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8.1. Opplæring.og.veiledning

Na linha das organizações industriais, tendo como foco o investimento, Hymer (1993) se destaca ao definir o investimento, distinguindo-o em dois tipos: portfólio de

investimento e investimento direto. No primeiro caso, o cerne do investimento é a taxa de juros, no segundo caso o ponto central está no controle da empresa na qual o investimento é realizado (vide a definição de UNCTAD, 2004b). Os investimentos em portfólio são influenciados pelo uso prudente dos ativos e pelo câmbio e suas restrições, já a busca pelo controle dos ativos se relaciona com a desconfiança dos parceiros, o risco de expropriação, as taxas de juros e os riscos de câmbio. Fatores como risco, incerteza (nos contratos) e barreiras de movimento contam na decisão de investir.

Ao expandir o conceito de investimento para o âmbito internacional, é possível afirmar que as operações internacionais, ou IED, são motivadas pela possibilidade de redução da concorrência, ou pela completa apropriação dos resultados ou de certas habilidades, bem como pela diversificação. A lucratividade seria oriunda das imperfeições de mercado (pela formação de oligopólios) e da diferença das habilidades das firmas em operar numa dada indústria, os quais definem a forma de entrada (licenças, ou outros tipos de IED) (HYMER, 1993).

No que tangem as teorias que explicam o investimento externo, na opinião de Hymer (1993) destaca-se a teoria das operações internacionais, a qual é parte da teoria da firma, pois se trata da integração vertical e horizontal das firmas, além disso, as ferramentas utilizadas para analisar as firmas em suas operações seriam as mesmas. Contudo, novos fatores devem ser considerados, ao exemplo das diferenças entre governos, línguas, economias, comunicação, mercados, legislação, políticas, tecnologia, inclusive a falta de integração entre mercados e assimetria de informação.

Os tipos de configurações descritos por Hymer (1993) contemplam subsidiárias integrais, joint ventures e licenças. As barreiras de entradas encontradas operam como vantagens de localização das firmas nacionais, desta forma a instalação da firma em um país pode eliminar estas vantagens, caso não haja tratamentos discriminatórios pelos governos, consumidores, e fornecedores. Imperfeições de mercado, como incerteza e assimetria de informação, contribuem para os investimentos externos diretos, pois reduzem as vantagens das empresas locais. Porém, empresas com vantagens de operação em determinadas indústrias, podem não ocorrer na mesma indústria em outro país, pois o comportamento das firmas afeta outras firmas (rivalidade entre firmas). As vantagens de propriedade de habilidades específicas determinam a forma de entrada, conforme já explicado, as quais podem ser de custo, de diferenciação e de escala. Em empresa de mesma propriedade o objetivo é maximizar o desempenho do grupo ao individual.

Quando as empresas optam por operar por meio de arranjos, tais como contratos indiretos, licenças ou ligações híbridas, o tamanho da rede e da empresa, e sua integração devem buscar um tamanho ótimo de forma a equilibrar os custos de coordenação e economias de escala. Numa concorrência oligopolista as empresas tendem a ser grandes, em relação à indústria, e a demanda é um fator de crescimento, o qual pode ser dividido em três estágios: conhecimento de mercado, domínio do processo produtivo, e expansão de mercado (HYMER, 1993).

Conclui-se que as atividades internacionais são determinadas pela experimentação das forças e por fatores objetivos como custo e demanda. A cooperação entre firmas pode resultar na divisão de mercados, ou na divisão de riscos na operação conjunta (joint venture), ou ainda no estabelecimento de subsidiárias integrais em países de maior porte. A queda das barreiras comerciais e a abertura de novos mercados fizeram com que grandes empresas internacionais buscassem conquistar novos mercados para garantir o seu crescimento futuro (HYMER, 1993).

