3.4 Forskningsprosessen
3.4.6 Omtale av dokumenter som danner grunnlaget for analysen
Para recontextualizarmos a criação da Diálogo, no âmbito interno da Congregação das Irmãs Paulinas, entrevistamos irmã Luzia Sena, encarregada de levar à frente a criação da revista. A entrevista se desenvolveu a partir de um questionário composto por dez questões referentes ao Ensino Religioso, cujos temas abarcaram a realidade interna e externa, à citada congregação, da entrevistada.
As questões buscam evidenciar não só as dificuldades em se criar uma revista especializada em Ensino Religioso, mas pretendem também delinear o perfil editorial que foi assumido pela revista e que rege as suas publicações. E por que desejamos apresentar o perfil dessa revista? Sabemos que o perfil editorial é a identidade de qualquer veículo de comunicação, de modo que, por meio dessa identificação, pretendemos verificar se a revista Diálogo, publicada por uma editora cristã católica, tem verdadeiramente o enfoque de suas abordagens e conteúdos, desde a sua origem, pautado pelo “modelo” de Ensino Religioso à luz das Ciências da Religião.
Tendo em vista que a revista é fruto de um caminho percorrido por professores e entidades voltados para a questão do Ensino Religioso, também o seu perfil foi pensado em consonância com o processo que ante- cedeu a própria revista. Desse modo,
Não foi difícil delinear o perfil da revista de Ensino Religioso, porque as questões relativas à formação do professor de ER, os novos paradigmas e a nova identidade do Ensino Religioso e sua prática pedagógica já vinham sendo discutidos, refletidos e compartilhados por muitos profes- sores, especialmente no Grere e nos Ener. O anseio, a necessidade que emergia da própria base, ou seja, dos professores, era no sentido de oferecer subsídios que ajudassem esses docentes na sua formação profissional, com textos de fundamentação teórica e pedagógica. Surgia
um novo ER, distinto da catequese, pautado sobre novos paradigmas.97
Até 1988 a grande preocupação com relação ao Ensino Religioso era a sua inclusão no currículo escolar. Vencida essa etapa, outro desafio se configurava no âmbito da formação, ou seja, era necessário oferecer ao professor de Ensino Religioso uma preparação adequada a esse componente curricular. No intuito de responder a essa necessidade, pensou- se a estrutura da Diálogo, ou melhor, a sua composição, a fim de subsidiar a formação98 e a prática do professor. Esta contribuição sempre foi um dos objetivos da revista, a fim de que este pudesse desenvolver com maior pro- priedade a sua prática docente.
Era preciso apresentar os fundamentos epistemológicos e pedagógicos dessa nova proposta de Ensino Religioso. Propor novos temas a serem abordados nas aulas. Dar embasamento aos temas tratados nessa disciplina que se abria para novos horizontes marcados pelo pluralismo e pela diversidade cultural e religiosa, sem proselitismo, nem foco confessional ou restrita a uma religião. Mas, aberta ao diálogo, ao respeito e à valorização do diferente. Era preciso oferecer meios e possibilidades de aprofundamento, sistematização e socialização de experiências e saberes que estavam sendo construídos nessa perspectiva99.
A partir dos elementos apontados acima, em 26 de setembro de 1995, foi lançada oficialmente a edição de número zero da Diálogo, durante um encontro em Santa Catarina.
Por ocasião da 29ª Assembleia Ordinária do Conselho de Igrejas para a Educação Religiosa (Cier), que comemorava 25 anos de existência, realizou-se a instalação do Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso e o lançamento do primeiro número da revista, que recebeu o nome de Di- álogo – Revista de Ensino Religioso. O evento ocorreu no hotel Itaguaçu, em Florianópolis (SC), e contou com a pre- sença de representantes de entidades educacionais e religi- osas e de professores de vários estados do Brasil100.
97 SENA, L., Entrevista 2/7/2012.
98 Esse tema foi desenvolvido por Cláudia Regina Tavares Cardoso em sua pesquisa de
mestrado A contribuição da revista Diálogo para a formação do professor-leitor do Ensino Religioso, defendida no ano de 2007, na PUC-PR.
99 SENA, L., Entrevista 2/7/2012. 100
SENA, L.; CARNIATO, I., Diálogo: educação para a diversidade – comemoração dos 15 anos da revista Diálogo e do Fonaper. In: POZZER, A., et alii. Diversidade religiosa e Ensino Religioso no Brasil: memórias, propostas e desafios, p. 180.
E desde a sua primeira edição a revista era monotemática, ou seja, apresentava um tema principal, indicado na chamada de capa, e abor- dado em diferentes perspectivas. Estruturalmente a revista intercalava tex- tos-artigos de fundamentação teórica com textos para serem usados pelo professor em sala de aula, tais como contos, poesias, parábolas etc.
Considerando que ao ser criada em um departamento autônomo, a revista contava com poucos recursos, e o seu primeiro projeto gráfico foi planejado de modo bem simples, isto é, a revista teria impressão em duas cores, com algumas ilustrações, e somente a capa impressa em quatro co- res. A revista apresentou as seguintes medidas: 21,5 centímetros de altura por 15 centímetros de largura.
