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7. EMPIRI OG DRØFTING

7.1 Typiske avvik

7.3.7 Oppsummerende betraktninger

Hoje, a grande discussão no campo da teoria social é responder o que vemos, sabemos e o que somos em face do outro. Essas indagações nos levam à descoberta de nós próprios e de outras perspectivas. De maneira proteiforme, na busca por identificação, se produzem novas identidades e se aniquilam outras em definitivo: não existe identidade autóctone. Nada está pronto, resolvido ou acabado.

Hall (2002) lembra que as identidades culturais da modernidade tardia ou do mundo pós-moderno são deslocadas constantemente pelos processos da globalização. De acordo com Hall (2002), esses processos de transformação ocorrem rapidamente porque existe a sensação de que todas as regiões do globo parecem estar imbricadas umas nas outras. O que constitui minha identidade hoje poderá não ser mais vivenciado amanhã.

O que passo a sugerir agora faz parte da minha vivência. São princípios básicos que norteiam minha prática. Faz parte do processo crítico e reflexivo que persiste na minha prática docente. Ciente de que as identidades se constituem no contato direto com outras culturas, num constante estado de fluxo, nada é acabado e definitivo. Nas palavras de Souza Santos (1997), “as identidades culturais nem são rígidas, nem muito menos imutáveis. São resultados sempre transitórios e fugazes de processos de identificação” (SOUSA SANTOS, 1997, p. 135).

o discurso da valorização do contexto local, é necessário, porque permite uma acuidade mais intensa da situação estudada, mas deve-se sempre entender que o discurso unificador está sempre pairando sobre nossas práticas. A mudança é árdua porque a instauração do novo provoca mudanças na zona de conforto. Desestabilizar as práticas parece ser um ato violento. Desconstruir os paradigmas cristalizados impregnados há anos na consciência do professor de ILE é um desafio para a ser encarado, mas acredito que esta missão também seja um elemento importante na constituição da minha identidade do professor de ILE amazônico.

Ao propor que se repense a prática de ensino de ILE, proponho que seja permitido ao professor em formação inicial se apossar do aparato técnico e científico de forma antropofágica, para poder reinventar os saberes e construir novas estratégias de aprendizagem, nas quais o contexto social não seja apenas espaço geográfico e sim elemento primordial no processo de ensino, pois este medeia a ação pedagógica através dos textos.

A adoção das TICs no ensino deve ser encarada como uma tentativa de construir o conhecimento e produzir novas identidades diferentes daquelas prescritas ou idealizadas pelas ideologias dominantes. Há que ser intransigente quanto à reprodução do fazer pedagógico estrangeiro que penetra na nossa aldeia global imperativamente (PHILLIPSON, 1992, 2010).

Muitas instituições, na tentativa de modernizar-se com as novas tecnologias, cometem o equívoco de desconsiderar suas produções epistemológicas e seus atores locais. Acabam se atrelando ao eurocentrismo (GOODY, 2010), incorrendo na mera reprodução de estratégias de ensino oriundas de outros centros, transplantando experiências que deram certo em outros contextos, remotos e diferentes, mas que não surtem o mesmo efeito no seu ambiente de atuação.

estratégia de obtenção do conhecimento a ser reordenado em prol da comunidade e não apenas como um meio para se alcançar o poderio econômico e herdar as velhas práticas. É preciso promover a autonomia do aprendiz, permitindo-o vivenciar uma postura crítico-reflexiva sobre o que se aprende (FREIRE, [1996) CELANI, 2004; PAIVA, 2007; MICCOLI, 2007).

Ao possibilitar a inovação no ensino mediante o emprego das TICs, focando aspectos do contexto local, o professor de ILE local estará constituindo sua identidade de professor que não apenas absorve o que vem de cima, mas constrói a história observando o mundo à sua volta e promove novas estratégias de interação pelas ferramentas tecnológicas disponíveis.

