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Oppsummering med tilrådninger

Trecho de capa da Revista Ana

Maria. São Paulo, 538. 2 de

reflet irm os, perm it indo a penet ração da espacialidade no pensam ent o, not arem os que as conexões que fazem os ent re/ com discursos, textos, falas e atos se dão de form a m ais assim ét rica. E, nesse cont ext o, se propõe dissim et ria não com o opost o de sim et ria, e sim com o um out ro m odo de at uar. Essas coleções de saberes, segundo Foucault ( que t am bém nos ensina que saber é poder, pois ele, o saber, t em um poder de ação) fazem desse poder, um discurso ideológico ao desconsiderar o não dit o no discurso, as rupt uras, descont inuidades e os recort es que há nele.

Ainda com referência em Foucault ( 2002) , aprendem os que as m icrofísicas dos poderessaberes são m uit as em lugares diversos. O saber/ poder ocorre em configurações de m icros poderes, com o gest os, com port am ent os, falas. A m icrofísica do poder diz que não há um poder cent ralizador e sim que som os o t em po t odo “ vigiados” uns pelos out ros, colegas - professores, guardas, pais, filhos, secret ários, diret ores, cidadãos... ( obviam ent e t al fat o, por m uit as vezes, é necessário, dependendo do cont ext o) . Em t odas as m icrofísicas do poder coest á, t am bém , o saber da m ídia e da educação que int erferem no que est udar, com er, consum ir.

Refletir poder/ saber e m icrospoderes leva a dialogar com CANCLI NI ( 2003) e SAI D ( 2005)28, que cont inuam essa reflexão para t oda e qualquer form a de poder, m esm o o poder dos denom inados

nat ureza, v. determinismos, p. 113) são regidos por um a finalidade, fins ou obj etivos

últ im os com o princípio explicat ivo de toda organização e transform ação.

27 Fenôm eno no sent ido de Charles Sanders Pierce: tudo que aparece a nós, tudo que acontece, m esm o antes de se tornar cognoscível. Pierce ( 1839 – 1914) é considerado um Leonardo da Vinci do século XI X, por inúm eros estudiosos. Foi filósofo, m at em át ico, quím ico, criador da ciência dos signos, cientista, físico, ast rônom o, filólogo, sabia m ais de dez línguas. Estudou e desenvolveu a Fenom enologia, Hist ória, Linguíst ica. Conhecia todas as ciências de sua época. 28 Edward Said ( 1935- 2003) foi um pensador da cultura, considerado um dos m aiores int elect uais palest inos ( essa reflexão dele foi assist ida em um docum entário em 2005, na Mostra SESC de Artes Mediterrâneo) . Nascido em Jerusalém e “ exilado” nos Est ados Unidos. Dizia que o Oriente é um a representação dos países ocidentais que nada tem a ver com a realidade. Árduo defensor da causa palestina, todavia acreditava que j udeus e árabes deveriam viver num m esm o país. Nestor García Canclini é antropólogo, professor, dirige o Program a de Estudos sobre Cultura Urbana do Departam ento de Antropologia da Universidade Autônom a Met ropolit ana, no Mexico. Minist rou cursos em diversas universidades, nos Estados Unidos, Espanha, França, I t ália, Brasil e Argent ina.

oprim idos e excluídos. SAI D em seu depoim ent o discut e quest ões com o m oral, j uízos de valor, a fisicalidade da vida, da m ort e, da guerra, para dizer que nenhum a form a de poder é bem - vinda. CANCLI NI ( 2003) , m igrando pelo pensam ent o de FOUCAULT, quest iona a visão unidirecional das m ídias e o popular com o sendo passivo e subordinado.

“ ... a hegem onia cult ural não se realiza m ediant e ações vert icais, nas quais os dom inadores capturariam os recept ores. A com unicação não é eficaz se não se inclui t am bém int erações de colaboração e t ransação ent re uns e out ros” . ( CANCLI NI 2006: 60) .

O aut or desenvolve suas proposições ao m ostrar que os processos m ídia- educação- população são m ais com plexos do que

“ m eios m anipuladores e dóceis audiências” ( CANCLI NI 2006: p. 62) .

