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Oppsummering av fasene

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6. Utformingsfasen

8.1 Oppsummering av fasene

A política de incentivo fiscal teve impacto no aumento da produção de longas- metragens. Essas obras financiadas pelo poder público alcançaram diversos níveis de inserção no mercado de salas de exibição. Algumas com grandes público, no entanto, a grande maioria atingiu quantidade pouco relevante de espectadores. Nesta seção, será feita a análise do conjunto dessas obras, observando qual perfil é rentável com relação aos recursos captados.

Para essa análise, observou-se a eficiência do gasto público a partir da faixa de espectador em que a obra se encontra; ou seja, de acordo com o público auferido no mercado de salas de exibição. Sendo assim, essas obras foram agrupadas em quatro grupos específicos. O primeiro conta com as obras que obtiveram público superior a um milhão de espectadores nas salas de cinema (obras com grande potencial de público). O segundo, inclui a faixa entre 500 mil a um milhão (obras com número de público mediano) e, o terceiro, entre 100 mil a 500 mil (obras de público intermediário). O último grupo é composto por filmes com público inferior a 100 mil pagantes (obras com baixos níveis de espectadores).

Fonte: ANCINE. Elaboração Própria

Constatou-se inicialmente, conforme Gráfico – 8, que no grupo com grande público auferido encontrou-se apenas 61 obras do total de 1007 lançadas no período, o que representou aproximadamente 6% do total. Em contrapartida, os filmes que apresentaram menos que 100 mil espectadores representaram cerca de 80% das obras lançadas. Isso significa que apesar do crescimento do número de obras nacionais lançadas no decorrer dos anos, grande parte acabou alcançando público pouco representativo. Se o terceiro grupo, com faixa de 100 mil a 500 mil, que apresentaram 11 % de participação no período, for considerado pode-se dizer que cerca de 90% dos filmes tem público inferior aos 500 mil.

Um dado que chama atenção, observando essa distribuição, é a faixa que compõe os chamados filmes medianos. Com faixa de espectador de 500 mil a um milhão, estes representaram apenas 4% do total das obras lançadas. Essa faixa de filmes medianos, que é importante para cinematografia nacional do ponto de vista da eficiência, ocorre em menor número do que a faixa de público superior. Isso demonstra que em grande parte a cinematografia brasileira é composta por poucos filmes de grande público e uma imensa maioria de filmes pequenos, com a quantidade de público pouco representativa.

Quando comparados os valores captados e a renda bruta auferida no mercado de cinema, conforme Gráfico – 9, observa-se que os valores aportados pelo setor público não consideraram o potencial de público no circuito comercial de salas de exibição. No primeiro grupo, por exemplo, foram apresentados apenas 15% dos valores totais captados, embora nesse se concentre grande parte da renda e público, com cerca de 70 %. Por outro lado, as obras com os mais baixos índices de público, que representaram a maioria dos filmes lançados, constituíram cerca de 50 % dos recursos captados, embora tenham participado com apenas 5% da renda e público auferidos no período.

Fonte: ANCINE. Elaboração Própria

No terceiro grupo, dos filmes intermediários, a quantidade de valor captado seguiu a desproporcionalidade dos grupos apresentados anteriormente. Nesse caso, esse grupo recebeu em recursos mais de 25% do total, embora esse conjunto de obras representasse apenas 12% das rendas auferidas. Já no grupo de filmes medianos, os valores captados representaram apenas 10% do total. Nesse caso, os valores guardam certa coerência dos recursos aportados com relação à renda e públicos auferidos, pois apresentam os mesmos níveis de participação no total.

Na Tabela – 2, abaixo, constituiu-se um índice de qualidade do gasto para cada grupo de obras, obtendo a razão entre a renda auferida com relação aos recursos captados. Nesse caso, se o valor do índice for superior à unidade, significa que a renda auferida é maior que os

valores captados, o que representa rentabilidade, indicando melhor qualidade do gasto público do ponto de vista comercial. Os grupos que apresentam índices inferiores a unidade, ao contrário, apresentam rendas auferidas menores que os valores captados, o que indica baixa eficiência no gasto.

Como se observa, o primeiro grupo apresenta altos índices de eficiência, com a renda bruta alcançando valores cinco vezes maiores que a renda auferida. Isso indica que esse grupo de filme, do ponto de vista comercial, alcançou sucesso, pois gerou renda, remunerando de forma positiva a cadeia industrial, incluindo a salas de exibição, os distribuidores e os produtores. Ainda, cobre eventuais prejuízos ocorridos na realização de outras obras que não obtiveram sucesso comercial.

O segundo grupo, na mesma linha, alcança índice superior à unidade, o que indica que a renda auferida foi maior do que o aporte de recursos público. Aqui, embora a rentabilidade não seja tão alta quanto no primeiro grupo, percebe-se que são obras eficientes do ponto de vista comercial. Essas obras representam uma ocupação efetiva, de forma que pagaram seus custos e garantiram importante parcela de participação do mercado, diversificando as possibilidades de produção de obras e provendo maior sustentabilidade econômica aos produtores.

Já os outros dois grupos apresentam desempenho comercial ineficiente, com ambos apresentando renda auferida menor que os valores captados. O terceiro grupo, de filmes intermediários, conta com uma renda bruta que alcança apenas a metade do valor total captado. São filmes representativos do ponto de vista do público, mas que não conseguiram se pagar. Essas obras apresentam dificuldades de se inserir comercialmente, seja pelo perfil autoral dos filmes, que podem ser de fato segmentado, seja pelas dificuldades de distribuição encontrada nesse segmento, ou mesmo a falta de potencial comercial da obra.

Por último, o grupo com baixos níveis de público demonstra grande ineficiência comercial. A renda auferida chega a apenas 10% dos valores captados via lei de incentivo. Essa parcela de filmes, como ressaltado anteriormente, representa cerca de 80% dos filmes nacionais lançados em salas de exibição. São filmes em que o estado aportou recursos, mas dentro de uma visão de estímulo industrial ao setor, seguindo o discurso do desenvolvimento sustentável do mercado, parece não se justificar.

A maior parte dos recursos aportados nesse grupo de obras parece se justificar apenas dentro de uma política pública mais ampla para atividade cinematográfica. Nesse sentido, percebe-se que esse aporte teria significado em um contexto da valorização de seu valor simbólico e cultural, que estão inseridos na obra audiovisual. Além dos valores que implicam inovação de linguagem e estéticas, da diversidade cultural e regional, o que representam, ainda hoje, a existência de uma dicotomia do pensamento ideológico da política pública para o setor cinematográfico entre o industrial e o cultural.

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