Para Dunning (2003) o grande diferencial da tese de Hymer (1960) é se distanciar da abordagem financeira tradicional utilizando a visão das organizações industriais ao explicar as determinantes de IED, indo além do licenciamento e propondo a internalização dos mercados pelas firmas. Na visão de Loree e Guisinger (1995) a teoria de Hymer (1960) se resume a obtenção de vantagens oligopolistas pela empresa estrangeira, em relação às empresas locais, em ambientes de mercado imperfeito. Enquanto para os mesmos autores, Caves (1971) propunha que as empresas capitalizavam na sua indústria, na presença de oligopólios, pela utilização de ativos intangíveis de pesquisa e desenvolvimento e propaganda em mercados externos.

Por sua vez, Teece (1981) retoma os estudos de Williamson (1975) enfatizando as propriedades do mercado (forma de organizar a atividade econômica) e a organização interna das firmas. Para o autor, é possível a formação de arranjos entre estes dois elementos, os quais são denominados hierarquia de mercado em função da eficiência relativa. Teece (1981) também revisa conceitos econômicos, com as falhas de mercado definidas pela eficiência relativa e não pelas considerações do “ótimo de Pareto”, e os custos de transação oriundos da organização do sistema econômico, incluindo a facilidade em celebrar contratos.

Na visão de Teece (1981), as multinacionais internalizam transações internacionais que poderiam ocorrer no mercado, e respondem às três categorias de incentivos voltados ao ganho privado: redução de impostos e controle, monopólio (comportamento

anticompetitivo), e eficiência. Estas empresas possuem formas organizacionais complexas, fazendo com que a sua análise dependa do mercado a ser internalizado, tais como mercado de produto intermediário (vertical), de tecnologia própria ou não (horizontal), e de capitais internacionais (vertical, horizontal, lateral, ou conglomerados).

No que tange a questão do investimento externo direto (IED), o IED vertical está geralmente associado à busca por insumos primários (raw material), dependendo dos contratos, da incerteza, e do oportunismo, fazendo com que a criação de estruturas organizacionais e de controle seja fundamental. No caso dos países menos desenvolvidos, existem maiores incentivos para a integração vertical, com a transferência de tecnologia (TEECE, 1981).

Já o IED horizontal ocorre quando são instaladas plantas similares em vários países, incentivadas por falhas de mercado de tecnologia. Isso porque as empresas locais têm vantagens de custo sobre as empresas estrangeiras (transporte e impostos), e as empresas estrangeiras possuem ativos únicos (conhecimentos e habilidades), os quais podem ser transferidos para outros (licença) ou para uma subsidiária. Tal transferência no mercado pode implicar em vários problemas como reconhecimento, sigilo, e organização da equipe, além de requisitos informacional, organizacional e estratégico. Desta forma, o IED horizontal acontece quando ativos gerenciais, tecnológicos, e de lealdade são necessários (TEECE, 1981).

Conforme preconizados por Teece (1981), na tentativa das multinacionais de países desenvolvidos formarem monopólios em países subdesenvolvidos, ocorreriam movimentos anticompetitivos. Com isso, os países emergentes reagem formando empresas nacionais com poder de barganha, ou aumentando impostos e taxas.

Teece (1984) contesta, em parte, a teoria microeconômica ortodoxa. Apesar de concordar com a sua utilidade para o entendimento de problemas econômicos e políticos, o autor discorda da sua eficácia na compreensão da estratégia empresarial, pois há o bloqueio da “visão periférica”. Não obstante, a Teoria das Organizações Industriais é definida como o campo da economia que estuda as estruturas de mercado, o comportamento da firma, e os benefícios e os custos sociais, derivados dos dois itens anteriores, cujo paradigma central é “a estrutura define o desempenho”.

Neste ponto, Teece (1984) recupera os escritos de Masson e Bain para exemplificar o estruturalismo e seus elementos principais. O desempenho dependeria de diversos fatores, tais como: comportamento de consumidores e fornecedores, práticas e políticas de preço, coordenação e cooperação tácita e aberta interfirma, compromissos de

pesquisa e desenvolvimento, estratégias de publicidade e produção, e investimento em plantas industriais e similares. Já a estrutura de mercados relevantes estaria atrelada ao número e tamanho de consumidores e fornecedores, ao grau de diferenciação de produtos, à existência de barreiras de entrada, ao grau de integração vertical, e à proporção dos custos associados com a tecnologia da indústria. A análise é feita sob a ótica da demanda e da oferta.

