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Oppsummering og konklusjon

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A demanda partiu inicialmente do interesse de três catadores ligados à Diretoria da ASCAMPA que solicitaram “algum tipo de trabalho” que pudesse unir os catadores da Associação bem como agregar os catadores individuais para, quiçá, criarem uma Cooperativa, tendo em vista o terreno doado pela Prefeitura de Palmas para este fim.

Esta solicitação chegou até à pesquisadora resultante de um Projeto executado anteriormente via NESol/UFT que criou estratégias de aproximação com o grupo de catadores da ASCAMPA desde o ano de 2009.

Neste cenário, juntou-se à demanda da Diretoria, representante do coletivo da Associação uma vez que os membros da Diretoria são também catadores, e à demanda do LPCT/UnB por estudos em Clínica Psicodinâmica da Cooperação via tese de doutorado.

A demanda da Diretoria foi sendo reconstruída ao longo das sessões, uma vez que na primeira reunião, quando foi feito o convite para a Clínica da Cooperação, já se explicou o

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objetivo deste trabalho, que é estudar as relações existentes entre a organização do trabalho e o sofrimento psíquico. Acredita-se que é através da palavra que o grupo poderá reagir às questões que os afligem, tal como a pouca participação dos catadores na Associação, o desejo de criação de um grupo que trabalhe unido para criar a Cooperativa, a ocupação do terreno doado, a falta de confiança entre os catadores, a coragem para discutir o que está obscuro e confuso na Associação, sobretudo no que tange à gestão da ASCAMPA, dentre outras.

Assim, ao iniciar a Clínica com os catadores da ASCAMPA, já se sabia de antemão, devido aos trabalhos anteriores da pesquisadora com a Associação, que seria uma Clínica Psicodinâmica da Cooperação, pois não havia catadores adoecidos pelo trabalho, muito pelo contrário, o que se via eram trabalhadores que tinham resgatado a sua saúde através da atividade de catadores – ser membro da Associação os fazia pessoas reconhecidas pela sociedade, pois, em sua maioria, são pessoas que nunca trabalharam com carteira assinada, sempre viveram à margem da sociedade, em atividades remuneradas informais. Considera-se, então, que a análise da demanda, neste caso, se iniciou muito antes da reunião inicial no dia 20 de janeiro de 2012.

Esta é a primeira experiência do LPCT/UnB com a Clínica Psicodinâmica da Cooperação seguindo o método proposto por Mendes e Araujo (2011, 2012). Ressalta-se que Medeiros (2012) também aplicou o método, porém com pequenos ajustes, sobretudo na supervisão, que foi a cada duas sessões, e a avaliação após a Clínica, que não foi realizada. As demais experiências do referido laboratório são, em sua maioria, com a Clínica das Patologias, onde acontecem, nas primeiras sessões, uma demanda para acolher o choro, o silêncio e a apatia, pois são trabalhadores geralmente fragilizados (Santos-Junior et al., 2009).

No caso da Clínica Psicodinâmica da Cooperação com os catadores, o que houve nas três primeiras sessões foi um desabafo coletivo dos incômodos imediatos dos catadores, no caso, as multas da prefeitura devido aos focos de mosquitos da dengue tanto na Associação quanto nas residências dos catadores. Diante de uma problemática tão pontual, a clínica- pesquisadora confundiu seu lugar, ou talvez, a inexperiência com a clínica, sobretudo com a escuta qualificada, a tenha feito sair deste lugar da escuta, para o da ação, tal como fazia anteriormente, como professora coordenadora no projeto executado via NESol/UFT. Destaca- se aqui a importância da formação do clínico e a supervisão, itens que serão abordados mais adiante.

Os catadores, por sua vez, também confundiram o espaço da Clínica neste início. Na segunda sessão, trouxeram um grupo de pesquisadores de uma ONG interessado em conhecer o trabalho deles e, quem sabe, poder ajudá-los. Como estavam desarticulados, sem reuniões

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próprias na Sede, dois catadores da Diretoria tomaram a decisão de convidar a equipe para participar da Sessão de Clínica. Sendo ainda a terceira sessão, a pesquisadora também não soube o que fazer, e deu prosseguimento à sessão. Em supervisão, analisou-se esta tomada de decisão como inapropriada, pois feriu o compromisso ético e de sigilo com o grupo. Assim, na quarta sessão fez-se um recomeço, esclarecendo o espaço da Clínica e, sobretudo, a pesquisadora desculpou-se pela atitude tomada.

