os setores trocam acusações mútuas sobre a compreensão das suas práticas religiosas. A RCC ao centrar a vida religiosa na esfera da intimidade, desenvolvendo um controle moral e do comportamento familiar, desinteressa-se aparentemente por problemas coletivos e de militância política (Prandi, 1997, p. 15). Imagem que também a mídia veicula colocando, de um lado, a RCC preocupada com não misturar Igreja e Política, e, de outro lado, a Teologia da Libertação desgastada com um discurso politizador que não responde mais às necessidades do homem moderno e globalizado. (Carranza, 2000, p. 157).

Se há uma preocupação dos católicos progressistas de retomarem a fala sobre os aspectos subjetivos da prática, há também o que se falar da prática social que parte das dimensões mais subjetivas. Evidentemente, o social no MRCC tem formas e expressões diferenciadas, o seu ponto de partida é a transformação interior, a forma como as mudanças internas se efetivarão nas praticas externas.

Explicitar um determinado tipo de sujeito será o objeto do quarto capítulo, por hora, queremos preparar este momento, verificando as mudanças provocadas por meio da participação no movimento. Para tanto, no roteiro de escuta, fizemos a pergunta direta sobre as mudanças provocadas no depoente após seu ingresso no grupo. As respostas nos levam a aspectos diferenciados que merecem ser expostos.

A primeira fala desta fase do discurso e de E.L.G.S.:

“Assim, .trezentos e oitenta graus. Mudou minha vida assim por completo. Pra começar, meu marido foi liberto do vicio do álcool, ele deixou...Deus já começou fazendo logo no primeiro dia, Deus já me deu essa graça, da libertação dele, do álcool. E eu comecei a experimentar Deus assim de uma maneira que eu nunca tinha experimentado, apesar de ter passado a vida todinha dentro da Igreja...” .

O relato explicita uma nova experiência com Deus, por meio da crença, com uma intervenção divina que alterou o comportamento do seu marido. A mudança de vida é gerada por meio de uma mudança na família, justificada pelo início da participação. A idéia de “libertar” está vinculada à idéia de “cura”, já exposta anteriormente, que gera os motivos para a participação.

Junto com a infidelidade, o alcoolismo constitui uma das motivações mais citadas pelos entrevistados quando falam das separações e de suas dificuldades conjugais, corroborando a tese de Mariz (1993: p. 1) de que ‘como um alcoólatra traz problema para toda a sua família, o pentecostalismo parece ser, num primeiro momento, um instrumento do familiar do dependente para enfrentar a situação’. Assim, nos momentos de dificuldade, são as mulheres ou mães dos viciados que buscam ajuda nas Igrejas, e é por meio delas que os pastores tentarão atingir os cônjuges ‘endemoniados’, libertando-os da interferência maligna. Afinal, convertida, a mulher pentecostal adquire um novo estilo de vida que facilita o convívio com o dependente de álcool, na medida em que se torna mais tolerante e compreensiva. (Machado, 1996, p. 111).

Entretanto, a maioria das falas revela que as mudanças foram no comportamento pessoal, por meio de relatos de alteração na forma de relacionamento com o outro, conforme o depoimento que segue:

“Mudou o nosso relacionamento. Eu sempre fui uma pessoa muito amável, muito carinhosa, sabe? Mas você passa situações difíceis na família, mas não te abala mais. por quê? Porque você tá tão bem! Você vê que aquilo não tem mais tanta importância...que nem meu marido é um homem adultero, ele não é da Igreja e aquilo não me abala mais e eu não sou uma mulher amarga, eu não sou uma mulher infeliz eu sou uma pessoa...e os outros falam: ‘não sei como você consegue ser tão feliz’ por quê? Porque eu vivo o Evangelho, vivo a minha vocação, vivo a alegria de amar. Deus vai

perguntar pra gente o seguinte: ‘Você amou?’. Ele não vai perguntar seu nome, seu sexo, sua Igreja, sabe? Vai perguntar se você amou.(M.S.B.O)

As mudanças como as provocadas em M.S.B.O., reveladas na fala anterior, nascem a partir do envolvimento com o grupo. É uma característica comum nos grupos pentecostais, entre eles o MRCC. A adesão a partir do conflito familiar e a mudança na forma como lidar com ele evidencia um certo fortalecimento por meio da pertença ao grupo. Machado oferece uma análise, a partir da sua pesquisa sobre a adesão religiosa na esfera familiar, sobre como o difícil relacionamento familiar impulsiona o indivíduo para o grupo e o “restaura” para o enfrentamento dos conflitos:

Nos depoimentos das mulheres pentecostais casadas, pertencentes às camadas médias ou populares, o motivo mais freqüente para a primeira visita e a posterior adesão às comunidades religiosas foi o difícil relacionamento com seus parceiros. O mesmo acontece entre as carismáticas da camada média. Já as dos setores populares também citaram este motivo, mas se destacaram por apontar os casos de depressão e ‘doença dos nervos’. (1996, p. 98).

Esta mudança de comportamento, que revela a depressão e as alterações nervosas como atitudes anteriores à participação no movimento, podem ser percebidas pelo relato de T.J.M.

“Depois que eu comecei, eu acho que tudo. Interiormente, emocionalmente, tudo, é um

encontro pessoal que a gente tem com Deus, com Jesus direto na Igreja com em casa mesmo nas orações que a gente tem individuais, mesmo assim a gente faz como se estivesse na presença do Santíssimo como ele está realmente junto com a gente, o Espírito Santo. Então, ele age em nós e a gente sente a presença dele imensamente lá e em qualquer lugar. Ele te modifica teu comportamento. Se a gente tem o comportamento mais agressivo, a gente se torna mais amena, entende melhor os irmãos. Então, é muito diferente da vida de antes e agora. É muito melhor, naturalmente”.

Nota-se no discurso uma necessidade de explicitar as mudanças interiores que afetam o relacionamento com os outros, sobretudo, com os familiares. Há uma preocupação com o aperfeiçoamento moral por meio de uma ética individual que norteia a ação do membro do grupo. Essa ética é conquistada por meio de um processo de introspecção que leva a um exame contínuo de consciência, gerando novos comportamentos, em especial por meio das orações de súplicas para a mudança de atitudes, no que tange à relação com o outro. Observemos esse outro relato de mudança.

“Ah....mudou bastante coisa...meu temperamento. Eu era muito estourado, muito nervoso, sabe? Eu tenho muito o que pedir ainda pro Senhor, temperacia (sic). Às vezes, eu não tenho muita paciência, mas aí eu falo: “Senhor, isto não é um, Senhor, eu te entrego e dentro o Senhor me dá paciência”. Tem que ter temperacia (sic) pra tudo. Mudou, assim, da água pro vinho. Eu comecei ver Jesus nas coisas. A gente olha pra formiguinha e a gente vê que ali tem a vida, tem o dom de Deus. Se eu olhar pra você e ver a face de Jesus em você e saber perdoar as pessoas porque o perdão é a chave da cura, não é verdade? É isso que mudou na minha vida”.(R.S.O)

A oração e a certeza da presença de “Jesus” no outro é um motivo central para uma atitude diferenciada para com esse outro. A necessidade de mudança pessoal, sem a ênfase nas mudanças sociais, por meio da intensa oração, caracteriza a ética individual como um dos elementos preponderantes no MRCC.

Em relação ao grupo carismático católico, esta pesquisa confirmou que o forte caráter pietista do Movimento de Renovação Carismática Católica, já apontado em trabalhos anteriores: uma ética individual contestadora da moral circundante com a insistência em uma vida de pureza, santificação e piedade; uma ênfase na experiência religiosa que por vezes coloca a emoção à frente das reflexões teológicas, uma atividade devocional intensa; e um espírito de reativação da espiritualidade que não chega a ser sectário. Aqui nos interessa destacar acima de tudo a ética individual e a busca de aperfeiçoamento moral por parte de seus adeptos, na medida em que podem levar a uma redefinição de suas relações com os familiares. (Machado, 1996, p.105). A alteração na forma de relacionamento é descrita como mudança na atitude pessoal, que afeta a pessoa como um todo, até mesmo em seus aspectos físicos, melhorando a auto-estima, como no relato de I.A.R.O.

