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6. METODE

6.2 Innsamling av data

6.2.2 Intervju

Halliday e Hasan (1989) teorizam que o contexto de cultura está intimamente imbricado com a noção de gênero, e o contexto de situação está relacionado com a noção de registro. O contexto de cultura elabora seus gêneros para nortear as atividades humanas e atender às

necessidades de comunicação dos falantes da língua em determinadas situações. O contexto de situação é instanciado pelo registro e se realiza em textos no plano grafofonológico.

O gênero é abstrato. Pode-se inferir a qual gênero um determinado texto pertence pela análise de características que são comuns a determinados textos, ou seja, pela configuração contextual. Ela é o conjunto específico de padrões linguísticos que realizam o campo, as relações e o modo do discurso. (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 55). A partir dela é possível inferir quais os elementos que são obrigatórios; quais elementos podem ocorrer; onde os elementos obrigatórios devem ocorrer; onde os elementos podem ocorrer e a frequência com que os padrões podem ocorrer (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 56). Em virtude dessas características, é possível inferir e antecipar o que determinado texto poderá expressar em determinado contexto de situação.

Halliday e Hasan (1989) explicam ainda que a configuração textual permite inferir a Estrutura Potencial de Gênero (EPG). Nesta estrutura, os teóricos argumentam que há dois tipos diferentes de elementos: (i) os elementos obrigatórios que existem em qualquer instância completa de um registro de um gênero e (ii) os elementos opcionais que podem ou não ocorrer nas configurações contextuais, que por sua vez, não definem um gênero em específico. Na vida, quando participamos de uma interação, os gêneros norteiam as relações. Pelo reconhecimento da EPG, as pessoas inferem, se posicionam, criam estratégias de interação e de comportamento, porque socialmente elas compartilham dos sentidos de determinados estágios de um gênero. A consciência da EPG numa atividade de ensino permite a inferências de possíveis tarefas, relações, etc., que um determinado gênero pode proporcionar. Segundo Halliday e Hasan (1989), existem três características que permitem interpretar o contexto social de um texto, ou seja, o ambiente no qual os sentidos são construídos, o tópico e os participantes. São elas:

(A) Campo: refere-se ao que está acontecendo, à natureza da ação social.

(B) Relações: refere-se à natureza dos participantes envolvidos na interação.

(C) Modo: refere-se às funções particulares que são determinadas pela língua na situação observada.

Essas características são realizadas respectivamente pelas metafunções ideacional, interpessoal e textual. Elas permitem que o ouvinte/leitor reconheça determinada configuração contextual, comum a todos os textos. Para esses teóricos, (HALLIDAY; HASAN, 1989) a linguagem se realiza por meio de três metafunções denominadas de ideacional, interpessoal e textual.

(a) A metafunção ideacional tem a função de produzir sentidos da experiência humana para expressar emoções, pensamentos, desejos, vontades, sentimentos, etc.

(b) A metafunção interpessoal cumpre a função de deflagrar as relações sociais, em que as experiências são expressadas conforme o contexto e os interlocutores envolvidos.

(c) A metafunção textual tem o papel de organizar as experiências humanas que são externalizadas em textos orais ou escritos, ou seja, a materialidade linguística de uma interação.

Nas práticas de linguagem, ao mesmo tempo as três metafunções são acionadas. Segundo essa proposta, a linguagem é estruturada para permitir que as pessoas ajam no mundo, construindo sentidos para suas interações que são expressas por meio dos textos que organizam e produzem.

No campo da didática das línguas, as metafunções orientam para as diversas possibilidades de manifestação da linguagem e entendem que os sentidos são construídos conforme o propósito comunicativo, influenciando diretamente nas escolhas linguísticas. Pela linguagem, as pessoas manifestam seus desejos, aspirações, pensamentos, etc., bem como mantêm relações harmônicas, desarmônicas e expressam

textualmente os sentidos que representam do mundo. Para Halliday e Hasan (1989):

Ao compreender a organização funcional da linguagem, somos capazes de explicar o sucesso e o fracasso na aprendizagem através da linguagem: onde ocorre uma falha, por que isso ocorre e como superá-lo e evitar que ele ocorra novamente. Nós também podemos perceber em que medida a falha recai sobre o aluno ou na linguagem que está sendo usada para ensiná-lo. (HALLIDAY; HASAN, 1989, p. 45, tradução minha46).

As noções de linguagem, texto, contexto, gênero e registro aqui apresentadas são essenciais para compreender como uma língua natural se estrutura e é usada como instrumento de comunicação entre pessoas que convivem em sociedade. Nesse estudo, apresento as metafunções da linguagem, mas não entro em detalhes teóricos com maior profundidade porque meu estudo não faz análise linguística de textos. Porém, utilizo a LSF com teoria de linguagem cujas metafunções são imprescindíveis para a compreender a visão de linguagem que aqui delineio. Esses saberes sobre a linguagem tornam a atividade docente uma prática social que compreende os problemas relacionados ao processo de ensino através da própria linguagem.

A LSF considera as línguas naturais como um sistema que se interpreta metafuncionalmente porque possibilita ao usuário fazer escolhas durante o processo comunicativo. Para Halliday (1978), a linguagem constrói sentidos por meio de metafunções que organizam a interação para que a comunicação seja compreendida a partir de estratégias socialmente convencionadas. Compreender a linguagem nessa perspectiva é entender que, durante as interações, os falantes fazem escolhas diante de um repertório de possibilidades, mediante as

46 By understanding the functional organisation of language, we are enabled to explain

success and failure in learning through language: where a breakdown occurs, why it occurs, and how to overcome it and prevent it from occurring again. We can also see how far the fault lies in the learner and how far it lies in the language that is being used to teach him or her.

relações estabelecidas entre os interlocutores e o campo da atividade humana. As escolhas linguísticas são feitas tendo em mente o que se quer comunicar, para quem e o efeito esperado da interação. Ou seja, são levadas em consideração as variáveis contextuais de campo, relações e modo.

Também é fundamental ao processo de ensino compreender como determinada língua é estruturada e como ela funciona permitindo as interações comunicacionais.