4. Empiri
4.2 Resultater fra intervjuer
4.2.1 Generelt om opsjonsavtaler
4.2.1.1 Opsjonsavtaler fremfor andre avtaler
Neste capítulo trato da abordagem metodológica, buscando um diálogo com alguns teóricos como Wilber, Dilthey, Merleau-Ponty, Maturana, Nicolescu, Morin, Gadamer e Greimas. A metodologia vai se constituindo como uma “Dança Cósmica”, conforme o próprio movimento de evolução universal e do grupo a ser trabalhado, assim como, do meu próprio movimento que interage com o ritmo dos demais.
A presente pesquisa não tem como característica a mera aplicação da teoria sobre as vivências, pois, a própria atividade de interpretação passa a ser uma vivência, e, é assim que método e teoria se fundem na criação. Como não existe separação entre o sujeito que observa e o sujeito que é observado, entre o que observa e o que vive, ocorre um diálogo fluídico entre teoria e método, sendo a vivência e a interpretação um ato de criação. De acordo com Wilber (2005, pag.115)
“O observador” significa a bagagem cultural inteira, sem a qual o significado nem existiria, nem poderia existir, para começo de conversa. Essa grande bagagem intersubjetiva, essa bagagem cultural, oferece o oceano de contextos no qual tanto arte quanto o artista e o observador devem necessariamente flutuar.
A vivência possibilita a criação de sentido para aquele que a experimenta, sendo assim, não haveria outro caminho senão partir do conceito de vivência. Dilthey (1987) afirma que a vivência é o instante vivido, pleno de sentido, de um mundo vivido, que tem qualidades imanentes/transcendentes; é corporal e limitada, mas, também, é fenômeno de totalização. Assim, o que se vive no momento, é único, algo que junta sagrado e profano, individual e universal.
Segundo o autor, vivência vem da expressão vida e vida significa o que há de mais conhecido e íntimo em cada um e que, ao mesmo tempo, é obscuro e impenetrável. A vivência possibilita integração e unidade biológica, psicológica, histórica-social, cosmológica, que dá significado a existência humana.
Dilthey (1987) diz que os pressupostos fundamentais do conhecimento estão dados na vida e o pensamento não pode conceber por de trás deles. Podemos entender, então, que a vivência deve expressar a totalidade da relação com a realidade, na qual os fatos de nossa
consciência nela são dados. Fatos da consciência não se reduzem a uma esfera de imagens desconectadas das relações concretas com o mundo exterior.
É dentro dessa linha de pensamento, que a vivência é categoria epistemológica fundamental que transcende a idéia de representação o que significa dizer que para Dilthey, a vivência contém em si categorias teóricas do conhecimento, enquanto formas de realidade objetiva.
Assim, nesse trabalho não há separatividade entre método e teoria e o que se ressalta é a existência humana, o viver, a vivência do “Sentir e do Saber” para “Ser e Criar”, do “Amar para Aprender a Conhecer e a Conviver”. A vida e seu sentido é dada a partir de uma Estética do Acontecimento (Parode, 2007) e pela Arte Vibracional.
Para Dilthey, existe uma continuidade entre natureza e história, homem e mundo, experiência humana e vida e é nessa continuidade, que além de conduzir essa pesquisa participo de algumas de suas vivências. Não fui mera observadora, lançando algumas propostas vivenciais aos alunos, mas estive plenamente inserida e mergulhada no ato de criação e de compartilhamento com o grupo.
Na articulação e no compartilhamento das atividades vivenciais enfatizo a expressão dos níveis de consciência por meio do corpo físico, que é o veículo de evolução da consciência. Ressalto a importância do sensível, que na interrelação com a educação, facilita percepções mais sutis. Refiro-me aqui aos “níveis” estudados por Wilber (2001, 2004, 2005) que vão “desde o ego isolado e individual”, de um lado, até os estados de “consciência da união” e de “união espiritual”, de outro. A idéia é, portanto, trabalhar o “Espectro da Consciência” (Wilber, 1998) partindo do nível existencial ao espiritual, do plano mais denso ao mais sutil, perpassando as diferentes vibrações da consciência.