Professores e profissionais das m ídias, na sua grande m aioria, aceit am , consent em com um a subordinação recíproca. Am bos segm entos são part e do sist em a que dá sust ent ação aos valores desses m odos de saber/ poder que se processam com m et áforas que inviabilizam a em ancipação do aluno.

Port ant o, falar de discursos inadequados que ocorrem nesses am bient es m idiát icos e educacionais e que se dão por m eio de m et áforas e at it udes, t am bém inadequadas, é apontar para as m ult iplicidades de ocorrências sim ult âneas, em um det erm inado acont ecim ent o que est ão em relação e em at ividade, t endo com o elem ent o de aplicação os corpos. E, com o um dos argum ent os da pesquisa é de que se houver cont inuidade com o descuido de conceit os que são com unicados, m ant er- se- á a inabilit ação do educando para a pot ência e reflexão crít icas. Daí a necessidade de um a at it ude crít ica de t odos para fazer perceber um a rede de relações ( no que diz respeit o ao ent endim ent o do corpopessoa) , na qual e da qual t odos fazem part e e não apenas “ sofrem ” um a ação. A com plexidade de int ercâm bios de m icroconfigurações de

poderes/ saberes precisa t ornar- se t ranslúcida, precisa ser not ada, precisa ser m ost rada aos educandos. Vej am os est a propost a:

“ O problem a não est á sim plesm ent e num a ret órica que presum idam ent e influencie ou aliene as m assas ( com o se essas efet ivam ent e absorvessem “ inform ação” t elevisiva e não dispusessem de est rat égias de defesa cult ural, em sua dinâm ica de het erogeneidade) . O problem a sit ua- se na presença concret a e na penet ração veloz de um sist em a indust rial- financeiro...m as de m odo desarm ônico e excludent e, est rut uralm ent e violent o – devido a sua dist ância econôm ica e social...” ( SODRÉ 2006: 55)29.

Muit o em bora, a t om ada de consciência para essas relações sej a im port ant e, é insuficient e. Com o nos alert a ROSE ( 2005) , saber ou conhecim ent o não é t ão som ent e para ser adquirido, precisam os conseguir int erferir neles. Tem os a capacidade de pensar o pensam ent o, o que o t orna t em porário e passível de revisão.

Porém , sabem os que, com relação a crianças, j ovens e com m uit os adult os, há sim um a at it ude de dom inação por part e de quem pode/ sabe. I nfelizm ent e, as relações sociais não são igualit árias, em t erm os de acesso à Educação, Saúde, bens de com pra ou ao pensar de m aneira reflexiva e crít ica...

Vale reafirm ar que um a das hipót eses da t eseaula é a de enquant o não houver um a t om ada de consciência para essa posição vigent e, não haverá um a propost a de m udança de com port am ent o. Ressalt em os est a reflexão de Daniel Dennet t ( 2006: 58) :

“ Conhecim ent o é realm ent e poder, para o bem ou para o m al. O conhecim ento pode ter o poder de rom per padrões ant igos de crença e ação, de subvert er a aut oridade, de m udar as m ent es. Pode int erferir com t endências que são ou não desej áveis” .

29 Muniz Sodré é escritor, j ornalista e professor- titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem sido professor- convidado em várias universidades estrangeiras.

Um foco para noção de ideologia. Na sua acepção m ais geral ideologia é o conj unt o de princípios, convicções de diferent es nat urezas ( religiosa, m oral, polít ica, econôm ica, ent re out ras) que refletem os interesses de um grupo ou pessoa. BALKI N30 ( 1998) traz a idéia de ideologia com o capacidade cognit iva, ou sej a, é um m odo de pensar ( que, segundo ele, m ant ém relações sociais inj ust as) .