Teece (1984) também resgata a análise estrutural da indústria da obra de Porter, com o uso das cinco forças da indústria fonte de vantagens competitivas, o modelo de análise da indústria, e o conceito de grupos estratégicos. Todavia, ele contesta a validade destes conceitos, uma vez que a formulação estratégica ocorre somente a partir da relação entre a firma e seu ambiente. Neste momento é inserido o conceito de “contestabilidade”, o qual é associado a curto e médio prazo à formulação estratégica, em função da existência de algum grau de irreversibilidade dos investimentos, principalmente em empresas de serviço.

Por fim, Teece (1984) retoma a economia dos custos de transação e o grau de integração ótimo (para frente, para trás, lateral, multinacional e conglomerado), e a estrutura interna apropriada para grandes empresas. Para Teece (1984) a teoria dos custos de transação se inicia com Coase (1937) e sua afirmação que os mercados e suas hierarquias seriam uma alternativa aos mecanismos organizacionais para suportar transações. A transação é definida pela transformação de um produto através de uma interface tecnológica separável, quando uma firma compra insumos de um fornecedor independente, é necessário observar a sua frequência, a incerteza à qual está submetida e ao grau de transferência de know-how tecnológico e gerencial. O autor também ressalta questões relativas à especificidade de um ativo, a qual pode ser determinada por imperativos de localização, especificidades físicas ou especificidades de conhecimento. Segundo o autor, a empresa não deve internalizar, a não ser que as dificuldades sejam conhecidas previamente.

Para Teece (1984) os princípios de design organizacional estariam atrelados aos custos decrescentes, a garantia de qualidade, a inovação sistemática, a apropriação e transferência da transferência tecnológica, e a decomposição hierárquica. Dentro deste contexto, a inovação sistemática permite coordenar o investimento em plantas, já a apropriação e a eficiência da transferência de tecnologia possibilitam a alocação dos ativos intangíveis da empresa em mercados de produtos e geográficos distintos, onde os retornos são superiores e existem modos de transferência eficientes, favorecendo a internacionalização de empresas.

Na teoria das organizações industriais existem amplas vantagens iniciais de propriedade, baseadas na posse ou acesso privilegiado a um ativo específico, assim como na proteção por barreiras de entrada e/ ou na mobilidade de mercados para produtos, no caso de orientação ao mercado ou ao recurso. Essas incluem proteção a patentes e economias de escala de marketing, de produção e de finanças. Todos os ativos exploram IED, mas há pouca atenção para os ativos que aumentam IED (DUNNING, 2000).

Já as vantagens de propriedade que tenham por base a posse ou acesso privilegiado a um ativo específico estariam centradas na eficiência das firmas investidoras, estando relacionadas com a orientação à eficiência ou à procura de ativos estratégicos (DUNNING, 2000).

2.2.3 “Siga o Líder”

Para Flowers (1986) existe uma relação entre concentração de entrada de IED e concentração da indústria, definida pela teoria da reação oligopolista. Em uma indústria de concentração oligopolista a interação competitiva entre os concorrentes provoca movimentos competitivos similares sincronizados aos realizados pelo líder, resultando na formação de clusters. Este modelo de minimização de risco, apesar de caro e reativo, reduz a percepção de ameaça dos outros membros da indústria oligopolística, pois evita que competidores adquiram novas habilidades, informações, mercados e opções estratégicas por meio de IED.

Essa abordagem concentra-se em explicar o IED como uma estratégia espacial de competição entre oligopólios, qualquer que seja a orientação. A hipótese principal é que o IED vai se deslocar por determinadas regiões ou países através dos tempos. Também, deverá existir uma interpenetração dos territórios ocupados por oligopólios. Essa teoria foi originalmente aplicada para explicar a exploração de ativos de IED, sendo atualmente usada para explicar os ativos que aumentam IED (DUNNING, 2000).