Nesse estudo, a arte se constitui como caminho, uma via, uma possibilidade, que se abre como um portal para favorecer a vivência da expansão da consciência do grupo implicado e, o processo muito importante, bem como a forma criada a partir da ação e da interação do sujeito no Campo Vibracional. Denomino “Arte Vibracional” ao conjunto de atividades expressivas, linguagens visuais e vibracionais - do qual me utilizo no curso analisado para acessar níveis mais sutis de percepção, seguindo a concepção de que há um “Espectro da Consciência” (1998) com vibrações e freqüências diferenciadas a serem alcançadas pelo sujeito que vivencia a proposta da “Rota de Ampliação da Consciência”.
A Arte Vibracional se propõe a atuar, além dos cinco sentidos, a partir de diferentes linguagens (imagens visuais, palavras, símbolos, música, som, dança, expressão corporal, respiração, movimento, silêncio, meditação, relaxamento, oração). Tendo como objeto
acentuar a sensibilização e o encantamento do viver dos sujeitos implicados nas vivências estéticas, corporais e simbólicas propiciada no Curso em análise.
Enquanto professora de arte, tenho clareza de que esta área de estudo, focada no paradigma do sensível abrange conteúdos específicos de conhecimento. A arte com sua linguagem própria, a artística, é tão importante quanto outras áreas de conhecimento (Não necessita servir de meio, uma abordagem dada ainda hoje à arte na educação) e, possibilita a aprendizagem no “Fazer” e no “Sentir”, sendo pelo “Sentir” que o ser humano se expressa e amplia sua visão de mundo; amplia sua consciência, a grande busca dessa pesquisa.
A proposta vivencial do Curso, instigado a partir da Arte Vibracional, desenvolveu- se por uma abordagem qualitativa de cunho transdisciplinar (Nicolescu, 2001, Morin, 2000 e Wilber, 1998) e pela Fenomenologia Hermenêutica (Gadamer, 1998), que permite interpretação da teoria com o processo empírico entendido aqui como vivência.
Sua proposta foi possibilitar Experiências Estéticas a partir da arte, da educação e da espiritualidade. Caminhos que permeiam a transcendência pelo sensível, os quais a emergência do sagrado passa a ser experimentado nas vivências estéticas, corporais e simbólicas (mitos e ritos).
As vivências, calcadas numa abordagem transdisciplinar e por procedimentos multidimensionais de ampliação de consciência, visam à construção de um ser humano integral, ético, social e cósmico. A referida abordagem pretende possibilitar a criação nos campos da arte e da educação, em que o conhecimento seja um acontecimento dado na conexão do campo sensível com o inteligível, sendo o corpo, em interação com o universo biocósmico, o mediador do processo.
Conforme Merleau-Ponty (2006, pag.14), “o mundo não é aquilo que eu penso, mas aquilo que eu vivo; eu estou aberto ao mundo, comunico-me indubitavelmente com ele, mas não o possuo, ele é inesgotável”. O autor nos diz que o mundo não é uma soma de objetos determinados, mas, horizonte latente de nossas experiências. O mundo é o que eu vivo, é algo inesgotável, sendo o corpo, meio de com ele se comunicar, assim como, ser o mediador do processo de conhecimento.
Nesse mundo inesgotável de que fala Merleau-Ponty, não podemos deixar de evidenciar os procedimentos multidimensionais, que pressupõem que somos transdisciplinares, capazes de transcendência e de flexibilidade, e esses são poderes latentes.
A palavra chave nessa abordagem, dentro da concepção pedagógica é “autoconhecimento” enquanto crença no potencial humano, em que a evolução é constante e
permanente na busca de ampliação da consciência, que começa com o processo de autotransformação, trabalho sobre si, para expressão fora de si.
Pretende-se assumir para essa autotransformação, que o amor seja a mola mestra da vida, pois amar é conhecer, não sendo possível conhecer sem amar. A aprendizagem e a educação ocorrem o tempo todo nas interações, na dialógica, na amorosidade das relações, na compreensão mútua, na solidariedade, nas atitudes de afetar e de deixar se afetar.
De acordo com Maturana (1999 - pág. 29): A educação vai ocorrer todo tempo no "convívio com o outro”, de maneira recíproca, ocorre uma transformação estrutural, contingente com uma história no conviver e na "troca afetiva".