Figura 1:
Capa de Diálogo – Revista de Ensino Religioso Outubro de 1995 – n. 0
Fonte: Arquivo Paulinas
A edição n. 0 trouxe como tema O Ensino Religioso no Brasil, o
fenômeno religioso e o papel do professor, e dispôs de uma “tiragem de 5 mil exemplares, que foram distribuídos gratuitamente para escolas e professores de Ensino Religioso de todos os estados do Brasil”101. A revista
apresentava os artigos de fundamentação teórica e os intercalava com
101
SENA, L.; CARNIATO, I., Diálogo: educação para a diversidade – comemoração dos 15 anos da revista Diálogo e do Fonaper. In: POZZER, A., et alii. Diversidade religiosa e Ensino Religioso no Brasil: memórias, propostas e desafios, nota 3, p. 180.
pequenos textos de conto e/ou parábolas. Também fazia parte da estrutura da revista uma seção de resenha e de notícias acerca do Ensino Religioso.
Os anos passaram, e a revista se estruturou não só no que diz respeito ao conteúdo, mas, sobretudo, em sua apresentação gráfica. Assim, em 2002, a Diálogo passou por mudanças gráficas significativas e recebeu uma nova “roupagem”.
No ano de 2002 – sétimo da sua publicação –, ela [a revista] ganhou um novo formato, uma apresentação gráfica mais bonita, em quatro cores, enriquecida de novas seções que a tornaram mais dinâmica, interativa e atual102.
As mudanças na revista concederam efetivamente ao seu visual o status de revista, tanto em sua diagramação, quanto na própria apresenta- ção que no primeiro projeto gráfico dava a aparência mais de um livro, do que propriamente de uma revista. A Diálogo começa a ser organizada em dois blocos bem definidos: o primeiro, composto por 5 ou 6 artigos de funda- mentação teórica, e o segundo dividido em 8 seções pedagógicas e de inte- ração com o leitor. Além dessa estruturação, a revista também ganhou novas medidas, passando a ter 23,5 centímetros de comprimento por 17 centímetros de largura.
Figura 2:
Capa de Diálogo – Revista de Ensino Religioso Ano VII – Março de 2002 – n. 25
Fonte: Arquivo Paulinas
102
Os artigos, a princípio, não tinham o objetivo de serem utilizados como material de apoio didático em sala de aula. Esse fato não impediria que os textos fossem usados pelo professor como um recurso didático; entretanto, a sua primeira finalidade tinha em vista a formação do professor, pois didaticamente não se pensa a prática pedagógica sem uma fundamentação teórica.
Embora os textos dos artigos sejam curtos, de cinco a seis lau- das, eles buscam levantar os pontos principais em relação ao tema proposto, sem a preocupação de dar conta de responder a todas as questões acerca do assunto. A intenção é oferecer as condições para que o professor se interesse pelo tema proposto e, a partir das provocações levantadas pelo texto, busque aprofundá-lo e reflita sobre como aplicá-lo em sua prática docente.
As seções classificam-se em duas categorias: pedagógicas e de interação. A primeira busca concretamente auxiliar o professor em sala de aula através de sugestões de atividades. Essas seções são: Aprendendo e
ensinando, que apresenta dinâmicas para o professor assimilar os conteú-
dos dos textos e repassá-los de forma criativa aos alunos; Você sabia, que enfatiza as particularidades e curiosidades do tema, sempre voltado para as questões referentes às religiões; Lenda, cuja finalidade é ajudar o professor a trabalhar a temática a partir da linguagem mítica; e Em pauta, que destaca uma festa ou data comemorativa, folclórica ou religiosa, do trimestre.
As seções de interação com os professores buscam socializar e compartilhar experiências de Ensino Religioso, bem como valorizar as inicia- tivas, realizadas pelos professores ou por suas instituições de ensino. São as seções: Sua página, cujo conteúdo evidencia as atividades que o pro- fessor e/ou escola desenvolve e deseja compartilhar com outras escolas;
Entrevista, que põe no centro as pessoas e suas ações realizadas em vista
do Ensino Religioso; e Destaque, que, como o próprio nome diz, põe em evidência as atividades ou eventos realizados em diferentes regiões do Bra-
sil e que visam à formação de professores ou ações práticas de Ensino Reli- gioso.
Há também as seções informativas, que buscam orientar os pro- fessores em relação ao material produzido na área de Ciências da Religião, Educação e Ensino Religioso. São as seções: Resenha, que apresenta um livro que seja de interesse formativo do professor, e Dicas, que traz su- gestões de material pedagógico de apoio (livros e mídias audiovisuais), que podem ser utilizados pelos professores e alunos, ou mesmo servem de aprofundamento do tema geral tratado na edição.
Por fim, a revista também tem seções móveis, ou seja, que são publicadas circunstancialmente a cada edição. São as seções Conheça
mais, voltada para a legislação ou aspecto relevante do Ensino Religioso; Conto/Poesia, cujo objetivo tem afinidade com a seção Lenda; e Celebra- ção/Teatro, que propõe uma atividade relacionada ao tema da revista numa
forma mais celebrativa ou cultural.
Por meio do novo projeto gráfico, de fato, a revista também ga- nhou mais dinamicidade e interatividade com o leitor, seja na sua estrutura bem definida em dois blocos, seja através das seções voltadas para o com- partilhamento de experiências realizadas pelo professor, seja pelas ativida- des propostas pela própria revista.
Essa interatividade na revista concretiza o sonho de todos aque- les que, no final do 10º Ener manifestaram o desejo de ter uma revista de Ensino Religioso como subsídio de formação e informação entre os profes- sores espalhados de norte a sul pelo Brasil.