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DESIGN oG mEtoDE

3.9. Kartleggingens.gyldighet.og.pålitelighet

MÍSTICA = MOTOR Provoca mobilização

MÍSTICA MILITÂNCIA MÍSTICA ENGAJAMENTO

mobilização + coesão entre os sujeitos + reivindicações +

confrontos

mobilização + coesão entre os sujeitos + cultivo da fé

sem confronto

PCr movimentos Outros

Não temos dois tipos de mística, mas diferentes formas de vivenciá-la. Segundo Boff (1993), a mística é energia vital que pode se manifestar no sentido antropológico-existencial, relacionada às experiências de vida de caráter incomensurável à razão humana – fala da mística religiosa; e no sentido sociopolítico, estando aliada a convicções que mobilizam as pessoas e os movimentos para lutarem por mudanças – refere-se à mística de militância. A PCr atribui maior ênfase à dimensão ritual e coesiva, enquanto que outros movimentos sociais acrescentam a dimensão sociopolítica. Tanto a mística de engajamento como a de militância, possuem o poder de congregar, porque fundamentam-se numa causa, numa ética e numa simbologia.

Nos dois casos, a mística é causa ou motivo, a razão direta para as realizações, a força que conduz ao cultivo de utopias. Para Betto e Boff (2005, p. 49), a volição se constitui a base da mística tanto no sentido religioso como no sentido sociopolítico:

Mística significa, então, o conjunto de convicções profundas, as visões grandiosas e as paixões fortes que mobilizam pessoas e movimentos na vontade de mudanças, inspiram práticas capazes de afrontar quaisquer dificuldades ou sustentam a esperança face aos fracassos históricos.

No caso da PCr, o que move a ação é a vontade de atender, primeiro, a um chamado divino e depois ao compromisso com a instituição, o que implica decisão pessoal. A esse respeito fala uma Agente Pastoral: “cada um de nós temos (sic) uma mística particular e nas reuniões juntamos para trabalhar”AP6. A mística firmada na fé individual e por isso qualificada de mística cristã.

A mística também envolve ética, quando se articula aos valores e à moral, aos interesses individuais, ou de um grupo. A ação social da PCr é fundamentada nos novos princípios da doutrina social da igreja, que apontam para diálogo inter- religioso, a solidariedade, a espiritualidade da práxis, a evangelização através da fé e da intervenção social.

A mística se materializa pelos símbolos, que são capazes de representar os sentimentos e as vontades. Na ação social da PCr, o símbolo tem sentido dinâmico, é mistério que induz à participação, adesão as idéias do grupo. Elias (1970) fez menção ao poder de síntese e de comunicação das simbologias. Os símbolos podem provocar a ligação emocional entre pessoas, ou mesmo, por meio deles pode ser possível a construção da identidade de um grupo.

O poder da simbologia está presente durante as capacitações e as reuniões de Celebração da Vida, quando são construídos painéis no chão, nas paredes ou sobre mesas, que se transformam em altares sagrados. Observei a presença de imagens da Sagrada Família, crucifixo, velas, flores, sino, Bíblia, rosário, ao lado das ferramentas de trabalho da PCr: cartões da criança, Caderno do Líder, colheres- medida do soro caseiro, fita braquial, os dez mandamentos para a paz na família. Ainda espalhadas pelo painel, entre os objetos, plaquetas com palavras-chave de motivação como: caridade, evangelização, amor, mística, caridade cristã, formação contínua, celebração.

Durante os eventos, os Agentes Pastorais investem na linguagem não verbal para decorar o ambiente, com o objetivo que a mensagem da PCr seja assimilada. “O simbólico dá a verdadeira dimensão do mistério.” (BRIGHENT, 2004, p. 34). Os símbolos se revestem de sentido dinâmico, alimentando a formação de identidades, crenças, valores no interior dos grupos capacitados. Nesse processo de subjetivação da ação, ocorre a produção de símbolos sagrados, os quais, segundo Geertz (1989), são responsáveis pela assimilação de valores relacionados à estética e à moralidade.