A educação no momento contemporâneo pressupõe, portanto, consciência em expansão, consciência em que o cérebro atuaria como afloração dessa consciência, e, é a consciência de estar consciente que torna o homem fenomenologicamente um criador. A educação tem, então, prioridade de fazer com que se tenha sempre presente não apenas o “que” das coisas, mas, principalmente, o seu “para que” existencial. Segundo Maturana (1999, pág. 46) existe uma realidade transcendente que valida nosso conhecer e nosso explicar, e que a universalidade do conhecimento se funda em tal objetividade.
A presente pesquisa pressupõe assim, uma concepção de educação com um enfoque epistemológico em função da indissociabilidade existência - conhecimento, e outro existencial, enquanto uma das dimensões do sensível. Algumas idéias como a consciência em expansão, a multidimensionalidade e a ecologia profunda fundamentam a concepção de educação.
A consciência em expansão - significa que os fatos da mente são de natureza energética, envolvendo intuições, sensações, percepções, sentimentos e pensamentos em interconexão com o universo. A perspectiva social e cultural surge como responsabilidade pelo ambiente do qual fazemos parte junto com os demais seres do universo, em permanente processo de interinfluenciação.
A multidimensionalidade - nos remete a uma dimensão energética de ordem vibracional, de natureza contínua e sutil, enquanto sua manifestação é da ordem do plano das formas materiais, logo descontínua e fragmentada, mas junto a esse descontínuo está o contínuo, por isso, holográfico ou multidimensional. Manifesta-se como descontínuo, mas, sua apreensão é por meio do resgate da onda que todo descontínuo manifesta, logo envolve ainda, instâncias de realidade que vão dos níveis mais sutis, como a mente, o espírito e a consciência.
A criação da mente com os elementos do entorno vibratório em que se coloca se dá a partir de diferentes estados de ser, como é o caso dos corpos sutis, até o corpo mais denso, como o corpo físico. A multidimensionalidade tem a ver, também, com a idéia de “Ecologia Profunda” a qual se remete Capra (1997) e outros autores, desdobrada em ecologia interior, social e planetária, que denomino Estética Biocósmica - enfoque que se desloca de uma concepção antropocêntrica, para uma concepção cósmica.
A pesquisa tenta assim viabilizar uma “Educação Transdisciplinar” (Nicolescu, 2001), capaz de desenvolver reflexões profundas não somente a respeito do Ser, enquanto Ser que "deve ser" e "saber fazer", mas um Ser "que é", Ser pertencente e em permanente interação com seu meio. Pressupõe ainda, uma educação que procura constantemente ampliar a compreensão da realidade no sentido de apreendê-la na sua totalidade, na sua complexidade e transcendência.
Segundo Morin (2001), para conhecer a realidade é necessário conhecer a complexidade das coisas, ver a realidade de outra forma, de forma complexa e transcende-la. Por outro lado, "não basta saber, conhecer, tem que ser", e isso nos remete a idéia de que para conhecermos a realidade não basta pensar complexo, mas viver a complexidade na inteireza de nosso ser, em nossa existência.
Dilthey (1987) em sua obra questionou a vida psíquica e criou o princípio de “totalidade da vida psíquica”. Princípio que unifica intuição e razão dando ao ser e as suas manifestações psíquicas a unidade, negada e dissociada pela filosofia clássica de consciência. O autor, ainda, substitui o conceito de representação da vida psíquica pelo conceito de vivência.
Afirma o autor, que na “filosofia da vida”, “filosofia da experiência” ou “filosofia da realidade”, os fatos da consciência não resultam de operações intelectuais, de representações que não podem nos oferecer a realidade plena e total, procedente apenas do cumprimento das exigências vitais, impostas ao nosso conhecimento por nosso psiquismo.
O autor afirma que o valor do conhecimento da oposição do eu e do objeto não é também o de um fato transcendente, senão que o eu e o outro ou exterior são precisamente nada além do que é contido e dado nas experiências da própria vida. O que podemos perceber, é que a realidade vai confundir-se com a vivência, pois o que é real é vivenciado, assim como, o que é vivenciado é realidade.
A metodologia empregada visa, portanto, a ressaltar a importância do método, na construção de uma estética e de uma educação enquanto formas essenciais de conhecimento. Aprofunda nossa relação com a vida, de forma que permeia o imaginário e o mundo real,
possibilitando por meio do processo multidimensional, a ampliação da consciência para uma nova visão e abordagem da realidade.