“Drasticamente foi perdoar. Perdoar, amar e se preocupar com o próximo. É uma coisa fenomenal. Eu não consigo comer pensando só em mim. (...) Nossa, maravilhas. Emagreci,primeiramente, né? perdi alguns quilos, hoje eu tô ótima, tô me amando, sabe? Me amando muito e aprendendo a amar todos os meus irmãos de Igreja, de caminhada, em casa, não vou falar pra você que eu não tenho problemas. Os problemas continuam, mas eu tô muito mais forte pra enfrentar, sabe? Essas coisas assim na família da gente é que nem conta gotas, vai acontecendo e você tem que ir percebendo as mudanças que fizeram na sua vida. Assim, eu tomei decisões que eu não tomava, eu fiquei muito mais forte. Hoje eu sou uma mulher independente porque eu era totalmente dependente de tudo, de todos. Hoje, não. Hoje eu falo....se eu for fazer alguma coisa, eu faço, eu decido, eu vou atrás, eu corro atrás e tudo isso é essa força que Deus me deu. Ele fez maravilhas na minha vida. Me tirou de uma cama onde eu estava morrendo. Hoje eu tô de pé e eu tô olha...glória a Deus, muito bem (risos)”.

São abundantes os testemunhos de mudança de vida que alteram a relação com o outro, externando uma outra postura frente aos problemas.

“Não sei, eu acho que eu tive mais harmonia dentro de mim. Eu procurei assim entender melhor os problemas. Já sabia alguma coisa. Me facilitou muito, o convívio com a família com as pessoas, entendeu? Aprendi a orar mais pelas pessoas, pelo mundo em geral”. (M.W.V.B.)

“Ah, muitas mudanças. É maravilhoso, você vê mudanças pra melhor, né? eu assim, tinha uma vida muito tribulada. Eram problemas que dependiam de mim mesmo, sabe? Então, eu consigo assim conciliar mais, eu consigo conviver com meus problemas, claro, que eu procuro estar melhorando cada dia mais, mas eu procuro administrar eles da melhor maneira possível, sabe? Então, eu consigo mais uma paz, procurar ter mais um relacionamento melhor com as pessoas, relacionamento na família, no trabalho, tudo, né? então, tem melhorado bastante a minha vida” . (I)

“Muitas, muitas mudanças. Eu era uma pessoa muito alterada, né? agitada, como que fala? Explodia com facilidade. Hoje, não. Hoje, se acontecer isso na minha vida eu silencio meu coração, entendeu? E depois eu reflito. Se eu tiver que falar com o irmão, eu falo com o irmão, mas no amor e na caridade”. (M.L.L.S.)

“Muitas. Foram assim, eu tenho 4 filhos, né? o meu mais velho é uma criança especial,

mas é muito de Deus. Eu comecei assim ser mais tolerante, né? ter mais paciência, foi muito difícil. Compreender mais as pessoas assim, me compreendendo primeiro, né? me aceitando como eu sou, que Deus, com certeza, me aceita como eu sou, né? os meus limites. Pelo menos, eu assim, tá participando muito mais das missas em termos de estar em contato, de saber, de aprender, de passar pro irmão que também precisava saber”.(M.C.R.).

Por meio dos discursos, percebemos que os adeptos ao MRCC vêem- se como agraciados e portadores de um carisma - “o dom da graça divina” -, por isso se empenham em projetar esta nova concepção cristã.

As mudanças anunciadas estão quase sempre na esfera da mudança pessoal de vida. O carismático assume uma nova postura frente aos problemas, tanto em relação aos conflitos internos como aos externos, sobretudo de relacionamento familiar. Há uma relação direta com a vida nova de oração e de participação ativa em todos os momentos do grupo. O movimento torna-se um “ponto de apoio”, um “porto seguro” para os seus adeptos, que encontram nele a segurança necessária para o enfretamento dos problemas do seu cotidiano.

Quando iniciamos o processo de escuta das falas das CEBs e do MRCC, estávamos convictos que precisaríamos nos deixar invadir pelos discursos, pois eles seriam capazes de trazer à tona os aspectos essenciais que dariam conta de estabelecer as relações necessárias com as nossas mais

profundas indagações, que foram se constituindo na “mola propulsora” que gerou a presente investigação.

Como é característico todo investigativo é gerador de outras questões, trazendo novos elementos, os quais procuramos apresentar por meio das quatro fases dos discursos que utilizamos como categorização das falas. Buscar entender a identidade religiosa em cada uma das unidades de pesquisa foi algo desafiador, a começar pela pluralidade de concepções sobre a idéia de identidade. Tivemos que pontuar a que tipo de identidade nos referíamos, para situar a necessidade de verificar o que agrega o adepto ao grupo, o que gera o sentimento de pertença e a identificação grupal.

