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Opplevelse av sammenheng

Com o tema de capa História e cultura Afro-Brasileira na escola, a edição n. 49 apresenta sete artigos que desdobram o tema-geral em dife- rentes perspectivas. Com as mesmas características de diagramação da edição n. 31, a presente edição, sob a editoria de Maria Inês Carniato, dá

continuidade à linha editorial de Ensino Religioso proposta nos inícios da revista, porém, com uma preocupação mais pedagógica, pois, conforme se afirma no editorial dessa edição, a escola é um espaço que tem o dever de promover a igualdade entre todos.

O primeiro artigo201, Valores culturais afrodescendentes na es- cola, traz como articulista o doutor em comunicação Edimilson de Almeida

Pereira. Abordagem: Fenomenológica. O texto propõe que, no processo de aprendizagem, o fato de se evidenciar a troca de valores culturais leva à noção de identidade e alteridade. Segundo o autor, “o estudo da história e das culturas africanas e afro-brasileiras na escola favorece o conhecimento de nossa diversidade social”,202 ao mesmo tempo em que evidencia os

conflitos subjacentes ao modelo educacional vigente no Brasil. Eixo

temático: Ethos, pois o articulista reflete na perspectiva da educação e

aponta a importância que esta desempenha na valorização da matriz afro- brasileira.

O segundo artigo203, O legado africano às culturas brasileiras, tem como articulista a doutora em sociologia Marise de Santana. Aborda-

gem: Fenomenológica. A autora faz uma análise histórico-cultural acerca

das ideias etnocêntricas europeias trazidas para o Brasil e que também aqui subjugou as demais culturas como sendo inferiores. No caso a cultura afro- brasileira, além de inferiorizada, passou por um longo processo de negação. E, segundo a autora, algumas práticas pedagógicas ainda hoje “desapro- priam os descendentes de africanos de sua identidade e submetem a sua cultura a um processo de folclorização”204. Eixo temático: Culturas e Tradi-

ções Religiosas, por seu caráter histórico e antropológico.

201 PEREIRA, E. A., Valores culturais afrodescendentes na escola. In: Diálogo

– Revista de Ensino Religioso, n. 49, p. 8-11.

202 Ibid., p. 10.

203 SANTANA, M. O legado africano às culturas brasileiras. In: Diálogo – Revista de Ensino

Religioso, ano XIII, op. cit., p. 12-16.

O terceiro artigo205, Sonhos e lutas das comunidades quilombo-

las, traz como articulista a doutoranda em letras e pesquisadora de comuni-

dades quilombolas no Maranhão, Joseane Maia Santos Silva. Abordagem: Fenomenológica. A autora evidencia que os quilombos representavam o movimento de resistência para além da questão escravista. “O quilombo não foi apenas refúgio de fugitivos, mas uma sociedade livre, formada por pes- soas que se recusavam a viver na escravidão”206, afirma-se no texto. Eixo temático: Ethos, pois evidencia o dever da escola em educar para a igual-

dade racial, além de promover o respeito à cultura afro-brasileira.

O quarto artigo207, Potencial transformador da cultura afro-brasi- leira, na escola, é desenvolvido pela doutora em antropologia Rosalira

Oliveira. Abordagem: Fenomenológica. O texto apresenta uma análise do conceito de cultura, que, segundo a autora, “é uma teia compartilhada de significados transmitidos em uma sociedade e incorporados em símbolos”208,

cujo conteúdo simbólico pode apresentar significados positivos ou negativos. No caso da cultura africana presente na sociedade brasileira, esta foi sempre excluída. Eixo temático: Ethos, pois aponta para a necessidade de a escola orientar os educandos na percepção das culturas que compõem a riqueza cultural brasileira.

O quinto artigo209, A vida em imagens na festa baiana, tem como

articulista o doutor em sociologia Edson Dias Ferreira. Abordagem: Feno- menológica. O texto apresenta um estudo, a partir de fotos, acerca do ciclo de festas que se realizam na Bahia entre os meses de dezembro e fevereiro. Segundo o autor, as imagens por ele coletadas, “longe de refletirem uma descrição pura e simples do fato festivo, traduzem um olhar diferente sobre elas”210, pois revelam que por trás dos gestos se encontra mais do que uma

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SILVA, J. M. S., Sonhos e lutas das comunidades quilombolas. In: Diálogo – Revista de Ensino Religioso, n. 49, p. 18-21.

206 Ibid., p. 19.

207 OLIVEIRA, R., Potencial transformador da cultura afro-brasileira na escola. In: Diálogo

Revista de Ensino Religioso, op. cit., p. 22-25.

208 Ibid., p. 22.

209 FERREIRA, E. D., A vida em imagens na festa baiana. In: Diálogo – Revista de Ensino

Religioso, op. cit., p. 26-28.

simples devoção. Eixo temático: Culturas e Tradições Religiosas, pois evi- dencia no texto como enfoque principal o aspecto religioso.

O sexto artigo211, Festas de brasilidade e igualdade, tem como articulista a graduada em comunicação Teresinha de Jesus Ferreira.

Abordagem: Religiosa. Esse artigo também trata de uma festa religiosa e

sincrética realizada na cidade de Paula Cândido (MG). A festa é o Congado que, segundo a autora, surgiu com o objetivo de “abolir as regras sociais da estrutura escravocrata e fazer dos escravos súditos do rei do Congo”212. O

texto apresenta o depoimento de pessoas que mantêm viva essa tradição.

Eixo temático: Culturas e Tradições, por evidenciar a cultura e a religiosi-

dade popular.

O sétimo artigo213, Trama de saberes, religiosidade afrodescen-

dente e Ensino Religioso, tem como articulista o graduado em história

Morche Ricardo Almeida. Abordagem: Fenomenológica. O texto é o relato de uma experiência realizada pelo autor, que é professor de Ensino Religioso, em uma escola pública de Blumenau (SC). Segundo o articulista, ao propor aos educandos um estudo comparado da cultura africana com outras culturas europeias, “ajuda os alunos a superar a resistência, a respeitar a diversidade e a descobrir novas perspectivas de compreensão dos fenômenos religiosos e sociais”214. Eixo temático: Culturas e Tradições

Religiosas, pois evidencia que nas diferentes culturas há elementos comuns e que é preciso conhecê-los, a fim de vencer a barreira do preconceito.

Por fim, verificamos o texto da seção Sua Página, sob o título

Colégio em ritmo novo, que apresentou dois relatos de experiências

realizadas pelos professores de Ensino Religioso do sistema estadual de ensino, das cidades de Maringá (PR) e do Rio de Janeiro (RJ). Ambos os

211 FERREIRA, T., Festas de brasilidade e igualdade. In: Diálogo

– Revista de Ensino Religioso, ano XIII, n. 49, p. 30-33.

212 Ibid., p. 31. 213

ALMEIDA, M. R., Trama de saberes, religiosidade afrodescendente e Ensino Religioso. In: Diálogo – Revista de Ensino Religioso, op. cit., p. 34-37.

trabalhos têm como motivação a Lei n. 10.639/03, de modo que as atividades realizadas pelos alunos apresentam a cultura afro-brasileira.

Quando comparamos as temáticas desenvolvidas nos artigos e também na seção Sua página, percebemos que a revista Diálogo, mesmo tratando de apenas alguns aspectos relativos à temática História e cultura

afro-brasileira na escola, se mostrou coerente com o tema e buscou dar

destaque à matriz afro-brasileira.