“ Para ent ender o que sej a ideológico precisam os de um a idéia não apenas do que sej a verdadeiro, m as t am bém do que sej a j ust o. Crenças falsas a respeit o de out ras pessoas, não im port am quão erradas e pouco lisonj eiras, não são ideológicas até que possam os dem onst rar que elas t êm efeit os ideológicos no m undo social. Para dem onst rar isso, é preciso saber algum a coisa sobre a relação entre o pensam ent o da pessoa e as condições exist ent es de poder social, j á que isso dá o necessário am bient e para considerar questões de j ust iça e inj ust iça” ( 105) .

Buscando refletir a quest ão da ideologia dos saberes/ poderes das m ídias e da educação, que se propaga com o um a epidem ia nos corpospensant es de crianças, j ovens e m esm o adult os, dialoga- se com ZI ZEK31 ( 1996) que const at a, em piricam ent e, a t enaz, voraz e

com pet ent e ideologização, invisível, a olhos não at ent os, ou, a olhos que não querem ver. Slavoj Zizek relat a que ideologia não pert ence a um lugar privilegiado e t am pouco isent o das pert urbações sociais cot idianas, ela é m at erialidade que se propaga com o um a epidem ia sem cura, nos corpospensant es de crianças, j ovens e m esm o adult os. Para t al ela perm anece ocult a, em t rânsit o perm anent e ent re visibilidade e invisibilidade. A ideologia que t ranspira os conceit os que se quest iona, est á no conj unt o de saberes que são ensinados e na própria est rut ura das relações de coexist ência e convivência das pessoas. Nossa t arefa é buscar est arm os atentos para o fenôm eno,

30 Jack M. Balkin é filósofo e professor de Direit o Const it ucional na Universidade de Yale/ EUA. É fundador e dirige Centro de Estudos sobre as im plicações das novas tecnologias, I nternet e telecom unicações na sociedade e nas leis.

alert ar e alert arm o- nos para est a presença, em bora não t ransparent e.

“ A ideologia assim reduzida a um discurso vago e descom prom issado nem por isso se t orna m ais t ransparent e e, t am pouco, m ais fraca. Just am ent e sua vagueza, a aversão quase cient ífica a fixar- se em qualquer coisa que não se deixe verificar, funciona com o inst rum ent o de dom inação” ( ADORNO e HORKHEI MER

2006: 122) .

Pergunt a:

“ PRA QUE EU PRECI SO ESTUDAR ESSAS

COI SAS? SERVEM PRA QUÊ?” .

Respost a:

“ PARA PASSAR DE ANO” .

Pai e filho no ônibus. Bertioga/ SP ( 2004) .

O espect ro da ideologia est á present e em sua m ult iplicidade de designações e enunciados. Meios de com unicação e professores est ão invest idos de um aval de sabedoria, ao replicar m em es ( m et afóricos) que const it uem um poder hierárquico que am edront a quem não se insere no seu “ estilo” , com a am eaça de ficar na m arginalidade. Longe de ser t rágica est a const at ação, ela perm it e que se ent enda t am bém , nesse cont ext o, o corpo com suas invisibilidades operant es. Se pudéssem os enxergar, a olho nu, o que acont ece conosco logo ali, quase escancaradam ent e, na pele e na carne, veríam os os sistem as biológicos, quím icos, em ocionais, int elect uais em m ovim ent o... ideológico. Cont inuem os a não esquecer a quest ão do poder aí em but ido. Nas relações educacionais e m idiát icas fica evident e a obediência, em grande part e, forçadam ent e irrest rit a a norm as as m ais díspares e desvinculadas dos processos

31 Slavoj Zizek é filósofo, pesquisador, escritor e professor- titular do I nstituto de Sociologia da Univesdade de Liubliana. Publicou vários livros e art igos em diversos países sobre cult ura, com port am ent o, polít ica, ét ica, ent re out ros.

dos corpos. Forçadam ent e porque não é da natureza dos corpos serem de t al m odo subm issos, com o se houvesse um vet or unidirecional que influencia algo ou alguém , ou um a repet ição aut om át ica de um m odelo.

Ao “ aceit arm os” o que nos é dit o ou ensinado ou ao nos assem elharm os ao out ro, tornam o- nos diferent es. Um a m esm a pessoa faz um a assinat ura diferent e de um a out ra ant erior.