Sabe-se que a política da globalização do mundo pós-moderno se estrutura no discurso da unicidade dos valores culturais, nos bens e serviços de consumo padronizados (SANTOS, 2004). A ideia de padronização se expande pelos meios de comunicação de massa e a aldeia global (McLUHAN, 1964), cada vez mais, compartilha as mesmas ideologias que são disseminadas quase que em tempo real através das TICs (BORJA; CASTELLS, 1996).

Nada mais oportuno fazer uso das TICS no processo de ensino desconstruindo esse discurso unificador e promovendo outras estratégias de autoconhecimento e produção de novos saberes. Principalmente quando a língua-alvo é aquela adotada pela globalização perversa que se observa institucionalizada, por exemplo, no Banco Mundial, no FMI, na Casa Branca, no Mercado Comum Europeu etc.

Não é necessário seguir o discurso dominante. Mediante o imperialismo cultural, o professor de ILE deve oportunizar aos aprendizes o contato com as diversas variações que emergem com o fenômeno do World English (RAJAGAGOPALAN, 2005) para que o ensino de ILE não fique atrelado apenas aos aspectos culturais globais dos países dominantes.

O ensino de ILE atrelado ao uso das TICs pode oportunizar novas estratégias para levar o aprendiz a refletir sobre o modelo econômico que nos foi imposto por um discurso desenvolvimentista violento. Com uso de novas linguagens, é possível discutir, entre outros problemas, como um país do feijão, como o nosso, tenha virado o país da soja e, o que é pior, o país da soja transgênica. E, ainda, como a região do extrativismo vegetal esteja se rendendo ao agronegócio incoerente com a cultura e a paisagem do contexto local.

Assim, se constitui a identidade do professor de ILE local, diferente, que não segue rótulos previamente definidos. A criatividade e as necessidades locais, aliadas aos estímulos e à vontade de instaurar o novo, se encarregam de promover um ensino diferenciado. Pensar o contexto de atuação como uma comunidade imaginada, autônoma, que pode se emancipar pela educação, constituindo uma outra identidade, fazendo uso das TICs, não implica apresentar uma receita pronta, acabada e engessada. Cada professor deve partir do seu contexto local para chegar a patamares globais. A estratégia adotada para tanto dependerá da sua trajetória, pesquisa e engajamento.

Como princípio norteador, como indicavam os apontadores posicionados nos trajetos dos varadouros distribuídos ao longo destas densas florestas, delimitei que o processo de didatização experimentado nessa vivência estaria atrelado ao uso de exemplares de podcast que lidam com temáticas locais. A sugestão consistia em renegar parcialmente as imposições que as grandes editoras projetam (PHILLIPSON, 1992, 2010), pouco evidenciando os ambientes e ecossistemas nos quais aprendizes coabitam. Essa escolha esteve intimamente ligada às minhas identidades de pesquisador, professor, aprendiz etc., mas principalmente por estar inconformado com a falta de inovação no ensino de ILE.

Uma das inquietações consistia na escassez de recursos de ensino. Pessoa (2009) lembra que o principal recurso de aprendizagem disponível

ao professor em formação inicial é o LD50 produzido por editoras

estrangeiras51. Esses recursos didáticos, apesar de focarem nas

competências linguísticas, geralmente, partem de temáticas incomuns ao cotidiano dos aprendizes locais. Como os contextos de ensino são diversificados e os aprendizes possuem situações socioculturais e econômicas heterogêneas, as necessidades e características de ensino e aprendizagem também variam, demandando a adoção de estratégias de ensino sensíveis ao contexto.

Instaurando o discurso que reconhece o contexto como espaço para produção de conhecimento, é possível tirar proveito das TICs para construir um outro paradigma, não deixando que a disseminação do saber tenha apenas uma direção: do norte para o sul. Sugiro que antropofagicamente nos apossemos das TICs e produzamos conhecimento à nossa maneira. E isso se faz, identificando as reais necessidades dos aprendizes locais, conhecendo o contexto de atuação, atrelando esse conhecimento às crenças que cada professor traz para a sala de aula. Dessa forma, é possível inovar e fazer emergir no âmbito da escola mais remota das aldeias globais uma nova perspectiva de ensino e aprendizagem.