Essa pesquisa de doutorado - Consciência Cósmica - Educação Transdisciplinar e Estética Biocósmica configurando a Imaginação simbólica e o Ser Multidimensional utilizou- se de entrevistas, registros escritos, assim como, de fotos, imagens e filmagens dos seminários vivenciais realizados no Curso de Formação Multidimensional e Ampliação da Consciência, criado e desenvolvido pela pesquisadora.
Participam da investigação 12 alunos do nível I, selecionados aleatoriamente e que tiveram seus materiais analisados, a partir de suas vivências estéticas, corporais e simbólicas vivenciadas no Curso. A busca de compreensão e interpretação dos dados da pesquisa se constitui à luz da filosofia hermenêutica de Gadamer (2002) e da semiótica de Greimas (2001).
A experiência da arte, de acordo com Gadamer (2002), garante a verdadeira amplidão do fenômeno de compreender. Todo aquele que vive uma Experiência Estética acolhe em si à plenitude dessa experiência, acolhe-a no todo de sua autocompreensão, sendo o resultado do processo da experiência algo que significa para o Ser. Nesse sentido, o que se pode entender é que a experiência da arte implica tanto na autoformação, na formação, quanto na ampliação da consciência.
Assim na experiência da arte busco compreender às diferentes dimensões de consciência do Ser, a manifestação da Consciência Cósmica a partir das vivências estéticas, corporais e simbólicas. A hermenêutica passa a englobar a Experiência Estética encontrando legitimidade na experiência de constituição de sentido. Nessa pesquisa, o sentido é construído a partir da Arte Vibracional, que possibilita promover uma “Jornada Arquetípica” de transformação ao sujeito por uma “Rota de Ampliação da Consciência”.
O conceito de “hermenêutica” empregado aqui designa a mobilidade fundamental da “pré-sença”, a qual perfaz sua finitude e historicidade, abrangendo assim o todo da experiência de mundo. Conforme Gadamer (2002, pág.16):
A mobilidade fundamental da “pré-sença” o fato de o movimento da compreensão ser abrangente e universal não é arbitrariedade nem extrapolação construtiva de um aspecto unilateral; reside na natureza da própria coisa.
O autor afirma que a realização efetiva da compreensão que abarca, desse modo, também, a experiência da obra de arte, ultrapassa todo historicismo no âmbito da Experiência Estética e o caráter originário da significação vital passa para a experiência reflexiva da significação, da formação pelo conceito da não-diferenciação estética.
Mesmo em outros contextos, a universidade do aspecto hermenêutico não se deixa restringir ou podar pela arbitrariedade. Gadamer diz que não foi um mero artifício de composição partir da experiência da arte para garantir a verdadeira amplidão do fenômeno do compreender.
Assim, a compreensão jamais é um comportamento subjetivo frente a um “objeto” dado, mas pertence à história efeitual e isto significa que pertence ao ser daquilo que é compreendido, sendo a compreensão que se dá na leitura de um texto, interpretação. De acordo com Gadamer (2002.) toda re-produção já é interpretação desde o início e quer ser correta enquanto tal. Nesse sentido, também ela é “compreensão”.
Compreender e interpretar textos não é alguma coisa reservada apenas à ciência, mas pertence ao todo da experiência do Ser no mundo. O que Gadamer apresenta como a universalidade do aspecto hermenêutico, e, sobretudo o que expõe a respeito do caráter próprio da linguagem como a forma de realização do compreender, abarca tanto a consciência “pré-hermenêutica” quanto todas as formas de uma consciência hermenêutica.
Mesmo uma apropriação ingênua da tradição acaba sendo um “passar adiante o dito”, embora não possa ser descrita como “fusão de horizontes”. O que podemos entender é que o fenômeno da compreensão impregna não somente todas as referências humanas ao mundo, mas apresenta uma validade própria também no terreno da ciência, resistindo à tentativa de ser transformado em método da ciência.
O conceito de hermenêutica, de acordo com Gadamer (2002), não tem o sentido de uma doutrina de método, mas é colocado como uma teoria da experiência real, que é o pensamento, suas análises do jogo ou da linguagem são pensadas de forma puramente fenomenológica. Para o autor o jogo não surge na consciência do jogador, e enquanto tal é mais do que um comportamento subjetivo. “É justamente isso que pode ser descrito como uma experiência do sujeito e não tem nada a ver com ‘mitologia’ ou mistificação”.
