As mulheres entrevistadas majoritariamente são donas de casa residentes na comunidade. O número de famílias totaliza em 32, sendo que o nosso dado amostral abarcou menos que 50% desse total, ou seja, 12 entrevistadas pelo motivo de algumas casas estarem desocupadas.
Vale salientar que a realização dos questionários, entrevistas, as conversas informais e observações em campo, deram-se nos meses de março, abril, junho e outubro do ano de 2009 e em junho e agosto do ano de 2010.
Na pesquisa realizada na comunidade, não houve critérios de escolha, haja vista que trabalhei em uma pequena comunidade, como também não defini critérios de idade, embora tenha surgido, naturalmente, mulheres pertencentes à faixa etária
entre 20 e 70 anos. As entrevistas continham informações sobre estado civil, idade, número de filhos, história de vida, origem, características gerais da família, o problema da falta de água, o nível de escolaridade, políticas publicas para as mulheres, condições de vida, criação de animais, divisão de tarefas, o cotidiano das mulheres, as relações sociais, o trabalho no roçado e na casa, bem como, se desempenham outras atividades.
Todas as entrevistas foram gravadas em concordância da mulher. O contato se iniciava com uma breve apresentação sobre o objeto de estudo. Antes de iniciar o roteiro das entrevistas, eram realizadas perguntas de maneira informal, deixando a mulher falar bem mais à vontade, lembrando que na maioria das entrevistas realizadas na comunidade os homens (os maridos ou familiares) faziam questão de contribuir no desenvolver das questões direcionadas para as mulheres, onde em alguns casos, pela timidez a mulher sempre recorria ao marido, que sempre se posicionava ao lado da mulher.
Figura 35 – Dona Socorro e o roçado: “a minha fia eu amo meu roçado, adoro plantar no meu roçado, eu me sinto muito feliz dentro do meu roçado, agora se fosse só pra trabalhar no roçado era bom demais, mas tem que fazer o serviço de casa .Agora aqui ta e bom a prefeitura tem obrigação de comprar 30% de agricultura familiar para a merenda escolar, esse foi um projeto de o meu Lulinha adotou que as prefeituras tem que comprar 30% da agricultura familiar pra merenda das escolas,” Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.
Figura 36 – Quintal de Dona Socorro: “Esses saquinhos para não jogar no lixo ai, eu aproveito eles pra fazer a muda, esses sacos jogados ai atura muito pra desmanchar ele, o lugar de tá jogando ai eu aproveito pra muda, tem que aproveitar né. Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.
O cotidiano das mulheres da comunidade mostrada no cenário das entrevistas traduz em um espaço que envolve a casa, o quintal e o roçado. De acordo com a pesquisa in loco, observou-se que as atividades diárias realizadas pelas mulheres começam sempre às cinco horas da manhã, algumas até mais cedo como ilustra os relatos a seguir:
“aqui todo dia e mesma coisa, me levanto de 04:30 da manhã ai vou logo pro meu roçado, ai depois vou tomar conta das galinhas, ai tomo conta da minha horta, porque da horta a mulher que sabe cuidar eu mesmo não deixo ninguém tomar conta só eu, fico até 8:00, 9:00, 10:00 hora dentro do meu roçado, ai depois vou cuidar do almoço, limpar a casa, lavar roupa, ai quando termino já e quase boca da noite mas ainda fico no quintal com meus bicho.” (Dona Socorro, agricultora, 57 anos)
“bem minha fia a minha aqui na comunidade, e fazendo minha tarefas de todo dia, ai me levanto logo cedinho de 05:00 horas, dou comida as minhas galinhas, aos meus porco, ai depois tiro água da cisterna para jogar no terreiro ai a depois varro todo o terreiro e as portas, ai depois apronto o café, depois vou ajeitar o almoço, ai depois vou cuidar da minha horta, vou por roçado, quando volto costurou algum remendo nas roupas, ai o dia todo no serviço não paro, já chegando a tardinha vou ajeitar a janta, arrumar a cozinha, ai já é quase de noite sento um pouquinho pra ver minha novela. (Dona Salete, agricultora, 59 anos)
Figura 37 – Dona Socorro: mostrando o fogão que utiliza o Biogás. “a minha fia a gente aqui economiza muito, pois o fogo que sai dele e igual o fogão de gás, e muito bom mesmo.. Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.
Figura 38 – Dona Salete: cuidando das fruteiras e sempre mantendo limpo o seu quintal. Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.
Figura 39 – Dona Maria José: em seu quintal mostrando parte dos pés de fruteira que a mesma toma de conta. Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.
Mesmo quando estão realizando algumas tarefas domésticas, continuam a conviver com o terreiro cuidando das galinhas.
Quando ela esta em casa, o espaço onde permanece mais tempo, é a cozinha, local que é mais acessível apenas para as pessoas da família ou do circulo mais intimo. Portanto a cozinha é que pertence a ela, é um espaço dela, espaços que são delimitados pelo gênero, já a sala é um espaço mais masculino, é lugar onde o esposo geralmente recebe as visitas, principalmente quando se trata de negócios.
É o homem que recebe a visita, ficando muitas vezes a mulher só na escuta, a sala e o ambiente onde o marido senta para repousar, ouvir rádio, assistir televisão e também conversar com os amigos vizinhos.
De acordo com Herédia (1979, p.95) esclarece esse fato quando diz que “embora toda a casa seja um espaço feminino (...) existem espaços mais masculinos ou mais femininos que outros. A cozinha é o espaço feminino por excelência, assim como a sala é o mais masculino dentro da casa”. Inicialmente observamos que alguns de muitos acessórios utilizados por elas ocupam o espaço da cozinha como, por exemplo, a máquina de costura.
Figura 40– Maquina de costura: Dona Salete em sua cozinha, mostrando sua maquina de costura. Lajedo de Timbauba, Soledade-PB. Fonte: Rute Vieira, agosto de 2010.