Entretanto, ao proceder às escutas das falas, notamos que cada uma delas trazia, ora explicita ora implicitamente, um determinado tipo de participação e militância. O que nos fez perceber que tanto nas CEBs como no MRCC há a manifestação de um social e de um subjetivo que conduz à ação do militante.

Entender por meio das falas a ação do militante constitui-se num novo desafio, rompendo com um conceito de militância apenas para fora, para o social stricto sensu, para a percepção de uma militância mais para dentro, caracterizada por uma participação calcada nos aspectos mais subjetivos, menos racionais. Daí a necessidade de verificarmos, por meio das falas, que há nos dois tipos de grupos a formação de um determinado tipo de subjetividade; de entendermos os aspectos subjetivos que impulsionam a ação dos grupos, identificando, nos mais variados motivos de pertença, o desejo de cada um dos membros que os identificam e compõem um tipo de identidade forjada na esfera da subjetividade e que contribuirá para a formação de um novo tipo de sujeito. Esta nova identidade pode ser percebida nas mudanças que acontecem no envolvimento do participante com o grupo, tanto das CEBs como no MRCC.

A percepção da nova identidade, por meio das falas, nos ajudará na composição do novo tipo de sujeito, que, considerando as ambigüidades na forma de expressões tipológicas nas duas unidades de pesquisa, propiciará a irrupção de dois tipos diferenciados, expressando duas direções sociais e subjetivas no interior da Igreja Católica do Brasil.

CAPÍTULO IV

As Direções Sociais e Subjetivas no Interior da Igreja

O

objetivo deste capítulo é retomar as questões da pesquisa, procurando explicitar as Direções sociais e subjetivas no Interior da Igreja Católica no Brasil, por meio da discussão dos conceitos de cidadania e sujeito- em-constituição.

Queremos identificar, amparados pelos dados da pesquisa, o tipo de ação social e subjetiva capazes de caracterizar os novos cenários da Igreja Católica, a partir da constituição de dois modelos aparentemente paradoxais de sujeitos.

Como já afirmamos, a comparação entre os membros dos dois grupos em análise procura verificar em que, como e por que se aproximam e/ou se distanciam, caracterizando dois tipos de sujeitos que determinam as direções sociais e subjetivas no interior da Igreja Católica do Brasil. Este é o nosso primeiro desafio.

Uma idéia chave inicial, quando lidamos com o conceito de sujeito, é a convicção, a partir das leituras de Sader (1988) e Covre (1996), de que a gênese do sujeito individual e grupal está exatamente no conjunto de suas necessidades, anseios, motivações e desejos que têm o poder de constituí-lo em meio à trama das relações sociais. Por causa do Desejo o sujeito se vê na condição de assumir a sua provisoriedade.

Por sua vez, o cidadão tem seu suporte na existência da pessoa, e esta, na sua subjetividade, o que vai dar o tom de quanto ela é desejante do exercício da cidadania. (...) é preciso ser sujeito desejante para poder vir a ser sujeito provisório, que agilize o processo democrático, e que componha o sujeito-em-constituição. (Covre, 1996, p. 89).

Partindo deste pressuposto, podemos afirmar que o “indivíduo” está num devir constante, é sempre provisório para responder aos apelos do “aqui e agora”. No entanto, a velocidade das mudanças exige sempre uma nova retomada reflexiva para, num processo dialético, conduzir a uma nova ação e, neste movimento, circular de ação-reflexão-ação. Poder constituir-se como ator/sujeito no processo de mudança.

Assim sendo, acreditamos que, impulsionados pelo Desejo de mudança, vamos constituindo-nos como seres novos, de acordo com o que o contexto social oferece e exige de cada um de nós.

Nos relatos percebemos este movimento emancipatório do sujeito num processo de cidadania-em-construção.

“....a gente aprendeu lutar pelos nossos direitos, não só da gente, mas de outras pessoas que precisavam também, né? porque, eu quando comecei a participar ai da Igreja, eu tinha minha cabeça assim fechada...era fechada minha cabeça. Eu não sabia de direito...eu tinha medo de fazer alguma coisa pelo meu direito e depois que a gente começou a participar das CEBs, ela foi se abrindo, sabe? Foi se abrindo, foi se