A mística se materializa dando forma e sentido aos espaços, a exemplo do que observamos no encontro de capacitação que ocorreu na Capela São Paulo Apóstolo, onde havia uma mesa no centro do salão, adornada, semelhante a um altar, com a inscrição: “Mística: luz que ilumina e anima a caminhada. Seiva que alimenta e sustenta a vida”. O altar estava montado com uma sobreposição de objetos religosos (terços, crucifíxos, velas) e ferramentas de trabalho da PCr (Guia do Líder, exemplares do Jornal Pastoral da Criança, vídeos).

Essa espiritualidade costuma ser materializada também através do “momento da mística”, composto pela entoação de cânticos, leitura de versículos bíblicos e realização de orações. A recomendação é que esses momentos de espiritualidade acompanhem o Agente Pastoral em cada ação que realize: capacitação, visitação, Dia do Peso, reunião de avaliação e reflexão, rodas de conversa e outros momentos.

Na PCr, o momento da mística se constitui em gesto simbólico que ultrapassa a realização de discursos, porque torna-se ritual e se materializa em testemunho de vida. É através do gesto simbólico que as pessoas

[...] expressam-se e comunicam-se de forma mais profunda e séria as realidades mais densas da existência humana, pois se comunica e expressa em nível de afeto e emoção a espiritualidade da práxis. [...] o simbólico é indispensável, constitutivo da existência humana. (TABORDA, 1990, p. 80).

Na PCr, a mística é um sentimento forte que garante a ligação social no interior do movimento, promovendo uma unidade de ação e pensamento. Uma mística cristã ou eclesial que é sinônimo de espiritualidade36 ligada à vida,

celebração, oração, comunhão e caridade. Atividades e sentimentos bastante eficientes na consolidação de uma ideologia e serviço próprios, configurando o que entendem por rede de solidariedade ou corrente de solidariedade, assim tratada por Paulo II na Encíclica Sollicitudi Rei Socialis (1987).

A mesma noção de rede partilhada por Elias (1970, p.12) quando a define como “jogo de interdependências entre indivíduos e grupos sociais”. Uma instituição como a PCr constitui-se essencialmente por grupos de seres humanos articulados entre si e que constroem configurações específicas de relações sociais.

Rousseau, ao discutir sobre os fundamentos da desigualdade entre os homens, acrescenta que ocorre um tipo de dependência mútua que constrói vínculos de servidão e provoca necessidades recíprocas que une, de forma que uma pessoa fica na condição de não poder dispensar a outra. No interior dessa rede, as pessoas estão sujeitas a forças compulsivas como a solidariedade e a mística, promotoras dos sentimentos de utilidade social, de pertencimento e instituição de uma ascese. Essas forças estão presentes no interior da PCr e direcionam as ações dos Agentes Pastorais.

A PCr assume uma configuração, cujo eixo central é a criança na família. Tanto os Líderes Comunitários como a mística estão presentes na base de sustentação dessa rede de indivíduos, sendo os responsáveis pela articulação da teia de interdependências as quais fornecem integração e lógica à ação social. Nesse sentido, “a interdependência é uma condição prévia para que se forme esse tipo de configuração”. (ELIAS, 1970, p. 142.).

A interdependência garante as ligações sociais ou interpessoais que são capazes de unir as pessoas em torno de instituições, símbolos, ideologias, em torno

36 Definida por Hill (2005, p.23) como “um anseio interno de saber qual é a profundidade de nós mesmos, do mundo e de cada coisa ao nosso redor. Esses anseios provocam dúvidas sobre os mistérios do nosso mundo, sobre a criação do universo, de onde viemos, para onde vamos”.

de objetivos comuns. É um fenômeno comum no âmbito das entidades filantrópicas que buscam “desenvolver nos seus membros um sentimento social fundado em deveres mútuos, ligando os indivíduos uns aos outros”. (BEGHIN, 2005, p. 46). As ligações sociais são responsáveis pelas várias possibilidades de configuração que um grupo de pessoas pode assumir. São as denominadas redes:

[...] formas recentes de organização da luta social por parte das associações e movimentos sociais. As redes trazem importantes mudanças na sociabilidade e na espacialidade, criando novos territórios de ação coletiva, um novo imaginário social, uma comunidade virtual. (VIEIRA, 2001, p. 76).

A seguir, através do ESQUEMA 12, pode-se observar como estrutura-se a rede de solidariedade mantida pela PCr:

ESQUEMA 12 - Configuração da Pastoral da Criança