Neste momento do estudo, chegou-se a cogitar a possibilidade de a pesquisadora não dar conta da escuta ou de separar os papeis de professora e de clínica-pesquisadora. Então, investiu-se na formação clínica e na supervisão local para que estas arestas fossem aparadas.

Vivenciou-se, assim, de ambos os lados – catadores e pesquisadora – o vazio que a demanda proporciona. Vazio da pesquisadora por perceber que o movimento dos catadores para a mobilização era deles e não dela. Vazio dos catadores porque tiveram que olhar para si, sem a ajuda da ONG, da Universidade, da Prefeitura ou de Deus, como sinalizavam. Esta realidade vai ao encontro do que Mendes e Araujo (2011; 2012) descreveram:

...a demanda, tal como a definimos, manter-se-á em análise ao longo de toda a prática clínica. Isso porque, para a emancipação, é fundamental aceitar que a demanda nunca será satisfeita, que está além do objeto da necessidade, uma vez que se articula ao desejo, ou seja, quanto mais a demanda se desenvolve, mais vazio se experimenta, já que o desejo se constitui na falta (Mendes & Araujo, 2012, p. 55).

Aqui está também a diferença apontada por Périlleux (2013) entre a potência da Clínica e a ação Política, pois, para o autor, há dimensões opostas entre a clínica e a política. “A intervenção clínica se dá sobre uma outra ‘cena’ diferente do questionamento político. Não há continuidade direta de uma para outra; mas há um vínculo que deve ser mantido” (Périlleux, 2013, p. 80). Ao iniciar uma escuta clínica do sofrimento, não há como se saber se haverá algum tipo de mudança naquele grupo, se vai acontecer alguma ação política. O que se sabe é que a clínica tem potência para tal, mas não garante, diferente de vários programas ou intervenções que são vendidos prometendo análise do problema e solução rápida para tal. “No caso da clínica, seria mais o caso de fazer viver os problemas, mantendo ativas as questões que os animam subterraneamente” (Périlleux, 2013, p. 87).

O fato de na Clínica não se ter soluções antecipadas para a urgência da demanda nem ter o clínico como prescrever o que deve ser feito para que a organização do trabalho mude demonstra a dura tarefa que o grupo precisa vivenciar. Assim, “a clínica é um processo em permanente construção, inacabado e interminável. Buscar a mobilização do coletivo é ponto de partida para o grupo encontrar seus caminhos e delinear seus destinos” (Mendes & Araujo,

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2012, p. 55). E a forma como o clínico-pesquisador age e reage às falas é imprescindível para esta mobilização acontecer. Por isso, neste estudo, descobrir o lugar do clínico, aprender a fazer a escuta clínica, retomar à demanda em vários momentos foram habilidades possibilitadas apenas com a supervisão, estudos e sabedoria para reconhecer os limites e as possibilidades durante a caminhada.

Com o distanciamento que esta Clínica permitiu a esta pesquisadora, após a última sessão e a escrita deste texto, agora, quase um depois, se vê a posição hierárquica tomada nas primeiras sessões, ainda vinculada à atividade anterior (de professora, coordenadora de projeto), situações não percebida durante estas intervenções. Como pontuou Périlleux (2013), o lugar do clínico entra em tensão com o do perito, com aquele que possui um suposto saber; este, por sua vez, talvez como esta pesquisadora naquele momento, não suspendeu o saber durante a escuta clínica. Percebe-se que todos estes movimentos foram demandas da clínica- pesquisadora pontuadas nas supervisões. Destaca-se, assim, que a demanda, portanto, não é só do coletivo que participa das sessões, é também do pesquisador.

4.3.3 Instituição das regras de conduta do coletivo de pesquisa e do

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