A hermenêutica se coloca contra a pretensão de universalidade de metodologia científica, seu propósito é rastrear por toda a parte a experiência da verdade, que ultrapassa o campo de controle da metodologia científica, e indagar por sua própria legitimação onde quer que se encontre. É assim que as ciências do espírito acabam confluindo com as formas de experiência da filosofia, com a experiência da arte e com a experiência da própria história.
São modos de experiência nos quais, se manifesta uma verdade que não pode ser verificada com os meios metodológicos da ciência.
Gadamer afirma que os estudos sobre hermenêutica que partem da experiência da arte e da tradição histórica procuram demonstrar o fenômeno da hermenêutica em toda a sua envergadura. Importa reconhecer nele uma experiência de verdade, que não só deverá ser justificada filosoficamente, mas que é ela mesma, uma forma de filosofar.
Ao se tomar a compreensão como objeto de reflexão, o propósito é rastrear por toda parte a experiência da verdade, que ultrapassa o campo de controle da metodologia cientifica. A idéia é focar naquilo que se transforma o tempo todo, no processo que envolve as transformações do Ser, e essa é a uma lei geral da nossa vida espiritual.
Mas as perspectivas que resultam da experiência da mudança do Ser e histórica estão sempre correndo o risco de ser distorcidas, por esquecerem a ocultação do permanente. Gadamer afirma que vivemos numa constante superexcitação de nossa consciência histórica. Conforme coloca não é só porque a tradição histórica e a ordenação natural da vida constituam a unidade do mundo em que os homens vivem; o modo como experimentamos uns aos outros, como experimentamos as tradições históricas, as ocorrências naturais de nossa existência e de nosso mundo, é isso que forma um universo verdadeiramente hermenêutico. Nele não estamos encerrados como entre barreiras intransponíveis; ao contrário, estamos sempre abertos para o mundo.
Uma reflexão sobre o que é a verdade nas ciências do espírito não pode querer, pela reflexão, subtrair-se à tradição, cuja vinculabilidade descobriu. Por isso, o Ser deverá exigir que sua própria forma de trabalho adquira tanta autotransparência histórica quanto lhe for possível. Gadamer afirma que esforçando-se para entender o universo da compreensão melhor do que parece possível sob o conceito de conhecimento da ciência moderna, a reflexão deverá encontrar um novo relacionamento também com os conceitos que ela mesma utiliza.
Deverá conscientizar-se de que sua própria compreensão e interpretação não é uma construção a partir de princípios, mas o aperfeiçoamento de um acontecimento que já vem de longe. Assim, os conceitos que utiliza não poderão ser apropriados acriticamente, mas deverá adotar o que lhe foi legado do conteúdo significativo original de seus conceitos.
Afirma Gadamer que, ao contrário, a conceptualidade em que se desenvolve o filosofar já sempre nos possui, da mesma forma em que nos vemos determinados pela linguagem em que vivemos. Assim, conscientizar-se desse pressuposto pertence à honestidade do pensamento. É uma nova consciência crítica que a partir daí deve acompanhar todo o filosofar responsável, colocando os costumes de linguagem e de pensamento que se formam
para o indivíduo na comunicação com o seu mundo circundante diante do fórum da tradição histórica das quais todos nós fazemos parte.
As ciências do espírito estão longe de se sentirem simplesmente inferiores às ciências da natureza. De acordo com Gadamer (2002) na herança espiritual do classicismo alemão elas desenvolveram, antes, a consciência de orgulho de serem o verdadeiro suporte do humanismo. A época do classicismo alemão não trouxe consigo apenas à renovação da literatura e da crítica estética, que superou o ideal de gosto barroco e racionalista, mas deu também um conteúdo fundamentalmente novo ao conceito de humanidade, esse ideal da razão esclarecida. Assim surge o ideal de uma “formação para o humano”, preparando o terreno sobre o qual se desenvolveu, no século XIX, as ciências do espírito históricas.
O “conceito de formação”, que naqueles tempos avançou um valor predominante, foi, sem dúvida, o mais alto pensamento do século XVIII, e esse conceito caracteriza o elemento em que vivem as ciências do espírito do século XIX, mesmo que não saibam justificar isso epistemológicamente.
Assim como o conceito de formação, Gadamer diz que conceitos como “arte”, “história”, “criatividade”, “cosmovisão”, “vivência”, “gênio”, “mundo exterior”, “interioridade”, “expressão”, “estilo”, “símbolo”, guardam em si um grande potencial de